Miss Simpatia
11 Festa Parte 2
Notas iniciais
POV. Daphne
– Para onde estamos indo? – pergunto, curiosa.
– Acalme-se, estamos chegando.
Depois de subir dois lances de escada, chegamos ao último andar, que possuía um corredor estreito com uma porta de metal. Josh abre-a, dando vista para um terraço com uma vista linda.
– Estou abismada. – digo adentrando o terraço. Era possível ver o Empire State ao longe. A rua estava calma, havia apenas alguns estudantes entrando nos pubs. O céu estava estrelado.
– De certa forma eu sabia que você iria gostar, por que ai não teria que ficar la na confusão.
– Inteligente! – elogio-o ironicamente e sento-me em um banco de concreto – Mas então, vai me contar o que houve entre você e o tal do Patrick. Acho que nós teremos tempo. – ele suspira e se senta em meu lado.
– Há alguns anos, Patrick namorava uma garota, Michelle. Ele agia como um maior otário no relacionamento, a humilhava. Certo dia eles terminaram, e uma semana depois do término eu encontrei Michelle em uma festa. Tomamos juntos algumas cachaças. Ficamos por duas semanas até ver que aquilo não iria dar muito certo.
– Entendo.
– Michelle era amiga, antes de eles namorarem, não gostei de vê-la ser humilha, mas nós confundimos as coisas. – disse ele apoiando o pé no banco de concreto e olhando para algum prédio ao longe. – Mas e você? Também notei que não está com uma cara muito boa.
– Não estou num dia muito bom. Só pra variar eu discuti com a minha mãe. Eu liguei para saber do dia de Ação de Graças, e ela me veio com isso. Ela fica me perguntando se eu continuo a dieta. E ninguém merece.
– Que fixação.
– Pois é. Mas hoje eu não estava afim de mais um caso. Algumas horas isso cansa. – digo olhando para o Empire State, que estava bem ao longe.
– Eu sei. Eu também não quero mais fazer isso. Quero parar em alguém. – nesse instante olho para Josh, que estava me fitando. Ele sacode a cabeça como se estive acordando e olha para a entrada. Engulo seco para fazer a pergunta seguinte.
– E quem seria?
– Alguém... que talvez eu descubra em algum instante que eu devo parar. – diz ele e ficamos um tempo em silêncio. Começo a tremer com o vento que estava batendo. — Está com frio? – pergunta ele.
– Um pouco. – digo, passando a mão em meus braços para me aquecer.
– Vou pegar um casaco lá em baixo. Quer uma bebida? – disse ele se encaminhando para a porta.
– Uma cerveja.
– Ok. Já volto. – disse ele descendo as escadas.
Poucos minutos depois ele já estava de volta com duas cervejas, um casaco da universidade e um prato com aperitivos.
– Pronto. Aqui meu casaco. – disse ele entregando-me o casaco.
– Obrigada. – agradeci e o coloquei. Fiquei tão hipnotizada pelo perfume do casaco que fiquei cheirando-o.
– Que houve?
– Nada. Gostei do cheiro. – falei um pouco envergonhada de ter sido flagrada.
Peguei um dos aperitivos e bebi minha cerveja. No meio do barulho da cidade pude ouvir uma música vindo do pub. Cause I want it that way...
– Não acredito! – debrucei-me sobre o parapeito.
– O quê? – perguntou Josh assustado, enquanto bebia sua cerveja.
– Ouça.
– Ouvir o quê? — perguntou Josh
– Tell me why... I never wanna hear you say, I want it that way … — canto – Não acredito que você goste de Backstreet Boys. Eu fui em dois shows deles. No último eu tive direito de ir no camarim.
– Quando eu era criança, adolescente, sei lá, eu tinha uma vizinha maluca que escutava a merda do CD deles o dia inteiro. — diz Josh.
– Eu já cantei uma música deles em um dos concursos que eu participei.
– Então quer dizer que você era uma dessas fanáticas pelo tal do BSB?
– Claro. – digo e rio.
– Mas e aí o que você ta achando da minha humilde festa?
– Aqui em cima tá bombadíssima. – digo e ele ri.
– Lá em baixo nem se fala. Tem gente discutindo, se pegando, bebendo a rodo. Só não quero que ninguém transe na minha cama. Não quero ter de trocá-la, estou meio sem grana.
– O emprego não ta indo bem?
– Está, só que tenho que encontrar uma modelo e fotografar em ambientes naturais. Só que está meio difícil de encontrar alguém.
– Entendi. – ficamos por um tempo em silêncio.
– Daphne! – diz Josh e me assusto. Ele se aproxima de mim.
– O quê?
– É você. Você pode ser minha modelo!
– Que ideia é essa?
– Você já participou de muitos concursos, você sabe como desfilar, como agir. E creio que já tenha sido fotografada milhões de vezes.
– Algumas, mas nenhuma para uma revista.
– Te digo que não há nada de diferente.
– Eu não sei.
– Se só isso não te serve de motivo. Tenho que dizer também que você é linda o suficiente para aparecer em uma revista que quase metade de Nova York lê. – diz ele e fico sem graça.
– Chantagem isso. – digo.
– É. Talvez, mas esse motivo não é mentira. Sei bem disso. – ele diz e se aproxima de mim com o rosto. Minha respiração começou a falhar. Algo diferente se agitava dentro de mim. Apenas centímetros separavam nossas bocas.
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