Notas iniciais
Meus amores. Espero que vocês estejam gostando, tentei surpreender no final deste capítulo. Enjoy Então vamos ao nosso ritual. Fecha esse "Chapolin Sincero Oficial Facebook" que você está vendo, prende o cabelo que está calor, pega um lanche, aquele resto de comida que seu irmão não quis, apaga a luz, senta, fica bem confortável e vem comigo.

– Tem certeza de que é aqui? – perguntei

– Sim. Sarah. – disse Denny – Só viemos nós porque precisamos de silêncio. Espera no carro.

– Aonde você vai?

– Checar o perímetro. E você é barulhenta demais, portanto espere.

De tanto esperar e olhar. Não percebi que meus olhos me traíram e dormi calmamente. Sinceramente nem sei como o fiz.

Eu acordei numa casa imensa de madeira, ela estava sem os móveis, exceto por algumas peças de uma mobília velha que eu vi na sala. Estava toda apagada, mas a luz do luar vindo de todas as janelas deixava iluminado. Eu levantei a cabeça e eu estava com a cabeça apoiada no sofá e doía demais. Acordei com Leon caminhando pela cozinha e deu um chute enorme e ele abriu a porta para a sala.

Levantei de imediato e peguei o meu revólver 9mm e apontei para ele. Ele apontou de volta, e ouvimos juntos um barulho lá fora.

Demos um chute na porta, mas a casa voltou a continuar em silêncio.

Leon dava cada passo calmamente com a pistola e uma lanterna na mesma mão.

Eu podia ouvir seus batimentos e seus pequenos passos contra o chão de madeira.

A casa estava silenciosa demais.

– Estes vultos se alimentam de seu medo. Eles vão te cercar e te assombrar se você ficar com medo, Sarah. – Leon disse

– Eu não tenho medo.- repeti para ele

De repente as lâmpadas, mesmo que já estavam apagadas começaram a se estourar.

– Sarah, eu vejo medo em você, por favor se acalme. – ele repetiu

– EU NÃO TENHO MEDO! — gritei e no instante um abajur quebrou — PODEM VIR TODOS VOCÊS. – disparei duas ou três vezes para o alto

Menti. Eu nao via a hora de sair dali. Aquilo me assustava. Senti Denny colocar a mão no meu ombro e dar um sinal para que ele fosse lá pra fora. Leon confirmou com a cabeça e saiu para fora de casa procurar o bicho.

– Ele é mais conhecido como um bicho papão. – Denny sussurrou

– Ele se torna o seu pior medo, ele te acorda quando você dorme e vai se tornando tudo aquilo que você teme.

– E como você mata ele?

– Pondo medo nele.

– Como eu posso por medo no meu pior medo?

– Boa pergunta.

– Você tem algum medo?

– Eu tinha medo de perder alguém que eu amava, mas ele já foi a muito tempo.

Entrei bem devagar com Denny.

A vampira se escondia no silêncio da casa e suavemente andava sem fazer barulho.

Com um revólver nas duas mãos ela subiu vagarosamente a escada. As mãos na altura do rosto e os cotovelos dobrados. O pouco barulho que eu pude perceber na casa eram dos cachos do cabelo dela se movendo. Era algo quase imperceptível. E óbvio, eu tonta! Minha respiração para atrapalhar.

Eu apontava a arma para frente e demos sinal de que ele estava no quarto em nossa frente. Depois de dois ou três segundos amedrontada, entrei.

Aquela criatura parecia um lobisomem de filme de terror antigo. Pelos cinzentos e fininhos, orelhas pontudas e afiadas, sem cauda. De seus lábios saía um barulho nojento e estranho, que mostrava que ele havia acabado de devorar a garota.

Ele deixou o cadáver no chão, mas ao que parecia, ela estava sem nenhum golpe ou marca, mas o rosto arroxeado de susto. Olhei para a criatura e sem medo, atirei, se formando fumaças no ar.

– Querida? – no mesmo instante olhei para trás.

Era um homem, ele estava careca e com os olhos bem pálidos. Sua pele era branca demais e ele usava uma roupa de hospital.

– Por que me deixou morrer, Denny?

– Eu não deixei.

– Você deixou meu filho Endrew sem um pai, Denny. Você viu que os vampiros salvaram você. E por que não deixou que eu ficasse vivo?

– Eu sinto muito. Eu nunca quis nada disso.

– Eu vim te perdoar, meu amor. — ele lhe estendeu a mão – Venha comigo.

– Denny isso é uma ilusão. Saia daí.

– Esta é a chance que você sempre quis.

Denny ergueu o braço em sua direção, mas aquela tortura deveria acabar. Eu atirei naquela criatura várias vezes e nem sabia que era capaz de fazer isso. Ele correu muito rápido e segurou ela pela cintura, a jogando lá embaixo.

Quando olhei para baixo, o corpo de Denny estava caído, seus olhos abertos e sangue caíam da boca. Ela estava morta.

Procurei a criatura com os olhos, mas de imediato não a vi. Pensei em ligar para Leon, porém o barulho somente nos atrasaria.

– Que merda! Eu poderia estar na Bélgica hoje. E eu vou morrer.

Olhei de volta

– Olá, querida? — Runo estava me olhando

– Você não pode fazer nada contra mim.

– Eu vou matar você. Vou matar suas irmãs. Lentamente. — disse Runo

Seus olhos ficaram completamente negros, numa face horrenda e seus dentes eram enormes e todos afiados como muitas agulhas.

– Eu não tenho medo! — eu gritava. — Eu não tenho medo.

Eu repetia mais alto, até começar a atirar para cima. E senti lágrimas quentes rolando, mesmo com os olhos fechados. Atirei contra ela.

Eu senti vontade de me transformar, mas eu neguei a mim mesma. Apenas cruzei os braços e deixei que Runo viesse até mim. Ela veio com a boca sedenta mas parou no último segundo me encarando. Seu rosto ficou horrendo, e eu mantive minha expressão fria e no mesmo minuto ela começou a gritar de pânico.

– Vampiros morrem com estacas abençoadas, certo?

Eu peguei um crucifixo grande de madeira que eu vi no alto do quarto. O quebrei no meio se fazendo uma estava e cravei em sei peito. Nunca me senti tão corajosa. Ela gritou de dor, e eu a girei a jogando pela janela.

Abri os olhos muito rápido, estava deitada no carro.

– Sarah. – Denny batia na janela do carro, eu havia a trancado por fora

– Eu não encontrei nada. – disse

– Vamos embora. Nossa missão por aqui acabou hoje. – eu disse e pulei para o banco do motorista

– Runo aparece para me assustar –

– E o que vai acontecer quando eu recuperar a minha memória? – eu perguntei olhando para cima enquanto Apsu mordia minha mão.

Eu estava deitada na floresta, segundos antes da meia noite. Eu não possuía sono, apenas olhava a lua nos céus e Apsu estava irritado pois queria dormir, e estava cansado.

– Que vida maluca. – eu disse.

Algo me fazia estranha, quando eu estava com a arma na mão, quando fizemos o primeiro caso,eu senti prazer. Senti prazer em matar, em encontrar, era algo extasiante, eu queria muito.

“Sim. Você gostava disso” – uma voz sussurrou, mas tão fraca que eu não pude saber se era da minha cabeça ou se era algo sobrenatural.

– Eu gostava? Antes de perder a memória. – perguntei de novo

“Sim. Você fazia isso.” – ela respondeu

– Quem é você? – eu levantei, já um pouco preocupada

“Uma amiga, Sarah. Sou só uma amiga. E por favor, volte para casa.”

– Aonde você está? – gritei

“Eu não posso aparecer para você agora. É cedo demais para explicar o que houve com sua memória” – respondeu.

– Okay. Se sabe mesmo quem sou eu e de onde eu vim, nos encontraremos aqui neste mesmo horário amanhã. – respondi e sentei na grama de novo.

Na verdade deitei. Peguei aquele celular antigo, e continue vasculhando por mensagens se algo mais havia ocorrido comigo.

– Sarah. – Carine me acordou, minutos depois

Ela tinha Apsu no colo e me deu uma pequena sacudida para eu acordar.

– Vamos para casa. – ela disse – Está tarde e o Apsu está com fome.

– Não, eu tenho que ficar. – eu respondi.

– Vamos voltar e depois você vai voltar para dormir, okay? – Carine disse

– Tá. – eu respondi com um sabor estranho nos lábios, a náusea voltava.

Por brincadeira, a puxei pelo braço e a rolei na grama. Rimos um pouco e ela empurrou meu peito para que eu saísse de cima dela. Ela levantou e limpou os bolsos, sujos de grama, e iria me dar a mão, só que eu me recusei a levantar.

– Carine. Por favor, vai embora não.

– Mas a gente tem que ir.

– Me dá cinco minutos, pra eu lembrar quando der saudade. – eu disse – De algum jeito eu gosto de você.

Ela riu baixo e me deu a mão pra mim levantar. Me abraçou de um jeito doce e encostou a cabeça no meu ombro.

– Podemos ir agora?

– Sim. Vamos.

– Espera. — Carine disse — Tem algo pesado no ar.

Ficamos uma de costas para a outra, e olhávamos para os lados procurando algo nas árvores que dissesse de onde o barulho estava vindo.

– Eu acho que sei o que é. — eu disse baixinho demais, mas ela ouviu

– Runo?!

– Talvez não. — eu confirmei – Mas talvez ela precise falar comigo.

– Não vou deixar você aqui.

– Por favor, vá embora, Carine.

– Eu não vou! Você viu o que aconteceu da última vez que vimos ela.

– Sim, mas se ela quisesse ter me matado ou te matado, ela teria feito. E não é ela que está aqui. Volta para a cidade, eu vou para algum lugar aqui perto e ela vai me seguir. Assim que eu terminar com ela, eu falo com você.

– Sah, eu não quero. — ela disse com um tom um pouco triste na voz

– Faz o seguinte, me espera na estrada. Se algo acontecer eu vou te ligar, okay?

Antes que ela pudesse confirmar, eu desapareci.

– Eu descubro quem é quem na minha família e descubro da Yul Era ela, Yul.

Uma garota de cabelos negros e pele bem branca estava sentada no alto de uma árvore. Ela era bonita demais para ser humana e não olhou para mim.

Falei baixo.

– Quem é você?

“Sou Olga, mas me chame de Yul.” – sussurrou novamente

– Posso confiar em você? — perguntei

“Se ainda confiar em sua melhor amiga” – respondeu

Incrível é que a voz dela estava dentro de minha cabeça. Eu não poderia vê-la gesticulando os lábios. Vários sussurros desconexos e imagens borradas invadiram minha mente e parcialmente eu me lembrei dela.

Yul me abraçou segurando forte pelos meus braços, qual eu mal pude me mover, a não ser por abraçar sua cintura de leve. Ela poderia quebrar meus ossos com o abraço.

– Cara, eu senti tanto a sua falta.

E ela era a única pessoa que eu lembrei de imediato, eu esquecia aonde ela morava, ou todos os outros detalhes, mas aquele sorriso era tão perfeito.

Ela segurou minhas mãos, e eu não me contive de chorar algumas lágrimas quentes.

– Sarinha você está tão crescida, está tão bonita. — e sorriu

Ela ainda estava mais alta que eu e estava também mais bonita, apesar de sua aparência ser intacta por muitos anos, mas ela parecia... diferente.

Eu não conseguia mais olhar direito para ela, parecia que ela estava de alguma forma dando uma luz que não parecia ser dela. Ela estava mais triste que o normal, mas estava sorrindo para me manter feliz.

– Nossa, você está toda mais velha, mais crescida, está maior.

– Para, está me deixando com vergonha.

– Você fica mais linda ainda, Sah.

Eu fiquei sem jeito e empurrei a barriga dela com o sorriso meio cabisbaixo.

– Por que nunca veio me ver depois de que tudo aconteceu? – eu perguntei.

Yul me deu um sorriso.

– Tem coisas que fazemos pelos nossos melhores amigos. Eu sei todos os seus segredos e sei que você não quer saber a maioria deles.

Estávamos sentadas no telhado, e Yul fingindo que estava com frio se encostou no meu peito e eu a abracei.

E Yul me contava dos momentos que era triste, mas ao mesmo tempo era feliz. Tinha sido trazida de uma família da frança e um dia fugiu de casa e com a ajuda de outras bruxas construiu uma casa na floresta. Ela foi muito sozinha. As vezes ela chorava de me contar de sua solidão mas ao mesmo tempo, eu sentia que ela se sentia melhor se abrindo comigo.

– Lembra quando você era pequena e Runo nos punha de castigo por qualquer coisa?

– Ah, sim... — fiquei quieta, mas não me lembrava

– E você pedia pra eu abrir a porta e te tirar do castigo?

– Prossiga.

– Que foi? — perguntou

– Eu não tenho muitas memórias.

– Ah, é verdade. Mas as minhas você deveria manter?

– Por que sei lá. Esquece. — disfarçou — Você era pequena e fazia muita bagunça, e nós íamos para o quarto dos fundos ficar contando histórias de terror.

– Tenho medo de descobrir essas coisas. — eu sorri

– Tem razão nisso. Tenha medo mesmo.

– Por quê?

– Por favor, não tente recuperar sua memória.

– Por quê? — eu perguntei desmanchando o sorriso

– Você já sabe da Carine, certo?

– Sim, eu sei.

– É. Meio que ela afastou você.

Eu a olhei confusa.

– E eu desapareci da sua vida desde que ela entrou na sua vida.

– Não, Yul, então por que você é a única pessoa que eu me lembro?

– Você é nova para entender, mas eu acho que você ficou melhor assim. Sem anjos e demônios aparecendo na sua vida.

– Tá, mas eu sou um lobo. Faz parte da minha vida agora.

– Você é um lobo até alguém ter te contado. Nem você sabia. Vivia normal, comia apenas o suficiente, e tinha um trabalho, uma vida saudável.

– Eu quero conhecer a minha identidade antes disso.

– Não sei se deve.

– É um direito que eu tenho.

– Vou pensar.

– Esquece. Vou atrás de Runo.

– Runo. Aonde você está? – entrei na casa

– Desculpa, querida eu não vou deixar você entrar. – disse uma moça.

Ela estava com os cabelos médios, pele castanha e tinha olhos amarelos demais para ser humana. Vampira. Rosto cruel não era sociável, e com um sorrisinho confiante que me desafiava. Saiu da porta e deu passos em minha direção.

– Eu quero falar com ela. – eu continuei.

Ela com a ponta do dedo, me empurrou o ombro e eu quase caí no chão. A sensação é de que um caminhão me empurrou.

– Moça, você não me conhece. E eu não quero ter que brigar com você.

– Não! Eu te conheço muito bem, Sarah e eu acho melhor que não se meta comigo.

– Ou o quê? – eu cruzei os braços

A baixinha estalou o pescoço. A ignorei e passei direto para a porta. Ela me puxou pelo cabelo e me atirou no chão. Grudei em seu braço com a força o suficiente para que o quebrasse, mas minhas unhas o arranharam que pouco sangue poderia sair.

Ela rosnou e num salto grudou no teto da varanda. Enfrentamos-nos violentamente.

Entre chutes, mordidas e boa parte do jardim quebrada, sangue em nossas roupas, olhei aquele corpo e a atirei em direção à porta de entrada. A porta se quebrou e ela caiu lá dentro.

– Meus parabéns. – Uma voz disse e eu olhei.

Ela era a pessoa mais linda que eu já havia visto. Pele muito branca, cabelo curto e repicado, vinho, roupas de couro, lábios vermelhos. Era maravilhosa e hipnotizante. Parecia confiante, mas ao mesmo tempo parecia sedutora, sensível. Tinha um olhar arrogante, porém tinha o mesmo tom de jovem e apaixonada. Doce, mas fatal. Foi o que achei para defini-la.

– Jamais venceu Evelyn. – Runo disse — parabéns

– Há! – Evelyn gargalhou – Ela não me venceu.

– Mas não perdeu. Agora sem brigas as duas.

Runo tomou um gole de seu Wishky com deboche

– Se veio aqui implorar por Carine, Sarah, está perdendo seu tempo. Vou matá-la bem lentamente e depois o meu assassino.

– Não é por isso que estou aqui. – eu disse. – Quero respostas, Runo.

– O melhor que posso dizer é vá por aquela porta à sua vida e esqueça tudo o que viu aqui.

– Não vou. Quero saber por que me conhecia. O que eu fazia aqui, como essa garota aí me conhece, como Yul, Leon, me conhecem?

– Melhor. Vou ser boazinha com você. – ela jogou o copo de Whisky na lareira – Avise a Olga que você vai voltar pra casa. Passe o tempo que quiser com eles, se gostar do que viu, o que eu duvido muito, volte e eu estarei esperando por você.