Misery Business
4 Capítulo 4 - Jonas
Notas iniciais
— Vaca. —falei entredentes, observando Jonas consolar Marcela. Ele a fazia rir e sorria quando ela sorria. Isso me deixa tão.... Irritada!
Jonas era o garoto que eu estava de olho. Nada mais que um menino bonito na medida certa, atencioso e engraçado. Não era popular, até porque não gostava muito de chamar atenção. Vivia pelos cantos, tentando não ser notado, mas era gentil e amigável demais com as pessoas, o que dava a ele atenção dos holofotes das meninas.
Pelo que parecia, era difícil conquistá-lo. E a maioria das meninas era derrotada antes de conseguir algo, principalmente porque elas não queriam nada mais do que um casinho de um dia. Jonas não era desse tipo.
— Calma, amiga. Ele ainda é seu par na festa junina. —consolou-me Tati, enquanto engolia três batatinhas enormes.
— Ah, como se isso mudasse algo! —falei emburrada, dando uma mordida gigante em meu X-burguer frio.
— Pelo menos está perto dele, tem uma desculpa para segurar a mão... E todo o resto.
Bufei.
Simplesmente não entendo por que ele não pode me amar. Sou... Inteligente e legal. Isso não basta?
O.k., eu sou a "Hell Girl" e blá blá, mas se o Thiago me aceita, qual é o problema!? No mínimo devia deixar de ser o garoto lindo de olhos azuis e cabelos pretos dos meus sonhos. Que droga!
— Ele nem é tudo isso. —reclamou Tati, apontando para o garoto com uma de suas batatinhas. —Só é bonito e fofo.
— E isso não é o suficiente para você, Tati? Só a parte do "bonito" já está entrando em extinção. Imagina bonito e fofo?
— A Emily tem razão. -intrometeu-se Tessa. A "princesinha intocável" que era, também, a diversão em pessoa, sentou-se em uma das cadeiras na minha frente e olhou algumas vezes para trás, certificando-se que tinha se livrado de seus "amiguinhos populares grudentos". — O Jonas é um amor. Conversei com ele ontem.
— E aí? —exclamei animada.
— Ah, e aí que eu falei de você. —Tessa deu de ombros, como se fosse insignificante.
— Disse o que? —pressionei.
— Eu perguntei o que ele achava de umas garotas da sala, se não ia ficar muito na cara, e depois eu perguntei o que ele achava de você. — e então finalizou a frase como se fosse mesmo só isso a dizer, soltando um longo sorriso em seguida.
— Fala logo, Tessa! — falei, aflita. Odiava quando ela fazia esse joguinho bobo. Essa só colava quando ela queria conquistar alguém e, pelo que sei, não sou um dos "candidatos/presa" dela.
— Jonas disse que você é engraçada, inteligente, mas meio "afastada" do grupo. —Tessa frisou com aspas, o que eu levei como um "ela não é popular por escolha".
— Afastada do grupo. -repeti para mim mesma. —Que grupo?
— Eu. —ela disse como se fosse simples. — Jonas acha que você é amiga da Marcela, por ser minha amiga.
Gargalhei.
— Que horror!
Nada pior que ser amiga da Marcela. Só... Beterraba com banana.
Do que eu estou falando mesmo?
— Eu sei. —Tessa estremeceu. —Não suporto mais aquela garota. Fez bem colocando o sapo no armário dela.
— Como sabe que fui eu? —meu coração parou por um segundo.
Tessa inclinou-se na minha direção e olhou para Tati, que se destraía com seu saco vazio de batatas, só então prosseguiu, sussurrando enquanto me encarava com seus olhos claros penetrantes:
— Amiga, eu não sou burra. A marca na porta do armário e seu lema, claro: "Uma rainha no salto e um As na manga". Lembro-me disso, a marca da Hell Girl.
Faziam mais de duas horas que eu me agarrara a Lola, minha yorkshire muda. Ela parecia agitada e louca para fugir de perto de mim, mas eu não tinha coragem de soltá-la. O fato de que Tessa sabia de minha condição de Hell Girl era algo discutível. Lembra que eu disse que os heróis deveriam ter apenas um braço direito? Pois é.
— Ah, qual é, Emily. Eu sou sua amiga a quase tanto tempo quanto Thiago. Eu te conheço e muito bem por sinal. — seus olhos claros brincalhões brilharam — Não é de hoje que eu acho algumas coisas que você faz estranhas. Principalmente quando a gente veio para o Colégio T.J. e toda essa história de Hell Girl começou.
Eu não posso mentir. Sabia que, cedo ou tarde, Tessa ia descobrir tudo. Só não podia confiar se sua reação seria positiva ou não. Afinal, muitas das minhas vítimas eram amigos do "grupinho" dela.
— Tessa. Olha...
— Não precisa se desculpar, se explicar ou falar qualquer coisa sobre: "Temos que manter isso em segredo!". Eu saquei. — e então ela se levantou, sacudindo seus cachos castanhos com aroma de tutti-frutti. Dava para ver pela cara dos garotos que a seguiam com os olhos, que todos desejavam ser o príncipe da "princesinha intocável", título que parecia cada vez mais disputado entre os "marmanjos". Mas Tessa sabia que não podia confiar em nenhum deles.
A questão para mim era se eu podia confiar nela e em seus mistérios. Por isso Lola me deu uma patada no rosto e fugiu, quando eu afrouxei o aperto em surpresa.
— Depois não me venha pedir as rações caras, Lola, você não me valoriza! —berrei, enquanto via o rabinho miúdo de minha cadela balançar de lá para cá em uma corrida desesperada para bem longe de mim.
— Você sabe que ela não vai te ouvir, né? —comentou Thiago, soltando um grande bocejo depois. Ele gostava de se largar nas minhas almofadas e dormir de tarde, por isso eu preferia tomar banho na suíte dos meus pais. Não queria ter surpresas quando entrasse no meu quarto de toalha.
— Sim. —respondi, largando-me na cama com um grande suspiro. — Estou preocupada, Thiago. Se até Tessa foi capaz de descobrir, quem mais pode estar desconfiando?
O garoto miou e virou-se para a parede. Já deveria estar cansado de me ouvir reclamar pelos cantos o tempo todo, imaginando várias possibilidades de ser pega por alguém.
— Eu já te disse, Emily. Era muito mais provável que Tessa soubesse do que qualquer outro. Ela convive com você desde que éramos pequenos, sabe tudo sobre a sua vida, seus costumes, suas manias. — ele agarrou uma das almofadas e tapou o rosto — Aposto que ela já deva saber disso desde muito antes. E, se ela continua sendo sua amiga, quer dizer que você pode confiar nela ou qualquer coisa assim. Só... Pare de pirar.
Não o respondi. Sabia que Thiago tinha razão, mas algo me incomodava. Principalmente os tais rumores que se espalhavam pelo colégio sobre a Hell Girl e sua identidade. Eu não podia arriscar. Todo cuidado era pouco e, antes que eu desistisse completamente do meu posto, eu precisava deixar o terreno limpo. Não sou muito fã de surpresas desagradáveis.
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