Misery Business
18 Capítulo 17 - Thalia e Romulo
Notas iniciais
E aí, vocês tem alguma sugestão para mim?
Não tenho tido tempo de ler fics, então, se sou leitora da fic de uma de vocês, por favor não me açoitem. Eu realmente não tenho consiguido parar para ler ultimamente.
(Desculpem-me pela minha mania de exclamações, mas apenas elas para expressarem minhas verdadeiras emoções!!!!!)
Escondida atrás de um armário, vários pensamentos passavam pela minha cabeça: Como alguém com tantos sentimentos selvagens debatendo-se dentro de si, poderia simplesmente sorrir tão naturalmente todos os dias e dizer coisas tão gentis e reconfortantes para as pessoas? O que Jonas realmente sentia em relação a mim? Ele me amava ou aquilo só fazia parte da atuação dele? Por que ele simplesmente se abria para mim e, logo depois, começava a gritar e se irritar como se eu o tivesse ferido?
Primeiro ele era aquela pessoa superficial e perfeita, depois um grande canalha, depois explodia com toda sua raiva vinda de não sei onde e ficava dando uma de King Kong galã. Quem era Jonas Viccine? Mesmo depois de ouvir tanto sobre o seu passado, não tenho certeza se realmente o entendo.
De qualquer forma, não há muito espaço na minha mente para ficar tentando decifrá-lo. Nunca fui de parar e pensar, mas agir para encontrar verdades. Era por isso que eu estava ali, mais uma vez, arriscando-me a noite pela escola, espremida entre um armário e uma parede.
Ouvi a porta do laboratório se fechar e o barulho de chaves na maçaneta, trancando-a. Esperei alguns minutos para ter certeza de que o vigia já havia ido embora e sai de meu esconderijo engatinhando por entre as mesas até a pequena porta que ficava escondida atrás de um dos armários de arquivo.
Aquela porta estava ali há anos, mas o colégio nunca teve muito tempo para mandar derrubá-la e erguer um novo pedaço da parede. Então eles a escondiam com um armário. A sala da coordenação, do outro lado da portinha, era um pequeno escritório apertado com tamanho o suficiente para três pessoas bem desconfortáveis, a mesa de computador e as prateleiras com arquivos. Era sempre bem difícil arranjar um esconderijo por lá, então teria que ser rápida ao achar o que queria.
Logo que entrei, puxei a cadeira giratória e trepei na mesma para alcançar a prateleira de alunos do nono. Demorou um pouco para identificar a pasta de Jonas Viccine que tinha apenas alguns poucos documentos e, por isso, era finíssima. Coloquei minhas indispensáveis luvas pretas ao puxá-la, mas não sai de cima da cadeira para ler o que havia dentro.
A primeira folha era uma ficha do aluno. O “responsável pedagógico” de Jonas era sua avó, Julieta Colassani Viccine e a financeira sua mãe, Regina Colassani Viccine. Não haviam detenções ou suspensões, apenas uma curiosa notificação que dizia: “Comportamento agressivo em aula, recomenda-se acompanhamento psicológico" e, logo em seguida, uma folha de observações da diretora com muitos elogios as notas e ao aluno, mas com uma última nota ainda mais curiosa: “Desde o último incidente, não há variações bruscas de comportamento”.
A câmera digital do celular de Thiago foi muito útil para que eu tirasse fotos das duas folhas. Quem diria que Jonas estava escondendo o jogo até agora? Um incidente na escola em que Jonas se rebelara e, provavelmente, aumentara seu medo de ter sua máscara social arrancada. A única pessoa que poderia me responder era Tessa. Talvez se eu mostrasse as fotos...
Guardei a papelada rapidamente para voltar a inspecionar a escola, o armário de Viccine e o último trabalho designado a HG. Estava mais do que feliz por estar chegando cada vez mais perto de desfazer o nó que envolvia as verdades de Jonas. Finalmente conseguiria por em xeque a falsa personalidade dele e fazê-lo me explicar tudo o que eu merecia ouvir. Não há garota que admita que brinquem com seu coração.
A excitação quanto ao triunfante passo em direção a solução era grande, mesmo com todo o meu medo de achar o que queria e o que não queria. Por isso admito o meu erro em me distrair por tanto tempo quando tudo aconteceu.
Uma luz de lanterna mirou o quadrado de vidro da porta do laboratório em meu momento de divagação. Rodando de um lado para o outro da sala, mal chamou minha atenção por ser um tanto fraca. Apenas o barulho de chaves, que tintilou em meus ouvidos como um grito, me fez acordar de minha breve viagem com um sobressalto. O vigilante não tinha ido embora.
Se entrasse novamente no laboratório e arrastasse o armário para frente da porta, não haveria tempo de me esconder. E, mesmo que o fizesse, seja lá quem estivesse do outro lado da porta ouviria o barulho do móvel ranger contra o piso. E, para puxar o tal armário, eu precisaria estar dentro do laboratório, e, num momento, encontrava-me paralisada no meio da coordenação. Minha única opção era depender da minha sorte. A coordenação estava trancada e sua única saída alternativa cercada, o jeito era esperar apenas que a pessoa não reparasse no objeto um pouco fora de lugar.
Fechei a portinha com todo cuidado no momento em que o vigia finalmente destrancou o laboratório e empurrou a porta. Agachei-me atrás da cadeira e esperei.
Podia sentir meu coração prestes a pular pela boca no silêncio, mas fechei os olhos e concentrei-me em não emitir sons. Esse tipo de problema, mesmo que fosse um grande risco, acontecia o tempo todo, mas a espera era sempre extremamente desconfortável. A apreensão me dominava cruelmente, pois não havia nada que eu pudesse fazer além de esperar. Pequenos erros como aquele eram sempre fatais.
Não haviam muitos sons vindos do laboratório, apenas passos um tanto lentos e distantes. O sujeito fez uma breve ronda, mas logo saiu e fechou tudo outra vez para o meu alívio. Não esperei nem um segundo para sair pela janela e correr para a frente do colégio para esperar o tal vigia ir embora. Dessa vez era hora de cuidar das minhas obrigações como Hell Girl e precisava ter certeza de que estaria sozinha.
No dia anterior, logo depois da aula de vôlei, ouvi que um garoto do segundo ano humilhou uma menina da sala ao lado. A história foi narrada por Camila, a menina do vôlei que contava a última fofoca do momento rodeada do resto do time. Cah era a única testemunha ocular do caso, mesmo que o acontecido estivesse sendo super comentado por todos, então foi muita sorte minha ter chegado a quadra a tempo de ouví-la.
Thalia era a menina da sala ao lado. Não era do tipo expansiva, mas muito quieta e reservada. Usava sempre o suéter do colégio, calças largas demais nas pernas e um antigo all star preto. Eu sempre esbarrava com ela no intervalo quando ia pegar algum livro na biblioteca. Ela preferia fazer as coisas sozinha e ler livros. Uma das nossas únicas conversas foi sobre o personagem de uma de minhas trilogias favoritas de romance medieval que Thalia devorava com interesse durante uma aula de Educação Física. Por isso, sabia que a envergonhada garota era, na verdade, muito espirituosa e bem humorada. Só não sabia muito bem como socializar com as pessoas.
De qualquer jeito, sempre há alguém para perturbar a calma dos mais frágeis e esse era Romulo. O grande idiota da sala gostava de irritar a menina. Dava em cima dela para logo depois fazer comentários degradantes perto da mesma para os outros, além dos falsos elogios e comentários sarcásticos quando Thalia passava pelos corredores. Empurrões e até uma ovada de aniversário nada amigável a menina teve, mas, de qualquer forma, nunca foi do meu conhecimento.
Na verdade, eu já vi alguns de seus ataques psicológicos contra Thaly em ação, mas achei que ele gostasse dela. A forma com que Romulo a abordava era de alguém que quer chamar atenção, mas, se tinha a atenção de todos o tempo todo, por que querer chamar a atenção de Thalia? Não me parecia nada mais do que o clássico valentão que quer a garota inalcançável. Nada que me interessasse... Mas só até o momento que isso passou dos limites.
Romulo, em uma de suas insistentes missões de provocação, tomou o lanche de Thalia e deu uma mordida no sanduíche natural que a garota sempre comprava na cantina. Empurrou a menina, obrigando-a a ir para a cadeira do lado e sentou-se na que ela estava, então disse: “Não sei como você consegue comer essa b****, é horrível!”. Segundo Camila, Thalia não respondeu nada. Ela nunca respondia. Apenas aguentava em silêncio. Mas, quando fazia isso, Romulo preferia pegar pesado.
“Pela tua cara, é a "mamãe" que te obriga a comprar essas porcarias. Você só abana o rabinho e faz o que ela manda. É bem a sua cara, né, Thata“. Romulo se aproximou da orelha de Thalia e continuou: “Eu sei um jeito de deixar o teu sanduíche muito mais gostoso... É só você pegar ele aqui, na minha boca”. E então roubou um beijo da menina que ficou paralisada.
“Na verdade, qualquer um teria ficado paralisado se tivesse visto, mas o pátio estava vazio naquela hora e eu estava atrás do brinquedão de madeira, provavelmente invisível para os dois. Os únicos outros espectadores estavam um pouco longe, distraídos pelas mesas de ping pong e totó”, comentou Camila nessa parte, “Depois que ele beijou a Thaly, ela arregalou os olhos e congelou, o sanduíche caiu no chão e tudo”.
Até aí eu achei bem previsível. Todos aceditavam que depois viria algo como uma infeliz declaração de amor de Romulo, mas o que o menino fez foi inacreditavelmente cruel. Ao ver a reação enojada da menina, ele esfregou a boca e disse: “Argh! Agora o seu gosto ruim que tá na minha boca! Não tem jeito, nem pra isso você presta”. E saiu. Ou melhor, tentou sair. Porque Thalia se levantou correndo e o segurou pelo braço, puxou-o de volta. “Que foi, garota, vou lavar a boc-... “, Romulo levou um tapa. Do tipo que faz aquele barulhão de estalo e deixa marca no rosto. Um tapa mais do que merecido.
“Quando sentir alguma coisa, fala! Se não quer falar, não me perturbe simplesmente porque você gosta! Eu nunca te fiz nada, eu nunca te importunei, eu nem nunca falei com você e nem te dei o direito de me beijar! Se sente algo, apenas diga diretamente e me deixa em paz! Eu não aguento ter que todos os dias ficar suportando a sua falta de senso, porque não sou sua amiga e não te dei nenhuma confiança! Para de ser idiota”.
Só que Romulo era um valentão e estava mais do que acostumado a sair ganhando. Mesmo que o que dissesse fosse esmagá-la por completo: “O que quer que eu te diga, garota? Que eu te amo? Que tenho profundos sentimentos por você que eu simplesmente não sei expressar? Pelo amor de Deus, quem em sã consciência ia amar uma menina idiota, que não sabe falar e que parece um fantasma de tão invisível? Você sabe por que as pessoas sempre te esquecem nos grupos? Porque você não existe para ninguém e ninguém ligaria se você sumisse. Você devia me agradecer, afinal quando eu tô do seu lado, as pessoas te veem. E não simplesmente ver, mas ver de verdade. Você é alguém no momento em que eu me aproximo, mesmo que seja só um brinquedo. Mas se você quer tanto assim que eu suma, volte a ser uma ninguém. Pra quem nunca significou nada, mudanças não farão diferença”. Romulo foi embora e deixouThalia lá, chorando. Fazem dois dias que ela não vem ao colégio.
E, sabe, eu realmente amo aquele livro de que conversamos a respeito e a simpatia que criei por ela desde então foi enorme. Eu não precisava colocar um sapo no armário daquele garoto idiota para que ele se tocasse, uma pequena carta de aviso seria o suficiente.
Romulo amava Thalia. Ele só não sabia como a própria estupidez ultrapassava esse sentimento.
Notas finais
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Nova atualização: Gente, desculpa se o capítulo tá meio mal escrito e cheio de erros... Eu levei umas duas horas para escrever ele, porque era meio grande e eu fiz todo no ponto de vista do narrador quando, pasmem, era da Emily. hahahahahaha. Então, lá fui eu gastar mais horas para ajeitar e já quase passavam de 21h30, sendo que minha regra de postagem é: Passou de 21h30? Só amanhã. - Então, me perdoem .
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