Mistérios da Meia-Noite
25 Capítulo XXI: Eu te amo
Luísa e Maurício chegam a cabana e Vovô os recebe gentilmente com um delicioso jantar. Não, não era sopa de formigas! Era um delicioso frango assado que ele mesmo tratou de fazer. Todos se fartaram com a bela refeição preparada pelo velho e depois foi cada um para o seu canto. Vovô, como sempre, trancou-se no laboratório. Já o nosso casal foi para o lado de fora da casa observar o céu estrelado e a lua nova.
– A noite está tão bonita. — comentou Luísa observando as estrelas.
– Não tão bela quanto você. — disse Maurício a dando um beijo na testa. — Estou tão feliz que esteja aqui, Lu...
A menina não disse nada. Seu rosto corou por um instante, mas seu rosto tinha uma expressão preocupada, talvez um pouco chateada.
– O que foi? Não está feliz?
– Mau... — disse Luísa séria. — O que aconteceu com o seu rosto?
– ...
– Por favor, me conta... Ou pelo menos me deixa ver...
O olhar de Maurício se entristeceu.
– Você quer mesmo ver?
– Quero...
– Não vá se assustar...
O homem respirou fundo e retirou a máscara devagar. A metade da pele de Maurício estava deformada, a pele totalmente enrugada e desnivelada.
– O-O que aconteceu? — perguntou Luísa um pouco assustada.
– Isso é o que a prata faz com um lobisomem... — os olhos de Maurício se encheram de lágrimas.
– Foi o caçador? Ele te achou?
– Não...
– Então...?
– Foi o Vovô. — respondeu Maurício respirando fundo para não chorar.
– O QUE?
– Ele fez isso porque te deixei entrar no laboratório...
– M-Mas você não deixou, eu entrei sozinha!
– Mas eu falei demais...
– Mau... — disse a menina o abraçando com força.
– Eu sou um monstro, Luísa. Vou entender se não quiser ficar perto de mim...
– Mau, você não é um monstro. — disse Luísa fazendo carinho em Maurício ainda agarrada a ele. — Você é o homem de coração mais puro que eu conheço...
– Não sabe o que diz.
– Não sei? — ela o soltou e deu um sorriso. — Você acha que eu teria reencarnado aqui se você fosse uma pessoa ruim, depois de tudo o que aconteceu?
Maurício lembrou-se da cena da fera atacando Rosa, lembrando-se de toda a dor que sentiu quando soube que assassinou a mulher que amava.
– Eu te amo, Maurício, seu bobo. — disse sorrindo de orelha a orelha. — E não vai ser algumas queimaduras que vão mudar isso.
O homem não disse nada. Apenas ficou parado olhando Luísa nos olhos como se estivesse perdido no tempo. De repente os lábios foram se aproximando devagar e um beijo se iniciou. O mundo parecia ter desaparecido para os dois e a única coisa que importava naquele momento era o sentimento puro que sentiam um pelo outro, um sentimento que vinha de outra vida.
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