Misery Business
7 Capítulo 6 - Show Time
Esgueirei-me pelas latas de lixo, afim de que não me encontrassem. A escola já estava escura, as pessoas não mais trafegavam por lá e as câmeras estavam em manutenção por alguns dias devido a problemas técnicos com a marca barata escolhida pela equipe de segurança — informações de primeira mão do Tio James -. Eu usava uma touca preta que cobria do meu nariz para cima, assim como toda a vestimenta apertada para facilitar a locomoção. Andei mais alguns passos, certificando-me de que já não houvesse ninguém lá e rolei pelos corredores até o armário de Vitória, a capitã do clube de fotografia.
Chutei sua tranca, que desabou como se fosse feita de papelão e vasculhei suas coisas nervosamente.
Fazia mais ou menos uma semana que descobri algo que me deixara meio "aflita". Algumas pessoas diziam que Vitória — minha antiga inimiga do Jardim II -, descobrira quem era Hell Girl e que tirara fotos dela. De fato poderia ser mentira, assim como todos os milhares de idiotas que insistiam em tentar descobrir minha identidade verdadeira, mas algo não me inspirava confiança naquela menina e eu precisava bloqueá-la antes que fosse tarde.
Toquei em algo quadrado, envolto em um manto preto no fundo de seus cadernos. Agarrei-o e puxei-o para fora, retirando o invólucro escuro envolta. Não estava exatamente preocupada com a devolução, mas usei luvas escuras de qualquer forma. Enquanto desembrulhava o tal objeto, senti meu coração disparar com a expectativa e, finalmente, a revelação do que era aquilo.
Aquela era a minha antiga máquina fotográfica, que eu achava ter perdido na escola havia um mês. Liguei-a e vi que a mesma estava com todas as minhas fotos que havia acabado de tirar antes de perder a câmera, além de algumas fotos novas de mim como Hell Girl.
Como...?
Olhei para trás sentindo como se olhos me fuzilassem as costas, mas eu estava plenamente sozinha naquele corredor escuro. Certifiquei-me de que as fotos não tivessem sido tiradas naquele mesmo momento e não tinham. Apaguei todas, com raiva, desliguei e envolvi outra vez a câmera, atirando-a ali dentro.
Não pode ser possível. Como ela havia tirado fotos minhas? Com a minha câmera? Além de ladra, ela é espiã agora?
— O que foi Hell Girl? —senti uma respiração pesada em meu pescoço. Ofeguei. -Perdeu algo aí dentro?
Não. Não, não, não!
Bati a porta do armário e me virei devagar. Era um garoto, igualmente vestido de preto, o capuz que usava cobria todo o seu rosto, menos os olhos castanho escuro.
— O que você...? —comecei.
Antes que eu pudesse terminar, o garoto me prendeu contra o armário, seu corpo pressionava o meu no ferro cinzento e duro. Fez questão de aproximar-se.
— O que está armando dessa vez?
Não respondi. Precisava pensar em uma forma de escapar de seu aperto ou de descobrir quem era para uma vingança futura. Mas ele não me lembrava ninguém.
— Garota, você é mesmo um furacão, não é? — havia um sorriso no tom de sua voz, que era também sedutora e calma. O modo como ela parecia se arrastar em algumas palavras, quase me arrancou um pequeno arquejo. — Parece ser uma menina bonita! Que tal se eu puder espiar um pouquinho seu rosto, na altura do queixo, da boca... —ele levantou de leve meu capuz até o nariz, imobilizando meus braços, mas eu mordi seu dedo ferozmente, antes que tentasse tirá-lo de vez sem minha permissão. — Tudo bem, sei que não vai arriscar-se na minha frente. Então... Só me diga o que veio fazer aqui.
Pigarreei, tentando limpar a garganta, e deixei minha voz mais fina do que o normal para responder-lhe:
— Negócios.
O garoto se aproximou.
— Que tipo de negócios?
— Do tipo que não se pode dizer para qualquer idiota encapuzado. —retruquei ríspida. O garoto pareceu arquear as sobrancelhas, mas antes que pudesse devolver-me com mais uma pergunta, empurrei-o com força e chutei suas partes baixas, esperando que ele não me seguisse ou tentasse me agarrar outra vez. Era essa minha chance para fugir.
Enquanto ele se arrastava no chão, ajeitei o cadeado com a luva e saí correndo. Infelizmente, antes que chegasse a beira da escada, meu gorro caiu, o garoto já estava de pé, tentando me alcançar cambaleante e eu não teria tempo de recuperar minhas coisas. Apenas segui o caminho, a cabeça abaixada, torcia para que meus cabelos longos fossem o suficiente para me camuflar. Então, eu sumi. Atravessando o pátio e pulando a grade em passadas mais rápidas do que meu normal, além de agradecer todos os anos de ginástica que fui obrigada a fazer.
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