O primeiro feitiço rompeu o ar e Hermione fechou os olhos em expectativa. Ela estava louca para ver o que Severo tinha planejado.

Uma profusão de raios coloridos cortou o ar, Hermione reconheceu um estupore que ela não sabia quem tinha lançado e um Everte Statium lançado por Godric que Severo bloqueou com maestria, daí em diante os dois homens começaram a lançar inúmeros feitiços e a girar em volta da praça, se intimidando e medindo até onde podiam ir um com o outro.

Severo estava impressionado com Godric, o fundador realmente era bom em duelos, atacava com precisão e se defendia muito bem, nenhum feitiço lançado por ele tinha ao menos raspado o ruivo.

Snape estava se divertindo com o duelo e o sorriso que Godric tinha no inicio da contenda tinha desaparecido a essa altura, ele tinha notado que julgara mal seu adversário e percebido o quando Severo era perigoso.

O que o Diretor nem imaginava era que Snape não tinha começado a usar legimência, estava sendo esportivo e testando o quanto bom o Grifinório poderia ser. No entanto já estava cansando daquilo com um passo rápido Severo se aproximou do bruxo ruivo e olhando em seus olhos lançou sem palavras “legilimens!”

Agora ele podia ler a mente de Godric e iria acabar com aquele duelo do seu jeito. Aproveitando-se de um momento em que Godric conjecturava a respeito de como deveria proceder, Severo lançou um Levicorpus certeiro que levantou o ruivo pelos tornozelos e o colocando de cabeça para baixo. Com um Expelliarmus arrancou a varinha do Grifinório que foi lançada longe. O bruxo ruivo não podia acreditar, jamais tinha visto aqueles feitiços antes e nunca em sua vida se viu em uma situação tão vexatória.

Hermione deu um suspiro de alivio, ela estava muito apreensiva, a cada feitiço lançado ela ficava pensando que algo tinha dado errado, a demora de Severo em terminar o Duelo era aflitiva, em seu coração queria que tudo acabasse rápido e que Severo saísse são e salvo. Só quando o bruxo ruivo foi atingido que ela percebeu que tinha ficado o tempo todo apertando a mão de Helga.

Snape vestiu sua cara mais fria e terrível, seus olhos negros apesar de impessoais lançavam um brilho de ódio em direção ao pendurado.

O bruxo de negro era tão impressionante que os moradores da vila deram um passo para trás quando ele se aproximou de Godric. O ruivo olhava para o professor como se de repente todo estivesse sem sentido, ele se debatia um pouco tentando se soltar do aperto em seus tornozelos o que de nada servia.

Snape estava se controlando para não lançar uma cruciatus, seria adorável ver o ruivo gemer de dor e se contorcer, talvez gostasse também de um Sectumsempra, porém tinha que refrear seus ímpetos, pois recordava muito bem de Hermione dizendo que ele não podia machucar o Grifinório por que isso criaria problemas para eles. Teria que ser somente humilhações sem maiores consequências.

Severo enrugou o nariz com nojo ao ver que a túnica do ruivo tinha virado em direção ao chão deixando a mostra a meia colante dele e parte da barriga peluda.

- Que coisa horrorosa essa sua barriga gorda porco ruivo! – Severo exclamou debochando — Essa visão deve ser chocante para as mulheres aqui presentes, acho melhor arrumar a sua roupinha, — Snape com um movimento bem teatral de varinha transfigurou a roupa do bruxo em um vestido feminino cor de rosa enfeitiçado para se manter na posição correta.

Hermione, que até ai assistia a tudo sem nem respirar, teve que conter o riso. A maioria das pessoas na praça faziam o mesmo. Até Helga a seu lado estava com o rosto vermelho tentando não rir. O orgulhoso e viril Grifinório vestido como uma moçinha.

Severo não se fez de rogado e continuou – Bem melhor assim, essa roupa combina muito mais com você, talvez eu devesse lhe transformar de vez em mulher e manda-lo para o prostíbulo, assim você ia ver como é ser tratada com vagabunda.

Godric estava em choque, ele nem conseguia falar, sentia somente o sangue ser bombeado com força para a cabeça. Teve muito medo, era a primeira vez na vida que sentia medo de outro homem, ele sempre se considerou poderoso e astuto, no entanto nesse momento estava indefesso.

Severo leu o pensamento dele e soltou – Indefesso como você deixou a minha mulher na biblioteca. Está gostando da sensação?

O ruivo se assustou. Como ele sabia o que ele estava pensando? Que tipo de poder era esse que o bruxo de negro tinha! Sua respiração acelerou e ele sentiu o suor descer-lhe a face.

Severo riu baixo e passou a ponta da varinha pela lateral da face do Godric antes de responder – Ah! Godric, você nem imagina do que eu sou capaz, mas não por que eu tenha mais poderes que você, isso eu não tenho eu apenas sei usar os meus melhor, o que devia te aterrorizar é o ódio e o desprezo que eu sinto por você, ai sim está o perigo, no entanto não pretendo matá-lo. Você vai viver para se lembrar desse dia.

Virando para o publico que assistia a tudo assombrado falou – Eu acho que o vestido caiu bem nele mais não combina com essa barba toda – mais um aceno de varinha e o bruxo ruivo estava barbeado. – E também uma moça não deve andar com o cabelo todo bagunçado desse jeito, seria muito pouco atraente.

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Olhou para Hermione nesse ponto e essa percebeu o que ele ia fazer e tal qual a coruja o cabelo de Godric ficou todo encaracolado. – Lindo!- Severo riu do homem, que agora mais parecia um anjo barroco mal esculpido.

- O duelo está terminado. – Falou Rowena querendo acabar com aquilo enquanto ela podia. A bruxa declarou assustada — O professor Prince e o vencedor. – virou-se para Severo e pediu – Professor o senhor poderia soltar o Godric?

Severo virou para o ruivo e falou – Se eu soltá-lo você vai se comportar? Eu não quero mais ver essa sua cara, e não minta porque você sabe que eu saberei se o fizer.

O bruxo de cabeça para baixo disse que sim entre os dentes, ele ainda estava morrendo de medo do professor e não iria se arriscar novamente, estava muito feliz de apesar estar vestido de mulher e não ter virado uma de verdade, mas no fundo estava principalmente feliz de ainda estar vivo.

Severo o soltou e esse saiu de fininho em busca de sua varinha para logo após aparatar para um lugar onde pudesse lamber sozinho suas feridas.

Snape ficou olhando o bruxo sumir e deu um sorrisinho torto, ele estava vingado. Virou-se para o lado e falou:

– Rowena, vamos até o castelo que eu tenho algo para lhe entregar antes de ir embora daqui.

A bruxa Corvinal ainda em choque não entendeu o que ele queria. E ele reinterou.

- A poção que você me desafiou a fazer está pronta e tenho que entregar-lhe antes de ir embora.

A bruxa assentiu e junto a Helga e Hermione aparataram no portão do castelo.

Eles chegaram às masmorras em total silêncio e não viram nem sinal do Grifinório pelo caminho. Entraram na sala de poções e Severo foi logo apanhar o vidro que estava sobe a bancada estendo-o para a Corvinal.

A bruxa o pegou e olhou encantada para o conteúdo do vidrinho. Virando-se para Snape ela falou – Professor, o senhor me surpreendeu muitíssimo, tanto por ter feito a poção perfeitamente, coisa que eu achava impossível quando nem eu mesma sou capaz, tanto com a demonstração que nos deu no duelo. Seu poder me é desconhecido, nunca ouvi falar de muitos feitiços que executou, estou admirada e digo ao senhor que tem meu sincero respeito.

Severo ficou tocado, fazia muito tempo que nínguem o admirava por suas habilidades tão sinceramente, ele acenou agradecido com a cabeça, mas não conseguiu falar nada por medo de que seu estremecimento fosse visível em sua voz.

E a bruxa prosseguiu falando – Lamentavelmente pelo que entendi o senhor pretende ir embora, há algo que eu possa dizer para fazê-lo mudar de ideia, além é claro de falar que o senhor seria uma aquisição e tanto para o colégio; seu conhecimento é de suma importância para o mundo bruxo.

Severo sorriu, ele sentiu-se envaidecido. – Não vou ficar, lamento muito. Minha mulher e eu temos que ir. Não penso que Hogwarts seria um lugar adequado depois de tudo e acho que o diretor nunca aprovaria a minha presença.

Rowena teve que concordar e estendendo a mão desejou boa sorte para o homem. Já Helga deu um grande abraço em Hermione e também apertou a mão de Severo.

Eles foram junto para o ponto de aparatação, antes de se despedirem de vez Helga entregou a Hermione uma sacola onde ela disse haver um lanche substancial para ambos e voltou a abraçar a menina a qual se havia afeiçoado tão rapidamente.

Severo acenou agradecido para a bruxa e pegou a sacola das mãos de Hermione e a colocou dentro de sua própria e a jogou nas costas. Com as mãos livres abraçou a sua esposa e aparatou deixando Hogwarts, ele esperava, para sempre.

Hermione sentiu uma tontura suave, e abriu os olhos ainda presa nos braços de Severo. A lã grossa da túnica pinicava sua bochecha, era tão confortável estar naqueles braços, apesar de ainda não saber nomear o que sentia pelo homem que a abraçava ela percebia que a cada dia ficava mais forte e que era feliz quando estava em seus braços.

Severo olhava para o horizonte quando ela ergueu seu rosto para ele, era um olhar perdido, talvez por não saber para onde deviam ir.

Hermione não imaginava que esse olhar era muito mais significativo, era o olhar de um homem que nos últimos vinte anos não pôde decidir por si mesmo seu destino, agora ele olhava meio perdido para sua própria liberdade, existia um mundo interno há sua frente, ele poderia ir para onde lhe aprouvesse e, infelizmente, não fazia ideia do que fazer. Sua única certeza era a mulher em seus braços, ela a cada dia estava se tornando uma prioridade mais relevante em sua vida, era assustador a rapidez como ela foi entrando em sua alma, ele estava totalmente dependente dos sorrisos dela e de suas vontades e desejos.

Soltaram-se lentamente como se o ato fosse dolorido, ou como se nunca mais pudessem se abraçar. Só então Hermione reconheceu o lugar onde estavam, era o ponto maximo de distância de aparatação que se poderia fazer em direção a Londres. Ela havia estado naquele lugar no futuro uma vez que fora de Hogwarts para casa aparatando, o lugar não havia mudado nada, era o mesmo riacho rasinho de águas claras só a frondosa arvore que no futuro fazia sobra à beira do lago que ao invés de solitária estava acompanhada de um pequeno bosque.

Severo retirou a sacola do ombro e rumou para as arvores se sentando sobre uma delas fazendo sinal para que Hermione fizesse o mesmo. Ela se aproximou e se sentou ao lado dele apoiando a cabeça em seu ombro.

- Eu estou morto de fome – Severo disse retirando de dentro da sacola a comida que Helga os havia dado. Ao abrir o pacote viu que a bruxa roliça havia colocado dentro comida para um batalhão, tinham muitos bolos de caldeirão e dois frangos enormes inteiros, alguns pães, uma garrafa de vinho e uma de suco de abobora.

O bruxo ofereceu a sua esposa um pedaço de pão e ela sorrindo comentou – acho que a pobre Helga ficou muito preocupada com o nosso sustento, meu Deus, acho que levaremos uma semana para dar conta de tudo isso.

Severo ficou serio de repente, Hermione estranhou e perguntou: – O que houve? Seu pedaço não está bom?

O bruxo olhou para ela como se ela houvesse falado em outra língua e somente quando viu a preocupação no rosto da moça que percebeu sua súbita mudança de humor, era comum que ele as tivesse assim do nada, ela que não estava acostumada ainda com o jeito dele, Snape esperava que ela acostumasse logo por que ele era assim e não achava que fosse mudar. Tentando parecer civilizado ele explicou.

- Quando você disse que custaria uma semana para a comida acabar eu pensei que, na verdade, só temos comida para uma semana e que nesse exato momento não fazemos a menor ideia de para onde vamos ou o que faremos, temos o pouco dinheiro que eu trouxe e uma semana de comida: Nada animador!

Hermione olhou para ele seria – não seja pessimista, as coisas vão se arranjar, vamos comer em paz e depois traçamos um plano, quem sabe irmos para Londres, ou Paris?

- Tudo bem, só não espere que essas cidades sejam meramente parecidas com o que são no futuro, na verdade acho que elas devem ser bem perigosas e sujas.

- Acredito que sejam assim mesmo. – Hermione falou pensativa e um tanto preocupada. – Vamos comer primeiro, depois disso a gente resolve.

Severo admirou a juventude e sua irresponsabilidade temerária, se sua esposa tivesse o mínimo de juízo estaria desesperada, ao contrario disso ele a viu levar um naco de pão com frango á boca e arrematar com um gole de suco. Sorriu a imagem da inocência há sua frente e se sentiu nostálgico de sua própria juventude.

Acabaram de comer conversando sobre o duelo de mais cedo, Hermione confessou que ficou apreensiva no inicio quando o Grifinório conseguia se defender e Severo lhe explicou que não estava lendo a mente do seu adversário naquele momento.

- Severo, você não devia ter se arriscado, imagina se ele lhe manda um feitiço que o derruba?

Severo que nesse momento tomava um gole de suco riu – Ele nunca conseguiria, esqueceu que eu sou o melhor duelista?

Hermione fechou a cara e falou: — Pretensioso... – e depois com um sorriso que Snape achou irresistível ela falou – Por favor, não se arrisque de novo.

- Você tem medo de ficar sozinha aqui no passado? – Ele perguntou um tanto sarcástico.

Hermione ficou ofendida e empinando o nariz disse: — Que se dane, tomara que alguém lhe acerte bem no traseiro.

Severo deu uma gargalhada e puxou Hermione para seu colo, ela ainda estava furiosa com ele, mas aceitou o gesto. Já no colo dele ela falou bem baixinho:

- Eu tenho medo de ficar sozinha aqui sim, claro, mas pior seria ver você machucado, não faça besteiras está bem?

Severo ficou entorpecido com a voz suave e doce da jovem em seu colo e sem nem perceber a apertou fortemente em seus braços e falou: — Nunca a deixarei sozinha enquanto precisar de mim. Prometo, sempre estarei aqui para você.

A tonalidade grave e sonora da voz de Severo fazendo promessas tão serenas a fizeram estremecer e em um ímpeto de desejo passou as pernas sobre ele o montando e ficaram de frente suas respirações quentes e descompassadas misturando-se o cheiro de paixão tomando todo o ar. Suas bocas se uniram em um beijo caustico.

Severo colocou automaticamente as mãos nas pernas da bruxa, levantando o vestido para sentir melhor a pele de veludo da mulher a atraindo de encontro a seu corpo já excitado. A garota gemeu alto quando sentiu o volume crescente de seu marido pressionado contra seu próprio sexo pulsante. O gemido da bruxa tirou o resto de sanidade que Severo ainda tinha. Sanidade que dizia: que estavam ao ar livre em um lugar publico e que poderiam ser vistos. A constatação de fato apenas o excitou mais o impulsionado a começar a arrancar a roupa de sua mulher expondo-lhes os seios delicados e tomando-os a boca de forma faminta, ele não se lembrava de ter sua mente tão turvada pelo desejo antes em sua vida, era uma sede animal por possuir aquela mulher, ele queria invadi-la sentir as paredes do sexo dela o receberem e envolverem seu pênis apertando-o, ali no meio do mato, onde qualquer um poderia vê-los, ele pouco se importava.

Hermione se espantou com a forma voraz com que Severo a despia, ele a atacava como se sua vida dependesse disso, a constatação do desejo desenfreado dele a fez querê-lo também loucamente, enquanto ele arrancava sua roupa ela começou a se esfregar contra o corpo dele, a roçar seus sexos, queria leva-lo a loucura completamente, notou como ele estava possesso pelo desejo, e ela queria vê-lo totalmente entregue, o fogo nos olhos dele a excitava e ela queria se queimar neles junto completamente.

Foi com a mesmo loucura que ela sentiu-o afastar sua calcinha e entrar dentro dela com um golpe seco, sua reação a invasão foi um gemido agudo que Severo fez ecoar com um rosnado grave e quase animal. Levados pela torrente de desejo, Severo viu Hermione cavalga-lo como uma amazona, uma força da natureza irracional e insana, um reflexo de seu próprio desejo, posteriormente satisfeito quando ele se despejou dentro dela e a viu gritar seu nome tremendo sobre ele.

Hermione se mexeu lentamente tentando se levantar, mas Severo não deixou, ele ainda estava dentro dela e a tinha em seus braços, nunca a deixaria se levantar se pudesse escolher, no entanto, ela o beijou nos lábios e disse ainda o tocando na boca:

- Alguém pode nos ver. – Severo a puxou ainda mais para si. – infelizmente você tem razão.

Assim que terminou de falar ele a ajudou a se levantar e se vestiu indo até o riacho lavar o rosto suado. Já deviam ser quase noite e eles não haviam decidido o que fazer, ele não queria dormir ao relento com Hermione, não iria expô-la ao perigo.

A seu lado ele viu Hermione abaixar e também se lavar. Foi em direção onde tinha colocado suas coisas e começou a arruma-las, logo a bruxa o ajudava.

Percebendo que ele estava preocupado Hermione se aproximou para sugerir que fossem até Londres antes que anoitecesse, quando ouviu um barulho de trote de cavalos vindo em direção a eles.

Severo se assustou e tomou Hermione nos braços com a intenção de protegê-la seja lá do que fosse. Viram então que os cavalos não estavam indo em direção a eles e sim passando por eles a todo trote, mas assim que foram avistados, um dos homens se desgarrou do grupo e foi até eles.

- Quem são vocês? De que lugar? Este território faz parte do feudo do senhor meu lord vossa graça o duque de Cumbria.

Severo se assustou, o que dizer a esse homem sem se comprometer, a ultima coisa que ele queria era problemas com trouxas.

Hermione por sua vez, sabia o que falar, sempre adorou as aulas de historia e mesmo quando foi pra Hogwarts não deixou de estudar a historia trouxa.

Baixinho ela falou para Severo o que ele deveria dizer e mesmo sem entender bem o porquê repetiu o que lhe foi dito.

- Nobre senhor, eu sou um homem livre vindo das Escócia, como oficio sou professor, e esta — mostrou Hermione — é minha esposa, estamos à procura de trabalho aqui no sul.

O Homem olhou para ambos tentando averiguar a veracidade do que lhe era dito, ele conhecia muitos fugitivos de feudos que haviam feito algo errado e se punham a vagar pelo campo arrumando confusão, mas esse não parecia o caso do casal em questão, ambos estavam bem vestidos e limpos, e o homem se comunicava de uma forma educada, condizente com a profissão que dizia ter.

- O que o senhor leciona? – perguntou o homem ainda desconfiado.

Novamente Severo não sabia o que dizer, que ciência trouxa ele podia afirmar que lecionava sem cair em uma armadilha de sua própria falta de conhecimento.

Hermione respondeu por ele. – Medicina.

Severo ficou pálido, que absurdo era esse de falar que ele era medico? Isso era uma besteira, ele não sabia nada de medicina e agora sim eles estariam encrencados. Nesse momento ele teve vontade de sacudir sua mulher.

O homem pareceu encantado com a noticia: — Oh! Foi mesmo Deus que os colocou em meu caminho, estávamos desesperados indo a galope até a cidade mais próxima ver se achávamos um medico, tem um rapaz em nosso acampamento, ele se feriu na casada hoje cedo, e está com muita febre se o senhor puder ajuda-lo sei que milord o recompensará, por favor! Pode nos ajudar?

Severo estava morto de raiva de Hermione, o que ele poderia fazer com o rapaz? Qualquer coisa que pudesse usar para ajuda-lo não poderia ser feito na frente de trouxas, ela os havia colocado em uma confusão que teriam sorte em sair ilesos.

Hermione viu em Snape toda a contrariedade que ele sentia naquele momento e como forma de acalma-lo lhe lançou um sorriso meio tremulo que ele achou patético. Sem ter solução viável aceitou o convite para ir até o acampamento.

O homem então se apresentou:

- Meu nome é sir Aleister e eu sou o guarda caça chefe. – fez uma mesura com a ponta do chapéu estilo Robbin Hood que ele usava. Sir Aleister não parecia ter mais que trinta anos e tinha uma aparência muito saudável, cabelos muito loiros e olhos azuis, Hermione o achou muito charmoso e elegante, apesar dele não fazer seu tipo.

Snape se apresentou como Severo Prince.

Sir Aleister pediu que um dos cavaleiros desmontasse e ofereceu o cavalo a Severo para que ele o seguisse, deu ordem para que o rapaz montasse na garupa de um colega e voltasse com eles ao acampamento, os outros dois deveriam seguir para a cidade e achar o outro medico para o caso do que eles acabaram de encontrar não conseguisse curar o rapaz acidentado.

Hermione nunca em sua vida tinha montado em um cavalo, esperava sinceramente que Severo soubesse montar se não seria uma humilhação. Para seu alivio o bruxo montou o cavalo com elegância, mostrando que sabia o que fazer e ela se sentiu como uma mocinha de romance quando ele estendeu o braço para subi-la no cavalo e a colocou sentada a sua frente a prendendo fortemente com o braço esquerdo e segurando as redias com o braço direito.

Assim que os viu prontos Sir Aleister fez sinal para que o seguissem e assim o fizeram, cavalgaram em alta velocidade por mais ou menos meia hora, Hermione passou grande parte do percurso com os olhos fechados se agarrando ao braço de Severo morrendo de medo de cair, mesmo assim não deixou de notar que seu marido estava apreciando o passeio, e assim que chegaram ao acampamento e desmontaram ela viu que o rosto do bruxo estava corado e que ele tinha um ar satisfeito nos olhos. Estava ai mais uma coisa que ela nunca sonhara a respeito do carrancudo professor Snape: Ele gostava de cavalgar.

Sir Aleister os levou até a tenda onde o rapaz estava, ele não queria deixar Hermione entrar, mas Severo garantiu ao homem que ela tinha experiência com ferimentos e que seria de grande ajuda para ele.

Sobre uma cama de peles estava um garoto de dezessete anos obviamente rico pelo aprumado das roupas e das peles caras onde ele repousava.

Snape se aproximou da cama e notou que a perna do rapaz estava quebrada em uma fratura cruel, o osso havia quase saído pela carne, Hermione notou que o jovem estava inconsciente provavelmente por causa da febre alta que estava. Tocou a testa do rapaz e ele gemeu algo ininteligível e mergulhou novamente na inconsciência.

Dentro da barraca estavam apenas Snape, Hermione e sir Aleister. Severo sabia que poderia curar o garoto muito rápido com um feitiço e algumas cotas de essência de ditamno, o problema era o trouxa. Hermione pareceu perceber o que ocorria e depois de olhar para Severo de canto de olho deu um gemido alto e fingiu um desmaio, caindo nos braços do marido, a atuação da mulher fez o bruxo achar que ela era a pior atriz do mundo, mas funcionou, Sir Aleister correu até eles e Severo a sacudiu um pouco para que ela acordasse, ela fez-se de meio grogue e pediu para tomar ar, Snape entendeu o plano e fingindo-se de resignado pediu ao cavalheiro que a levasse para fora da barraca que desse um pouco de água a ela e depois a deixasse e viesse ajuda-lo.

Sir Aleister fez o que foi pedido imediatamente, sua saída deu tempo suficiente para que Severo consertasse o osso da perna do rapaz e pingasse o ditanmo. E administrasse uma poção curativa jogada na boca do rapaz, pouco para que o efeito fosse lento e a cura não parecesse milagre. Mal tinha acabado o cavalheiro voltou, e assim que ele entrou Severo disse que deveriam enfaixar a perna do rapaz com uma tala e uma cataplasma. Ele foi pegar em sua sacola algumas ervas culinárias que Hermione tinha ganhado de Helga e fez um emplasto inútil, mas de boa aparência que também ajudaria a disfarçar a mágica. Depois disso deveriam esperar para ver se a febre baixava e assim até de manhã saberíamos se deu certo.

Sir Aleister ficou muito bem impressionado. O rapaz continuava inconsciente, mas em sua opinião o catapalma estava muito bem feito. O cavalheiro chamou Severo para fora para deixar o rapaz descansar e disse que poderiam usar a barraca ao lado para passar a noite, era sua própria barraca e esperava que a senhora se sentisse confortável.

Severo ponderou a respeito daquilo, no fim tinha dado tudo certo, o garoto ia ficar bem pela manhã, eles tinha um lugar seguro para dormir e se o tal duque lhes desse uma recompensa seria muito útil. Talvez a confiança no acaso que Hermione possuía tivesse algum fundamento. Só o tempo dirá.