Miss Potter
2 02
Notas iniciais
— É simples pessoal, se jogarmos conforme os treinos a Lufa-Lufa não tem a menor chance. Somos mais rápidos, mais fortes e mais espertos que eles.
O discurso de Oliver Wood seria motivacional se não houvesse um brilho psicótico em seu olhar a cada vez que falava em quadribol. Enquanto ele tentava liderar o grupo para garantir a vitória, a maioria dos componentes do time só ficavam extremamente assustados com o comportamento de seu capitão.
Diana mesmo já conhecia os discursos de Wood. Ela também estava acostumada a pressão que ele fazia antes de cada partida.
“Ei, sem pressão, mas pegue o pomo, ok?! Sem pressão, mas pegue”.
— Sem falar que eles estão morrendo de medo de acabarem petrificados se cruzarem o caminho da Diana.
Encolheu-se sem graça pelo comentário de um dos gêmeos. Embora seus companheiros de time rissem, ela duvidava muito que alguns deles não estivessem com o mesmo receio que membros de outras casas.
O time saiu do vestiário para se alongar e Diana permaneceu sob a justificativa de ainda não ter prendido seu cabelo. Estava concentrada em puxar as mechas longas e vermelhas numa trança francesa quando Wood reapareceu.
— Eu já estou indo! — sua fala saiu mais agressiva que era a intenção.
— Calma. Ainda temos quinze minutos até começar. — o capitão ergueu as mãos em escudo na frente do próprio corpo. — Uma mão de obra aí?
Diana bufou. Seus cabelos vermelhos que não eram nem lisos e nem encaracolados sempre a davam um bocado de trabalho.
— Às vezes acho que seria melhor cortá-los. — resmungou enquanto dava três voltas com o elástico na ponta do cabelo vermelho.
— Oh, não corte seu cabelo, Potter. — Wood balançou a cabeça negativamente enquanto procurava algo na própria mochila. — Ele é a sua assinatura.
As bochechas pálidas de Diana ganharam um pouco de cor pelo comentário, mas ainda assim não parecia suficiente para iluminar seu rosto.
Seu astral baixo pareceu incomodar Oliver, porque enquanto ele normalmente se dirigia a Diana apenas para falar de quadribol, daquela vez ele a perguntou se o comentário dos gêmeos tinha a magoado.
— Não. — murmurou baixinho sem coragem de encará-lo. — Só que... você acha que eu fiz isso, Wood? Que eu petrifiquei aquelas pessoas?
As vezes a própria Diana começava a questionar aquilo para si mesma. E se talvez ela tivesse o feito? E se ela não fosse uma boa pessoa? Ron e Hermione a disseram que escutar vozes não era um bom sinal.
No ano anterior, Voldemort tinha dito a ela que os dois eram iguais. E se no fim das contas fossem mesmo?
— O quê? — Wood replicou e deu uma risada. — Em nome de Merlin, Potter, você jamais seria capaz de algo assim. Todos sabem disso.
— Se todos soubessem mesmo disso então não estariam com medo de mim. — fungou teimosamente, os olhos ardendo enquanto ela controlava a vontade de chorar.
Hermione a avisou que dali em diante ela poderia ficar muito sensível quando estivesse no período menstrual. Estava odiando essa história de sangra uma vez por mês em prol de virar uma mulher!
Não era sua intenção que Oliver Wood viesse a consolar. Só que recentemente Diana tinha a sensação que mesmo Ron e Hermione pareciam ficar estranhos ao redor dela.
— Ei... sem lágrimas ouviu? — Oliver tocou seu ombro num afago gentil.
Para alguém tão corpulento e com mãos tão calejadas, era uma surpresa que Wood conseguisse fazer carinho em alguém. Diana estava surpresa que as mãos dele não parecessem rochas enquanto esfregavam seu ombro fraternalmente.
— As pessoas só precisam de alguém para culpar e você, como de costume, não obteve muita sorte e foi vista no lugar e na hora errada. — Wood disse aquilo com simplicidade. — Ninguém pensaria isso de uma garotinha de doze anos, Potter. Não de verdade.
Uma garotinha de doze anos. Era assim que Wood a via.
E bem... era isso que Diana era.
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