Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Como vocês estão? Espero que bem. Aqui estou eu com o primeiro capítulo oficial. Espero de verdade que gostem e muito obrigada a AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO I — ANIVERSÁRIO

Dias atuais — Hawkins

— E quem era o assassino, tio Clint? O agente Fury? – Pergunta Eleven com curiosidade. Os olhos castanhos da garota de cabelos curtos parecem dobrar de tamanho. Meus outros sobrinhos sorriam, sabendo que a prima mais nova se surpreenderia com o resultado da história.

— Para aqueles que ainda não sabem o desfecho da história, quais são as suas apostas? Quem era o assassino? – Questiono, observando os rostos repletos de ansiedade para saber a resposta.

Sorrio e encaro todos os meus doze sobrinhos e seus cônjuges, enquanto eles discutiam quem tinha a maior probabilidade de ser o assassino. Hoje é o meu aniversário e para me desculpar por ter passado tanto tempo afastado da família, eu havia solicitado a meus sobrinhos que comparecessem a minha casa do lago antes de irmos para o local onde seria realizado a minha festa de aniversário de quarenta anos.

Assim que todos se reuniram em volta da grande e confortável lareira da casa e se acomodaram da melhor maneira possível, decidi contar uma das minhas melhores histórias a meus novos sobrinhos. O resultado não poderia ter sido melhor. Mesmo aqueles que já tinham ouvido a história, pareciam ansiosos para o desenrolar da trama que se mostrou ser muito melhor do que eu poderia prever na época.

Meu mordomo e amigo de longa data, Bernard Hanks, aparece na sala de estar da casa com um carrinho, trazendo as mais de vinte canecas de chocolate quente para aquecer todos aqueles que estavam presentes. A família era grande e havia se tornado ainda maior esse ano com a chegada de novos amores e novas vidas para deixar a casa ainda mais recheada de risos e esperança.

— Obrigado, Bernard. – Agradeço ao homem, assim que recebo a minha caneca de chocolate quente. O homem dá um sorriso polido e observa minha família se divertir ao apostarem quem seria o assassino da história.

— Se me permite dizer, essa foi uma excelente escolha de história, sr. Barton. – Comenta Bernard, sorrindo nostálgico. – É ótimo ter a família Barton toda reunida para ouvir suas histórias, enquanto tomam chocolate quente com marshmallow em volta da lareira e esperam pelo desfecho de mais uma de suas aventuras.

— Tem razão. É ótimo ter essas crianças reunidas de novo. E agora com novos membros. – Afirmo, encarando os jovens que eu tenho como filhos acompanhados de suas novas famílias. – Ainda é difícil de acreditar que todos cresceram e que não são mais aquelas crianças que dependiam do tio Clint para tudo. Hoje eles já estão grandes o suficiente para se virar sem mim. Acho que eu estou entrando na crise da meia idade, Bernard. O que eu vou fazer se eles se esquecerem da minha existência?

— Isso seria impossível de acontecer, sr. Barton. E eu tenho certeza de que seus sobrinhos sempre vão depender do senhor. A prova disso é que estão aqui com suas famílias, bebendo chocolate quente com marshmallows em volta de uma lareira apenas para ouvir suas histórias. – Bernard me reconforta com um sorriso amável. – Durante os últimos vinte e cinco anos em que estive ao seu lado, presenciei feitos extraordinários do senhor. Seus sobrinhos o amam e o admiram. Não importa que cresçam e encontrem seu caminho, eles sempre serão teimosos e inteligentes como um Barton.

— Você sempre sabe o que dizer para eu me sentir melhor. Bernard. – Comento, apreciando os sorrisos de meus sobrinhos. O homem sorri e posso ver seus olhos azuis brilharem com carinho. – Vinte e cinco anos, Bernard? Uau! Parece que foi ontem que eu te conheci. Acho que já está na hora de você se aposentar. Você nunca tira férias e está sempre cuidando de mim e dos meus sobrinhos.

— Oh, não, senhor. Por favor. Eu entraria em colapso se me aposentasse. Eu tenho uma dívida eterna com o senhor. E eu não preciso de férias. Não se preocupe comigo. – Garante o homem, encarando-me com seriedade. Aposentadoria era um assunto proibido para o homem que cuidava de mim como se fosse o meu pai.

— O tempo está passando, Bernard. Você está em uma idade em que deveria estar aproveitando os seus bisnetos e não servindo um maluco que tem te incomodado há mais de duas décadas. – Respondo e ele parece insatisfeito com as minhas palavras. Rio de seu descontentamento e bebo o chocolate quente em minha caneca. – Tudo bem. Então vamos fazer assim. Depois de passar as festas de fim de ano e todas as dores de cabeça com as empresas, tiraremos férias de um mês para irmos a Londres visitar seus filhos, netos e bisnetos. Eles já devem estar pensando que eu estou escravizando um indefeso idoso.

— Eles jamais pensariam isso do senhor. Eu garanto. – Afirma o homem com preocupação. Bernard sempre foi muito sério e literal. Mesmo depois de tantos anos ao meu lado, ele costumava levar minhas palavras muito à sério. – E não é necessário que...

— Está decidido, Bernard. Depois de cuidarmos de todas as loucuras desse mês, você vai tirar férias e isso é uma ordem. – Dito e ele suspira, ajeitando os óculos em seu rosto. Estava frustrado, mas ele jamais iria contra uma ordem minha. Sua lealdade e compromisso o impediam de me contrariar.

— Como desejar, sr. Barton. – Concorda o homem, fazendo uma reverência.

— Termina de contar a história, tio Clint. – Pede Oliver, ajeitando o filho em seu colo. – Eu nunca me canso de ouvir o desfecho desse caso. E eu tenho certeza de que o Tony vai amar ouvir. Não é, filho?

— Sim! Conta a história, tio Clint! Conta! Conta! Conta! – Implora Anthony, fazendo os olhinhos de cachorro que caiu da mudança que somente ele conseguia fazer. Logo um coro o acompanha, implorando para saber como tudo terminaria.

— Tudo bem! Agora que estamos aquecidos com chocolate quente, eu vou terminar de contar a história. – Respondo, fazendo todos festejarem. Sorrio e entrego minha caneca a Bernard. Quando volto minha atenção para meus sobrinhos, ergo meu dedo, exatamente como fiz a vinte anos atrás e aponto para Roy, o namorado de minha sobrinha Thea. – E naquele momento, eu ergui o meu dedo e apontei para o assassino.

— O assassino é você, sargento Edgell. – Revelo, surpreendendo a todos.

— O quê? – Questiona Fury, gargalhando. – O sargento Edgell é um subordinado meu de Budapeste há dez anos. Ele jamais...

— Foi ele quem a matou. – Insisto com confiança. – Foi o sargento Edgell quem matou a agente Noemi Altmayer.

— Deixe de bobagens! – Grita Fury, irritado com a minha insistência. – Não tem cabimento o assassino ficar na cena do crime!

— É por ele ser o assassino que deseja ficar próximo. – Afirmo, encarando Fury com seriedade. – Aliás, não cheguei a dizer? Também sei onde encontrar as provas. Poderia me emprestar a sua arma, sargento Edgell?

— Che... chega de absurdos, por favor! – Exclama o sargento com uma expressão assustada. – A penalidade por passar uma arma do governo a um civil vai além de monetária!

— Justo quando eu pensei que fosse dar em alguma coisa. – Fury resmunga, massageando as têmporas. – Todos os historiadores são idiotas assim?

— Se examinarmos a arma e estiver vazia, de fato, eu sou só um idiota pagando pela boca. – Argumento, encarando Fury em desafio. Os olhos verdes de Natasha recaem sobre mim e, diferente de seu chefe, ela parecia acreditar que o sargento Edgell é o assassino.

— Não seja idiota! Eu não vou fazer isso. Confio no sargento Edgell. – Responde Fury, determinado.

— Agente Fury, por que não damos uma olhada e acabamos com essa suspeita? Não custa nada olhar. E se ele estiver enganado, o senhor pode prendê-lo por desacato, assim como disse que faria antes. – Sugere Natasha e isso surpreende Fury. Ele encara a agente por alguns instantes e suspira, dando-se por vencido.

— Sargento Edgell, mostre sua arma a ele. – Ordena Fury, encarando-me de forma impaciente.

— É que... – O sargento hesita.

— Ele já latiu o bastante. Mostre logo a sua arma. Assim ele se cala e vai embora de uma vez por todas. – Responde Fury, confiante de que faria eu me arrepender de minhas suposições. – Não dá para desperdiçar mais o meu tempo. Tenho outros assuntos para resolver. Então mostre a arma a ele. – Vendo que o sargento não se mexia, Fury o encara confuso. – Ei! O que houve, sargento Edgell?

— Mesmo nesta cidade, não é fácil para um amador conseguir munição extra. – Comento, sorrindo confiante. – É ainda mais difícil se for para a arma do governo.

— Que silêncio é esse, Edgell? – Grita Fury, irritado.

— Ele está pensando freneticamente nas três valas de que fez uso e como justificar a falta delas. – Respondo, encarando o sargento, que arregala os olhos, nervoso.

— Edgell! – Grita Fury mais uma vez. Ele não conseguia acreditar que seu subordinado era mesmo o assassino. – Não tem como você ser o assassino! Anda! Mostra a arma!

Devagar, o sargento leva a mão ao seu coldre preso na perna. Ele desabotoa e retira a arma. Fury respira mais aliviado e dá um sorriso nervoso.

— Assim mesmo, Edgell. – Orienta Fury, mas logo eles notam que havia algo de errado quando o sargento engatilha a arma e aponta na minha direção, enquanto começa a correr na direção em que eu havia alertado Natasha anteriormente.

No entanto, antes que o homem atirasse, Natasha se joga sobre o sargento, impedindo que os tiros me acertassem. Com maestria, ela torce o braço do homem e o pressiona seu rosto contra o chão, impossibilitando qualquer movimento. Mais oficiais da CIA aparecem e cercam o sargento Edgell, deixando claro que ele não conseguiria mais escapar pela rota que ele planejava.

— Me solta! Eu não fiz nada! – Grita o sargento, tentando se soltar do aperto de Natasha.

— Fugir não vai adiantar. – Respondo, abaixando-me para que eu pudesse encarar os seus olhos. – O homicídio aconteceu ontem de manhã, em um antigo estaleiro há cento e quarenta metros do rio acima.

— Como... como você sabe? – Questiona o oficial, assustado com a precisão de minha resposta.

— Se formos lá, nós encontraremos as suas digitais e as da vítima. – Continuo, satisfeito por ver o desespero nos olhos do homem. Sem falar nas manchas de sangue que não conseguiu remover.

— Como...? – Sussurra o sargento, encarando-me com os olhos arregalados. – Não tinha como ninguém saber.

— Vamos ouvir o resto na delegacia. – Orienta Fury, enquanto encarava seu subordinado com decepção. – Essa possivelmente será a última vez que você trabalha lá.

— Eu não quis atirar nela... Ela... ela estava atrás de um certo político corrupto que se escondia aqui em Budapeste. – Fala o homem de maneira apática, antes que o levassem para a delegacia. – O que ninguém previu é que ela encontraria de fato provas de um crime de um membro da organização criminosa que esse político fazia parte. O problema é que ele foi esperto e implantou um espião na CIA para se livras as provas.

— E esse espião era você. – Deduzo, observando-o com curiosidade. – Por que você fez isso?

— Eu sempre quis me tornar um policial. Depois de três tentativas fracassadas, eu caí em depressão e um homem fez contato comigo. Queria saber se eu estaria disposto a tudo para realizar o meu sonho. – Responde o homem, tremendo em medo. Estava desesperado pelo seu futuro. – Depois de entrar na força policial com o auxílio de um membro da CIA, que também era membro da HYDRA, eu tinha de seguir as ordens em retribuição.

— Aí você matou a Noemi como se fosse o cachorrinho dele?! – Grita Fury, puxando o sargento pelo colarinho do uniforme.

— Não foi assim! – Grita o rapaz em resposta. – Eu bem que tentei avisá-la. Eu disse que ela acabaria morta, se não se livrasse das provas. Mesmo assim, ela... ela insistiu em ir fundo. Ela entrou em contato com o seu informante e combinou de se encontrar com ele para entregar as provas. Foi um acidente! Eu disse que para ela me entregar as provas caso contrário, eu atiraria nela. Mas Noemi tinha certeza de que eu não atiraria nela e se manteve firme. E ela estava certa. Então eu ameacei atirar em mim mesmo. Noemi então correu para puxar a arma da minha mão e em meio a luta, eu acabei atirando nela.

— Naquela altura, você já seria condenado. Seria despedido e preso. Em pânico, só conseguiu pensar em uma pessoa a quem pedir socorro. Ao ligar para o membro da HYDRA, que é um agente da CIA, ele te mandou destruir as provas e que desse mais dois tiros nela para fazer parecer que foi culpa da máfia. Então soltou o corpo dela pelo rio para atrasar a descoberta e fazer parecer que ela é mais um caso do serial killer que tem assassinado as agentes da CIA. – Concluo, observando Natasha apertar os punhos do assassino.

— Onde estão as provas que Noemi conseguiu? Esse membro da HYDRA é o responsável pelas mortes? – Pergunta Fury, soltando o sargento. Ao não ter respostas, ele volta a pressionar o homem. – Desembucha, Edgell!

— Ei, Edgell. Você quer eu adivinhe quais foram as últimas palavras dela? – Pergunto, vendo que ele não estava disposto a falar. O homem ergue o olhar com curiosidade. – Me perdoe. Essas foram as últimas palavras dela, não foram?

E então as lágrimas vieram com intensidade. O arrependimento e a dor eram evidentes em seus olhos. Ele se encolhe e vai de joelhos ao chão, como se eu tivesse aberto uma torturante e dolorosa ferida. Natasha e Fury o encaram com mágoa. Noemi provavelmente era uma agente importante para eles.

— Você.... quem é você...? – Sussurra Edgell aos prantos, enquanto me encarava com o rosto manchado em lágrimas. Sorrio e me abaixo, ficando na altura do sargento.

— As provas. Onde elas estão? – Pergunto com suavidade.

— Elas estão na minha gaveta na delegacia. – Responde o sargento sem forças para continuar a suportar a culpa que sentia pela morte de sua superiora.

— E foi assim que eu resolvi o meu primeiro caso para a CIA. – Finalizo a história e observo as faces embasbacadas daqueles que estavam ouvindo aquela história pela primeira vez.

— Mas... como? Como você descobriu tudo isso, Clint? Por acaso você é vidente por acaso? – Pergunta Mike, o namorado de Eleven e irmão mais novo de minha sobrinha de consideração, Nancy Wheeler.

— Eu te disse que o tio Clint tinha poderes especiais. – Brinca Nancy, encarando o irmão com diversão, enquanto acaricia a barriga, que já estava enorme. Em alguns meses, ela dará à luz a primeira filha e não poderia estar mais animada com a notícia.

— Isso é mesmo verdade? Quer dizer, como você conseguiu descobrir o assassino num espaço tão curto de tempo? Não é possível! – Exclama Daryl, marido de minha sobrinha Beth. Eles estão casados há três meses, então essa era a primeira vez que ele tinha contato comigo. Não o condenava por desconfiar de minhas habilidades. – Uma simples dedução seria o bastante para uma façanha dessas?

— Tudo é questão de armazenar bem a informação e processar tudo com atenção. Vocês por acaso se lembram do que o sargento Edgell disse quando nós concluímos que aquele assassinato não tinha sido obra da máfia e que a abordagem do crime foi apenas feita para parecer isso? – Pergunto, encarando cada um dos presentes na enorme sala de estar.

— Ele comentou sobre o assassino ter sido cruel por ter dado mais dois tiros apenas para parecer que foi obra da máfia. – Responde Damon Salvatore, um dos meus sobrinhos de consideração que assim como eu possui a memória eidética bastante desenvolvida. Sorrio com satisfação. Não poderia esperar menos dele.

— Ding dong! Você está correto, meu talentoso sobrinho. – Comento e ele sorri orgulhoso. – Após ver o corpo com três feridas, qualquer um assumiria que os três disparos ocorreram de uma vez. Mas ele comentou sobre ter dado mais dois tiros depois. Em resumo, ele sabia que a vítima havia morrido no primeiro tiro. Quem saberia disso antes mesmo de uma autópsia?

— Só o assassino... – Responde Daryl, parecendo entender a minha lógica. Sorrio, concordando. – Mesmo assim, você também sabia o local e a hora do crime. No dia anterior pela manhã. Como isso é possível?

— Parece que alguém realmente prestou atenção nos detalhes. – Comento, orgulhoso por ver que mesmo alguém que o novo membro da família também era perspicaz. – Bom, eu soube disso no momento em que olhei para a vítima. O corpo dela ainda estava em boas condições, então no máximo, flutuou pelo rio por um dia. O dia anterior era terça, um dia de semana. A vítima, porém, não usava maquiagem. Detetives trabalham muito, atravessam madrugadas e só ficariam daquele jeito num dia de semana se morressem pela manhã.

— Entendi. – Comenta Daryl, aceitando a minha explicação.

— Mas como você sabia o local do crime? – Pergunta Mal, namorada de meu afilhado, Benjamin Florian. – Em um... como era o nome mesmo?

— Um antigo estaleiro há cento e quarenta metros no rio Danúbio. – Responde Damon e no mesmo instante recebe um tapa no ombro de Sam Puckett, uma de minhas sobrinhas mais novas. – Ai, Sam! Seus tapas são dolorosos.

— Metido! – Brinca a garota, enquanto ele acariciava o local. – Só porque é o único aqui com a memória parecida com a do tio Clint, você fica se exibindo sempre que pode. Dá um jeito nele, Elena!

— Bem que eu queria. Mas ele fica insuportável quando recebe elogios do tio Clint. Parece até um cachorrinho recebendo agrados do dono. – Comenta Elena Gilbert, namorada de Damon, fazendo todos rirem enquanto Damon revira os olhos.

— Eu não tenho culpa de ser tão incrível ao ponto do lendário Clint Barton me elogiar. – Ironiza o garoto com diversão e logo todos vaiam e dão tapas em Damon, que apenas ri em divertimento.

— Está bem! Deixa o metido do Damon para lá. Eu quero ouvir a explicação do tio Clint sobre como ele descobriu o local do crime. – Pede Beth, usando o seu poder como a minha sobrinha mais velha para controlar os ânimos agitados dos primos. – Continua, tio Clint.

— Muito bem, minha pequena caçadora de zumbis. – Comento e ela ri, divertindo-se ao lembrar de como eu a chamava quando ela era criança. – Bom, esteiros são locais onde se constroem ou se consertam navios. No estaleiro também se pode converter uma embarcação de um tipo em outra, com finalidade diferente como de cargueiro a navio de passageiros, por exemplo. Enfim, é normal se encontrar alguns tipos de madeiras específicas para esse tipo de construção nos estaleiros, mesmo quando eles foram abandonados.

“Um tipo de madeira bastante usado para a fabricação de navios é a Douglas Fir. Uma árvore conífera que cresce na América do Norte. Essa árvore alta e perene possui um toque cítrico refrescante e adocicado inconfundível e uma cor única.

Ao olhar para o cadáver da agente, eu notei pedaços dessa madeira nos solados de seu calçado e em seu jaleco. Como essa árvore é difícil de encontrar, já que só cresce na América do Norte e é extremamente cara, sendo usada praticamente para a construção de navios, o local deveria ser um esteiro.

Então, tudo o que eu precisei foi usar a minha memória para lembrar que eu havia passado por um esteiro no dia anterior, no fim do dia, enquanto andava pela cidade. Além disso, esteiros ficam ao lado de rios e mares. Como o sargento precisava se livrar rápido do corpo sem que alguém o visse e voltar ao trabalho para não levantar suspeitas, o antigo esteiro era o local ideal para o crime.” – Respondo à questão, fazendo todos me encararem intrigados.

— É mesmo impressionante como você percebe detalhes que pessoas normais jamais iriam reparar. – Comenta Ally, namorada de meu sobrinho Austin Moon e uma das minhas funcionárias da minha casa burlesca, com os olhos brilhando em admiração. – Você até mesmo adivinhou as últimas palavras dela.

— Ah, quanto a isso... – Relembro, sentindo-me um pouco melancólico. – Disseram que ela não estava em um relacionamento, mas o relógio de pulso dela era um modelo novo e importado. Não é uma coisa que uma mulher solteira e agente da CIA compraria por conta. Além disso, o relógio do sargento Edgell era a versão masculina do mesmo modelo.

— Então os dois estavam... – Balbucia Caitlin Snow, também uma de minhas funcionárias do Hawkeye e namorada de meu sobrinho Barry, dando a entender que havia compreendido que a agente Noemi e o sargento Edgell estavam em um relacionamento.

— Ela foi vê-lo cedo, sem nem dar bola para a maquiagem. Ainda por cima, o relógio deles é do mesmo modelo. Eles eram namorados há algum tempo. É por isso que ele não chutou a cabeça dela, mesmo ciente de que daquele jeito não pareceria o trabalho da máfia. – Finalizo as explicações, sorrindo para as feições surpresas de meus sobrinhos. – Eu não tenho poderes. Apenas treinei meus sentidos para me fazer ter um raciocínio rápido, assim como treinei meus sobrinhos quando eram crianças. Se eles continuassem com os treinamentos, seriam ainda mais talentosos do que eu.

— O sr. Barton já resolveu dezena de casos apenas com o seu dom da dedução. Em todos eles, ele não só foi capaz de determinar a verdade num instante com o mínimo de pistas como nunca esteve errado. Ele é realmente um homem a se admirar e a se temer. – Comenta Bernard e todos da sala parecem concordar com suas palavras.

Não consigo evitar uma risada ao ver o quão assustados os membros novos da família pareciam. Encaro o relógio em meu pulso e vejo que já estava na hora de voltarmos para a mansão principal.

— Bernard, prepare o carro. – Oriento, levantando-me de minha poltrona. O homem assente e sai para preparar o carro. Viro-me para meus sobrinhos. – Vamos! Que tipo de festa de aniversário acontece sem o aniversariante?

[...]

A Lua Nova significa que um ciclo de Lunação acabou e outro começa. É a conjunção do Sol com a Lua. Um período de novos começos, novas possibilidades, criações, realizações e perfeita para prestigiar minha festa de aniversário de quarenta anos.

A festa inspirada em Sherlock Holmes e todos os contos de detetives estava impecável. O clima dentro da mansão era de suspense, com todos os adornos preparado especialmente para inspirar os convidados a vestirem seus personagens. Naquela noite, todos se tornariam detetives e resolveriam mistérios em uma competição divertida para descobrir primeiro quem era o assassino.

— Clinton Barton! Isso não se faz! – Os gritos exagerados de meu antigo conhecido me rendem alguns risos, enquanto ele era arrastado para a festa por dois seguranças que pareciam ter o dobro de sua altura e peso. – Me soltem imediatamente! Eu vou chamar a polícia! Vocês vão ver!

— Shawn O’Hara Kennedy! Fico feliz que tenha vindo prestigiar o meu aniversário. – Respondo, fazendo sinal para que os seguranças o soltassem. – Obrigado por ter comparecido.

— Como se eu tivesse escolha! Que ideia maluca foi essa de usar dois brutamontes para me sequestrar no meu trabalho? Você ficou maluco? – Esperneia Shawn com o rosto completamente vermelho.

— Eu não tive escolhas. Você ignorou o convite que Bernard gentilmente entregou a você. – Respondo, dando de ombros. – E sua mãe disse que era para te trazer para essa festa nem que fosse amarrado.

— Eu odeio festas e vocês sabem disso! E se é um convite, eu deveria ter o direito de escolher se vou comparecer à festa ou não! – Exclama Shawn, abrindo os braços de maneira exagerada. Seu movimento faz com que ele acertasse Hillary Leblanc, que passava próxima com um copo de bebida em mãos. A linda modelo e agente secreta da CIA acaba com seu vestido branco com uma enorme mancha vermelha cobrindo boa parte da roupa. – Está vendo? É por isso que eu não vou em festas.

— Você não vai em festa por que esbarra nas pessoas? – Pergunta Hillary, encarando o estrago em seu vestido, mas ainda tendo o seu típico bom humor. – E lá se foi a minha tentativa de ser a mais bem vestida da festa.

— Você continua sendo a mais bonita. – Garanto, dando um beijo na mão de Hillary. Shawn bufa, irritado. – Não ligue para o meu amigo, Hills. Ele apenas é um pouco antissocial.

— Deu para perceber. – Comenta Hillary, encarando a roupa que Shawn usava com curiosidade. – À propósito, interessante escolha de roupa. Deixa-me adivinhar. Você está vestido de cientista louco.

De fato, Shawn estava bem parecido com o Doutor Brown do filme De Volta Para o Futuro com o jaleco manchado, cabelos engrenhados e sem corte, roupas largas e sujas que não valorizavam em nada o rapaz e o óculos de proteção em volta do pescoço dele.

— E deixa-me adivinhar. Você é a popular que acha que todo mundo é seu amigo e por isso tira a intimidade de onde não tem para conversar com desconhecidos como se não tivesse acabado de os conhecer. – Retruca Shawn, ainda mais irritado.

— Grosso. – Sussurra Hillary, insatisfeita com o tratamento.

— Quantos dias sem dormir dessa vez, Shawn? – Pergunto, entregando um lenço para que Hillary limpasse um pouco do vestido. – Cinco?

— Sete. – Resmunga, frustrado.

— Isso é bem a sua cara. – Comento, compreendendo o motivo de sua irritabilidade excessiva. Ele deveria estar com enxaqueca e os dias sem dormir somado a frustrações do trabalho faziam com que ele perdesse um pouco da amabilidade que ele geralmente possui quando dorme. Viro-me para Hillary com um sorriso sem graça. – Desculpa, Hills. Ele só não está em um bom dia. Por que não vai no meu depósito e procura por algum vestido para trocar de roupa?

— Obrigada, Clint. – Agradece a mulher, lançando um olhar nada amigável para Shawn. – Eu vou procurar por alguma coisa. Não quero ser lembrada como a mulher do vestido branco manchado em seu aniversário.

Assinto e observo a jovem desaparecer. Viro-me para Shawn e suspiro, pensando no que eu deveria fazer com ele. O jovem cientista sempre teve dificuldades de socialização e por causa das noites sem dormir, seu humor estava instável. No entanto, antes que eu dissesse qualquer coisa, Bernard aparece com um sorriso discreto em seu rosto.

— Está tudo pronto para começar o jogo, sr. Barton. – Revela o mordomo, encarando-me com animação.

— Tudo bem. Você já sabe o que fazer. – Oriento e ele assente, antes de fazer uma leve reverência e se retirar. Volto minha atenção para o cientista que encara a decoração com curiosidade. – Shawn, procure aproveitar a festa. Beba um pouco e descanse. Você está precisando.

— Eu quero ir embora! – Resmunga Shawn, mas ignoro seus apelos, indo em direção ao palco no salão.

Cumprimento alguns conhecidos e faço sinal para alguns atores que fariam parte do show que estava prestes a acontecer. Aquela era a minha forma de dizer que iniciaríamos as apresentações. Assim que subo no palco, vou até o microfone. A música para de tocar e as luzes se abaixam. O silêncio toma conta do lugar e os mais de trezentos convidados me encaram com curiosidade assim que os holofotes são direcionados a mim.

— Os seres humanos são criaturas com infinitas possibilidades, mas a maioria usa menos de 30% das suas habilidades. Em outras palavras, a habilidade não significa coisa alguma se não for usada. Quando multiplicada pela motivação, a habilidade ganha vida. É por isso que, em tempos de urgência ou crise, seres humanos comuns são capazes de mobilizar as suas capacidades latentes para alcançar feitos notáveis. – Inicio o meu discurso. Uma música de suspense passa a tocar. – Essa noite vocês entrarão em um mundo de mistérios e enigmas. Precisarão utilizar de todo a sua capacidade mental...

Antes que eu continuasse meu discurso, noto a presença de um indivíduo desconhecido apontando uma arma em minha direção ao lado dos holofotes no segundo andar da casa. Um laser vermelho mira diretamente em meu peito. E então, tudo acontece rápido demais.

As luzes se apagam e o tiro é disparado. Sinto um forte impacto em meu corpo. Não consigo respirar. Meu corpo doía. Um líquido quente se espalha pelo chão. Algo havia dado errado. Não era assim que deveria acontecer. E então as luzes se acendem. E eu soube naquele momento, que aquela noite de Lua Nova sem nuvens no céu ou tempestades de neve seria o início de uma grande tragédia grega.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara