Missing
4 Capítulo 4
Chegaram ao aeroporto mais rápido do que Ken previra. Na verdade, não tinha notado que o caminho pelas ruas de Tokyo havia sido tão rápido.
Schuldig estacionou o Audi no estacionamento do aeroporto, e rumaram para o terminal logo. Ken notou que o alemão não trazia nenhuma mala consigo, apenas a pasta preta. \"Eu não preciso trazer bagagem.\" \"Por quê?\" \"Eu tenho o número da conta de Crawford. É só comprar tudo na Inglaterra.\" Ken não conseguiu evitar um olhar de espanto para o ruivo. Balançando a cabeça, ainda incrédulo, decidiu seguir Schuldig, que já dirigia-se para a área do check-in. — Que horas parte o nosso vôo? Schuldig olhou para o quadro de chegadas e decolagens. — Hummm... É aquele. O das 15:00h. Ken checou o relógio de pulso. — Schuldig, vamos ficar duas horas no aeroporto? O alemão deu de ombros. — Não esperava um trânsito tão livre, gatinho. Ken suspirou, em seguida apertando os olhos e encarando o alemão. — Pare de me chamar assim em público. Schuldig sorriu de um jeito estranho. — Em público? Então quando estivermos... — o telepata aproximou-se consideravelmente de Ken, a ponto do assassino mais jovem sentir o calor do corpo de Schuldig — A sós, eu posso? Ken não conseguiu evitar e acabou ficando vermelho. Mais de raiva do que de vergonha, provavelmente. O outro afastou-se, rindo suavemente. Olhando ao redor, o ex-jogador notou com satisfação que ninguém parecia ter visto a cena. \"Preocupado com o que os outros vão pensar?\" \"Preocupado que me vejam com um louco psicótico.\" \"Você machuca meus sentimentos.\" \"Claaaaaro, Schuldig.\" O alemão enrolou uma das duas mechas de cabelo cor de fogo que estavam soltas do seu rabo-de-cavalo nos dedos da mão direita, enquanto olhava novamente o painel de pousos e decolagens. — Vamos para o check-in. O moreno pegou a sacola que estava no chão. Estranho, não se lembrava de tê-la pousado. Ignorando o detalhe, seguiu o seu companheiro de viagem até a fila dos guichês. — Schuldig, onde estão as passagens? Os lábios do telepata se converteram em um sorriso maligno. — Passagens? Que passagens? Ken arregalou os olhos. — Schuldig! Como pretende embarcar sem passagens? O alemão inclinou-se para a frente, usando a mão livre para segurar o rosto de Ken. — Veja e aprenda, Kenken. — e piscou para o assassino mais jovem. O ex-jogador sentiu vontade de bater com a cabeça na parede, ou melhor ainda, bater em Schuldig. Pasmo, Ken ficou perto da fila, assistindo a empreitada do outro. Os olhos de Ken foram se arregalando a medida que ele visivelmente flertava com a moça responsável pelo balcão da companhia aérea. Ele não acreditava no que estava vendo. \"Ciúmes, Kenken?\" \"Não me chame assim.\" \"Ja, ja. Então admite que está com ciúmes.\" \"Não. Mas é quase nojento ver você assim.\" Ken jurava que tinha ouvido uma risada dentro da sua cabeça. \"Se eu converso com você, por que não posso rir?\" \"Foi uma surpresa... Só isso.\" \"Pronto. Terminei.\" O moreno viu Schuldig retornar do balcão, com um sorriso nada simpático nos lábios. — Pronto. — O quê você fez com a mulher? Lavagem cerebral? — Ken perguntou com sarcasmo. — Quase. — Schuldig ficou mais sério — Na verdade, apenas manipulei um pouco seus pensamentos. Fica mais fácil quando o telepata tem atrativos físicos. Ken sentiu a vontade de bater no homem ao seu lado novamente. \"Calma, mein Kätzchen.\" \"Quer parar de me chamar assim?\" \"Você me proibiu de chamá-lo de \"gatinho\". \"Kätzchen\" é diferente.\" — Schuldig, se depender de mim, sua morte será lenta e dolorosa. — falando com os dentes cerrados, Ken andou o mais depressa que pôde para longe do outro. — Aonde vai? O moreno quase pulou com o susto. Havia esquecido que Schuldig era muito rápido quando queria. \"E que também tenho excelente mira.\" \"Obrigado por me lembrar.\" — O que vamos fazer enquanto esperamos o vôo? Schuldig deu de ombros. — Não sei. Escolha o que quer fazer... — o telepata largou-se em um banco próximo, reclinando-se e fechando os olhos. Ken não entendeu nada. Depois de alguns minutos sem obter respostas do alemão, verbais ou mentais, sentou-se ao lado do alemão. — Schu? O ruivo abriu um olho, que focou-se em Ken. — Schu? — Foi o que eu disse. O alemão sorriu. — Já estamos tão íntimos assim, Siberian? — Isso é o que ganho por me preocupar... — o moreno levantou-se da cadeira, começando a andar sem rumo definido pelo saguão. \"Seu temperamento é horrível.\" \"Já me disseram isso. Como se você fosse muito melhor.\" \"Mein Kätzchen. Eu estava apenas brincando.\" \"Eu não gosto das suas brincadeiras, Schu.\" — Ah, que bonitinho. Falou novamente. Ken suspirou exasperado. — Não me assuste desse jeito.
O telepata apenas sorriu em resposta. Em seguida, refez o longo rabo-de-cavalo. — Decidiu o que quer fazer, Ken? — Iie. Sugestões? — Recomendaria a praça de alimentação. Acho que você não comeu nada. O jogador piscou. Como ele não havia pensado naquilo? — Porque as suas garras são seu forte, não seu cérebro. — Schuldig... — Ok, eu parei. — o alemão ergueu os braços em sinal de redenção, e os dois se dirigiram para a praça de alimentação. Enquanto comiam, o jovem assassino não pôde deixar de notar a atenção que Schuldig atraía. Era algo estranho. Praticamente todas as pessoas que passavam por perto observavam o telepata, nem que fosse por alguns segundos. Um fascínio impressionante. \"Eu mantenho a minha teoria de que você está com ciúmes.\" \"Não estou.\" \"Não se preocupe, gatinho. Estaremos sozinhos no avião.\" \"Schuldig...\" O telepata decidiu continuar verbalmente. — Eu sei que as pessoas olham, Ken. Elas reconhecem beleza quando a vêem. — Deus, eu quase ouvi Yohji falando. Por um momento, os dois silenciaram, enquanto Ken resgatava memórias do seu antigo companheiro. \"Ele está bem, Hidaka.\" \"Está?\" \"Ja, ja. Eu garanto.\" — O problema é que eu ainda não confio na sua palavra. — O que quis dizer? — Schuldig perguntou, enquanto tomava um longo gole da sua cerveja. — O que você entendeu. Alguma emoção que Ken não conseguiu decifrar passou pelos olhos de Schuldig. Mas tão rápido quanto veio, foi embora. O ex-jogador decidiu ouvir novamente seu MD enquanto esperava o vôo, mas isso não impedia o telepata de entrar na sua mente e falar mais alto do que o volume máximo do MD. De repente, o alemão levantou-se da mesa, sem maiores esclarecimentos. O outro assassino seguiu-o sem pestanejar. — Onde você está indo? Schuldig parou de andar, encarando Ken. Logo os dois ouviram o chamado para o vôo. — Não acredito que se passaram duas horas! — O tempo passa rápido quando se tem companhia agradável. — o ruivo piscou para Ken, retomando o caminho da área de embarque. Mais uma vez, o moreno viu-se seguindo Schuldig. Uma cena que estava ficando comum demais para o gosto dele. \"Por quê?\" \"Por que o quê?\" \"Por que você não gosta de me seguir?\" \"Ah, você ouviu aquilo.\" \"Claro.\" Ken podia jurar que o telepata tinha sido sarcástico. \"Ora ora, se não somos espertos.\" \"Sua morte vai ser mais dolorosa e lenta do que eu pensava.\" \"Oh, eu estou realmente com medo.\" A conversa foi momentaneamente interrompida quando chegaram ao avião. O moreno estava sinceramente curioso para saber como Schuldig driblaria as pessoas que pediriam sua passagem. E a dele também. Para espanto de Ken, o alemão passou sem problemas. Muito provavelmente, havia subestimado as habilidades do antigo membro do Schwarz. \"Com certeza. Você não me conhece direito, Ken.\" \"E acho que não quero...\" \"E depois de tudo que fiz por você... Como me sinto amado.\" Logo os dois estavam sentados nas poltronas designadas pela aeromoça. O vôo estava surpreendentemente vazio, e logo que pôde, Ken religou o MD. Repentinamente, virou-se para Schuldig. — O que você disse que \"Schuldig\" significava? O alemão sorriu de uma forma divertida. — Eu nunca disse o que significava, Ken. — Não? Erro meu. Ken sorriu. E o alemão não gostou muito do tipo de sorriso que viu no rosto do moreno. Bocejando, Ken fechou os olhos. — Vou dormir. Mas você pode ouvir, se quiser. Sem aviso, o ex-jogador passou o aparelho para o ruivo, que mal teve tempo de pegá-lo antes que caísse. Apertou o play, e esperou que o nome da música aparecesse no pequeno visor. O alemão ficou sinceramente intrigado com o nome: \"The First Cry in Hades ~Guilty~\". Decidiu ouvi-la. Quando terminou, murmurou a frase que havia deixado-o mais estupefato. — Yuuzai na kakutei suru yami no soko heto hakidasareteku.* O telepata perdeu o pequeno sorriso no rosto de Ken.Continua...
Notas finais
* A tradução seria: "I'm pronounced guilty, and spit out of the darkness" ou "Eu sou declarado culpado, e cuspido pela escuridão".
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