Missão: Papai

29 25 anos atrás


Notas iniciais
Eu não disse que não iria abandonar essa fanfic? :v kkk Sério, eu sinto muito gente, se é que algo ainda lê isso u-u Gostaram da capa nova? '3'

25 anos atrás

Há muito tempo atrás, no ano de x796, um certo loiro acabara de chegar em Magnólia. Ele havia acabado de completar seus 20 anos, era bem bonito e tinha um porte físico notável.

Olhou para um lado e para o outro. Estava quase virando um mendigo, havia se perdido de seus companheiros em Bosco, então sem querer acabou na cidade de Magnólia — que nevava nessa época do ano — pois dormiu dentro de um barril de um navio mercante, assim, viajando clandestinamente em um dos navios do porto e conseguira chegar sem ser percebido; entretanto, não comia há 2 dias.

Seu nome... Era Rayven.

Sem dinheiro, a única opção que lhe restara fora observar de longe as pessoas sendo atendidas num restaurante.

Ah, como era ruim não estar perto de seus amigos agora. Todo o seu ouro estava no Daichi, junto com eles, se estivesse com eles ali teria como deixar todos os clientes ricos e ainda comprava aquele estabelecimento.

– Ahh... — suspirou, sentindo suas pernas se enfraquecerem. Estava sem forças para se manter em pé.

Aquele suspiro alto chamou atenção de umas das garçonetes que atendiam ali. Ela nem mesmo devia ter ligado para isso, era noite, horário de pico no local, deveria mesmo era estar dando atenção à seus clientes e à comida que pediam.

Assim, uma hora se passou e o restaurante fechou.

Já desmaiado ali no chão, Rayven sentiu ser cutucado. Lentamente seus olhos foram se abrindo, se deparando com uma garota com expressão de raiva.

– VOCÊ ESPANTOU TODOS OS CLIENTES!! — gritou, assustando o loiro. Com o resto de forças que ele tinha, se sentou, escorando-se na parede.

– F-Foi mal, é que eu não como há dias e... — mudou de expressão de medo para um pervertida. — julgando pelo busto... você deve ter uns 14 anos, certo?

– IDIOTA! — deu um soco nele. — eu tenho 16!! — esbravejou, odiava que falassem de seu busto.

– ... — ele olhou para o prato que em suas mãos estava. Sua barriga roncou no mesmo momento. — você trouxe isso pra mim?

– Quem disse que eu trouxe pra você?! — gritou corada. — mas já que está implorando de joelhos, eu acho que não tem problema se você ficar com os restos que eu catei da lixeira.

A comida estava quentinha e com um aroma saboroso, conhecia bem comida boa, e aquela definitivamente não tinha vindo da lixeira. Sorriu, pegando o prato e atacando no mesmo instante. Enquanto comia, pôde prestar mais atenção na garota em sua frente. Ela tinha uma cabelos negros, olhos castanhos claros, curvas bonitas e bochechas bem vermelhinhas. Rapidamente terminou de comer, se levantando enquanto limpava a boca com a manga da camisa, assim pôde notar bem a diferença de altura.

– Caramba, hein. Você é baixinha. — sorriu afogando sua mãos nos cabelos da outra. Ela tinha metade do seu tamanho. — qual é o seu nome?

– ... — ela bufou. Nunca ira admitir, mas estava adorando a carícia que ele vazia em sua cabeça. — Denki.

– Hee... Que nome diferente. "Denki" o que? — perguntou Rayven, curioso como sempre.

– Sobrenomes pra mim são só um detalhe. Eu abandonei meu sobrenome há um tempão. — respondeu séria.

Rayven não insistiu. Havia visto muitos casos assim durante todas as cidades e reinos que visitou, algumas vezes era de raiva, outras de lembranças dolorosas, por isso aprendeu que deveria tomar muito cuidado com o que pergunta.

– Beeem, meu nome é Rayven Heartfield! E eu gostaria de dormir na sua casa hoje porque eu tô cansadão! — desconversou.

– Você é muito abusado! — exclamou. Denki pensou bem, ele parecia mesmo cansado. Estava com olheiras leves, pele gelada por conta da neve e do frio, sem falar na respiração pesada. Ela já havia passado por isso, entendia como ele se sentia. A morena levou sua mão até a testa do outro, estava quente. Ele estava com febre. — tudo bem... Mas só uma noite!!

– Sério? — ele não acreditou. Na verdade ele nem esperava que ela aceitasse, estava brincando. — obrigado, Denki!!

(...)

De noite, na casa de Denki, ela observava o loiro dormindo feito pedra em seu sofá,todo esparramado e roncando alto. Ele era bonito, mesmo que fosse um "mendigo". Tocou em seus cabelos, sentindo-os bem macios, e tão brilhantes quanto qualquer outro que já viu. Seus cílios eram longos, e sua pele um pouco mais morena que a dela. Ele era fisicamente forte, e era bem alto, isso despertara o interesse dela em saber sua idade. Quantos anos ele deveria ter? 17? 18? Perguntaria para ele no dia seguinte, com certeza.

Era meio contraditório ela deixá-lo ficar ali, visto que seu lema de vida era nunca confiar em ninguém. Quando pequena, viu sua mãe, que confiava cegamente em seu padrasto, ser morta pelo mesmo depois de uma briga. Depois que fugiu de casa, Denki viveu um longo período de tempo nas ruas, sem confiar em sequer uma pessoa que tentasse se aproximar dela. Assim que cresceu mais um pouco, conseguira um emprego, e desse modo sua vida melhorou.

Entretanto, continuara sozinha na vida.

Mas sentia vontade de conhecer aquele rapaz.

Os dias se passaram, e nesses dias ele trabalhava no restaurante junto com ela, graças a seu chefe que dera o emprego de garçom para Rayven.

Nesses dias ela descobrira coisas interessantes sobre o loiro. Descobriu que seu nome era a mistura dos nomes de seus pais: Raymond Heartfield e Vennusa Heartfield, e que puxara tudo, inclusive os cabelos loiros, do pai. Segundo ele, este era um homem sério, que gostava muito de pegar no pé dele. Já sua mãe, Vennusa, era uma mulher dona de cabelos rosados, quase vermelhos. Elegante e finíssima, e também era uma mulher com um temperamento acima do normal, mesmo que fosse muito amorosa.

Descobriu que Rayven adorava magos, e tinha um vontade imensa de ter nascido com magia. Pena que era um humano comum, assim como ela. Soube que ele adorava chocolate quente com marshmallow, principalmente nos dias frios de neve. Soube que ele odiava cebola, e que tinha ódio mortal por tomates. Soube também, que ele, durante seus 20 anos havia tido várias mulheres à sua volta, e se divertido com todas elas, porém, sequer uma vez havia se apaixonado de verdade.

– Que frio... — comentou Denki, que havia acabado de tomar banho e se vestido. — Rayven? — Ela estranhou a casa estar quieta. Se Rayven estava naquela casa, pode ter certeza de que haverá barulho, a não ser que estava dormindo, que é um de seus passatempos preferidos. Denki foi até a sala de estar da simples casinha, e ele também não estava lá. Isso era muito estranho, já que o loiro nunca saía sem avisá-la. — Rayven? Cadê você?! — ela chamou-o mais uma vez, e mais uma vez não obteve resposta.

De repente, seu coração disparou. Ele não havia ido embora, havia?

Ela abaixou a cabeça, sentindo um nó na garganta e um aperto no peito. Estava doendo, e nem ela mesma sabia o porquê. Ele era apenas um idiota acomodado e abusado, não era? Então por que estava se importando tanto?

Por que em questão minutos, estava morrendo de saudades?

– Wahhh! Abraço de urso!!

Logo, sentiu algo quente abraçá-la por trás. Virou-se bruscamente, surpresa. Era Rayven, enrolado em seu edredom com um lindo sorriso no rosto.

Denki sorriu sentindo seus olhos lacrimejarem. Abraçou-o como nunca havia feito em sua vida, sentindo o cheiro bom que ele exalava.

– Ok... Eu achei seriamente que levaria um tapa na cara e estava preparado pra isso. Mas, um abraço seu... — Rayven comentou meio corado. Era incrível as reações que aquela baixinha conseguia exercer sobre ele.

– Pensei que tinha ido embora. — ela falou com a voz embargada, pois estava com o rosto escorado no peito dele, por conta da diferença de altura.

Ele passou os braços envolta do pequeno corpo dela, aquecendo-a.

– Eu não iria embora desse jeito. — disse o loiro, sentindo seu coração disparar, sua barriga revirar e seu rosto esquentar. Estava adorando ficar daquele jeito com Denki, era muito difícil conseguir se aproximar corporalmente dela quando não estava dormindo. Não que ele fizesse coisas erradas com ela, mas gostava de dormir ao lado dela e sentir seu cheiro de flor. — você é a minha baixinha esquentada...

Ela paralisou, e não saiu de onde estava, agora que não teria coragem de levantar o rosto mesmo. E ouvir o coração dele tão acelerado quanto o dela não estava ajudando em nada.

– Imbecil... — murmurou ela, agarrada na camisa dele. — você é que é meu idiota.

Assim, semanas se passaram, e o inverno foi embora, dando espaço para a linda e bela primavera. Qualquer um que os visse andando juntos na rua pensariam que eram um jovem casal apaixonado, e, de certa forma, eram mesmo, ainda que Denki nunca tenha dito em palavras concretas. Já Rayven, estava acostumado a dizer que a ama, e toda vez que chegava perto dela se sentia mais bobo do que já era.

Pouco a pouco, ele fora descobrindo coisas sobre ela.

Descobrira que ela cozinhava muito bem, e sabia preparar diversos tipos de coisas, não era à toa que ele comia quilos de comida no almoço. Descobrira que ela ficara sozinha a vida toda, e por isso adquirira aquela personalidade difícil. Descobrira que ela tinha um grande instinto materno, pois a mesma foi super gentil com um menininho que caiu no chão. Isso o fez fantasiar um futuro com ela, onde estavam casados, com dois filhos; uma menininha igual a ela, e um menininho igual a ele, e um cachorro bagunceiro. Talvez estivesse sonhando alto demais para uma paixão ainda jovem, mas imaginar não custa nada.

Mais meses foram se passando, e, sem perceber, já estavam num "relacionamento". É claro que a maioria das vezes eles agiam como melhores amigos inseparáveis, que ficam cansando um do outro, e dando broncas — 100% delas viam de Denki -, mas nunca deixavam de agir carinhosamente um com o outro.

Ele era maravilhoso, e Denki sabia que ele estaria sempre ali ao lado dela. Pode parecer meio estranho ter certeza disso com apenas alguns meses de namoro, mas se e ele realmente não a amasse, não aguentaria todos os seus surtos e dias de TPM brava; a cada minuto ele levava um chute nas partes baixas.

Logo, completou um ano desde sua chegada em Magnólia.

Aquele era um domingo, então decidiram fazer compras. Mesmo que morassem apenas os dois, o que Rayven consumia valia por três pessoas.

– Hmm... Vou querer essas batatas e as cenouras, por favor. — Denki disse ao homem que vendia legumes na feira. Rayven fez um bico infantil e perguntou:

– Você não vai colocar cenoura no jantar, não é? Elas são horríveis! — falou ele enquanto carregava as sacolas.

– Vou sim, e você vai comer. — afirmou ela firmemente, enquanto caminhava ao agarrada ao braço dele. Ela vestia um vestido branco, sandálias, e um chapéu para protege-la do sol. Rayven estava com uma regata vermelha, bermuda e sandálias, estavam no verão, e aquele dia estava muito quente.

– Êhh... — reclamou ele, em tom triste. Mas nem adiantava retrucar, se ela havia decidido, ela definitivamente prepararia aquelas cenouras.

Perto dali, uma carruagem acabava de chegar em Magnólia, o que acabou chamando muita atenção das pessoas. Logo, o cocheiro parou, desceu de seu lugar, e abriu a porta para as pessoas que estivessem dentro pudessem sair. Logo, uma linda jovem de cabelos roxos e um vestido finíssimo desceu, e olhando delicadamente para cada canto da cidade.

– Chegamos... Finalmente. — suspirou ela, mexendo em seus cabelos. Os homens a sua volta não desgrudaram os olhos dela, sua beleza era incomparável.

Denki e Rayven, que passavam por ali, observaram uma movimentação estranha em volta de algo, porém com tantas curiosos em volta não puderam nem imaginar o que era. Curioso, Rayven foi até lá puxando Denki, que parecia nem estar ligando muito para aquilo, provavelmente era algum filho de nobres que queria comprar artefatos mágicos, coisa bem comum na cidade.

Quando finalmente puderam ver nitidamente que era, a moça de cabelos roxos fixou seu olhar em Rayven. Denki logo fez cara feia, e olhou para o rapaz, que parecia ter petrificado.

– Parece que ela gostou de você! — disse a moreno ironicamente, seu ciúme era totalmente visível, e o fato de Rayven nem tentar acalmá-la a estressou mais.

– Huh... — a moça sorriu, andando delicadamente até o loiro. As pessoas a seguiam com o olhar, se perguntando o que ela faria. Ela então calmamente tirou sua luva direita e....

Paf!

Desferiu um tapa na cara de Rayven.

– VOCÊ ESTÁ MALUCO?!?! SABE O QUANTO NÓS TE PROCURAMOS?!?! PASSAMOS MESES E MAIS MESES RODANDO POR REINOS E MAIS REINOS, RECOLHENDO INFORMAÇÕES SOBRE VOCÊ!! POR QUE NÃO ENTROU EM CONTATO COM A GENTE?! VOCÊ POR ACASO É DEMENTE?!

Todos que estavam ali ficaram pasmos com a mudança brusca da garota.

– ESTÃO OLHANDO O QUE?! VÃO CUIDAR DA VIDA DE VOCÊS!! — gritou para eles, que rapidamente foram circulando.

– V-Violleta... — Rayven murmurou com medo. — d-deixe-me explicar...!

– RAY-SAAAN!!!! — outro rapaz apareceu, parecia ter uns 18 anos. Tinha cabelos azul-claro, olhos chorosos, usava roupas largas, um par de óculos grandes e parecia ser bem nerd. — n-nós sentimos sua falta... — disse ele com a voz embargada, secando as lágrimas.

– Oe Rayven!! Por que você sumiu?! — outro cara apareceu, se juntando ao grupo. Ele usava roupas pretas e assustadoras, tinha cabelos azuis bem escuro, olhos roxos, olheiras e sardas nas bochechas.

– Calma pessoal! V-Vocês estão me sufocando. — disse Rayven sentindo o suor escorrer em sua testa, não conseguia dizer nem fazer nada com todos em cima dele falando ao mesmo tempo.

– CALADOS! — Denki gritou, fazendo os três pararem para olhá-la. Ela se pôs na frente de Rayven, como se estivesse protegendo-o. — vamos para a minha casa! — ela lançou um olhar mortal para Rayven. — você tem muito o que explicar.

(...)

Estavam todos ali, sentados no chão com as pernas dobradas "estilo japonês", meio hesitantes em contar o que estava acontecendo. Aparentemente, para o grupo de jovens, Rayven havia arrumado uma amante tsundere facilmente irritável e de pavio curto. Seria complicado explicar para ela.

– Primeiramente, eu me chamo Violleta Heartfield Johnnes Elizabeth, mas por favor, gostaria que me chamasse apenas de Violleta. — a garota de cabelos esbeltos se apresentou, curvando-se.

– Denki. — a morena se apresentou friamente, desconfiada dos três.

– Denki, este é Anthea Chase — Rayven apontou para o garoto de óculos. — e este é o Cyril Rintarou.

Anthea se curvou meio trêmulo, visivelmente com medo da baixinha. Já Cyril, apenas se curvou, sem dar muita importância para o fato dela ser assustadora ou não, afinal, ele também sabia ser assustador quando queria.

– Denki... — Rayven iniciou a conversa, sentindo um medo enorme. — a verdade é que... Eu era um aventureiro, estes são os meus companheiros... — ele começou pelo básico, para não fazer Denki se irritar.

– Estávamos em Bosco — continuou Cyril — e houve um dia que achamos tesouros perdidos. Saímos para beber para comemorar, e o Rayven acabou ficando bêbado, como sempre.

– E-Ele saiu andando pela rua... — afirmou Anthea, meio hesitante. — e entrou dentro de um barril e o fechou, por algum motivo... Eu o segui e vi tudo, mas quando fui tirá-lo de lá, um homem muito forte apareceu e colocou dentro do navio, achando que era mais um dos barris que estavam lá.

– Anthea veio correndo nos contar — disse Violleta, lembrando-se de tudo. — mas quando voltamos já era tarde demais, e o navio já havia partido. Perguntamos para as pessoas para onde aquele navio iria, mas ninguém soube dizer. Passamos um mês tentando descobrir onde o nosso chefe estava. — a garota de cabelos roxos fuzilou o olhar para Rayven — mas ele não deu nem sinal de vida, agora eu vejo o porquê. — comentou ela, analisando a "amante" do loiro.

– E por que só agora o acharam? — Denki perguntou seriamente, sem demonstrar nenhum tipo de expressão.

– O rei ordenou que voltássemos... E voltamos. — Violleta olhou séria para Rayven. — seus pais passaram meses sem se preocupar com você, Rayven. Mas de uns tempos pra cá, seu pai tem estado doente, e as buscas por notícias suas retornaram pela iniciativa da rainha Vennusa. Porém, foi Raphael que descobriu que você estava em Fiore, depois dessa descoberta, não foi difícil descobrir que estava em Magnólia.

Denki arregalou os olhos. Lembrava-se dos nomes "Raymond" e "Vennusa", eram os nomes dos pais de Rayven! Então... Rayven era um príncipe?

Rayven também arregalou os olhos, preocupado com o pai.

– O meu pai... Está doente? O que ele tem?! — o loiro perguntou desesperado, se levantando de seu lugar.

– Não sabemos ainda... — respondeu Anthea, com um ar tristonho.

Rayven lançou um olhar sério para Denki, que logo o que entendeu o que ele queria dizer.

"Desculpe, mas eu tenho que ir"

(...)

Um mês se passou desde que Rayven havia voltado para sua terra natal, e Denki, voltara a estar como sempre esteve, sozinha.

As pessoas que a observavam na rua todos os dias e notavam o brilho em seus olhos no tempo em que estava com Rayven, também haviam notado a falta de felicidade no olhar da garota. Denki tentava se fazer de forte, e fingir que tudo estava como sempre esteve — entretanto, durante as noites, ela encarava o espaço vazio na cama de casal. Ela se perguntava onde ele estava, com que estava, o que estava fazendo, ou se estava doente várias vezes. Talvez fosse exagero para uma adolescente comum com seu primeiro amor. Porém, para Denki, ele era mais do que apenas uma pessoa importante: ele era a única pessoa em sua vida.

Seu coração quase pulou pela boca quando viu que havia chegado uma carta. Ninguém nunca lhe enviava uma carta, então sabia que era dele.

"Minha amada baixinha,

Desculpe por não lhe enviar sequer uma carta, mas eu realmente não tive tempo, estive resolvendo coisas muito complicadas aqui em Bellum. Meu pai logo irá falecer, e quero estar aqui até o fim de sua vida. É meio triste, mas levando em consideração a distância em que estamos, quando receber esta carta provavelmente ele já não estará mais entre nós, e eu já estarei voltando para junto de você. Eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto que meu coração poderia explodir! Ah, mas é melhor não, senão eu morreria, não é? hehe. Espero que possamos nos ver logo, estou com saudade dos seus socos.

Do bofe que te ama, Rayven"

Ela riu, pensando em como ele conseguia ser tão idiota num momento tão sério como esse.

E... Não é que ele voltou mesmo?

Chegara de maneira bem inusitada... Pulando pela janela. Não havia certamente um motivo plausível para tal ato, apenas queria chegar com estilo, segundo ele. A felicidade de Denki fora tão grande, que ela até mesmo dissera que o ama, coisa que era muito difícil de ser dita por parte dela.

Os três companheiros de Rayven também vieram junto dele, e logo simpatizaram com a baixinha tsudenre. Depois que as coisas se acalmaram, Denki, obviamente queria saber tudo o que havia acontecido.

O rei de Bellum, Raymond, havia falecido por conta de uma doença incurável. Ao saber disso, Denki se sentiu mal por não estar ao lado de Rayven num momento assim. Vennusa, a rainha, quis que Rayven assumisse o trono do pai, pois seu povo nunca aprovaria ser comandado por uma rainha. Rayven recusou de primeira, alegando que se caso se tornasse rei, não poderia viajar, explorar, descansar, se divertir, e o pior: não poderia ficar com Denki, já que teria de se casar com alguma garota da realeza. Abandonou seu título de príncipe, deixando o trono para seu irmão, Raphael.

– Sabe, Denki. — falou Violleta, sentando-se na mesa para conversar com a garota, que lavava a louça. Aproveitara que estavam sozinhas para poder pôr a conversa em dia. — o Rayven amadureceu muito depois que te conheceu. Não é querendo lhe ofender, mas quando te vi, achei que havia se tornado uma amante dele, nada muito sério. Mas agora posso ver que ele te ama. Até mesmo abandonou tudo por você.

– O "tudo" que diz é seu reino? — perguntou Denki, parando de lavar e se virando para ela.

– Não, a nós também. — confessou meio triste. — não me entenda errado, não estou reclamando nem nada, isso só me fez perceber que estava na hora de pararmos... Eu também não irei permanecer em Bellum, mesmo que meu pai insista. Eu vou viver em Fiore, com a pessoa mais importante pra mim... — disse Violleta corada, demonstrando esperança em seus planos. Denki sorriu, percebendo que ela tinha planos parecidos com os dela.

– Entendo. — disse Denki. — e quem seria essa pessoa?

– Anthea... — suspirou sonhadora, o que fez uma gota da suor descer pela testa de Denki. Anthea era o nerd de óculos atrapalhado, e ela era uma perfeita dama, tão linda quanto uma pintura. — apesar dele não fazer o estilo "príncipe", acabei me apaixonando por ele porque foi o único que se aproximou de mim por eu ser eu, e não por eu ser sobrinha do rei.

Aqueles olhos alaranjados dela pareciam estar com um brilho diferente, o mesmo brilho que Denki tinha quando pensava em Rayven.

(...)

O tempo foi passando, e as coisas não poderiam estar melhor para o jovem casal. Trabalhavam, cuidavam da casa, e se divertiam quando seus amigos — que agora, também eram amigos de Denki — iam visitá-los. Cyril estava constantemente em Magnólia, pois havia arrumado uma namoradinha, que, inclusive, Rayven ouviu falar que era uma maga de cabelos brancos cujo o apelido era "Lis". Seja quem fosse, teria que ter muita paciência com o rapaz de sardas, já que era uma pessoa muito possessiva e cimenta. Anthea e Violleta estavam levando uma vida nas montanhas, fazendo pesquisas para um novo tipo de veneno, que chamam de "mizuiro". Era um projeto que ajudaria muito em cirurgias, visto que esse veneno especial faria a pessoa dormir como se estivesse morta. Anos depois, até mesmo tiveram um filho, chamado Kami.

É incrível como as coisas mudam. Há uns anos atrás, Denki era apenas uma ninguém sozinha no mudo, e agora, anos depois... É uma mulher amada por um homem incrível, e que tem dois filhos lindos.

Rayden era seu filho mais velho, e seu nome era uma uma junção do "Ray" de seu pai, e "Den" de sua mãe. Tinha cabelos negros, iguais aos da mãe, e mesmo tendo apenas três anos, reclamava muito por não ter puxado os cabelos loiros do pai. Apesar disso, tanto sua fisionomia quanto seu jeito eram todos de Rayven.

Rain era apenas um bebê de poucos meses e, seu nome significava chuva. Lhe foi dado esse nome pois nasceu num dia frio e chuvoso. Tinha cabelos loiros, e assim como seu irmão mais velho, era a cara do pai.

Mas como nem tudo na vida é perfeito... Logo, algo inesperado aconteceu.

Rayven costumava viajar bastante, pois aquele espírito aventureiro de quando era jovem não havia sumido. E, de uma hora pra outra, Denki havia recebido a notícia de que ele havia morrido num assalto, pois se recusou a entregar a mochila, e morreu com ela nos braços.

Doía. Doía no fundo de seu coração. E todos os seus sonhos? E todas as promessas de que virariam dois velhinhos juntos? De que... Ele sempre estaria ali com ela?

No enterro de Rayven, apareceram apenas seus amigos, que tentaram consolar Denki, mas ela não queria nem olhar seus rosto, porque se lembraria de Rayven na mesma hora. Ninguém avisou à família real, pois sabiam que o loiro não queria ter mais nenhuma relação com eles, mesmo depois da morte. Denki ficou lá o dia todo ,sentada no chão, na chuva, conversando com o túmulo seu amado.

Ele havia ido... Cedo demais.

Acabara voltando para casa apenas de noite, pois Rain e Rayden estavam com fome. A noite, enquanto chorava encarando o espaço vazio na cama, ela notou a mochila que fora recolhida pela polícia. Não havia mexido nela desde então. Então, se lembrou de que Rayven já não era mais tão materialista quanto antes, então... Por que ele protegera aquela mochila?

Ela a abriu, e continha algumas roupas, a maioria delas ainda tinha seu cheiro impregnado. Logo, achou algo embrulhado em um pano, e o abriu. Para sua surpresa, havia uma linda pedra azul, e algo que parecia uma carta. Cuidadosamente, ela a leu. Sabia que Rayven adorava escrever cartas para ela.

"Diva do meu viver,

As coisas aqui são muito interessantes, por isso vou demorar um pouco mais para voltar, por favor, não me faça dormir no sofá por isso... Você não vai acreditar no que eu achei! Era algo que durante muito tempo, eu procurei: Lacrima. São tipos de "Cupulas" que contém poder mágico dentro delas. Pensei em implantar no meu corpo e virar um mago, mas... Acho melhor deixar isso para a próxima geração. Quando chegar, implantarei no Rayden para que ele se torne um homem capaz de proteger todos que ele ame, inclusive o Rain. Bem, amor, estou morrendo de saudade do seu curry, e de você, lógico. Hehe... Diz pros meninos que eu mandei um abraço, antes que percebam, estarei de volta.

De seu marido idiota, Rayven"

Ele era, de fato, um idiota.

Depois de ler aquilo, ela fez como ele queria: implantou o lacrima no garoto.

Pouco tempo depois, Denki começara a ter problemas de saúde, e a depressão também não ajudava em nada.

Em pouco tempo... Morreu, deixando Rayden e Rain sozinhos.

Durante uma semana, sobreviveram do que tinha na cozinha. Ao mesmo tempo que os alimentos acabaram, o dia de pagar o aluguel chegou, e não tinham como pagar.

Sabendo que no dia seguinte a dona de um orfanato iria passar para buscá-los, Rayden colocou algumas roupas em sua mochilinha e saiu para as ruas a noite com um bebê no colo. Até que uma hora, sentiu-se fraco de fome e dormiu num beco sujo, ao lado de uma lixeira.

Perto dali, a famosa família Dreyar voltava das compras com sua filha no colo nos ombros do avô, Makarov. Mirajane parou de andar subitamente ao ouvir um choro de bebê, o que também chamou atenção de Laxus e Makarov.

– São duas crianças pequenas... Este bebê está com choro de bebê com fome e doente. — ela observou, percebendo que Rayden não acordava nem com o choro do bebê. O moreninho tossiu, fazendo uma faísca de fogo pular de sua boca.

Makarov e Laxus se entreolharam, como se dissessem um ao outro que estava na cara que aquela criança era um mago.

– Levem o bebê com vocês. — disse Makarov, colocando Mayumi adormecida nos braços do pai, e depois pegando Rain, dando-o para Mira. — vou levar o garoto para a casa do Natsu, um mago de fogo reconhece o outro.

E foi desse modo... Que a vida de Rayden na Fairy Tail começou.

Ele não poderia ter ficado em lugar melhor.

Notas finais
Eu planejava explicar sobre os pais do Roger e do Satoru, mas não tinha como, o capítulo estava muito grande... Bem, será mostrado em outra ocasião. Gostaram? Mereço comentários? Acho que não, pq matei os pais do Rayden :v
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.