Miss Univeros

Restam apenas cinco belas moças concorrendo pelo título de miss Univeros e era a grande hora das perguntas finais às misses. Um jurado então pergunta para uma das favoritas ao título:

- Voce ronca?

A miss precisava se sair bem nessa pergunta para superar as concorrentes. Ela ri e começa a resoponder.

“Eu sempre leio nos blogs pela internet que tal miss tem um nariz feio, ou grande, outra tem um corpo magro demais, ou de menos. Espera-se que sejamos mulheres perfeitas, mas ainda somos mulheres reais. Isso nos faz ainda mais tocantes que qualquer manequim de boutique. Ao escultor, a perfeição já parece difícil de atingir? Temos que ir além disso. Temos que ser tocantes até nos traços que poderiam nos desfavorecer. Se eu ronco, minha irmã, que dividia quarto comigo, talvez saiba. Por que tanta curiosidade em saber como são as miss quando não estão como miss: sem maquilagem, sem trajes elegantes, dormindo? O dia que eu me tornar mrs. Univeros, meu mr. saberá se eu ronco ou não.”

Risos. Boa resposta, mas será que ela agradou os jurados? Será que ela se esquivou da pergunte porque, na verdade, ela ronca mesmo. Não seria inadmissível uma miss que ronca?! Esse foi o pensamento de um dos juízes, que lhe deu uma nota baixa e a nossa candidata acabou ficando em terceiro lugar: atrás de uma candidata não tão forte, e de outra, favorita como ela, e que acabou levando a coroa de miss Univeros.

Passaram-se anos e todas as misses morreram sem que ninguém soubesse que das cinco, ela era a única que de fato não roncava, era a nossa miss. Em uma conversa regada a vinho, o homem que viria a se tornar marido de nossa miss (já viúvo), comentou com seu amigo, organizador do concurso miss Univeros, que sua esposa, de fato, não roncava. Ocorreu então, na cabeça do organizador, que talvez as outras roncassem, mas pela ousadia dela, ela perdeu a coroa.

“Não se espera sabedoria dessas meninas, mas juventude, beleza, classe e altruismo.” Disse alguém, em algum blog de concursos de beleza.

O organizador do concurso, na boa intenção de evitar outra injustiça desse tipo, decidiu dormir com todas as candidatas, todos os anos para orientar os jurados sobre quais candidatas roncavam e quais não. Mas como ele não era nenhum pervertido, mas um senhor de idade, decidiu passar para seu filho, este verdadeiramente pervertido, a função de avaliar as miss na cama. E quando digo que o filho era pervertido, ele era mesmo! Até AIDS ele contraiu em suas aventuras.

Muitas misses foram contaminadas nessa época, mas isso não foi a público, pois, além de ele ser um homem influente, iria-se desmoralizar o concurso se soubessem que no roteiro das supostas senhoritas estava incluída uma noite com o chefe (isso seria um retrocesso ao feudalismo. As azaradas silenciaram-se, muitas se deprimiram, engordaram, mas poucas se casaram, pois haviam se tornado aidéticas e poderiam contaminar o marido, ainda mais sem poder contar a ninguém que eram portadoras do vírus e muito menos como haviam sido contaminadas em sua época de miss.

O pervertido então montou um harém com dezenas das infectadas e viveram o resto de suas vidas em tratamento. E era uma vez o “felizes para sempre”.

Moral da história: há justiça no mundo, mas há também injustiças irremediáveis. Se a fé na justiça (uma forma clássica de ilusão, ou negação da realidade) pode te levar a ter um câncer, saiba que a real noção das injustiças não garante que os tumores serão benignos.

Notas finais
"Univeros" faz referência a "Eros", o famoso Cupido, um dos deuses gregos do amor.
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