Mistress Alice

1 The Beginning


Não me lembro de meu passado, de meus pais ou se tive irmãos. A única coisa que me lembro vagamente, era o trecho de uma melodia e meu nome.

– Aonde na verdade estou? — estendeu a mão para sentir o toque das gotas — Tudo em minha volta é sem sentido...

Permaneceu assim durante vários minutos, até que algo chamou sua atenção. Perseguiu a borboleta que passeava em meio a chuva, sem sofrer nenhum tipo de dano com as gotas que encostavam em suas frágeis asas.

– Ao menos arranjei algo para perseguir... mesmo que seja algo totalmente estúpido de minha parte. Sinto que faço parte deste lugar e ao mesmo tempo sinto que não faço. — Corria enquanto segurava as bordas do vestido — Não sei expressar o que sinto... — estendeu a mão em direção a borboleta que desaparecia aos poucos — Por favor, não vá! — Tentava recuperar o ar que perdera na correria.

Novamente estava só. Ajoelhou-se no chão, apoiou as mãos no vestido e abaixou a cabeça. Não sabia mais aonde estava, nem o que iria fazer. A chuva parecia nunca acabar.

– Qual o por que de minha existência? — Levantou a cabeça.

Impressionou-se ao ver que estava próxima a um castelo. Não sabia o que expressar naquele momento. Apenas levantou e andou em direção a grande propriedade.

Logo estava nos portões.

– Ao que lia, um castelo havia guardas... este não tem. — argumentou — Isso realmente é um castelo? — Apenas encostou e o portão já se abriu.

A curiosidade de certo modo era maior do que a precaução. Logo estava tomando seus sentidos e obrigando a adentrar o local.

Caminhou lentamente em direção a entrada, com esperanças de que seria acolhida por alguém. Levantou uma mão para bater na porta, quando a mesma abriu sozinha. A empurrou mais um pouco e olhou para os lados. Não via nada. Apenas abraçou o livro que carregava e fechou os olhos. Quando os abriu novamente, avistou algo subir as escadas calmamente.

– Com licença! — Gritou um pouco desesperada.

O mesmo parou, mas continuou de costas.

– Deseja algo? — perguntou com frieza.

– Minhas sinceras desculpas por invadir sua propriedade. Mas... poderia me acolher apenas hoje? — abraçou o livro com mais força.

– Qual seu nome?

– Alice.

– Alice? — calou-se por alguns segundos.

– Sim. — abaixou a cabeça — Tudo bem se você n-

– Irei acolhe-la — voltou a subir as escadas.

– Muito obrigada! — agradeceu — Me desculpe, mas... qual seu nome?

– Jack.

Surpreendeu-se e calou-se.

Antes que voltasse a fazer perguntas, o mesmo já havia desaparecido na escuridão. Voltou a olhar para o livro, sempre sem uma expressão no rosto.

– Eu consegui acolhimento... mesmo que seja por um dia já me sinto feliz por isso — Começou a subir as escadas — De certa forma, é um bom começo. Mas... aonde irei dormir?