Miss You
1 Oneshot
Notas iniciais
Ah, só uma última coisa, acho que o meu Prússia não é lá muito que nem o original, então... É. Mas a história é minha, eu faço o que eu quiser. /aquela
As bochechas da loira estavam molhadas e continuavam a ser molhadas pelas lágrimas que escorriam de seus olhos. Liechtenstein não era de chorar daquele jeito. Ela só chorava assim quando a dor de dentro era insuportavelmente grande e ela simplesmente não aguentava mais.
Um pedaço do seu coração havia sido tirado — ou melhor, arrancado — de si e aquela parte que faltava estava sangrando descontrolavelmente e aquilo dóia.
Imagine você escorregar em um tobogã de gilete e cair numa piscina de álcool. Agora multiplique essa dor pelo número de estrelas do céu, de gotas do oceano somados.
Isso nem chegava à unha do dedinho do pé da dor que a mais nova estava sentido naquele momento.
E aquilo tudo só piorava quando seus pensamentos eram tomados pelas lembraças. As lembranças de quando ele ainda estava aqui. De quando ela ainda estava em seus braços, braços quentes e confortantes que nunca falhavam em trazer calor e segurança para a menina.As pontas dos seus dedos tremiam enquanto tentava desenhar no ar o rosto daquele que tanto amava enquanto se deixava levar mais uma vez pelas recordações que faziam seu coração doer e se aquecer ao mesmo tempo.
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"Lili." O mais velho lhe chamou, sabendo que ela automaticamente voltaria toda a sua atenção para o albino, um sorriso largo em seus lábios.
"S-sim, Prussia-san?" A menina perguntou, sentindo as bochechas esquentarem com o apelido.
Não que não gostasse que o prussiano a chamasse assim ou tivesse vergonha do apelido, pelo contrário, sempre achara tão bonito como aquelas duas sílaba saiam de uma forma tão simples e perfeita daqueles lábios que amava. Mas, sentia uma sensação estranha dentro de si toda vez que Prussia a chamava assim.
Era uma sensação boa. Ou pelo menos, era o que ela achava."Primeiro: Já falei para parar de colocar o "-san" no meu nome. Me sinto velho e quase um pedófilo." Riu e Liechtenstein não pode segurar um pequeno e tímido sorriso aparecer em seus lábios. Afinal, a alegria do mais velho era sempre contagiante. "Segundo: Não precisa ficar tão longe de mim, eu já falei que conversei com o seu irmão e ele está totalmente bem com o nosso relacionamento então venha cá."
O albino abriu os seus braços para que a pequena pudesse se aconchegar neles, ato que a loira fez sem hesitar e só quando finalmente estava envolvida pelos braços fortes do mais velho que olhou para os lados, temendo que seu irmão aparecesse e começasse a dizer aquelas coisas de como estava se corrompendo por estar com Prussia sem um casamento marcado.
"Você se preocupa demais, sabia, pequena?" O rapaz suspirou, começando a fazer um leve cafuné nos cabelos cor de ouro da menina em seus braços, querendo que esta se sentisse relaxada, pelo menos, enquanto estivesse com ele. "Eu prometi que vou sempre estar com você e alguma coisa de ruim acontece quando você está comigo? Não. Então não se preocupe."
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"Mentiroso." Sussurrou contra o seu travesseiro. "Prussia-san, seu mentiroso e... Mau."
Mais uma vez, a pequena sentiu as lágrimas invadirem os seus. Era sempre assim de algumas semanas para cá. Nunca saia do seu quarto, nunca comia, mal tomava banho. Talvez seu irmão estivesse gostando disso já que a conta do supermercado e de água havia dimuido bastante de uns tempos para cá.
Desde que ele havia partido.Talvez fosse melhor assim. Deixar esvair-se aos poucos. Os pulsos marcados por tentativas de suícidio ou simplesmente porque Liechtenstein achava, pela primeira vez na vida, que ás vezes a dor de fora alivia e é menos pior que a de dentro.
Aish. Será que ele sabia o que estava fazendo com ela? Será que ele tinha a mais vaga ideia do que estava acontecendo com ela por causa dele? Não. Prussia não sabia e provavelmente nem queria saber.
Ele era assim. Lili o conhecia muito para afirmar isso. Para saber disso.
E mais uma vez, ela era a idiota da história. Ela que foi a menina boba daqueles filmes onde a mocinha se apaixona pelo malvado, mas a sua história era diferente. Porque o malvado não ia se tornar bonzinho e eles viveriam felizes para sempre. A menina simplesmente racharia a cara — como estava acontecendo agora — por ter sido tão idiota.
E ela simplesmente não podia fazer nada contra si. Nada. Apenas chorar e lamentar como a pessoa inútil que era.
E como ela era.
Liechtenstein sempre precisou de alguém para protegê-la, de alguém para protegê-la, alguém em que ela pudesse simplesmente se apoiar. Quase como uma parasita. Claro que o Suíça nem Prussia haviam usado essa palavra ou até mesmo falado da dependência da menina, mas ela sabia.
Belarus havia comentado isso um dia.
Mas não era isso que a irritava ou a deixava naquele estado. Quer dizer, não era uma mentira e como nenhuma das pessoas em que ela havia "sugado" algo reclamavam, ela simplesmente deixava de lado.
Até que ele foi embora.
Suas pálpebras foram se tornando pesadas e gentilmente, elas se fechavam, mas a pequena lutou. Não queria dormir. Se fosse para dormir, ela teria que apagar, porque assim não teria sonhos. Descansaria bem melhor e quando voltasse a si, só lembraria da escuridão e nada mais.
Mas, de repente, Liechtenstein estava cansada de lutar. Exausta seria a palavra certa ou a mais próxima disso. Deixou seus olhos se fecharem gentilmente e antes que pudesse pegar um pouco ar, já estava no mundo dos sonhos.
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"Lili." Aquela voz familiar ecoou na escuridão do quarto onde estava. Liechtenstein olhou para os lados confusa. Ele não poderia ter voltado. "Aqui, pequena."
E de repente, ele estava lá.
Com o seu uniforme levemente amassado e sem a gravata, alguns botões abertos que mostravam um pouco mais da pele branca e sedosa de seu peito e clavícula. Os cabelos prateados estavam bagunçados e os olhos vermelhos cheios do carinho e amor que a menina sabia que o outro sentia por si. Os braços abertos e um sorriso largo nos lábios, o sorriso doce e gentil que ele dava para ela. Só para ela. "P-prussia-san?" As lágrimas não poderam ser contidas em seus olhos enquanto corria ao encontro daqueles braços que tanto sentira falta nesses meses e tudo estava ali.
Seu coração. O calor. A segurança. A alegria. As lágrimas. Os momentos que passaram juntos. Tudo parecia tão certo naquele mundinho onde só existia os dois. Ela e Prussia. Prussia e ela. Mais ninguém.
O quarto escuro havia se transformado no jardim de lírios que a pequena tanto gostava e visitava com Gilbert. O cheiro adocicado das flores se misturava com o perfume intoxicante do mais velho, fazendo a loira apertá-lo ainda mais contra si e sentir o seu aperto ser retribuído da mesma forma. Como se nenhum dos dois quisesse se separar outra vez.
"Só mais um pouco, minha pequena. Só mais um pouco." Gilbert sussurrava em seu ouvido enquanto passava os dedos entre os cabelos macios da mais nova. "Consegue esperar mais um pouco? Por mim. Prometo que vai ser só mais um pouco."
E como ela poderia negar com aquelas palavras que eram sussurradas com tanto amor em seu ouvido? Naquela abraço que despertava as sensações que pensava estarem mais adormecidas dentro de si. Com aquele cheiro intoxicante invadindo as suas narinas e tomando contas dos seus sentidos.
"Promete? Promete que vai me esperar?" Prussia sussurrou mais uma vez enquanto apertava com tanta força o corpo pequeno contra si que quase o expremia.
"Prometo." Liechtenstein sussurrou de volta, sentindo o corpo do outro desaparecer entre seus dedos até que não sobrasse mais nada ali e mais uma vez ela estava naquele quarto escuro.
Sozinha.
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Será que era infantil demais da parte dela acreditar que aquele sonho era apenas um aviso do maior. Ela só precisava esperar mais um pouco e ele estaria de volta. Isso. Num salto, levantou-se da cama e procurou no seu armário o seu melhor vestido.
Foi para o banheiro e tomou um banho demorado. Afinal, teria que ficar impecável para quando Prussia voltasse. Ela queria que ele se apaixonasse novamente por ela e assim tudo voltaria ao normal. Ou pelo menos, isso que ela achava.
Respirou fundo enquanto lavava os cabelos curtos e lisos, sentindo o aroma doce que vinha do produto que usava neles. Baunilha. Prussia sempre dizia que não gostava do cheiro de baunilha, mas que passara a gostar por sua causa. Porque ela sempre usava o mesmo produto com cheiro de baunilha.
Assim que terminou o banho, secou-se e vestiu a roupa que escolheu antes de ir até o espelho da sua cômoda onde guardava todas as suas coisas de cabelo e as maquiagens que Húngria e Ucrânia haviam lhe dado de aniversário. Liechtenstein pegou um dos pentes e começou a pentear os cabelos de forma que ficassem o mais comportados possível.
Depois, pegou a fita que sempre usava e a amarrou em uma das mechas do seu cabelo, sempre verificando se estava tudo em ordem. Respirou fundo e pegou o batom que o mais velho havia dado a ela em uma das suas viagens para a Alemanha para visitar o seu irmão.
Assim que tudo estava pronto, Lili se levantou e respirou fundo mais uma vez antes de sair do seu quarto. Realmente a maquiagem que tinha guardado serviu para esconder as olheras e o seus olhos inchados pelo choro.
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A menina loira sentou-se em um dos bancos daquele enorme jardim que havia não muito longe da sua casa, sempre olhando para os cantos para ver se não avistava a silhueta que tanto sonhara em ver, que reconheceria em qualquer lugar. As mãos pequenas e delicadas estavam estrelaçadas, os dedos brincando um com o outro de uma maneira nervosa.
"Será que ele voltaria?" era uma pergunta que rondava a cabeça da menor repetetidas vezes enquanto continuava a brincar com os seus dedos, observando o quase nenhum movimento daquele quase parque até que uma figura familiar começou a surgir no horizonte.
Por um momento, o coração de Liechtenstein pareceu parar; Por um momento, os seus lábios ficaram secos; Por um momento, ela sentiu os seus lábios se curvarem num leve sorriso; Por um momento, os olhos delas tiveram um brilho e vida que não tinham há muito tempo.
Até que ela conseguiu ver a figura direito. Tão rápido que ela ficou toda animada, ela voltou ao normal. O brilho nos seus olhos acabou e sua expressão voltou a ficar indeferente enquanto seu irmão andava até si.
"As empregadas me contaram que você tinha saído do quarto." Comentou enquanto sentava ao lado da sua irmã que apenas permaneceu em silêncio. "Você acha que ele realmente vai voltar?"
Mais uma vez a menina ficou em silêncio e encostou a cabeça no ombro do loiro mais velho que apenas envolveu o corpo desta protetoramente. Vash nunca perdoaria o prussiano pelo que havia feito com a sua irmã, mas também não queria que ela ficasse desse jeito.
Raivis havia ido a sua casa algumas vezes, mas nunca conseguia ver a pequena porque ela sempre estava debaixo de uma pilha de travesseiros ou simplesmente não abria a porta. Suíça realmente ficava preocupado, mas ficou feliz ao saber que ela havia saído daquele estado deplorável.
"Quando ele chegar, avise que eu vou meter a minha espingarda no meio da fuça dele para aprender a não fazer isso com as irmãs dos outros." As palavras do suíço tinham um tom sério, mas a menina riu baixinho, em um tom quase inaudível, o que fez o mais velho ter um sorriso leve e doce nos lábios. "Você fica mais bonita assim, Lili."
Liechtenstein envolveu o corpo maior com os braços, abraçando-o apertado enquanto sussurrava um "obrigada", quase podendo sentir as lágrimas novamente em seus olhos por ter um irmão tom bom quanto o loiro mais velho era.
"Só não demore muito para ir para casa, sim?" Suíça depositou um último breve beijo na testa da pequena, afagando brevemente seus cabelos antes de se levantar com cuidado. "Tenho que cuidar de algumas coisas agora."
A pequena nação apenas assentiu com a cabeça e voltou a observar os seus dedos, só levantando o olhar quando viu que seu irmão já havia desaparecido do jardim. Suspirou longamente, ainda não conseguindo ver nenhum sinal do prussiano por ali.
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Já haviam se passado quase duas semanas e todos os dias, Liechtenstein ia para o jardim e esperava. Apenas esperava. O dia inteiro e nenhum sinal ou qualquer vestígio que dissesse que o mais velho havia passado por ali. Ela já estava começando a cansar de ir lá todos os dias e se deparar com o nada, mas algo dentro de si dizia que ele iria voltar. Ele tinha que voltar.
Remexeu-se pela milésima vez naquele banco, sentindo a sua bunda reclamar por ficar tanto tempo sentada. Uma volta pelo jardim não mataria ninguém e ela ainda poderia vê-lo chegando, não? Poderia vê-lo chegando até antes se fosse na direção em que ele estivesse vindo.
Com esse pensamento, a pequena levantou-se num pulo e começou a caminhar pelo jardim, tomando cuidado para não pisar e estragar nenhuma flor em seu caminho, mas também nunca tirava seu foco de achar alguma pessoa alta de olhos vermelhos, cabelos prateados e uniforme azul escuro que sempre tinha um pássaro amarelo por perto.
Um sorriso fraco formou em seus lábios quando aquela pequena criatura apareceu. O rapaz havia dito que era porque ele sempre a carregava consigo, que ele pássaro parecia com ela e por isso cuidava muito bem dele, assim como cuidava da menina.
Enxugou as lágrimas que haviam no canto dos olhos, mas antes que pudesse se conter, já havia incontáveis lágrimas escorrendo por seus olhos e antes que se desse por si já estava ajoelhada e chorando tão forte que até soluçava.
Sentia tanta falta do mais velho que sentia que poderia morrer se passasse mais um dia sem vê-lo, mas ai entra a controvérsia. Lá estava ela. Vivendo mais um dia que era preenchido pelas memórias que tinha com o maior, mas nunca com ele em si. Por quanto tempo ela teria que viver desse jeito? Por quanto tempo ela teria que esperar? Ele havia prometido a ela que não demoraria.
Será que era infantil demais para ela querer um daqueles amores de conto de fadas? Que mesmo que o herói tivesse que ir embora, mas ele sempre voltava para a mocinha e eles viviam felizes para sempre. Será que era pedir demais ter um amor feliz pelo menos uma vez?
"Lili." Ela estava com raiva. Com ravia de si mesma e do prussiano que a fazia sentir-se assim. Liechtenstein estava tão concentrada em seus pensamentos e choro que não prestava mais atenção ao seu redor, muito menos na voz que teimava em chamá-la."Liechtenstein!"
A primeira coisa que pensou era que era seu irmão a chamando para avisar que estava ficando tarde e que teriam que ir para a casa, o que sempre acontecia. Mas, ela não queria ir embora. Ela queria continuar ali, chorando e abrindo o seu coração ferido, por isso nem se moveu quando o indivíduo continuou a chamá-la até que sentiu braços fortes ao seu redor e o perfume que há meses não sentia sem ser em seus sonhos."Lili. Está chorando? Ah, não! Não está chorando, está?" Prussia perguntou sem esconder a sua preocupação antes de envolver a menor em seus braços de uma forma protetora, embalando-a enquanto sussurrava em seu ouvido. "Shii, shii. Está tudo bem. Eu estou aqui. Eu voltei, minha pequena. Eu voltei."
Liechtenstein deixou-se ser abraçada e embalada pelo mais velho, agarrando-o com toda a força que tinha e não pretendia soltá-lo tão cedo enquanto chorava ainda mais fortemente nos ombros deste.
Gilbert tentava consolar a pequena de todos os jeitos possíveis, mas a situação parecia só piorar. O albino odiava ver a loira chorar. Isso simplesmente partia e repartia o seu coração e se odiava por não poder fazer nada para fazê-la parar.
"P-prussia-san?" Ela o chamou assim que o seu choro diminui, fazendo Prussia segurar cuidadosamente o seu rosto.
"O que é, pequena? Eu te machuquei? Alguém te machucou? Aquele seu irmão te falou alguma coisa ou foi aquele idiota do Raivis que t-" Antes que o rapaz pudesse falar alguma coisa, os seus lábios já estavam sendo cobertos pelos da menina.
Foi ai que caiu a ficha para os dois. Finalmente, tanto o maior quanto a menor puderam sentir o efeito de tantos meses separados. Finalmente, poderiam matar as saudades e desejos reprimidos por tanto tempo.
Finalmente Lichtenstein poderia sorrir e a metade do seu coração que faltava agora estava de volta. Sem dores. Sem lágrimas. Apenas a alegria de uma menina que teve o seu amor de volta.
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