Miríade

6 6. American Boys


No estacionamento encostada a um Ford Edge preto Rachel estava com a postura descontraída de braços cruzados, e o pé direito inclinado para trás apoiado na roda dianteira, Sean relativamente perto de sua garota selou os lábios brevemente nos dela.

Olhei para o lado.

— Eu não vi você saindo. – Murmurou ele.

— Sair no momento em que vi Kayden revidar o ataque, percebi que não acabaria tão cedo.

Rachel nos olhou. — E eu estava certa. – Constatou, ao ver nossos níveis de bagunça.

— Eu ainda não acredito que fomos expulsas! Foi a frase de uma Aprille inconformada.

Rachel desatou a gargalhar nos encarava por segundos, sua risada era contagiante e acabamos por rir também, um tempo depois ela nos indagou.

— O que aconteceu?

— O gerente pediu. – Expôs Aprille fazendo aspas com os dedos. — Para que nós nos retirássemos do local, pois estávamos tendo conduta imprópria. – Explicou.

Kayden colocou uma mão no queixo.

— Olhando por esse lado provavelmente nós estamos proibidos de voltar.

E ele ainda tinha dúvidas?

Cabelos sujos, roupas manchadas e uma conta mais cara a pagar.

Quem poderia imaginar, que um simples passeio iria terminar dessa maneira?

Antes de nós sermos expulsos do estabelecimento eu peguei alguns guardanapos de papeis. – Os distribuir aos “soldados combatentes”, para nos livrarmos do excesso de cremosidade.

Os garotos deixaram a animosidade de lado e até voltaram a se falar, enquanto tentávamos nos limpar, no processo eu prendi o cabelo longos e claros geralmente se destacavam mais quando estão sujos.

— Bem... É aqui que nos separamos. – Aprille se pronunciou.

— Na verdade querida... – Começou Ian coçando a nuca.

— Eu e os rapazes marcamos de assistir ao jogo da A-League.

Ela bateu o pé.

— Agora?

Ele assentiu cautelosamente.

Com aparente irritação Aprille o inquiriu.

— Mas como eu irei para casa?

O garoto pacientemente disse.

— Você e as meninas vão com a Rachel.

Aprille olhou para Rachel.

— Se ela não se importar com o nosso estado. – Apontou para sim mesmo.

— Eu não me importo, vamos?

— Até logo meu bem. – Despediu-se Sean de sua namorada com um roçar de lábios.

— Destinee? Chamou-me Lewis, virei para encará-lo, ele sorriu envergonhado.

— Sinto muito por hoje e por sua blusa. – Lamentou-se, inclinou a cabeça para o lado. – Dando demasiada atenção para a mancha de chocolate.

Fingi não notar.

— Posso me despedir? Intrometeu-se Kayden.

Lewis aparentava ter sido pego de guarda baixa.

— Eu...

— Ah, cara valeu. – Interrompeu-o.

Ele o olhou irritado, e suspirou.

— Até mais Destinee. – Disse-me antes de dar às costas e caminhar em direção ao carro de Ian.

— Acho que ele ficou irritado. – Divagou.

Olhei para ele com a expressão de você acha? Kayden puxou uma lufada antes de começar.

— Desculpe pela cena lá dentro...

Suspirei querendo dar um fim nisso.

— Chega de desculpas por hoje sim?

— Já passou e não se repetirá tão cedo. – Dei meu aviso mudo a ele que riu.

— Pode ter certeza disso. – Sorriu fraco, abraçou-me pelos ombros ao se despedir, indo até o carro vermelho.

Entrei na cabine do passageiro ao mesmo tempo que Violet, Aprille no carona, Rachel na direção, logo estávamos no trânsito movimentado.

— Meninas. – Aprille virou o rosto para nos fitar.

Olhei para fora da janela aberta, vendo a circulação dos automóveis em seu percurso de via. – Atenta ao que minha amiga falaria.

— Eu quero dizer que eu sinto muito por ter dado continuidade aos arremessos...

E lá vamos nós novamente.

— Não foi sua culpa Aprille. – Iniciou Violet. — Quem começou tudo foi o Lewis. – Ela encostou a cabeça no assento.

— Eu sei mais eu coadjuvei.

— Não, o certo seria dizer que você amenizou o clima tenso que Lewis e Kayden criaram – retrucou.

— É verdade. – Pela primeira vez Rachel se pronunciou concentrada em sua direção. – Violet franziu a testa.

— Você estava lá?

— Não, mas eu vi de longe. – Admitiu.

Foi uma atitude sensata.

Aprille riu antes de me lançar um olhar inquisitório.

— O que foi?

— A culpa foi sua. – Ressaltou de bom humor. – Como ela poderia me dizer isso se eu fui à única que não participei ativamente da “guerra”.

— Minha?

— Sim, foi por sua causa que o Lewis jogou milk-shake no Kayden.

Eu não acreditava...

— Tudo aconteceu depois que você começou a conversar com o Kayden. – Justificou.

Não queria pensar que havia um fundo de verdade nisso.

— Vou ligar o som. – Avisou Rachel se inclinando para frente, o fundo musical de American boy preencheu a cabine do carro. – Aprille iniciou a cantoria, quando começou os versos musicais femininos Violet foi ao embalo da melodia.

“Take me on a trip

I'd like to go some day

Take me to New York

I'd love to see LA

I really want to come kick it with you

You'll be my American boy…”.

O som de uma buzina chamou atenção, automaticamente viramos o rosto, vendo ao lado do Ford Edge, um touareg azul com as janelas abertas e os três ocupantes nos observava. O motorista era moreno de cabelos arrepiados, o carona possuía cachos no comprimento dos ombros, ambos inclinados para o lado, já o último passageiro, era loiro e aparentava ser o mais novo do trio, ele mantinha a cabeça baixa concentrado em algo sobre os joelhos.

— Só para saberem bonecas nós somos de New York. – Disse o motorista apontando para os outros rapazes.

— Se vocês gracinhas quiserem a gente as leva para conhecer, não é rapazes? O do carona falou pela primeira vez, o do lado assentiu.

Violet riu descaradamente, Aprille se concentrava em não rir, e Rachel os ignorava.

— Ei! Você loira! O motorista disse olhando para Rachel no intervalo de tempo que lhe era permitido.

— Gostei de você. – Sorriu largo o convencido motorista.

Rachel não lhe deu atenção ela afastou o carro em uma direção contraria começou a ganhar distância na curva.

O loiro levantou o olhar fitando-nos com suas feições juvenis ele ergueu uma folha de papel a pressionando contra o vidro do automóvel. – Olhei com mais atenção vendo ali uma sequência de números.

— Me liguem lindas! Gritou quando saímos da rua fazendo um desvio de rota. Os garotos nos lançaram um pequeno aceno de adeus.

— Que palhaços. – Murmurou Rachel.

— Até que eles são bonitinhos. – Comentou Violet distraída.

Olhei para o lado, vendo-a segurar uma caneta, ao mesmo tempo em que fitava uma de suas palmas rabiscada.

— O que é isso? Perguntei curiosa.

— O número do gatinho.

Pisquei diante de uma pergunta.

— Aonde você conseguiu essa caneta . – Gesticulei.

— No carro.

— Eu não acredito que você esteja pensando em ligar pra aquele cara? Inquiriu Aprille.

Violet deu de ombros.

— Eu acho que eles nem notaram as manchas. – Rachel comentou.

— Provavelmente não.

— Deveriam estar distraídos em tentar bancar o conquistador.

Fui a primeira a ser deixada em frente à fachada da casa, despedi-me das meninas e entrei, ao passar pelo hall eu vi a minha mãe na sala, quando ela me viu uma expressão confusa surgiu em sua face.

— O que aconteceu com você? Indagou preocupada.

— Participei involuntariamente de uma guerra de gelados.

Ela sorriu compreensiva, antes de me fazer mais algumas perguntas, eu contei-lhe tudo, desde a cena no boliche até a conversa com as meninas no carro, mamãe se preocupou com o episódio do milk-shake, mas no relato do carro, ela riu.

Um pouco mais tarde eu subi para o quarto tirei os tênis e os levei para o closet, em um canto isolado vi o inquilino esquecido

Ri desacreditada.

— Quem sabe eu não te coloco pra venda no e-bay, hm? Sorri sem mostrar os dentes, mas logo bufei ao me dá conta que ninguém levaria a história a sério.

Aliás, quem compraria apenas um lado de tênis?