Missão Titã - O plano de Hyperion
8 Os fantasmas de Alice
Notas iniciais
Alice se vê cara a cara com uma menina de cabelos vermelhos, cortados reste ao pescoço, fazendo uma linha reta, no mesmo lugar onde há uma linha em seu pescoço, de lá sai muito sangue — Ola, Alice, que bom te reencontrar, monstra.
–Mas.. — Engasgo — Eu te matei, matei sim! Quando tinha dez anos... — A menina ri de mim e chega mais perto.
–Quem disse que todo esse tempo que você ficou congelada não te fez ficar mais burra? Eu sou um fantasma sim, mas isso não quer dizer que eu não posso vir aqui te assombrar, irmãzinha.
–Não — Alice cobre os ouvidos tentando tampar tudo — Não! Não me chame assim! Nosso pai me renegou! Não!! é tudo culpa sua.. — A menina chega ainda mais perto rindo loucamente.
–Foi você quem me matou, traidora, ainda bem que papito te congelou, pena que não te matou para eu poder acabar com sua raça espectral aqui em baixo, mas tudo bem.. Eu espero, ou melhor.. Não! Vou acabar com você agora! — Ela pula até Alice trajando uma espada, a mesma espada que Alice tinha antigamente, a espada com que ela separou a cabeça do corpo de Annie, sua irmã.
–Não! Saia daqui — Alice se esquiva tentando fugir — Eu não quero te matar de novo, irmãzinha, por favor — Quase implorando. -Annie ri e continua golpeando-a.
Alice fica esquivando mais duas vezes com lágrimas nos olhos, mas engole em seco — Chega! — Pega sua espada — Você sabe que eu não quero fazer isso... — Começa a atacar então, as duas espadas se chocam, soltando faíscas — Irmãzinha.. -Suplica, mas Annie tenta dar um golpe lateral que corta o ombro de Alice, fazendo sair sangue, Alice possessa fica no piloto automático: Esquiva, direita, chute, corte lateral, fincar espada.. Pronto, Alice se vê com a espada enfiada no peito da sua irmã que ri, porém de repente não é mais sua irmã, é a mãe delas, com a espada no peito, morrendo, de novo — Nãão!
–Minha filha... Por que? O que eu te fiz? — A mãe começa a chorar — Você não podia, você... — A mãe para de falar, de novo, Alice vê sua mãe morta ali na sua frente e não consegue parar de lembrar de quando tinha 8 anos.
...
"Alice nunca fora uma menina normal ou sequer delicada, quando ela tinha oito anos ela sonhou com Cronos, ele já estava pretendendo se erguer e sabia que nela ele encontraria uma aliada, conversou com ela e deu-a poderes, porém ela ainda era muito nova, tadinha, ainda tinha somente oito anos... A menina na manhã seguinte acordou e sentiu o poder dentro de si mesma e toda feliz foi correndo mostrar para a mãe como ela conseguia controlar o tempo.
O pequeno ser ficou na frete de sua querida mãe e sorriu — Veja — Começou a usar os poderes e os cabelos da mãe começaram a clarear, embranquecer, a mãe fica feliz com aquilo, orgulhosa da filha.
–Muito bem, minha menininha — E sorriu junto com a filha, porém ao fazer carinho na filha percebeu que sua pele estava começando a escurecer e foi correndo se olhar em um espelho, o que ela ali via não era ela, era um corpo acabado, doente e decrépito — Pare!! Não! -O corpo da mãe mutava, os ossos começavam a aparecer, quase rachando a fina pele negra e quebradiça de sua, agora velha, mãe. Alice olhava assustada para a mãe, desejando realmente que aquilo terminasse quando houve uma explosão de poeira.
A menina tossia muito e não conseguia enxergar nada, quando toda aquela poeira baixou sua mãe desaparecera, somente restavam suas roupas, ela percebe que a poeira é o que havia sido sua mãe."
...
–Não, mãe, Não! De novo não! — Alice começa a chorar ainda mais — Não me deixe de novo! Não me deixe sozinha.. — Em desespero segura sua espada, tirando-a do corpo da mãe, o sangue dela pinga pela ponta da espada. — Mãezinha... Me conforte pelo menos uma vez, por favor! — Alice ergue a espada, o choro escorre pela sua face, pingando em sua roupa como o rio de sangue que vaza do corpo da mãe e ela ataca com sua arma afim de acertar o próprio peito com um único golpe frio e limpo, soluça pelo desespero, não é possível viver com a culpa. -Mãe... — Fala simplesmente enquanto se prepara para morrer.
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