Mission

16 Revelações - Parte 1


Notas iniciais
Olá, monstrinhos da tia? Como estão? Todos bem. Então como eu prometi, eu disse que vocês iriam decidir qual caminho seguir na próxima temporada, eu não disse? Obrigada por ter lido até aqui, e como leitor, antes de tudo, você agora tem poder para julgar. Espero que este texto te ajude a refletir sobre qual caminho seguir. Vamos então ao nosso ritual padrão. Fecha essas redes sociais e Whatsapp, o crush não vai responder agora agora, apaga a luz, prende o cabelo porque está calor, pega chocolate, porque esse capítulo é lindjo *--*, relaxa, fica bem confortável e vem comigo.

— Filha, nós temos que matar ela. Ela é uma aberração.

— Não mãe. — respondeu Rose, com ódio no olhar — Ela é o meu bebê.

— Seu bebê ou não, filha, você sabe que os anjos virão para matá-la. E matar você também.

— Eu tenho que protegê-la! Pensei que podia contar com você, mas Denny tinha razão.

— Eu amo você e às vezes Denny é mais minha filha que você. É impossível que ela tenha tido uma decisão tão imprudente.

— Ela está comigo, me esperando.

— E ela vai te proteger?

— Denny é uma vampira.

— NÃO! — a mulher berrou e pegou o telefone — Aqui é Elizabeth Harper e eu dou uma recompensa para quem me trouxer Rose Harper e Denny Guinevere, vivas ou mortas.

Rose enrolou ainda mais o bebê em seu colo e desceu as escadas correndo. Denny estava no beco esperando por ela.

— Corre, precisamos sair daqui, ela vai matar nós três.

— Ela é sua mãe.

— Por isso sei que ela é bem capaz. Ela colocou nossa cabeça a preço.

Denny e Rose correram em direção onde estava o carro da loira, mas haviam três homens encostados no veículo, somente esperado.

— Eu despisto eles. — respondeu Denny — Corre, procura a mansão dos Avbrutt, fica há seis quadras à oeste daqui.

Rose correu na direção da rua principal, fugindo de alguns homens que a perseguiam.

Entrou em um beco, atrás de uma farmácia, e entrou dentro de uma grande caçamba de lixo com a bebê. Eles não a viram entrar, e então passaram correndo, gritando.

Rose saiu de dentro da caçamba e correu na direção que Denny havia pedido.

Rose passou o bebê por baixo da grade, e pulou o muro do lado esquerdo da grade. Pegou o bebê e correu em direção a porta de entrada da grande mansão. Antes que chegasse na varanda, sentiu as mãos de Denny tocando suas costas.

— Pronto, eles não são mais um problema.

Antes que ambas tocassem a porta, uma menina mediana, de cabelos pretos e longos abriu a porta.

— Malina?

— Denny. — ela confirmou com a cabeça — Tempo que não te vejo.

— Eu preciso que...

— Eu tive uma visão eu sei o que vocês querem. — disse e estendeu a mão

A ruiva se recusou a princípio entregar o bebê, mas Malina a olhou nos olhos transmitindo uma confiança de que defenderia a pequena com sua própria vida. Malina segurou o bebê cuidadosamente, e a pequena segurou seu dedo com a pequena mãozinha.

Neste momento Rose já chorava inconsolavelmente, as lágrimas enchiam seus olhos em febre.

— Minha mãe vai matá-la.

— Ela é...

— Sim, ela é... — Rose confirmou — O nome dela é Sarah. Sarah Lee.

— Vamos, Rose. — disse Denny, buzinando o carro

Rose enxugou as lágrimas.

— Rose! — disse Malina — Eu vou contar sempre de você para ela, e ela vai te amar muito.

Rose cessou o choro, acenou com o rosto e foi para o carro de Denny. Denny deu partida e pegaram a estrada rumo à São Paulo.

— Sua mãe queria me matar por eu ter me tornado uma vampira.

— Agora você é uma amaldiçoada.

— Como vai proteger sua filha?

Rose não respondeu, apenas bufou e olhou para a estrada.

— Ele me transformou, você não tem nada a perder.

— Somos bruxas, Denny. Não podemos! Isso é contra as regras.

— Não é não. Sua mãe tentou nos matar, precisamos nos defender.

Denny mordeu o pescoço de Rose com uma certa calma, e tentou não fazer doer muito, e logo que a ruiva começou a sentir dor ela parou.

— É a sua vez. — disse a loira

Rose olhou para Denny, e mordeu seu braço. Aos poucos o sangue entrou em suas veias, e um transe misto de febre e pequenas alucinações tomou o seu corpo por algumas horas. Ela acordou, ainda estava no banco do carro, e Denny havia esperado pacientemente o efeito passar. Assim que ela sentiu que estava boa o suficiente para andar, saiu do carro, batendo a porta atrás de si.

— Se arrependeu? — Denny saiu atrás dela

— Não é pra mim, Denny. Eu não quero essa vida.

— Mas agora é o que você é, e você está viva.

— O que você vai fazer?

— Eu vou pra São Paulo, tenho amigos lá, e posso trabalhar com algo. Vem comigo.

— Não, Denny. Acabou. — e seguiu a estrada em direção ao nada.

— Rose?

— Rose?

— Meu nome é Runo. Runo Harper. E eu vou voltar pra Wilmont para buscar minha filha.

Rose agora, com seus novos poderes voltou à estrada que havia seguido, e logo achou luzes e postes, o que significava um posto de gasolina, oficina de mecânicos, e uma loja de conveniência, entre outras coisas.

Rose roubou uma garrafa de Whisky do bar de beira de estrada e foi para os fundos, no estacionamento. Rose jogou seus documentos no lixo, e em seguida derramou parte da garrafa de bebida, e tacou fogo.

"- Rose?

— Meu nome é Runo. Runo Harper. E eu vou voltar pra Wilmont para buscar minha filha." — as vozes das duas ecoou muitas vezes em sua cabeça

"Runo Harper. E eu vou voltar pra Wilmont para buscar minha filha."

"E eu vou voltar pra Wilmont para buscar minha filha."

"Wilmont para buscar minha filha."

Runo se escondeu por alguns dias em um bueiro, numa vala que daria acesso pra uma boca de lobo, se alimentando somente de ratos e gambás que passavam por ali.

Conheceu alguns trombadinhas, e aprendeu a bater carteira com eles, poucas semanas, já comprou sua primeira moto e assaltava bancos e lotéricas. Mudou o visual, cortou os cabelos e os tingiu de vinho escuro, mesmo sem saber o porquê daquela cor. Aliás sabia, aquela era a sua cor, a sua marca.

No primeiro ano em sua nova vida, já fez uma fortuna maior, conheceu um joalheiro que fazia réplicas perfeitas. Ia a joalheiras, pedia para experimentar, e em poucos descuidos das vendedoras, as substituía pelas falsas.

Com um ano e seis meses, já tinha mais de um milhão e seiscentos mil.

Comprou uma mansão abandonada em Wilmont por um 1/6 do valor total e a reformou a seu próprio gosto. Se tornou uma mulher cobiçada na cidade e começou a ter sua própria rede de negócios, e mercenários. Treinou o seu corpo para aguentar combates mais demorados, facadas, prata, calor e crucifixos, e seus treinos eram exaustivos, porém eficientes. Runo poderia ser a “vilã” da história de várias vítimas suas, mas sua alma não era tão má assim. Ainda havia algo de bom nela, uma espécie de luz, uma música que tocava em sua alma, sempre que ela se lembrava dos seus motivos de ser assim.

Protegê-la, e voltar para busca-la.

Sua paixão era a pequena Sarah. Ela assistia aulas de música, fazia esportes no colégio e gostava de ir a biblioteca. Sempre que o dia estava nublado, ela gostava de espionar a pequena, e os 14 anos se passaram com a mesma velocidade de um domingo.

Estava na hora de treiná-la. Logo ela seria um lobisomem. Runo acordou neste dia, suspirou forte e viu que o tempo estaria chuvoso, e seria excelente conhece-la durante o dia. Se sentia como uma adolescente que vai a um encontro, se arrumou, se sentiu ansiosa, viva, contente, com medo, com frio, e até mesmo com fome.

Sarah saiu do colégio, e como sempre tinha um rosto entediado. Não tinha amigas na escola, e cortava caminho por um beco deserto.

— Como você se chama? – Runo surgiu na frente dela

— Sarah.

— Sarah Miller?

— É. Mas eu tenho que ir.

— Sarah. — Runo segurou seu braço — Eu sou Runo, sou sua madrinha.

— O QUÊ?

— Você sabe que os Avbrutt te adotaram.

— Sim, disso eu sei.

— Eu conheci sua mãe, Rose.

— Minha mãe?

— É. Sua mãe. Rose Harper, eu estava com ela no dia que Malina pegou você.

— Por que ela fez isso?

— Ela não podia cuidar de você.

— Moça, eu realmente tenho que ir.

— Sarah, eu entendo esses problemas que..

— Não, você não entende.

— Essa sua super-força, essa sua fome exagerada, a vontade de correr, e ninguém mais entende. Você não é humana e eu posso te ajudar com isso.

Sarah suspirou. Parecia não confiar muito na estranha, mas ela tinha algo de familiar e protetor nos olhos.

— Qual o carro que você estava vendo na revista? A revista que você lia na classe?

— Uma Audi Roaster, é o meu carro favorito do mundo.

— Por quê?

— Eu não sei, parece que é um carro macio, mas ao mesmo tempo veloz e fora que o design era lindo. Só que o modelo que eu gosto sumiu de fábrica. É o modelo 1.8T – Runo percebeu que Sarah sorria

— Legal. Eu não entendo muito de carros. Se algum dia quiser trabalho, você pode me procurar.

Em questão de horas, Runo havia comprado o carro que Sarah gostava, fuçado um pouco de suas redes sociais, descoberto o que ela gostava de fazer, o que lia, os filmes que assistia.

Havia ansiado 14 anos para esse retorno. Mas nem tudo era como ela queria.

Sarah era comprada por dinheiro. Claro que sabia que sua filha não era perfeita, mas não imaginou que ela era uma mercenária e que ela faria tudo por boas quantias.

Se fosse dividir as coisas em boas ou más, Sarah era definitivamente do tipo má, e isso era um pretexto a mais para sua avó, Elizabeth quere-la morta.

Os Avbrutt foram na formatura de Sarah, porém a morena se encantou ao ver que Runo estava na plateia. Ela sorriu internamente, sua nova amizade perigosa a fazia se sentir como ninguém.

[ x ]

— Fumando, Sarah?! — Runo bateu a mão no cigarro dela

— Você não manda em mim. — Sarah andou até o outro lado da sala

— Você poderia ser minha filha.

— Mas eu não sou. E eu não tenho mãe!

— E por isso faz o que quiser?

— Foda-se.

— Sarah. Chega. Você é adulta então, vamos a trabalhos pesados. Conhece Luan e Leon Keller?

— Sei, sei quem são.

— Eles são vampiros, assim como eu.

— O quê?! Vampiros.

— Sim.

Runo pulou no teto e rosnou de forma amedrontadora, e Sarah quis correr, mas antes que chegasse até a porta, a ruiva a segurou e atirou do outro lado da sala.

Sarah caiu de cima de um móvel, o quebrando totalmente com as costas.

— Quando você for mulher o suficiente para matar um vampiro você pode fumar, se drogar e fazer o que quiser com seu corpo.

Sarah confirmou com a cabeça, e logo Runo estendeu a mão para que ela se levantasse.

— Eu tenho uma equipe, que faz trabalhos para mim. Os dois irmãos, Yul, uma vampira, e uma outra garota chamada Evelyn, que também está ingressando. O pagamento são 40 mil em barras de ouro pra cada um.

Os olhos de Sarah se acenderam. Dinheiro. Poder. Matar pessoas. Era isso o que movia sua filha. No período de um ano, ela foi a pessoa mais sanguinária que Runo havia conhecido, a ponto de que alguns dos piores vampiros sucumbiram aos pés das duas.

[ x ]

Elizabeth estava saboreando um delicioso gole de licor, antes que um guarda anunciasse que sua visita estaria entrando.

— Tinha razão, Rose. — disse quando ela passou pela porta

— Runo. — respondeu seca

— Que seja. Sua filha vale muito. Uma vedma meio lobisomem, que ideia de gênio. Os anjos querem matá-la, porque uma profecia deles diz que ela vai ser a criatura mais perversa do mundo.

— Ela não vai.

— Você a conhece. Sabe se a índole dela é boa ou não. Só que. — e estendeu uma foto — Existem um trio de querubins que foram designados para matá-la.

— Onde eles estão?

— Sarah tem família biológica em Orleans, outros lobisomens vivem lá, e parece que alguns parentes do pai dela.

— Não sei quem é o pai dela. Só me lembro de apagar e ter um homem nu morto do meu lado.

— Pois bem. O trio começou a procurar por ela em Orleans, seguindo aquele rastro. Não tem mais onde esconder essa menina.

— Ao contrário. Ela está treinada o suficiente para matar um querubim.

— Ela nem sabe usar os poderes de Vedma dela, você é louca?

— Ela já matou onze vampiros.

Elizabeth deu um pequeno aplauso.

[ x ]

— Sarah. Eu tenho um trabalho para você. — Runo disse animada chegando em casa

— Diz.

— Quanto você cobra para.. – não terminou a frase

— Somente diz o que é.

— É um trabalho pessoal.

— Eu o farei.

— Nem sabe o que é. — riu

— Eu o farei. Por você.

— Eu descobri quem matou meu marido.

— Quem foi?

— Foi um anjo, um querubim, mas como eu sou vampira, não consigo me aproximar muito de um.

— Onde ele está?

— Não sei. Mas está matriculado em um colégio militar em Orleans, há umas duas horas daqui.

— Okay. Deixa comigo.

— Não. Eu tenho que te contar uma coisa.

— Diga.

— Você tem uma irmã biológica. O nome dela é Clarah, mas parece que seu pai morreu antes de você nascer. Ela também vive em Orleans.

— Coincidência, não?

— Não sei. Sorte. — e estendeu a pasta que carregava — Aqui estão as informações sobre ela, e ao que parece ela é uma boa pessoa.

— Ela sabe que eu...

— Ela é também, e parece que vive em uma espécie de família de lobisomens.

— Caramba! — Sarah sorriu fascinada

— Posso contar com você.

— Claro. Te vejo em breve.

— Okay. — e foi subir as escadas

— Ah, Runo.

Runo se virou, e Sarah correu apressadamente e pulou em cima dela, lhe dando beijos no rosto.

— Obrigada por tudo.

— E-eu tenho que falar.

— Diz, Sarinha.

— Eu te amo. Você é o mais perto de família que eu tive. — Sarah não escondeu as lágrimas — Você é a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo.

— Sarah, o prazer foi meu em trabalhar com você.

— Eu juro a você que eu vou matar esse querubim.

Runo consentiu com a cabeça e soltou Sarah do abraço, lhe beijando a testa.

— Quando você acabar, que tal irmos embora?

— Embora de onde?

— Daqui, quem sabe até do Brasil. Sabia que minha mãe é húngara? Eu tenho família na Europa, poderíamos ir para a Grécia, ou algo assim.

— Vou adorar. Uma vida nova.

— Uma vida nova.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!