Miss Jackson
1 Capítulo Único - Há algo belo e trágico na queda
Notas iniciais
Escrevi essa fic com muito carinho, então espero que gostem. Amo essa música, dá pra explorar a criatividade nela!
Agradeço primeiramente à banda Panic! At The Disco por escrever tão bem e ser uma banda maravilhosa, e a você, que vai começar a ler essa história.
Desculpe qualquer erro e boa leitura!
E mais uma vez a moça misteriosa saía pelas portas dos fundos de uma casa qualquer. Seus longos cabelos castanhos escuros sempre muito bem penteados, com cachos perfeitos. Suas vestes vermelhas como sangue sempre impecáveis, deixando cada vez mais evidente o bonito corpo da mulher. Ninguém nunca descobriu o que a fazia sair correndo tarde da noite de casas distintas. E ninguém nunca descobriria.
Algumas mulheres da cidade diziam que a tal mulher de vermelho era garota de programa, já que muitas sentiam inveja de tamanha beleza. Alguns diziam que ela furtava as casas nas quais entravam, embora nunca tenham a visto com algo que não lhe pertencesse. Alguns até diziam que a bastarda não tinha moradia, portanto adentrava em algumas casas para dormir e se alimentar. Porém, ninguém tinha certeza, todas as suas teorias não passavam de “achismos”.
As pessoas que a recebiam em casa nunca diziam nada. Quando algum curioso perguntava “O que a Senhorita Jackson fez em sua residência?”, respondiam algo sem sentido ou se faziam de desentendidos, como se não soubessem de nada.
Mas a verdade era que ninguém sabia quem era a garota, e nem como seu rosto era. Ninguém sabia que as pessoas que recebiam sua “visita” eram suas vitimas, e nem onde ela acordaria no dia seguinte. E ninguém jamais encontraria a famosa Senhorita Jackson.
~~
A mulher caminhava pelas ruas desertas da pequena cidade do interior. Queria encontrar uma nova vítima, mas algo não a permitia de entrar em outra casa. Brendon Urie. Ela sempre fazia o possível para não se apegar a suas vítimas, mas havia falhado. Infelizmente.
Brendon era um homem solteiro que costumava escrever músicas e ver o sol se pôr. Sem compromisso, sem interesses e nem preocupações, era a vítima mais oportuna e interessante de Senhorita Jackson. Adentrou na pequena casa do homem e fez o possível para ele apaixonar-se por ela.
Nunca entendera essa necessidade de sentir que era amada. Nunca quis entender, na verdade. Quando fora catalogada como esquizofrênica sentiu-se humilhada e mal amada. Queria ser amada, queria que alguém se apaixonasse por ela, mesmo com todos os seus problemas frustrantes. A única coisa que fazia, então, era escolher suas vítimas e fazer o possível e o impossível para que os mesmos sentissem amor por ela. Senhorita Jackson não escolhia só homens, mas mulheres também. Qualquer um poderia ser a vítima de seus encantadores poderes de sedução.
A misteriosa moça de vermelho entrou na residência de Brendon, sempre muito silenciosa e cuidadosa. Avistou o homem deitado no sofá com os olhos fechados. Aproximou-se do mesmo, que abriu os olhos assustados.
– Estava te esperando, Senhorita Jackson. – Disse ele, sua voz grossa e profunda ecoando no ambiente.
– Pois não deveria. – Disse ela, revirando os olhos e aproximando-se de Brendon, lhe dando beijos breves. O homem sentia calafrios cada vez que Miss Jackson encostava em sua boca.
A moça colocava um sabor amargo que lembrava bebidas na boca de sua vítima, sempre se controlando para que não acabasse sendo levada pela doçura dos lábios de Brendon. O que estava fazendo? A intenção era fazer cair de amores por ela, e não o contrário.
No meio dos beijos, acabaram deitando-se na cama. Não aconteceu nada, já que Brendon era tímido e inseguro, e Miss Jackson não gostaria de arranjar problemas, embora já estivesse cheia deles. Assim que a morena sentiu que seu amado havia caído no sono, levantou-se cuidadosamente da cama e procurou o mais silenciosamente possível a porta dos fundos. O que a vigarista não havia percebido era que Sr. Urie não estava dormindo, mas sim acordado, esperando o momento certo de segui-la.
Assim que achou a porta dos fundos, saiu de lá o mais depressa possível, sem perceber que Brendon estava a perseguindo. Continuou andando, lembrando-se dos beijos incessantes que havia dado no homem.
Continuava caminhando, rumando para... as cataratas? Logo o homem ficou confuso. O que uma mulher como Senhorita Jackson faria nas cataratas? As únicas pessoas que iam até lá eram suicidas ou policiais, que jogavam corpos infectados de doenças contagiosas naquele abismo. Será que a misteriosa mulher de vermelho tinha alguém que amava morto nas cataratas? Ou ela iria se matar?
Vendo Miss Jackson de longe, com um fundo de cataratas chegava a ser bonito, embora o cenário fosse barulhento, como se as almas dos mortos estivessem rondando o lugar e sussurrando coisas sem sentido algum.
Senhorita Jackson percebeu a movimentação atrás de si e virou, dando de cara com Brendon. Assim que o homem avistou o rosto da mulher, percebeu o quando estava fissurado em seu corpo curvilíneo, a ponto de não notar o quão bonita ela era. Um rosto limpo como o céu, embora avistasse algumas turbulências em seu olhar. Brendon não pensou duas vezes ao falar, convicto que a mulher o obedeceria:
– De volta, querida,ou você pode se afogar. – Disse, lembrando-se da água profunda que aguardava os corpos no fundo da catarata. – A festa não acaba hoje à noite, temos toda a vida para aproveitar.
–Quem disse que isso é uma festa? – Disse Senhorita Jackson, tentando impedir as lágrimas – A vida nunca será uma festa. A cada passo, aproximamo-nos do fogo, até que o mesmo desapareça.
Brendon havia ficado confuso. Não entendera o que Senhorita Jackson quis dizer, mas amava-a mesmo assim.
–Por que está indo embora? –Perguntou ele, um pouco inseguro da resposta de sua amada. – Você me tem enrolado em seus dedos, será que não percebe?
–Assista à minha queda. – Disse a mulher, com o vento batendo em seu rosto. Sr. Urie não entendeu, e fez uma expressão de confusão. Quando olhou novamente para a direção de Senhorita Jackson, percebeu que a mesma corria em sua direção, segurando-o firmemente pelos braços. – Assista à minha queda. – Sussurrou ela – Verá que existe algo belo e trágico nela. Deixe-me dizer novamente: Há algo belo e trágico na queda.
Miss Jackson estava com um olhar lunático, e suas memórias estavam confusas. Como se estivesse drogada, sua visão falhou. Brendon, já assustado com a estranha fala da mulher, tentou notar algum sinal de embriaguez. Nada. Apenas um olhar vazio e inseguro.
Senhorita Jackson afastou-se do homem e caminhou até a beira do abismo. Olhou para baixo e viu uma água profunda e escura, alguns corpos ainda boiavam. Que ótimo lugar para “descansar em paz”, pensou ela, com desdém.
Deu mais alguns passos e se jogou, sem ao menos pensar duas vezes. Brendon viu a cena aterrorizado. Lembrou-se do gosto amargo que seus beijos deixavam em sua boca e da leveza de seu toque. O que essa mulher era, afinal? Vendo Senhorita Jackson, sua paixão instantânea caindo na profunda água avermelhada, lembrou-se do que a mulher dissera.
Há algo bonito e trágico na queda.
E há mesmo.
Embora a mulher fosse uma grande incógnita para todos, era digna de respeito. Mesmo que fosse louca, Brendon a amava.
Ninguém nunca entenderá Senhorita Jackson.
Ninguém nunca a encontrará.
Mas ele a ama de qualquer jeito.
Notas finais
Kisses sz
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