Misconception

3 Respeito Mútuo


Notas iniciais
Olá, meus amores! Boa leitura pra vocês e bom final de semana :) Espero que gostem!

Acordei com uma dificuldade absurda de abrir os olhos, senti meu corpo pesado e minha cabeça latejar, o clima do inverno estava se aproximando cada vez mais, senti a ponta dos meus dedos do pé geladas feito pedrinhas de gelo, e logo o frio percorreu por todo meu corpo ainda não despertado. Eu não havia me agasalhado bem para dormir e todo aquele frio e o peso que eu sentia na minha cintura me aconchegavam mais ainda na cama. Eu não fazia ideia de que horas eram, mas com certeza eu não havia perdido à hora, pois ainda conseguia ouvir roncos pelo dormitório. Roncos? Foi isso mesmo o que ouvi? Mas nenhuma de nós nunca ronca...
Levei as mãos até o meu rosto para esfregar meus olhos e pressionar minhas têmporas levemente para que a dor acalmasse um pouco, me sentei devagar na beirada do colchão antes de finalmente abrir meus olhos e encarar a cortina da minha cama. Coloquei os pés no chão e puxei devagar a cortina deixando a claridade invadir minhas pálpebras entreabertas, me levantei lentamente passando as mãos pela minha barriga nua, eu estava apenas com minhas roupas debaixo, provavelmente devido ao cansaço que cheguei ontem. Caminhei, desviando de minhas peças de roupa espalhadas por todo o chão até a cama de Beatrice para acordá-la, quando abri a cortina dei um pulo de susto. Vicent Crabbe estava roncando e dormindo igual uma pedra. Rodei os olhos pelo cômodo, ainda muito confusa, quando percebi que: aquele definitivamente não era meu dormitório.
Mas se não era o meu dormitório, na cama de quem eu dormi e como eu cheguei até... Interrompi meus pensamentos dando passos fortes para a cama na qual eu acabara de me levantar puxando a cortina e sentindo meu corpo gelar. Draco Malfoy estava enterrado em seu travesseiro com seus cabelos platinados totalmente desgrenhados, em um sono profundo.

— Abaffiato – murmurei baixinho.

Adentrei novamente as cortinas da cama subindo agressivamente no colchão e sem pensar duas vezes dei um tapa estalado naquela face pálida toda amassada de sono.

— Acorde – gritei com ele – ande, abra os olhos, Malfoy.

Ele abriu os olhos colocando a mão no lugar onde provavelmente ardia em sua face tendo uma expressão de surpresa que logo se transformou em raiva.

— Por que você me deu um tapa, garota? – ele perguntou irritado se sentando para ficar na minha frente.

— O que eu estou fazendo aqui? – perguntei de maneira irritada ignorando sua pergunta.

— Acho que sou eu quem deveria te perguntar isso, ou você acha que é todo dia que uma garota me acorda fazendo um escândalo? – pensei em concordar, mas eu não estava no clima para provocar ninguém.

— Eu vou reformular a pergunta – respirei fundo fechando os olhos – você sabe o que me fez chegar até aqui e acordar na sua cama com minhas roupas jogadas pelo chão?

— Whiskys de fogo – ele respondeu dando de ombros – sem dúvidas, você não faria isso sóbria.

Dei outro tapa no braço dele e ele trocou o riso frouxo por uma revirada de olhos, e quando abriu a boca para falar algo, eu cortei.

— Você transou comigo porque eu estava bêbada, Malfoy? – perguntei em um tom quase que incrédulo. – céus eu não sou capaz de lembrar nem como a aposta continuou.

— Você acha que eu me aproveitei de você? –ele perguntou enquanto eu afundava meu rosto entre minhas mãos – eu não me lembro de mais nada depois do terceiro copo.

— Merlin, o que foi que eu fiz... – eu mesma me interrompi para massagear as têmporas antes que explodisse – seja lá o que aconteceu, Malfoy, nunca vai sair deste dormitório, você ouviu bem?

— Está bem, Charlotte – ele falou com calma e tédio na voz – você só tenha em mente que tudo que aconteceu foi porque nós concordamos, mesmo que bêbados.

— E que nunca mais vai acontecer – dessa vez eu tinha o dedo apontado para seu rosto – e se alguém perceber dê o seu jeito de mentir.

Levantei-me e peguei minhas roupas do chão vestindo rapidamente minha calça e minha blusa saindo do dormitório em passos rápidos até o meu, parei na porta para arrumar meus cabelos embaraçados e pedi mentalmente que ninguém estivesse de pé quando eu adentrasse o cômodo. Mas falhei.

— Ah! Olha quem apareceu! – disse Pansy ao me avistar – A poção para sua ressaca está na sua mesinha já.

— Charlie! – Beatrice exclamou sem muita certeza – a onde é que você estava?

— Eu... – então eu indaguei e percebi que qualquer coisa que eu dissesse convenceria a todos menos a ela – eu acabei apagando em um dos sofás do Salão Comunal, sabe como é... A minha situação não estava das melhores.

— Draco estava com você? – perguntou Pansy meio apreensiva da resposta.

—Em? – perguntei engolindo seco – Ah, não, não! O Salão Comunal estava completamente vazio, ele deve ter conseguido chegar ao dormitório.

— Cara, vocês dois estavam muito loucos – falou Beatrice rindo – sério, nem parecia que se odiavam, de tanto que riam.

— Eu não me lembro de nada. – confessei – Mas com certeza deveríamos estar em um estado muito fora do comum para conseguirmos rir um com o outro.

— Nós viemos embora às duas da manhã, quando chamamos vocês, você disse que ficaria até um perder a aposta. – disse Pansy – Creio que a aposta não durou muito, pois vocês já estavam quase dormindo no balcão.

— Não sei como não tiveram que ser carregados até aqui – Beatrice falou em um tom quase que provocador – mas que bom que você não foi pega no caminho.

— Sim, verdade – comentei meio distante.

Fui ao banheiro e tomei um banho rápido e gelado, fazendo a minha higiene toda e logo depois de colocar minhas vestes e separar meus livros, tomei a metade da poção que me deixaria livre da dor de cabeça pelo resto do dia, guardando em seguida o frasco no meu bolso.
As meninas já tinham ido para o Salão Principal para tomar o café, e eu tratei de me apressar para ter tempo o suficiente de comer e ir para a aula de Slughorn. Logo estava atravessando a grande porta do Salão e correndo meus olhos pela a mesa da Sonserina, quando avistei Beatrice sentada distante da maioria das pessoas murmurei um “droga” comigo mesma.

— Olá – me sentei ao lado dela servindo-me de suco de abóbora.

— Começa a contar – ela falou apoiando o queixo sobre as mãos me encarando.

— Eu não... – quando comecei a elaborar uma mentira a cara de reprovação dela já estava em mim – eu não me lembro, tá legal? Eu acordei hoje no dormitório dele na cama dele com minhas roupas jogadas pelo chão mas de fato não me lembro de nada que aconteceu.

— Você precisa de um lembrol ou acha que consegue se lembrar sozinha, Charlotte? – ela perguntou revirando os olhos – acho que nessas condições não é difícil imaginar.

— Beatrice, que droga – afundei minha cabeça em minhas mãos pela décima vez naquele dia – olha, independentemente do que aconteceu, ele ta proibido de tocar no assunto, e no caso a gente também.

— Você quem manda... – ela levantou as mãos em rendição – hoje nós temos Poções e Trato das Criaturas Mágicas, depois teremos tempo livre até o almoço, reservei um horário na Biblioteca que bate com um tempo livre da Grifinória para fazermos as pesquisas de Herbologia com Longbottom e Potter, você poderia avisá-los?

— Sem problemas – dei a última mordida na minha torrada – vou indo guardar nossos lugares, come com calma.

Me levantei e caminhei diretamente para fora do Grande Salão, quando estava próxima da sala de Slughorn, avistei Longbottom caminhando em minha direção e lembrei de entregá-lo um papel com o horário que nos encontraríamos na biblioteca, mas logo percebi que havia esquecido minha bolsa na mesa do café. Precisei retornar e decidi que ao invés de apressar meus passos, correr seria mais proveitoso. E de fato foi, mas o café da manhã já havia sido encerrado e havia um grande movimento saindo do Salão, apertando meus passos dei uma trombada muito forte quando já adentrava o lugar.

— Ansiosa para me ver já, Ledger? – Malfoy perguntou me segurando pelos braços com um sorriso irônico no rosto.

— Por favor, Malfoy, menos – soltei meus braços de suas mãos – não aja como se isso fosse engraçado.

— Olha Ledger... Suas bochechas estão coradas – ele falou encostando seu indicador nelas e eu tirei sua mão do meu rosto. – então você gostou.

— Não seja um idiota – falei revirando os olhos – como eu posso gostar de algo que nem me lembro?

— Aposto que está tentando se lembrar – ele disse indiferentemente – todas tentariam. Confesso que até eu gostaria de me lembrar como foi dormir com você.

Fiquei incrédula por alguns segundos engolindo aquelas palavras. Como ele conseguia soar tão desprezível sem ao menos levar em conta que isso é desconfortável para quem escuta?

— Olha, eu serei obrigada a dar outro chute em você – falei olhando em seus olhos – eu nem sei de onde você tirou que pode falar o que quiser para uma garota que você ficou, só porque você acredita que qualquer uma cairia de um precipício por sua atenção. E também não sei de onde você tirou essa ideia de que pode agir de maneira tão prepotente com todo mundo, já passou pela sua cabeça que você soa desrespeitoso? Pois deveria. Me respeite, Malfoy, de tantos valores importantes que a sua família impõe, não é possível que o básico eles não te ensinaram.

— Quem você pensa que é para falar da minha família? – ele perguntou com um tom de voz completamente alterado.

— Quem você pensa que é para achar que é melhor que alguém aqui? – retruquei firmemente – aprenda o valor de cada pessoa, Draco, eu sei que você não é desumano. Eu sei que ninguém, nem mesmo você conseguiria sobrepor o ego acima de tudo o tempo todo.

Finalizei com um olhar franco para ele entender que eu só queria que ele considerasse um respeito mútuo com as pessoas ao invés de querer ser respeitado apenas.

Virei-me seguindo meu caminho ate Beatrice que me olhava enquanto comia o resto de seu café com pressa e com uma expressão de quem não sabia se poderia ou não dizer algo, então quando me abaixei para pegar a bolsa, ela me lançou um sorriso e disse:

– Eu estou orgulhosa de você, Charlie.

Eu não respondi nada, apenas lhe lancei o mesmo sorriso de volta pensando comigo mesma “eu também, Beatrice”.

Depois de seguirmos para as aulas, o tempo passou rápido e proveitoso, Slughorn passou um teste sobre as últimas poções lecionadas e eu agradeci mentalmente a Merlin por ter revisado isso em um dos tempos livres que tive depois dos treinos. Por sorte ele deixou entregarmos em duplas, o que garantiu uma boa avaliação para Beatrice, que não entendia nem um terço do que ele explicava. Só percebi como passou depressa quando a aula de Trato das Criaturas Mágicas acabou e as turmas se separaram, e por fim me lembrei que não havia avisado Longbottom do horário da biblioteca até então. O procurei com o olhar e não o encontrei, mas meus olhos encontraram Potter seguindo mais a frente com Weasley para suas próximas aulas.

— Ei, Potter – gritei e ele se virou juntamente com um Weasley irritado – ah me desculpem se atrapalhei, mas eu não consegui falar com Longbottom, a tempo... Agendamos um horário na biblioteca para as pesquisas de Herbologia, antes do almoço, no nosso tempo que coincide.

— Ah, sem problemas. Ledger, certo? – ele perguntou e eu assenti – Sem problemas, Ledger, avisarei Neville e estaremos lá assim que acabar a aula de adivinhação.

— Tudo bem, obrigada – disse e lancei um sorriso rápido para os dois, seguindo para o encontro de Beatrice.

Segui para o dormitório onde eu e Beatrice resolvemos esperar os tempos das aulas de adivinhação passar. Quando cheguei, minha amiga estava sentada no chão ao lado de minha cama brincando com Alfajor, seu gato. Normalmente eu me relacionava bem com animais, não somente por defender várias causas de bons tratos como também por gostar deles. Mas o gato de Beatrice me odiava. Não que fosse muito diferente, eu também não tinha lá das melhores relações com ele por conta de sua obsessão por comer meus doces. E eu amo doces.

— Espero que não se importe, Alfajor comeu seus feijõezinhos. – Beatrice falou meio risonha.

— Eu ia levá-los para a biblioteca, caramba, Beatrice – falei e ela revirou os olhos.

— E o que você iria fazer com doces lá? Você não divide com ninguém. – ela disse cruzando os braços.

— Oferta de paz. – respondi arrancando uma risada de minha melhor amiga.

Continuamos por ali durante o tempo que restava. O folgado do gato agora dormia de barriga para cima do meu lado na cama, “aquela barriga gorda cheia de feijõezinhos” pensei comigo mesma, mas acabei me dando o luxo de acariciá-lo. O tempo passou muito rápido até que tivéssemos que ir para a biblioteca. As pesquisas foram concluídas e bem divididas, creio que todos participaram adequadamente, e Neville – ele deixou com que eu o chamasse assim, dizia se assustar menos do que quando chamávamos ele pelo sobrenome – nos ajudou com muita calma, até eu entendi cada tópico da matéria. Algumas horas depois Potter nos disse que teria que ir embora e sem muitas explicações se retirou. Todos concordamos que a paciência para estudo já havia se esgotado e abandonamos a biblioteca também, nos dirigindo ao Grande Salão para o almoço que seria servido.

— Quando é o próximo treino? – perguntou Beatrice interessada.

— Se tudo ocorrer bem, amanhã pela tarde. Sábado é o nosso primeiro jogo. – falei revirando a comida no prato

— Certo. Amanhã irei ver você treinar. – ela falou com um sorriso.

— Estou lisonjeada – falei sorrindo e olhando para o fim da mesa – parece que o time está mais esperançoso esse ano.

— Não se sinta tão importante – ela deu de ombros – eu estou indo na verdade para ver o climão que vai ficar entre o capitão e a artilheira nova.

— Cale a boca, Beatrice – falei rindo e pegando uma azeitona de seu prato.

— Ei, Ledger – me virei para a direção em que o time estava ainda e Crawford fazia sinal para que eu me aproximasse.

— Já venho – disse para minha amiga.

Me levantei em direção a eles caminhando sem muita pressa, quando cheguei mais perto escutei Crawford se dirigir a mim.

— Então foi assim que você conseguiu a vaga, “artilheira”? – ele perguntou com um olhar frio.

— Como é? – perguntei incrédula – Do que você está falando, Crawford?

— Me poupe, garota, um dia você acorda artilheira e no dia seguinte acorda na cama do capitão. Onde está o seu valor? – ele perguntou fazendo os outros garotos rirem.

—Meu valor não vive debaixo das minhas calcinhas. – falei apoiando as mãos fortemente na mesa para encará-lo de perto e fazendo com que eles se calassem – E eu não precisei chegar nesse nível para entrar no time. Aliás, ser melhor que você não foi nem um pouco difícil.

— Você ainda não é uma vitória garantida, Ledger, qualquer balaço que você não desviar eu estarei lá para tomar o seu lugar. – ele falou entre dentes.

— Então eu acho bom você começar a aprender como montar em uma vassoura, para início de hipótese. – falei dando de ombros.

— Você entende bem sobre montar em vassouras, não é mesmo? – ele perguntou malicioso.

— Entendo, não vou negar, mas felizmente não precisei montar nessa vassoura para ser uma melhor jogadora que você e esmagar esse seu orgulho... – disse por fim levantando as sobrancelhas e tirando as migalhas de comida da minha saia – fique fora do meu caminho, Crawford, você não me conhece, e com certeza não vai querer me conhecer meu pior lado. Com licença.

Saí arrumando meus cabelos em direção a Beatrice – que não estava muito longe – e me sentei a sua frente novamente. E pela sua expressão, ela havia escutado a conversa.

— Será que Malfoy espalhou para o time para te tirar de lá? – ela perguntou.

— Eu normalmente concordaria, mas... – então me lembrei do que eu havia dito para ele mais cedo antes da aula e do conforto que procurei passar ao mostrar que eu sabia que ele não era tão ruim – não acho que seja do perfil dele.

— O que? – ela perguntou indignada – É do mesmo Malfoy que estamos falando?

— Beatrice, não é como se os garotos que ele divide o dormitório não pudessem perceber uma garota lá – falei me encolhendo um pouco – talvez saibam até de mais coisas que eu não sei.

Ela apenas deu de ombros e logo seus olhos espantados traçaram um caminho atrás de mim para fora do Salão. O garoto loiro apressava-se em sair, como se não quisesse ser visto. Sem pensar duas vezes me levantei e fui atrás dele. Eu precisava confrontá-lo, nem que eu tivesse que aprender como usar toda a minha sutileza de uma vez, eu tinha que fazer ele garantir que não espalhou boato algum pelo time, e que tudo o que ouvi de Crawford foi apenas uma dor de cotovelo.

Três, quatro, cinco lances de escada e eu já estava o perdendo de vista. Não sabia o que poderia ficar acima do sexto andar, uma vez que nossas aulas depois do almoço seriam na estufa de Herbologia. Quando finalmente alcancei o mesmo corredor que ele – no sétimo andar – diminuí meus passos e encostei atrás de uma pequena estátua quando percebi que ele parou e começou a encarar os lados. Em poucos segundos um estrondo tomou conta do corredor, como se fossem pedras caindo, e em sua frente uma enorme estrutura de madeira e ferro formavam uma porta. Me encostei mais na parede para poder olhar entre o vão da estátua enquanto ele adentrava o local e a porta sumia novamente. Era a Sala Precisa. Eu tinha certeza que já tinha lido sobre ela antes lá para o terceiro ano. Pensei em conjurar um feitiço para que a porta aparecesse, mas eu realmente não sabia como fazer aquilo. Malfoy deveria estar escondendo algo muito sério. E eu senti uma pequena curiosidade crescer em mim. Junto de um desconforto no peito indecifrável.

— Senhorita Ledger! – uma voz me fez pular e grudar os pés no chão.

— Ah, olá professor Slughorn. – falei rápido engolindo seco.

— Que bom encontrá-la por aqui, achei que só poderia lhe dar a notícia posteriormente. Eu corrigi o seu teste da aula de hoje cedo.

— O que houve? Não foi bom? – perguntei já afastando da minha cabeça a curiosidade de antes.

—Não, não! Foi formidável, um dos melhores que corrigi. – ele falou animado colocando suas mãos em sua enorme barriga – Aliás, você não deveria estar indo para sua aula agora?

— Ah, sim! Claro, eu vim até aqui para... para procurar o senhor – menti – gostaria de saber se teria como me arranjar alguma poção para dor de cabeça, as da Madame Pomfrey não têm me ajudado ultimamente, sabe...

— Claro, claro! Já falei inúmeras vezes para reporem aquele estoque dela com outras dosagens da poção, mas nunca me escutam... Eu peço para te entregarem mais tarde, senhorita Ledger – disse ele sorrindo e me puxando para a direção contrária de onde eu queria estar indo – venha, qual sua aula agora?

— Herbologia, senhor. – respondi com certeza.

— Ótimo! Então temos um longo caminho – o senhor gorducho disse rindo – terei tempo de sobra para lhe contar sobre o Clube do Slugue. Seria uma honra tê-la por lá...

E assim ele me puxou pelo braço falando sobre sua coleção idiota de melhores alunos, o que achei no fundo no mínimo injusto com alunos que apresentam dificuldades na matéria, mas resolvi não recusar a proposta... Até que jantares diferentes semanalmente cairiam bem.

Salão Comunal da Sonserina, quarta-feira, 11:05 p.m.

— Como assim, sumiu? – perguntou Beatrice pela milésima vez.

— Sumiu, oras, a porta em um minuto estava lá, e quando ele entrou, desapareceu. – repeti impacientemente – ­eu não tenho certeza se já li sobre isso, mas acho que é a Sala Precisa.

— Não era lá que se criou o boato de ser onde Potter dava as aulas práticas de Defesa Contra as Artes das Trevas quando Umbridge assumiu? – ela perguntou – tente arrancar informações dele.

— Eu não vou fazer isso, Beatrice. Isso soa aproveitador demais até para mim, e ele não tem nada a ver com isso. – a cortei abaixando o tom de voz devido as pessoas por perto.

— Foi só uma sugestão, podemos ver isso outro dia na biblioteca. – ela foi cortada por uma voz já familiar.

— É... Ledger? – segui a minha atenção para Malfoy que estava de pé na minha frente – Pode vir aqui um instante?

— Claro – me levantei do sofá onde estava sentada seguindo ele para um canto mais reservado do que o anterior.

— Acabei de encontrar com Slughorn, ele pediu que eu te entregasse isso – ele mostrou um frasco comprido – e também pediu para que eu não contasse a ninguém sobre. Acho bom que isso não tenha interferência no jogo. – ele concluiu com uma curiosidade nítida.

— Obrigada – tomei o frasco de sua mão – Então você estava no sétimo andar? Por essas horas?

— Ronda extra dos monitores – ele falou rápido – acharam ter visto um aluno por lá... E bem... É.

— Não se preocupe – falei enquanto derramava o líquido do frasco no outro que Pansy havia me dado mais cedo – não é da minha conta.

Ele soltou um som pelo nariz um pouco indecifrável e eu guardei um dos frascos cheios no meu bolso enquanto tampava o outro preenchido pela metade.

— Sobre hoje cedo, eu – logo o cortei.

— Não diga nada, Malfoy, só pense e considere o que falei. – falei cordialmente lhe entregando o frasco. – Tome, é para a ressaca. Não é nada ilegal. E a propósito, espero que não tenha sido você quem falou de ontem à noite para Crawford... É meio desagradável ter que ouvir que eu só consegui entrar no time por conta disso.

Ele apenas pegou a poção e olhou para baixo. Saí antes que a conversa partisse daquele nível de respeito mútuo para mais alguma discussão. E ter uma briga com ele antes do jogo de sábado não era a coisa que eu mais queria. Mesmo no fundo estando louca de vontade de distribuir tapas nele e perguntar o porquê ele espalhara aquilo, não era o mais correto a se fazer depois de eu ter basicamente o chamado de desrespeitoso, afinal, eu estaria quebrando a minha própria ideia sobre manter o clima favorável e sem ataques fora de hora. Se eu queria descobrir o que Malfoy fazia, eu teria que colaborar com o respeito mínimo vindo de minha parte. E isso eu estava disposta a fazer.

Notas finais
Olá, queridos, eu sei que esse cap foi um pouquinho menor, mas o que eu queria deixar evidente nele era essa postura que a Charlie está começando a considerar sobre ser mais tolerante, e em como isso irá abrir as portas para novos acontecimentos, E QUEM SABE até ajudar um pouco na desconstrução do posicionamento do Draco sobre ela. Onde será que a curiosidade da Charlie vai chegar e o que essas descobertas irão interferir entre esses dois? E O QUE VOCÊS ACHARAM DA CONTINUAÇÃO DA APOSTA? EU ACHEI DIGNA. Até o próximo capítulo, com a primeira aparição da Charl como Artilheira ♥