Mirrors
1 You were right here all along
Notas iniciais
A história se passa logo após Bucky ser resgatado por Steve da base da Hydra, quando ele ainda não era o Soldado Invernal e Steve ainda não tinha sido congelado.
Fic inspirada na música Mirrors, do Justin Timberlake (link no título dentro do capítulo, com tradução da música).
Este é o primeiro capítulo, espero que gostem!
— E você? Pronto para seguir o Capitão América para as garras da morte?
— Claro que não! –Bucky disse e sorriu para Steve, sentado a seu lado no bar. -Aquele baixinho do Brooklyn que nem sabia fugir de uma briga. É ele que eu vou seguir. –Então o Capitão olhou para seu melhor amigo. Ele sentiu seu coração disparar com o sorriso tão lindo e sincero do sargento, e chegou a ruborizar.
Foi na noite após o resgate de Bucky. Foi quando eles estavam naquele bar, comemorando. Foi quando Peggy chamou Steve para dançar e ele não sentiu absolutamente nada por ela. Foi quando ele e James brincaram sobre quando saíam com as mulheres e ninguém o queria. Foi, principalmente, quando lembrou do desespero que sentira ao ver Barnes ligado naquela máquina da Hidra, imóvel e indefeso. Steve não sabia se o amigo estava vivo, e naquele momento não conseguia nem mesmo respirar. Mas quando o sargento abriu os olhos e lhe mostrou um sorriso, fazendo piada, foi aí que Rogers soube: ele era apaixonado pelo amigo de infância. Aquele que o defendia dos valentões, aquele que saía com ele e duas “amigas”, que nunca davam certo para Steve.
James Buchanan Barnes era tudo para o Capitão América, e ele somente chegou a aquela conclusão final quando sentou ao lado dele naquele balcão de bar.
~*~
Após o bar, Steve, Bucky e os homens do pelotão caminharam juntos até o dormitório que compartilhariam na noite antes da missão.
Steve estava com vergonha, não sabia o que dizer ou fazer, dividiria um quarto com Bucky naquela noite. Ele sempre soube que o sargento gostava de mulheres, então o que ele diria se soubesse dos sentimentos do grande Capitão América?
O soldado já tinha ouvido falar de homens que gostavam de outros homens, mas tinha plena certeza de que relacionamentos do tipo não eram aceitos pela sociedade.
Bucky não parava de tagarelar o caminho inteiro, divagando sobre como seria a missão do dia seguinte, enquanto Rogers permanecia calado e cabisbaixo. Se sentia tão errado e ao mesmo tempo tão certo por gostar do melhor amigo que a mistura de emoções o distraiu de tudo ao seu redor.
Os dois chegaram ao quarto e foram para suas camas, apenas tirando a camisa e se deitando. Claro que Barnes tinha percebido o jeito estranho do amigo. O sargento se virou de lado na cama e olhou para Steve, iluminado pela meia luz da lua vinda da janela. Rogers tinha a cabeça apoiada nos braços e olhava fixamente para o teto, com uma expressão triste.
— Ei, magrelo. –Bucky disse, se lembrando de tempos antigos.
— Você sabe que eu sou maior do que você agora, não sabe, James?
— Sim, eu sei. Mas ainda é divertido te provocar. Só não posso mais te livrar de brigas. Parece que agora é você quem me salva.
— Acho que preferia que ninguém precisasse se salvar.
— Qual é, Steve. Porque você está assim? Tão sério e pensativo, desde que saímos do bar. Parece até mesmo triste.
— Estou convivendo com alguns dilemas no momento, Buck. Não sei o que fazer. –Ele confessou, sabendo que o amigo não o deixaria em paz até que falasse algo.
— Que tipo de dilema?
— Do tipo gostar de alguém que não posso ter. E eu só descobri isso à poucas horas atrás. –Já que começara a falar, agora terminaria. Não citaria nomes, sem dar a entender que gostava do homem na cama à sua frente, mas contaria seus sentimentos.
— Carter. –Barnes constatou, se tornando sério de repente. –Ela é bonita. Mas não acho que combine com você.
— E por que motivo você acha isso?
— Não sei... só não me parece certo. Não sei o seu tipo de mulher, porque não me lembro de achar um padrão nas garotas que eu te apresentava. Você gostava de todas. Mas a Peggy definitivamente não é o seu tipo. Espero ter ajudado.
— Claro que ajudou. Só falou coisas sem sentido e nem mesmo soube explicar. Como eu ainda sou seu amigo, Buck? Me lembre por favor. Vai dormir, vai.
Steve achou toda aquela conversa de ele não combinar com a agente Carter muito estranha, mas preferiu não discutir. Tinha confessado gostar de alguém para o homem de quem gostava, e só isso o fez ficar mais leve. Mesmo não podendo dizer a ele a verdade.
Bucky já tinha abraçado seu travesseiro e dormia profundamente. Para o azar de Steve, ele estava sem camisa e virado de frente para sua cama. O soldado olhava abobado para o amigo, sem entender porque nunca percebera antes a atração que sentia. Ele era tão bonito, tão atraente e inconscientemente sedutor. Muito provavelmente seu subconsciente não o deixava perceber seus sentimentos.
Se passaram alguns minutos e o Capitão América também dormiu, quase entrando em sono profundo. Quase, porque ele foi despertado pelo som da cama ao lado sacudindo violentamente. Steve se levantou, assustado, e olhou para Bucky, que se debatia na cama. O sargento apertava os lençóis e chutava o ar, enquanto sacudia o corpo. Ainda sem se dar conta do que acontecia, Rogers permaneceu em sua cama, observando-o de longe.
— Não! –Um grito cortou o quarto, e Steve percebeu a seriedade da situação. — Não vou falar nada para vocês, seus nazistas sujos, filhos da puta! Podem usar todos os tipos de tortura, eu não vou falar! –O sargento berrou, logo depois soltando um grito agonizante, de pura dor.
Rogers rapidamente foi até a cama do amigo e sentou-se na beirada, relutante. Bucky poderia acordar e ataca-lo a qualquer momento. Ele tentou se abster dos sentimentos pelo homem à sua frente para ajudá-lo.
— James. Ei! Você está seguro. Está nos Estados Unidos, cara. Eu estou aqui com você.
— Eu vou matar vocês! Vocês não irão machucar ninguém que eu gosto! –Barnes falava, cerrando os dentes e apertando cada vez mais os lençóis. -Nunca colocarão as mãos nos meus pais e muito menos no Steve!
— Bucky! Eu estou seguro, seus pais estão seguros, cara! –Steve disse, segurando os ombros do homem com força. De repente, Bucky o agarrou pelo pescoço e puxou-o em direção a si, abraçando Rogers com toda sua força.
— Steve! Por favor, não me deixe sozinho. Por favor Steve. Eu preciso de você. –A cada palavra ele apertava ainda mais o Capitão América em seu abraço.
— Eu estou aqui, Bucky. Nada mais vai te acontecer. Confie em mim. Eu estarei com você até o final.
Ao ouvir aquelas palavras, James diminui o aperto e parou de devanear. Steve tinha abraçado-o de volta inconscientemente, passando os braços ao redor do tronco desnudo do homem. Os rostos estavam tão próximos que as respirações se misturavam, e Steve agora ficava sem graça pela proximidade, já que Bucky recobrava aos poucos a consciência.
Quando Bucky abriu os olhos e olhou para ele, a primeira coisa que Steve viu foi o azul. O azul que ele aprendera a admirar ao longo dos anos de amizade e que agora o encantavam de outra forma. O hálito que saía da respiração ainda ofegante de Bucky batia em sua boca e ele tinha dificuldades para se concentrar. As coisas pioraram quando Steve, na tentativa de se desviar do olhar penetrante do amigo, baixou os olhos para a boca dele. Era irresistível.
Notas finais
Me digam o que acharam e podem dar sugestões também!
Beijos! ♥
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