Mistério E Sedução

13 Capítulo 13: Gravado na Alma


Dirijo até o hospital pensando em como isso mais cedo ou mais tarde aconteceria de qualquer jeito. Ela vive como se fosse indestrutível, mas não é, ela é apenas uma mulher carente que se esconde por trás daquela mascara de poderosa para compensar suas desilusões. E de uma forma ou de outra eu agora tinha uma ligação com ela, por mais confusa que fosse, e eu estava preocupada, afinal eu tinha duvidado dela.

Não encontro dificuldades em achar o quarto dela. Eu entro silenciosamente caso ela estivesse dormindo, eu sempre achei que uma das melhores formas de acabar com a dor era dormir. Mas ela não estava dormindo e me olha quando eu entro. Ela tinha um olhar vazio diferente daquele confiante e sedutor olhar de sempre.

- você veio. – ela sussurra forçando um meio sorriso. Ela tinha um olho roxo e um corte na boca, marcas de amarra nos pulsos; e isso era só o que eu podia ver por enquanto.

- é claro que eu vim. – eu digo me aproximando da cama. Os hematomas escondiam a sua beleza e seu olhar havia perdido o brilho, tomando uma cor fosca.

- achei que não viria, por isso recusei tratamento enquanto não visse você. – ela me diz.

- então eu vou chamar uma enfermeira.

- não ela já me medicou depois que você disse estar vindo. Tenho mais alguns minutos até que o calmante faça efeito;

- quer me contar o que aconteceu? – eu pergunto.

- quero. – ela diz desviando seus olhos de mim, os deixando ainda mais sem foco. – antes que eu pudesse me tocar de alguma coisa um homem me agarrou, amarrou minhas mãos e minha boca com tiras de pano, me colocou em um carro e me levou para aquele galpão abandonado. – eu podia ver o esforço que ela fazia para falar e seu corpo tremer a cada frase.

- logo eu, irônico não? Fiz da minha vida o sexo e acabo estuprada. Eu bem que mereci. – ela diz

- ninguém merece isso. – eu digo pegando na mão dela.

- eu fiquei viciada em sexo, mas percebi isso tarde demais para parar. Mas agora eu estou vendo que eu nem mesmo sei o que é sexo.

- você o conhecia? – eu pergunto.

- ele era familiar, mas eu não me recordo muito bem, ele me amarrou a uma cama, me bateu e me estuprou.

- ele usou camisinha? – eu pergunto, era necessário.

- não, acho que ele nem mesmo pretendia me deixar viva, eu tive foi sorte. Eu me sinto imunda, eu ainda sinto o cheiro dele, o suor dele e a goza dele em mim.

– ela diz se levantando da cama arrancando o soro e correndo para o banheiro. Eu me levanto imediatamente e vou atrás dela que se debruça sobre o vaso, colocando para fora todo seu nojo, até eu sentia vontade de vomitar. Eu me ajoelho perto dela e coloco a mão em seu ombro.

- tudo bem acabou! Assim que você se recuperar peço para te darem um banho. – eu digo e ela cuidadosamente levanta seu olhar para mim.

- não, isso nunca vai ter fim. Isso vai me aterrorizar pelo resto da vida, ele nunca mais vai sair de mim. – ela diz se levantando, eu a ajudo. Ela me olha como se pedisse ajuda para que eu a tirasse desse pesadelo, mas eu nada podia fazer. Eu a coloco de volta a cama e o médico aparece.

- o soro saiu. – eu digo e ele pede a um enfermeiro que coloque novamente.

- o que você é dela?

- sou uma CSI, investigo um caso que tem ligação com ela, vou precisar examiná-la. – eu digo baixo para que ela não ouça.

- por que ainda não o fez?

- quero que ela durma primeiro. – eu digo e ele balança a cabeça.

- já o remédio fará efeito. – ele diz checando os ferimentos dela e mandando o enfermeiro fazer algumas coisas. Vejo os olhos dela fecharem vagarosamente.

- já tem o teste de estupro? – eu pergunto percebendo que ela dormiu.

- já vou te mandar uma cópia. Ela é toda sua. – ele diz saindo do quarto com o enfermeiro logo atrás.

Busco meu kit no carro, não queria que ela visse que eu iria examiná-la, ela poderia sentir vergonha ou coisa do tipo por me conhecer, ela era orgulhosa e vaidosa, nunca aceitaria. Eu recolho amostras das unhas dela, do cabelo e fotografo seus ferimentos que se espalhavam por todo seu corpo, tinha sido uma bela surra, pareciam marcas de chicote e hematomas de pancadas, deixando sua pele roxa.

Termino de coletar as evidencias, pego o teste de estupro que sem surpresa alguma era positivo e volto para o lab., pois o medico disse que ela demoraria a acordar.