Bakugou Katsuki não sabia ao certo o que estava fazendo de volta a Yuuei, mas havia recebido um chamado do diretor, o ex herói número um, e seu chefe havia o observado cheio de apreensão, não saber o que esperar lhe deixava quase tão irritado quanto aquela expressão.

Bateu na porta duas vezes e entrou quando ouviu aquela voz lhe chamar do lado de dentro, All Might lhe parecia ainda mais cansado do que da última vez que o havia visto, e embora lhe dirigisse um sorriso, aquele olhar o preocupava.

—Bakugou shounen. —lhe cumprimentou daquele mesmo jeito que fazia quando ainda estudava ali, e por mais que não fosse admitir, era nostálgico.

A conversa foi breve, algumas perguntas sobre seu trabalho de herói e administração da escola, ambos estavam bem. E foi então que os ombros, e os olhos, do herói pesaram, finalmente o assunto pelo qual havia sido chamado.

—Esteve na festa de comemoração aos cem anos da Update!Hero, não esteve, Bakugou Shounen? —se lembrava vagamente, a festa havia ocorrido há mais de um mês e uma invasão de vilões acontecera no meio dela, quando a maioria dos heróis estavam bêbados demais para qualquer coisa, e por mais que fosse constrangedor, era um deles. Lembrava-se de ter sido levado para fora por Kirishima, e de uma pequena silhueta feminina jogada sobre seu ombro, mas não da noite em si. —Uma de nossas alunas estava nesta festa.

Não entendeu onde se encaixava, a festa havia sido destruída e uma aluna estava nela, por que isso deveria lhe interessar?

—Reconhece Miyamizu Harumi? —o herói lhe estendeu uma foto, uma garota de olhos escuros aparecia nela, e por mais bonita que fosse, Bakugou não fazia ideia de quem era.

—Não. —respondeu irritado com a perda de tempo, nunca havia sequer visto a garota, quem dirá saber algo dela.

—Na noite da festa, Bakugou shounen, essa menina foi drogada. Ela acordou em um hospital, sem ferimentos, mas foram feitos exames que comprovaram o uso de drogas e suspeitaram de abuso sexual. —contou lentamente, como quem pensava em um modo de continuar. —Então assistimos as gravações, em busca de provas... E foi quando vimos você acompanhando a jovem.

—Acha que eu droguei a garota? —quase gritou, indignado com a sugestão.

—É claro que não. O responsável já foi preso, e nos vídeos você aparentava estar tão mal quanto Miyamizu shounen. —ele ponderou, então seus lábios se cerraram e Bakugou soube que a pior parte finalmente havia chegado. —O problema, Shounen, é que nossa aluna está grávida.

Ok. Grávida. E ele havia estado com ela. Mas não podia ser verdade, porque qual era a chance? Quer dizer, não se lembrava de ter feito nada que pudesse resultar em um filho naquela festa. Não era dele. Com certeza não era. Ela estava mentindo, queria ter o filho de um herói, era isso.

—Não é meu. —sua voz era dura e seca, estava certo de que a criança não era nada sua.

—Bakugou shounen... Chamamos você até aqui para evitar boatos sobre sua carreira e a futura carreira de nossa aluna, mas gostaríamos de um teste de DNA. —contou, encarava as paredes como se nada nunca houvesse sido mais difícil, e Bakugou podia jurar que não era, porque seus olhos vermelhos transbordavam de raiva daquela garota estúpida e mentirosa. Ela iria lhe arruinar, apenas para ter fama. —Nossos métodos são quase infalíveis, e seria bom se pudéssemos resolver essa questão ainda em seu início.

—Não. —estava rouco, precisava de água, ou de explodir o rosto de algum idiota.

—Se sabe que não é seu filho, por que não? Você pode se livrar disso. —seu antigo professor argumentou, e por mais furioso que estivesse, Bakugou apenas assentiu, porque gostaria de se livrar daquela garota antes de explodir alguém.

Mal percebeu o caminho que fez até a enfermaria, não notou os alunos impressionados por verem um herói tão de perto ou se lembrou de seu tempo naquela escola, a raiva esmurrava seu peito, o bastante para que entrasse naquela sala mesmo contra a vontade de todos, não queriam que ele perturbasse a "pobre Miyamizu", mas precisava olhar nos olhos dela quando descobrissem a verdade. Precisava ver a mentira dela se desfazer.

Mas diferente do esperado, Miyamizu não passava de um corpo encolhido sobre aquela maca, com olhos vermelhos e um rosto inchado de quem chorava copiosa e incansavelmente, e aquilo o irritou ainda mais profundamente, o modo como ela era capaz de fingir para conseguir pena e apoio.

Sentou-se e a encarou fixamente enquanto esperava o resultado, seu sangue havia sido recolhido e agora torcia para ser capaz de queimá-la com os olhos. Como aquela garota era capaz de mentir tanto? De tentar enganar justo a ele? Se soubesse que Bakugou não era um idiota como os outros, que não se deixava levar por aquelas lágrimas femininas tão falsas.

E então a mulher voltou, com os ombros tensos, um papel em sua mão e resultados. Bakugou quase rosnou quando ela lhe encarou, ainda sem dizer o que havia naquele maldito papel, e então o arrancou de sua mão, lendo rapidamente.

Era compatível. Aquela merda era compatível. Era compatível com a porra do seu DNA. Era compatível com o fodido DNA da garota. Era compatível. Ela estava grávida, de verdade, e teria uma droga de criança. E aquela droga de criança era compatível com seu sangue.

Xingou alto e saiu da sala, correndo para um lugar onde poderia explodir o mundo inteiro se quisesse, porque caso contrário explodiria aquela sala e a maldita garota nela. E então o loiro não viu a forma como aqueles olhos escuros se arregalaram assustados, nem o modo como se encolheu ainda mais e muito menos o jeito que chorou, porque a última coisa que Miyamizu Harumi queria era estar grávida, e ser de um cara tão irritado que parecia capaz de explodir seu nariz não melhorava muito as coisas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.