Mistake

3 II - Connections.


Notas iniciais
~Annie: Gente, que demora foi essa? Quase 4 meses? MDS! Okay, admito. A culpa foi minha ;-; Quase não peguei no pc, acabei me enrolando com as fics antigas que eu não atualizava há um ano, foram provas e etc... Aí, deu no que deu T^T. MAS AGORA SAIU, PORRA! E TUDO INDICA QUE O PRÓXIMO VAI VIR BEM RAPIDINHO :3 Então, eu espero que gostem realmente desse capítulo muito amorzinho :3 Tem coisas muitas coisas importantes aí em baixo, então fiquem ligados. As coisas vão começar a esquentar. Também queria falar que amei todos os comentários lindos de vocês, e gostaria de agradecer a todos. Vocês são perfeitos demais! Comentem mais, minha gente linda :3 BOA LEITURA! ~Karyash: SINCERAMENTE, EU NÃO ACREDITO QUE TO AQUI, MAINHA! ALGUÉM ME SEGURA QUE EU TO PIRANDO. Gente, eu to chorando de emoção S2 Nós voltamos, nós sempre voltamos. Então, nunca, NUNCA esperem que MTK não seja atualizada, okay people? Mas, sério... É emoção demais. Nos perdoem por todo esse tempo, okay? Nós estamos cientes de que demoramos, porém REALMENTE NOS ESFORÇAMOS para que tudo saia de uma vez. Então, compreensão, please, people! Enfim, eu realmente espero que gostem desse capítulo. Ele realmente tá um show. Vei, esse capítulo quase que não rendia. Estávamos muito preocupadas até, mas conseguimos fazer quatro mil e alguma coisa. VOCÊS VIRAM A CAPA DE MTK? Eu que fiz, genteney :3 Gostaram? Espero que sim. Ah, tem os banners de capítulos também. E esse é o banner de capítulo mais lindo com os personagens mais lindos. Pqp, enrolaçãããão!!!! BOA LEITURA!

Gray

Não sabia se me retirava do recinto ou se ficava encarando mais um pouco aquela expressão desconcertada, esperando que ela me respondesse algo que tivesse sentido. O que nessas condições, não justificaria em absolutamente nada sua atitude. Mas de vez em quando é bom ver as pessoas se atrapalharem perante mim.

— Devo encarar sua pergunta como retórica ou quer mesmo que eu responda?

Fiquei um pouco surpreso com suas palavras, mas não deixei isso transparecer.

Essa garota faz parte do banco de atletas, mas assim como o da maioria das pessoas, não me recordo do nome por que para mim não tem importância. Apesar disso, nas poucas vezes que a observei brevemente na piscina, nunca pensei que sua personalidade fosse tão petulante quanto a minha.

— Não precisa. — Respondi. — Por que já está bem claro para mim que, além de não ter educação, não sabe o que significa limite pessoal.

Com isso, ela fechou os olhos e crispou os lábios, silenciando-se. Ótimo, sem argumentos. Assunto encerrado. Rapidamente peguei minha bolsa para sair dali, mas quando voltei a ouvir sua voz fui obrigado a parar.

Desculpe.

Me virei encontrando-a de cabeça baixa. Parecia ter sido muito difícil dizer aquela palavra, então não perdi a oportunidade.

— Como?

— Eu disse desculpe. — Ela voltou a me encarar, dessa vez parecendo arrependida, apesar de que a humilhação também estava presente em seu rosto. — Por ouvir sua conversa.

Não pude deixar de dar uma breve risada irônica.

— Desculpas? Eu dispenso. Guarde suas palavras para quem precisa delas.

— Por que você é assim? Nem ao menos me conhece!

— Digo o mesmo. Você não me conhece, e esperava que me tratasse como tal. Mas me espionando desse modo, acho que você quer mudar isso um pouco.

— Está insinuando que estou interessada em você?

— Isso é você quem está dizendo.

— Sinceramente, Gray Fullbuster, ao ouvir seu telefonema, pensei que pudesse achar algo que justificasse essa sua personalidade desprezível. Mas vejo que estava errada.

Quem essa garota pensa que é para falar assim comigo? Justificar não seria a palavra correta, melhor seria explicar. Não acredito que essa garota intrometida está me fazendo pensar, novamente, naquilo que eu não devo pensar. Não pense, não questione, apenas obedeça. É o que ele diz. É o que eu faço.

Decidido a dar um basta naquele diálogo completamente desnecessário, retruquei acidamente:

— Você costuma sempre questionar a personalidade das pessoas quando estas não dão a mínima para você?

Agora ela parecia ainda mais irritada.

— Eu sinceramente não sei o que ainda estou fazendo aqui.

— Essa foi a coisa mais sã que você disse nos últimos três minutos.

Parecendo realmente ter perdido a paciência, estreitou os olhos em minha direção.

— Dizem que a primeira impressão é a que fica. — Começou a falar. — Nunca sequer tínhamos trocado um olhar recíproco, então não podia ter certeza de minhas conclusões. Até agora.

Esbocei uma forçada expressão simpática.

— Bom, espero que tenha gostado do nosso breve primeiro e último momento.

Foi o que eu disse antes de sair.

. . .



Passei as horas seguintes de mau humor por estar irritado com aquela conversa. Normalmente, sou do tipo que não dá a mínima para essas coisas, mas acho que apenas fui pego de surpresa. Isso é o motivo pelo qual se deu toda a confusão: o bendito telefonema do meu pai. Ele costuma me ligar para me cobrar todo o tipo de coisa, mas ultimamente tenho percebido que seu desespero vem aumentando cada vez mais, chegando à quase uma obsessão. Às vezes me pergunto por que ainda continuo fazendo exatamente tudo o que me é mandado.

Seja o melhor. Nunca perca para ninguém. Jamais fique em segundo plano.

Mas no instante em que penso nessas coisas, a resposta é quase imediata. Eu preciso disso, por que é a única coisa que me restou. No intervalo entre os períodos, meu celular tocou quando estava no caminho de volta para a piscina.

— O que foi?

— Cara, que mau humor é esse?

Revirei os olhos.

— Não posso fazer nada se eu não sou um aspirante à comediante como você, Natsu. Estou ocupado, o que você quer?

— Ocupado? O intervalo acabou de começar, tenho certeza de que você nem deu dez passos para fora da sala. Por que você não dá meia volta e vem para cá?

— Para cá onde, Natsu? Olha, eu realmente não tenho tempo para isso. Eu...

— Precisa treinar, eu sei. — O ouvi estalar a língua. — Mas sabe do que você também precisa? Descansar um pouco a mente, cara. Você está meio paranoico.

Nem me pergunte o porquê.

Fiquei em silêncio, desejando que Natsu desistisse dessa ideia.

— Se você não vier, juro que vou te buscar.

O cara é realmente insistente!

— Porra, você realmente não vai parar de me irritar, não é?

Ele riu.

— Com toda certeza.

Respirei fundo e olhei as horas em meu relógio de pulso. O intervalo dura mais de uma hora, se eu for lá dar uma enrolada em meu amigo babaca por uns dez minutos, dá tempo de treinar por mais ou menos quarenta e cinco minutos, ainda sobrando espaço para o almoço.

— Onde você está?

— Estamos no pátio.

A resposta no plural me fez chegar à conclusão de que eu teria mais dor de cabeça.

— Já estou indo.

Natsu

Um dia desses, eu ainda vou me ferrar ajudando o Jellal nessas furadas. E como se não bastasse, ganhei três garotas de brinde, mas sinceramente essa parada não é comigo.

— Você vai para a próxima calourada, Natsu? — Perguntou uma delas.

— Foi mal, precisarei estudar nesse dia.

Nem sei quando é esse negócio.

— Que pena, pensei que poderíamos ir juntos.

— Por que você não chama o Jellal?

— Será que ele iria com a gente? — A outra, uma loira, se manifestou. — O Je parece tão inalcançável.

Je? Mas que porra? Espera, então elas pretendiam ir todas comigo? Esse negócio definitivamente é com meu amigo mulherengo.

— Claro que iria. — Instiguei, com um sorriso. — Por que vocês não falam com ele?

— Não temos o número dele. — Disse a terceira.

— Oras, isso não é problema.

Passei o número para elas rapidamente, que praticamente me lamberam de tanto que ficaram felizes.

— Obrigada, Natsu.

— É, você é o melhor!

Sorri para elas e me levantei da bancada com a minha deixa. O Jellal vai me matar! É lógico que o número dele vai se espalhar pelo campus mais rápido que a velocidade da luz, fazendo com que ele tenha que trocar de chip novamente pela décima vez. Como é bom fazer uma pequena vingança de vez em quando. E em falar no diabo...

— Onde se meteu aquele desgraçado?

Ele não estava em lugar nenhum pelos arredores e sua linha estava dando ocupada. Não é possível que as meninas tenham sido tão rápidas! Lembro que ele estava olhando para o celular antes de sair, então posso presumir que ele saiu da sala para falar com alguém? Se for alguma garota, o negócio deve ser sério mesmo para ele dar uma importância tão grande assim. Desisti de tentar ligar e fui andando para o pátio, cumprimentando as pessoas no caminho. Nunca fui o tipo de cara que se força a falar com as pessoas, eu simplesmente falo com elas por que tenho vontade de fazer isso. Nesse aspecto, puxei a minha mãe, é o que meu pai diz. Infelizmente, não tive a oportunidade de verificar isso eu mesmo.

— Natsu!

Abri um largo sorriso ao escutar a voz de Lucy. Virei-me em sua direção, que caminhava até mim também sorrindo, parecendo um pouco melhor que mais cedo. Ela se recupera rápido.

— Lucy.

Num instante, me peguei agradecendo mentalmente por Lisanna não ter vindo junto. Gosto da Lis, mas às vezes sintocomo se ela quisesse se colocar entre nós. Talvez seja devido a sua personalidade carente, porém me deixa desconfortável de qualquer forma.

— O Jellal não está com você?

— Não, ele tá por aí. Sabe como é. Para onde você está indo?

— Na verdade, vim te procurar.

O frio no estômago que senti foi nítido demais para fingir que não aconteceu. O que eu sou agora? Uma garotinha apaixonada? Se Jellal me visse agora, riria da minha cara ridícula. Incrível como consigo me irritar com o puto mesmo sem ele por perto.

— O que houve? — Perguntei, fingindo preocupação. Eu estava mais era ansioso.

Ela sorriu.

— Ah, nada demais. — Deu nos ombros. — Só achei que seria legal ficarmos juntos hoje. Sabe, com o pessoal.

E mais uma vez, ela não diz o que quero ouvir. Mas também o que eu estou esperando? Estou na friendzone antes mesmo de me dar conta de que gosto dessa garota, minha amiga de infância. E até hoje, nunca a chamei para sair. O problema é que sempre que eu tentava fazer isso, vinha uma tuia de amigos no encalço. Esse é meu carma. O foda é que sou normal com todo mundo, mas para falar com ela um assunto desses, eu travo. Acho que no final das contas, estou esperando ela dar indícios de um sentimento recíproco por mim, mas isso não acontece.

— Engraçado, estava pensando o mesmo. — Quando chegamos ao pátio já lotado, sentamo-nos à mesa em que habitualmente ficamos. —Onde estão as meninas?

Já devem estar vindo...

O silêncio retorna. Droga, por que estou tão nervoso? Ultimamente tenho percebido que eu e a Lucy estamos nos distanciando, e isso me deixa uma merda. Qual o meu problema? A Lucy já teve alguns namorados, porém nada realmente sério. Chame-a para sair! Esse é o momento perfeito, estamos sozinhos. Mas não por muito tempo.

— E aí, Natsu! — Sou cumprimentado por Max que passa por nós.

— E aí, cara.

— Esse não é o garoto da vassoura? — Lucy pergunta, como que prendendo o riso.

— Ele mesmo. Como você sabe?

— Bem, eu não fui para festa, mas o vídeo rolou por todo o campus.

Rimos um pouco.

— Ele é um cara legal, só perde um pouco o controle quando bebe.

— Você é bem popular, não é? Na verdade, sempre foi.

Essa frase me pegou de surpresa. Lucy normalmente não costuma falar assim.

— Você até que é bem conhecida. — Zoei, a cutucando de leve.

— Não tanto quanto você.

E isso é um problema? — Fiz uma pergunta crucial. Nessas circunstâncias, parece que minha popularidade adquirida é um muro gigante que nos separa, quando na verdade eu nunca procurei por isso.

Ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder.

— Não.

Respirei fundo.

— As pessoas gostam de mim, por que as trato bem. Mas ninguém me conhece, como você conhece.

Cara, acho que acabei de me declarar indiretamente. Ela abriu um largo sorriso.

— Bom, então acho que posso dizer o mesmo.

Antes que eu pudesse aproveitar aquele momento para desembuchar de vez, avisto Erza e Levy virem à nossa frente. Relaxo os ombros, me sentindo derrotado. Não foi dessa vez.

— Que calor, por que vocês adoram ficar aqui? — A ruiva já chega reclamando.

— E você sempre vem, de qualquer forma. — Retruca Levy, se jogando no banco. — Oi Natsu.

— Oi Levy. Oi para você também, Erza.

A ruiva apenas revira os olhos. Lucy parece um pouco tensa, acho que o motivo de ela estar triste mais cedo foi porque as três brigaram.

— Vou ligar para o Gray. — Falo, me recordando do cara. Ele só tem se afastado cada vez mais.

— Ótima ideia. — Diz Lucy.

— Será que ele vai vir? Nunca vi cara mais chato, e ultimamente ele está pior.

— Parece até alguém que eu conheço.

— Tá querendo brigar, Levy?

— Gente, por favor...

Termino a ligação vendo uma discussão se formar. A Lucy sempre aguentou a barra, mas a frequência das brigas está se tornando maçante, mesmo que a maioria seja fútil.

— Hey, aquela ali não é a sua amiga? — Comento ao observar a garota caminhando ao longe. Recordo-me de te visto Lucy conversando com ela várias vezes.

— É a Juvia! — Lucy se levanta da mesa para acenar. — Juvia!

— Ah, não. — Erza demonstra seu mau humor. — Não vou com a cara dessa garota.

— Eu vou. — Disse Levy. — Ela é legal.

— Você acha todo mundo legal, Levy. Me pergunto se isso é porque você precisa de gente legal ao seu redor para aguentar essa sua monotonia.

Esboço um sorriso sem graça. Parece que a função da baixinha hoje é contrariar a Erza, mais que o normal, assim como a ruiva quer fazer o mesmo.

— Erza, você nem a conhece direito. — Lucy faz cara feia. — Ela está vindo...

— Lucy. – As duas se abraçam. – Oi, pessoal.

— Senta aqui com a gente. — Ignoro a expressão desdenhosa de Erza. Cara, ela tá sempre irritada. — Como anda a vida? Soube que você foi transferida há dois períodos. Já se acostumou?

Juvia coçou a cabeça.

— Bom, é um pouco diferente de onde eu estava, no interior. Mas fui bem acolhida.

— Fiquei sabendo que amanhã entrarão mais alguns alunos transferidos pelo vestibular extra. — Levy entra no assunto. Ela parecia mais em expectativa de rever um certo alguém, pelo que eu ando sabendo.

— Verdade. — Concorda Lucy. — E parece que alguns deles têm bolsa de atleta. Você faz parte da natação, não é?

— Sim, inclusive estamos esperando mais um integrante. Parece que ele veio de outro estado.

Nesse instante, um figura surge ao nosso lado. Gray, sempre com aquela cara tão sem graça, agora parecia surpreso com alguma coisa. Ele olhava diretamente para Juvia.

— Ouviu isso, cara? — Peguei em seu ombro. — Parece que você vai ter mais um concorrente.

— Hm, legal.

— Vocês já se conhecem? –—Perguntou Erza, notando o clima tenso.

— Digamos que sim. — Foi Gray quem respondeu, com certa ironia.

— Apesar de você não saber meu nome. — Juvia devolve na mesma moeda.

— Talvez por não me interessar?

— O negócio tá ficando bom.

Natsu, não dê corda. — Lucy me repreende.

O tempo se fecha de vez com isso. Todos com cara de paisagem, sem ter o que falar. O que diabos está acontecendo com esse grupo?

. . .

Eu observava tudo girar, cambaleando; e no quesito noção, eu já não sabia se havia alguma. Tudo começou quando saí daquele maldito lugar, completamente desnorteado. E em hipótese alguma, penso em voltar para lá. O que mais me incomoda é o fato de estar sentindo uma sensação estranha. Sensação que me acompanha há tempos. Toda a minha trajetória pareceu ser observada.

Ando para os lados, sempre olhando para trás, para me certificar de que definitivamente não há ninguém atrás de mim, para que eu possa ficar tranquilo. Mas a cada passo que dou, me sinto mais inseguro. Não, não estou com medo. Ou talvez esteja. Eu só acho que isso tudo é muito suspeito. E não quero mais problemas para tolerar.

Dou mais um passo. Sinto tudo girar ao meu redor como antes, porém pior e com mais impacto. Começo a sentir tonturas, como se estivesse levado uma porrada. Passou um tempo e eu já não via luz. Não me certifiquei de olhar para o céu, para dizer se é manhã ou noite, simplesmente não conseguia mais sentir a claridade que antes parecia me atingir em cheio.

Continuei a caminhada, prosseguindo com mais rapidez. A noção que eu tinha de estar sendo espionado não diminuía.Mas eu não tinha medo. Algo dentro da minha cabeça me dizia que era uma situação familiar. Talvez intuição? Só sei que estou sendo perseguido por alguém que pareço conhecer. E então tudo se encaixou na minha mente, de uma forma que eu não acreditava ser possível. Um flashback tomou meus pensamentos, me fazendo recordar vagamente de situações que eu acho que já presenciei antes.

Um dia. Meio tempo. Ganhei uma ficha na polícia. Conheci um idiota e perdi contato com o meu melhor amigo.

Parei de andar, quase caindo, mesmo que apoiado numas das paredes da rua, ao perceber que eu já não podia mais fugir daquele que me perseguia. Encará-lo, seja lá quem for, é o que eu precisava fazer.

Virei-me, ficando – ou ao menos tentando –, me manter ereto e em posição. Esbanjei o maior sorriso cafajeste que consegui, desmanchando o sorriso em seguida. Quando me dei conta de que não havia realmente ninguém, pensei em pôr o caminho adiante, suspirando.

E subitamente, me senti coberto com a sombra de... um homem, talvez? Depois daquilo, a única coisa que tenho ciência é que perdi a consciência.

. . .

Acordei num sobressalto, com uma dor inconsequente no estômago. Não sei onde estou, mas tenho a impressão de já ter deixado uma marca por aqui. Olho para os lados e só vejo um enorme escritório, com poltronas aconchegantes – similares a grandes sofás – brancas. E para fechar, uma extensa mesa ao centro. Quando me dou conta, percebo que estou sentado numa cadeira em frente à essa mesa, amarrado fortemente. Tento me soltar, remexendo os braços. E quando estou prestes a me desvencilhar, escuto uma voz que fez meu sangue gelar.

— Fica paradinho aí, cara. Temos muito o que conversar.

Engulo em seco. Puta que pariu, será que-

— Fiquei sabendo de umas gracinhas suas que me chatearam muito. E sabe, eu estou muito magoado mesmo com suas atitudes, cara.

Ele rodeou toda a mesa antes de prosseguir.

— Eu gostaria mesmo de contar minhas notas, e adicionar mais notas à minha coleção.... Mas sabe por que eu não posso?

Fiz que não com a cabeça.

— Porque não estou recebendo mais notas como antes. Isso me chateia muito, cara. E me magoa mais ainda sabendo que irei falir por sua causa. Está me entendendo?

Falir? Mas que cara exagerado.

— Mas, sinceramente, eu não estou afim de dar outra chance a você. Sabe quantas vezes você já vacilou comigo, cara?

Filho da puta.

— Olha bem, cara... eu não fiz nada, ‘tá ligado? Eu só estava numa boa, cuidando dos negócios.

Falei, convicto. Porém, aquele desgraçado não pareceu crer nas minhas palavras. Ele sorriu ironicamente, e logo depois seu sorriso morreu. O filho da puta trincou o maxilar, e atrás de mim, cutucando minhas costas, simplesmente cuspiu ordens.

— Levanta, cara. — Fiquei sem entender. — LEVANTA, CARALHO! — Assim que levantei, ele me atingiu em cheio no estômago. Golpeado de surpresa, urrei de dor, enquanto cuspia o sangue no chão.

P-Pega leve, mano. — Indaguei com dificuldade. — Eu posso fazer certo dessa vez...

Ele balançou a cabeça negativamente. Acredito que ele não confia mais em mim.

Porra, eu juro, Sting. Pelo amor de Deus, cara. Eu não vou vacilar outra vez. Qual é, cara?

Quando achei que o convenci, fui atingido outra vez numa sequência visivelmente interminável de porradas. Eu só sabia cuspir sangue, urrar de dor. Eu precisava pensar em algo... rápido...

— C-Cara, vamos falar de negócios?

Sting parou, parecendo ver lucro nas minhas palavras. E ele não deixava de estar certo.

— Desembucha, cara. E eu espero que me convença.

Recuperei as forças, cuspindo mais sangue no chão. Quando finalmente me revigorei, comecei.

— Eu vou voltar à ativa, vou lucrar mais do que de costume. E todos os meus lucros, independentemente de serem de suas merdas ou não, estarão em suas mãos.

Ele pareceu convencido quando ergueu a sobrancelha.

— Se esse é o caso, você vai lidar com alguns extras todos os finais de semana, já que estou sem saco para isso. Mas nenhum lucro vai para a sua mão. Estamos em acordo?

— Claro, Sting, claro.

— Pois bem, cara. Escuta só o que eu vou te falar. O que você me falou agora, é uma promessa. E promessas devem ser cumpridas. Então, se você falou isso só para se safar, saiba que não vai dar.

— Eu ‘tô ligado, Sting. ‘Tô ligado, cara.

E é melhor que esteja mesmo. Essa é a sua última chance, Gajeel.

Jellal

Meu dia já se apresentou um saco, e bem isso não é novidade. Fiquei o dia todo sem fazer nada, resfolegando. E só me dei conta de que eu estava no Hospital Universitário, numa aula que desconheço, quando Natsu me chamou a atenção.

— Jellal... Que maresia é essa, cara?

Me desliguei do celular no mesmo instante, com tédio.

— Maresia é maresia. Quero tomar um ar.

Ele me olhou, desconfiado.

— Não ache que você é invisível. Todo mundo vai te ver sair, cara. Fica aí e espera o intervalo.

— Uma merda que vou ficar aqui. Você me cobre.

Tsc. — Natsu trincou o maxilar como se dissesse que não gostou da ideia, mas que vai ajudar a pôr em prática.

— Vai ser complicado, afinal não pode sair na aula de anatomia, cara.

— Distrai o professor.

— Quê? Eu estou do seu lado, tobó.

Revirei os olhos.

— Muda de lugar então, cara. Vai para perto daquelas meninas ali e chama o professor.

— Mas, cara... O professor vai me ver levantar e-

O interrompi.

— Dá seus pulos aí, cara. Quero sair.

Droga. — Natsu resmungou, já pondo o plano em ação.

Fiquei por alguns instantes vendo Dragneel levantar e andar até algumas meninas de fininho, enquanto eu ria da situação. Ouvi vagamente o professor falar alguma merda, mas não dei importância. Somente quando escutei um barulho, provavelmente proveniente de alguma mensagem no celular, que parei de observar Natsu e “prestar atenção” no que o professor dizia alternadamente.

Liguei meu celular e desbloqueei-o, achando que o som vinha dele. Não estava enganado, afinal. Vi no cursor o nome do indivíduo que me enviou uma mensagem, e parei no mesmo momento, sentindo uma raiva me consumir ao ler o conteúdo.

Desviei o olhar do dispositivo, verificando se a barra já estava limpa. Agora eu precisava mais do que nunca tomar um ar. Aliviei um pouco a tensão ao ver que Natsu conseguiu fazer o que eu pedi, e saí da sala.

. . .

Andando a passos largos, mas controlados, eu digitava rapidamente alguma merda no celular, resmungando. Qualquer um que me visse, diria que eu estava puto de raiva. E eu estou mesmo.

— Ih, que cara é essa, Jellal? Aconteceu alguma coisa?

Virei meu olhar em direção a voz que me chamava. Era Mcgarden. Engoli em seco, hesitando antes de responder.

— Nada. — Eu estaria convicto de que a convenci, se não estivesse visto o olhar desconfiado dela.

Logo depois de responder, percebi que ela não estava sozinha. Natsu, Lucy, Erza, Lockser, e até mesmo Fullbuster, estavam lá. Todos reunidos, jogando conversa fora, ou melhor, alguns deles. Provavelmente, Dragneel que chamou todos para se reunir com ele. O cara não perde uma oportunidade.

Depois de um tempo, detectaram minha presença. Natsu foi o primeiro a se manifestar.

— Briguinha com alguma peguete, Jellal? — O seu tom era irônico, claramente zombador e brincalhão.

Lucy cutucou o rosado com o braço, sussurrando.

Natsu, fica quieto. O Jellal não ‘tá com uma cara amigável.

— Não é da sua conta, Natsu. — Respondi-o, impaciente.

Dragneel levantou os braços, surpreso com minhas palavras.

Viu? Se você tivesse ficado quieto... — Afirmou Lucy, resmungando.

— Não precisa respondê-lo desse jeito, Jellal. Ninguém tem que aturar suas grosserias logo no intervalo. — Falou Erza, segura das suas palavras autoritárias.

— Vai à merda, Scarlet. ‘Tô pouco me fodendo para você.

— Quem é você para falar assim comigo? — A ruiva se levantou, ficando à minha frente.

— Gente, parou? Acalmem-se, por favor. — Arriscou Lucy, querendo paz no intervalo.

— Deixe-os, Lucy. Você sabe que não adianta. — Indagou Levy, cruzando os braços.

— Eu preciso ao menos tentar, Levy. — A loira respondeu, enquanto tentava amenizar a gravidade da situação.

Vi Fullbuster tentar sair de fininho, sendo impedido no ato por Dragneel.

— Para onde você vai, Gray? Você precisa ser mais social, cara.

— Não tenho nada a ver com isso. E eu preciso treinar. — O moreno respondeu, já em pé.

— Ih, cara chato... vai lá, Sr. Super esforço. — Quando Natsu disse isso, Fullbuster já estava bem longe do meu campo de visão.

— Já chega, Erza. O que deu em você? ‘Tá querendo fazer pose na frente das amigas? Porque, cá entre nós, se eu estivesse sozinho com você, tenho a certeza de que você não abriria a boca para falar aquilo. E todo o campus sabe disso. — Falei, com tédio na voz.

— Você não me conhece. — Scarlet disse e virou o rosto, querendo olhar para qualquer lugar menos para mim.

— Mas eu sou capaz de te controlar. E sabe por quê? Porque eu sou o cafajeste pelo qual você tem uma queda. E não importa o que eu faça, ou o que eu diga, afinal você sempre volta para mim como um cachorrinho. — Fiz questão de trazer seu rosto ao meu, deixando-a encabulada. — Viu só, Erza? Você é tão fácil de controlar quanto uma marionete.

Ela tirou minha mão de seu rosto com brutalidade, segurando o choro.

Você precisava humilhá-la, Jellal? — Indagou Levy, antes de puxar Erza ao seu encalço juntamente com Lucy, e surpreendentemente Juvia, que foi com elas por livre e espontânea vontade.

Humilhar? Do que diabos ela estava falando? Nunca humilhei ninguém! Na verdade, sempre fui humilhado. E não, eu não humilho porque fui humilhado. Quem entenderia afinal? Quando eu achava que estava tudo bem, o mundo inteiro caía sobre mim. Sem forças, eu só levantava anos depois, sozinho.... Como sempre foi.

Depois que elas saíram, encarei Natsu, logo dizendo.

— Cala a boca, cara.

Ele levantou os braços outra vez.

Mas eu nem-

E antes de Natsu completar a fala, já me pus a andar, pretendendo encontrar o otário que me enviou aquela mensagem. Eu o faria pagar pelos danos que esteve cometendo.

Notas finais
Annie: Uau. E esse final aí? Com quem será que o Jelly tá puto da vida? KKKKKK olha as tretas se formando. Jerza, Gruvia... E o Nalu? Então o Natsu gosta mesmo da Lucy, rapaz! (todo mundo já sabia :v). Será que o nosso rosado vai conseguir chamá-la para sair? Mas será que a Lucy está interessada? Vamos aguardar para ver. No próximo capítulo o negócio vai ficar sério mesmo. Prometemos não demorar tanto. Afinal, também estamos ansiosas para chegar na parte realmente foda de MTK. Até o próximo, pessoal. Digam o que acharam aí em baixo, sim? Amo vocês! ~Karyash: E ai? A demora compensou? ~le eu com os olhos brilhando. Cara, esses foi uns dos capítulos que eu mais ri e que mais gostei de escrever. Lembrando que eu fiquei com o Jelly e o Gajivis, o resto foi da Annie. Por falar em Gajivis, a parte dele foi *-* E ELE FINALMENTE APARECEU, VEI! Já tava na hora, né? FINALMENTE POV DO GAJEEL! PALMAS, PEOPLE. Eu realmente espero que tenham gostado. Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.