Mirrors
16 Home.
Emily organiza suas roupas com cuidado em uma grande mala preta enquanto sua mãe e sua tia esperavam pacientemente na sala de Chloe, que também organizava tudo para partir rumo ao Brasil e encontrar Maria, avó de sangue da morena, mas também era como uma avó para a prima que chorava enquanto colocava as coisas na mala. Tudo parecia girar na cabeça de todos só de pensar na possibilidade da Cosa Nostra ter descoberto a existências delas.
Depois de tudo pronto, as duas tomam um banho demorado e colocam uma peça de roupa que haviam separado para usar. Sophie continuava chorando imaginando onde a mulher que zelou dela por tanto tempo poderia estar. Já perdeu o pai e em hipótese alguma suportaria a ideia de perder a mãe também. Emily sai do banheiro e pega o celular imediatamente para ligar para Ian, na esperança que ele não estivesse dormindo e o mesmo atende logo no primeiro toque.
— Já está sentindo minha falta? – Ironizou ao atender a ligação. Mesmo distantes, ela sabia que ele sorria de orelha a orelha diante da própria piada.
— Minha família está enfrentando uns probleminhas e eu preciso ir ao Brasil então achei que você quisesse saber. Melhor eu desligar... – Falou tão rápido que Ian precisou de alguns segundos para raciocinar sobre o assunto enquanto Emily tentava resumir o máximo que podia.
— Ei, ei... Espere aí. Ir ao Brasil? Está indo embora agora? – Perguntou engolindo em seco. Se sentiu completamente confuso e sem fala naquele momento
— Não, na verdade só irei passar uns dias lá, mas voltarei assim que o problema for resolvido. – Sussurrou ela enxugando uma lágrima que escapou em seus olhos.
— Está tudo bem? – Ian agora estava preocupado ao ouvir a voz da morena que não parecia nada bem.
— Claro que está, eu preciso ir...Tchau.
— Emily, espera...
Ela não deixou que ele terminasse o que iria dizer com medo que mais perguntas surgissem e não houvesse outra maneira de responder, se não a verdade. Talvez nunca mais o veja se for realmente a Cosa Nostra quem pegou sua avó. Não teria coragem de expor Ian daquela maneira e se alguém devia pagar pelo erro que cometeu era a família dela e pronto. Ninguém mais deveria se envolver. Emily pega as malas e sai com sua mãe, tia e prima até o aeroporto onde pegaram o primeiro avião com destino ao Brasil.
Um milhão de perguntas surgiam em sua cabeça junto com outro milhões de planos para se vingar daqueles que caçam sua família desde que se entendia por gente. Chloe passou a viagem dormindo, o que sempre acontecia quando entrava em algum avião, a não ser que alguém a entretece com alguma conversa, o que não foi o caso. Sua mãe chorava enquanto sua tia a consolava e ela observava o céu pela janela ao seu lado. Todas esperavam alguma notícia boa ao chegarem ao Brasil mesmo sabendo que aquilo era o mesmo que acreditar em contos de fada. Uma onda de lembrança atinge as garotas assim que aterrissam e saem já sentindo o típico calor brasileiro.
Quatro seguranças as esperavam no aeroporto, as levando para uma limusine, que dirige em direção a um casarão do outro lado da cidade, bem afastado de toda a urbanização. A mansão estava ao topo de um penhasco, e ao fundo, uma bela praia afastada do Rio na qual quase ninguém conhecia. Era realmente enorme em função do número de pessoas que ali moravam.
Hannah fez questão de levar Lola e Taylor, criadas de Logan na época em que ela foi morar com ele. Lola faleceu seis anos após chegarem no país depois de um derrame. Ela nunca teve a chance de rever a filha mais velha, Meredith, que fugiu após trair a família Gavin Brian. Sua filha mais nova, Taylor, e agora madrinha de Chloe, está atualmente com trinta e nove anos de idade, mas vive a vida como se ainda tivesse seus velhos dezessete anos... As meninas sempre acharam que ela fosse maluquinha e nunca estiveram erradas, afinal, ela é doida de pedra.
Sophie levou sua mãe e a irmã mais nova, Camille, que hoje tem quarenta anos de idade e é formada em medicina. Se tornou uma mulher linda de cabelos castanhos e olhos no mais intenso cor de mel. Seu corpo ainda era magro, mas tinha lá seus atributos depois de treinar algumas vezes com a irmã. Ela não pensa em ter filhos, mas sua sobrinha é como se fosse sua e jamais conseguirá medir em tamanho o amor que sente pela menina que a conquistou de cara assim que seus olhares se encontraram pela primeira vez. Entretanto, ao contrário da irmã, ela sempre foi liberal e levou Emily e Chloe para as primeiras farras, ganhando de bônus, muitas broncas de uma família extremamente preocupada com o bem-estar das futuras chefes da máfia.
Maria que agora tinha cinquenta e nove anos continua perfeitamente bem conservada, o que esconde alguns problemas saúde. Seus cabelos castanhos continuam caindo perfeitamente bem como grandes cascatas, mas após a morte de Christopher, ela parou de cuidar de si e mostrar seus tão lindos fios, deixando-os sempre amarrados em um coque bem feito. Os olhos já mostravam cansaço e era óbvio que parte dela havia morrido com aquele que ela sempre amou e talvez, jamais deixará de amar.
Ethan fez questão de convidar os amigos, Marcel e Adam, para tentar uma vida melhor no Brasil, mas após a separação com Camille, Adam preferiu continuar nos Estados Unidos, mas sempre ajuda o amigo quando o mesmo lhe solicita alguma ajuda por lá. Marcel até pensou na possibilidade de ir, mas acabou conhecendo uma garota, decidindo ficar lá também.
Frederick, irmão de Blair, e Katheryn, sua esposa, foram para o Brasil por um tempo, mas depois se mudaram para a Austrália dizendo que queriam tentar novos ares e continuam lá até hoje, mas sempre visitam a família com frequência. Os dois tiveram gêmeos lindos, Charlie e Kieran, que são praticamente a cópia do pai. Eles têm dezoito anos atualmente, mas sabem se defender muito bem, mesmo que seus treinamentos tenham se iniciado recentemente. A paixão que têm pelo Brasil fazem com que, ás vezes, os gêmeos fujam para a cidade do Rio de Janeiro. Missão: Farrear muito enquanto o restante da família acha que, na verdade, estão dormindo feito anjos em seus devidos quartos.
Harry, irmão adotivo de Anthony, continuou mundo a fora conhecendo culturas e lugares que talvez jamais tenham ideia de sua existência. Sempre mandava cartas a família, mas com o tempo isso deixou de ser um hábito e atualmente, não se tem a menor ideia de onde ele possa estar, se é que ainda esteja vivo. Ethan, seu sobrinho que ele criou por um tempo, se sente decepcionado – por mais que odeie admitir, em ver uma pessoa com quem tinha tanto contato se tornando um mero desconhecido hoje.
Benjamim, melhor amigo da família, não os abandonou. Pelo contrário, vive hoje ao lado de todos e tem cinquenta e um anos de idade. Assim como Maria, continua bem preservado e esbanja inveja em muito novinho por aí. Ele e Taylor sentem uma certa atração por mais que odeiem admitir. As meninas são a vida dele e por mais que não seja tio delas de sangue, ou por algo acidental, são ligados por algo muito mais forte e é mais do que claro que ele colocaria as mãos no fogo pelas duas. Aliás, todos naquele casarão o fariam.
Quando as duas nasceram se tornaram a alegria da casa no meio de todo aquele caos plantado pela fúria da Cosa Nostra em encontrar o restante da família de Anthony. Elas eram como a luz no fim do túnel. Bastava um sorriso e o dia de todos se tornava mais bonito. O casarão inteiro tinha fotos delas espalhadas por tudo quanto é lugar. Algumas até humilhantes para elas, mas não se importavam. Gostavam de tudo aquilo.
O carro finalmente estaciona em frente a mansão de estilo contemporâneo, e com bastante detalhes em madeira, apesar do lugar ser amplamente aberto com luminosidade. Tinha dois andares e quarenta quartos, todos com suíte e closet. Os quartos principais possuíam uma vasta varanda cada um. Alguns com vista para a praia e outros com vista para a própria cidade do Rio de Janeiro. Toda a família estava ali, pois sempre que algo ruim acontecia, cada um voltava para casa para resolver o problema. Emily e Chloe se olham com um sorriso no rosto. Sim, elas amavam Chicago e talvez, jamais irão abrir mão de visitar o lugar sempre que puderem futuramente. Mas ao longo de seus poucos anos de vida, descobriram algo que as pessoas demoram muito para entender: Sua casa não tem endereço ou lugar especifico, ela sempre será no colo daqueles que mais ama. E definitivamente, elas sentiram falta de casa. As duas praticamente correm em direção a porta de entrada, fazendo Sophie e Hannah deixarem o choro de lado por alguns segundos só para apreciarem aquela sensação de tê-las perto de vista novamente.
Quando as portas são abertas, todos estavam devidamente sentados no sofá, com os olhares apreensivos quando eles se encontram com as duas ali. Anthony, que sentava em uma poltrona, sorri de lado na presença das netas. Então todos desfazem a cara amarrada se levantando para abraça-las. Frederick e Katheryn também estavam ali e sentiam falta de absolutamente toda a família.
— Nem acredito que minhas sobrinhas estão aqui! – Exclama Camille abraçando as duas com tanta força como se quisesse proteger elas dos perigos do mundo.
— Não se esqueçam de mim! – Cantarolou Taylor que foi uma das primeiras a alcançá-las.
Depois de cada uma ser mimada e receber abraços sufocantes, todos se afastam para que os olhos das duas pousassem em Anthony, que continuava sentado na poltrona como se absolutamente nada estivesse acontecendo ao seu redor. As duas se aproximam dele vagarosamente e agacham em sua frente.
— Sua benção, avô? – Sussurra as duas quase que ao mesmo tempo e o sorriso dele se aumenta. Blair foi uma das únicas que conseguiu arrancar sorrisos e derreter o coração daquele pedaço de gelo que havia em seu peito. A existência das meninas só aumentou o humor daquele avô ranzinza que só sentia orgulho das duas, por mais que nunca tenha dito isso em voz alta. Logo atrás estavam Ethan e Logan que quase as sufocam de tantos abraços.
— Se vocês entrarem nas loucuras de seu avô mais uma vez, voltaram para o Brasil e não saíram dessa casa mais. – Murmurou Ethan sério, observando os olhos cinzas que Emily herdou dele.
— Como se vocês dois conseguiriam prendê-las... Nem com todas as máfias do mundo juntas! Principalmente quando se tem uma tia como eu, que já estava com saudade das antigas farras. – Camille fez biquinho.
— Você está bem, tia? – Perguntou Emily se aproximando dela e seu rosto, que esbanjava sorrisos agora a pouco, se fecha e segura as lágrimas que queriam sair.
— Vou ficar. Sei que irão encontrar nossa mãe. – Diz quando a irmã se aproxima da filha.
— Confio em nós. – Vociferou Sophie e as três sorriem.
Blair, a única que não estava ali na sala de estar, desce as escadas com tanta rapidez que chegava a ser impressionante o fato de não ter caído sobre os saltos. Correu em direção as netas que fazem o mesmo ao perceber sua presença. O abraço triplo dura longos minutos enquanto a avó beija o topo da cabeça de cada uma, repetidas vezes.
— Acho que nem todo o tempo do mundo vai curar a saudades que todos nós sentimos de vocês. – Sussurrou ela arrancando sorrisos das meninas. – Venha, vocês devem estar famintas.
— Na verdade, nós não... – Chloe para de falar assim que vê o pai fazendo aquela cara de quem diz que a avó passou a manhã inteira preparando um almoço farto para elas. – Não paramos de pensar nisso.
— Acabamos esquecendo de comer com as últimas notícias. – Emily completou sorrindo nervoso junto com a prima.
Todos vão até a sala de jantar onde uma grande mesa foi cuidadosamente preparada com um banquete. Blair não largava as netas nem por um segundo, fazendo as duas sentarem ao seu lado após cumprimentarem os primos Charlie e Kieran. O almoço durou horas de conversas para colocar todo o assunto em dia, mas como a maioria estava cansado, cada um foi para seu devido quarto, menos os homens que foram até onde Benjamim estava – o porão. Chloe e Emily se separam pela primeira vez naquele dia.
A morena sobe as escadas vagarosamente enquanto lembranças se acumulavam em sua mente se transbordando em pura saudade dos tempos em que acordava até o momento em que dormia ali. Seu quarto continuou da maneira que havia deixado há alguns anos. Ele era todo branco a não ser por uma parede em especial que havia um lindo papel de parede florido. Sua cama era enorme e as colchas estavam limpas e cheirosas. Elas eram trocadas todos os dias como se ela ainda dormisse ali. Entre a cama, estavam dois criados mudos rosa claro, onde havia uma luminária em cada um.
Um divã da mesma cor estava localizado do outro lado da cama, com um grande quadro com a bandeira dos Estados Unidos de efeito que fazia a bandeira parecer antiga, para dar um ar mais fofo no quarto. Vários travesseiros de diferentes cores e estilos. Em frente a cama, uma parede repleta de quadros com desenhos dos quais gostava. A maioria foram feitos por Hannah. O closet era em conjunto, assim como o banheiro. Esses dois cômodos estavam ligados diretamente ao quarto de Chloe. Quando as duas decidiram ficar em quarto separados, não queriam abrir mão de algumas coisas que compartilhavam então o banheiro e o closet eram os mesmos.
Na parede mais afastada do cômodo, um grande móvel repleto de prateleiras com centenas de livros e objetos fofos dos quais Emily adorava. Havia também uma escrivaninha entre as prateleiras com uma cadeira no estilo monárquico de tom verde-água, bem claro. Ela sempre adorou tons pastéis. Do lado de fora, na enorme sacada que também estava ligada a sacada de Chloe, um grande sofá oval era o lugar preferido das primas, já que lhes davam uma visão privilegiada da praia. Algumas plantas também estavam ali. Todas muito bem cuidadas e regadas sempre. Emily se joga na sua cama, observando a praia dali, já que a cama era próxima a sacada. Os olhos dela aos poucos se fechavam e por alguns segundos ela se perguntou onde Ian estava. Quando ela acorda, a noite já havia caído e ela não conseguia acreditar no quanto havia dormido. Tomou um banho demorado colocando um suéter preto acompanhado de suas calças jeans e uma bota de cano alto, saindo do quarto e indo direto para o porão da casa onde todos trabalhavam arduamente.
— Uma coisa é certa... Maria não estava aqui quando foi sequestrada. Os guardas teriam visto e interrogamos cada um deles. – Diz Benjamim digitando um milhão de códigos no computador.
— Interrogue de novo. – Ordena Ethan.
— Filho, eles não vão dizer nada se não os torturarmos. – Sussurrou.
— Então façam isso! – Exclamou e Anthony encara Logan que dá de ombros. Os dois partem para fora ordenando que o chefe da guarda anunciasse uma reunião que o chefe da máfia gostaria de ter com cada um.
— E o que eu faço? – Perguntou Emily assustando o pai que estava completamente concentrado naquilo. Já estava cansado de ver a esposa tão triste assim como a cunhada.
— Você cuida da sua mãe por um tempo.
— Tia Hannah está cuidando disso. – Respondeu cruzando os braços.
— Então a ajude.
— Quero ajudar você! – Ethan finalmente a encara sério. Se pudesse matar com um olhar, sua filha estaria a dez palmos do chão. Sabia que isso aconteceria. Sabia que ela queria de alguma maneira ajudar na busca, mas não pode se quer imaginar algo de ruim ocorrendo com sua eterna pequena. E se a morena fosse sequestrada também? Seu pai perderia o chão.
— Você vai ficar com sua mãe. E quando tudo estiver resolvido, tem minha permissão para voltar para Chicago. – Sussurrou ele tão devagar que quase soletrou.
— Sabia que faria isso... – Diz ela rindo sarcástica. – Você sempre faz isso.
— Eu cuido de você. Somente isso!
— Eu tenho vinte e dois anos. Com quinze anos eu já sabia me cuidar. Devia aproveitar a chance de estar pedindo a você. Nada do que disser me fará mudar de ideia. Irei da mesma maneira. – Cruzou os braços o encarando com a mesma intensidade.
— Vem cá. – Chamou ele fazendo com que a morena se aproximasse o abraçando. – Me ajuda a encontrar algo que ligue ao desaparecimento de sua avó.
Emily dá um beijo estalado na bochecha do pai antes de se voltar para a enorme mesa onde um milhão de papéis e documentos importantes de sua avó estavam. Pegou uma cadeira que estava posicionada no canto e a arrastou até lá, analisando cada um com cuidado e checando as digitais ali. Depois de não encontrar nada, optou por dar uma olhada no quarto da avó, checando todos os bolsos quando encontrou um cupom fiscal, confirmando a compra de uma passagem para Chicago.
— Minha avó estava indo para Chicago! – Exclamou ao voltar para o porão, onde agora estava também a Sophie, querendo estar por dentro de tudo assim como Emily.
— Como assim?
— Como ela não tem muitos amigos lá, o mais provável é que tenha ido me visitar. Benjamim, rackeie a companhia desse aeroporto, por favor. – Sussurrou a morena jogando o cupom no colo dele. Em questão de segundos, ele já estava infiltrado com todas as filmagens das câmeras do aeroporto do Rio de Janeiro e de Chicago onde o avião deveria ter pousado. Ethan observou a filha por alguns segundos, sua postura ereta e completamente séria, observando cada detalhe das câmeras sem deixar nenhum detalhe escapar. Ela definitivamente havia nascido para isso. Então ela se aproxima e ordena que Benjamim pare uma das filmagens. – Ali. É ela. Observe os quatro homens atrás dela. Não são um de nossos homens. Eles entraram no avião com ela.
— Já temos um lugar para iniciar a investigação. – Avisa Benjamim e um sorriso orgulhoso surge nos lábios da morena.
— Eu vou com vocês.
— Fique comigo, querida. Preciso de você. – Pede Sophie abraçando a filha com carinho. Emily observa o pai praticamente dizendo que ele poderia ir atrás da avó agora.
— Vamos lá para fora, ficar com os outros. Precisa tomar um ar. – Murmurou ela para a mãe, saindo dali ao mesmo tempo que o pai.
No lado de fora, toda a família estava ali. Blair, Taylor, Camille e Katheryn tomavam chá enquanto observavam Charlie e Kieran lutando por puro divertimento. Chloe aproveitou os minutos para desenhar com a mãe. A ruiva herdou a maioria dos talentos de Hannah, mas fez deles meros hobbies, optando mesmo por história da arte.
— Veja só quem chegou! – Murmurou Charlie que foi levado ao chão assim que se distraiu com a presença da prima.
— Aposto que está danificada já que tem que atuar em Chicago. Em todos os sentidos. – Ironizou Kieran com um sorriso vitorioso no rosto. Sophie sorri indo em direção onde Blair e as outras meninas observavam tudo ao longe.
— O engraçado é que não importa o quão danificada eu fique... Sempre vou derrotar você. – Retrucou cruzando os braços.
— WOW! Boa sorte com essa... – Murmurou Charlie dando uma risada para o irmão.
— Está me desafiando? – Perguntou. Kieran e Emily sempre se deram bem por terem gostos em comum. Viviam se desafiando e fazendo apostas que nunca levavam a nada.
— Entenda como quiser. Mas eu não aceito críticas, então é bom se preparar se não quiser apanhar... – Disse se aproximando do primo enquanto Charlie se afasta indo até Chloe, que parou de desenhar imediatamente para observar a cena.
Antes mesmo que a morena se aproximasse, Kieran dá um murro em sua direção, mas ela desvia, passando debaixo de seus braços e lhe dando um belo chute nas costas. Antes mesmo que revidasse, puxou uma de suas mãos para trás e com o pé, lhe deu uma rasteira, levando-o ao chão.
— O que dizia? – Perguntou Emily com um sorriso no rosto e ele corre até ela, se desviando de outro chute e segurando a perna da morena que rapidamente fecha a cara.
— Que você está danificada. Qual é, priminha? Você é melhor que isso! – Murmurou a empurrando para trás.
— Vai deixar ele falar com você assim, Emy? – Chloe põe lenha na fogueira dando uma risada.
— Não mesmo! – A morena se levanta rapidamente se desviando de um murro e dando um no estomago dele, recebendo outro de volta. Os dois desviavam dos murros que o outro dava de maneira impressionante. Emily puxa um dos braços do primo e o joga longe, mas ele não cai, se virando em sua direção. Kieran a engana, fingindo que iria chutá-la, mas acaba a empurrando, jogando-a na piscina. Ela rapidamente aparece na superfície, o olhando de maneira sarcástica.
— Me diga que não vai deixar ele ganhar? – Perguntou Charlie revirando os olhos.
— Ainda dá tempo de desistir. – Diz Kieran com um sorriso no rosto.
— E então você acorda. – Emily sai da piscina dando uma bela rasteira no moreno. Assim que ele levanta, ela agarra o pescoço do garoto com as pernas, o jogando no chão. Antes que Kieran se quer se movesse, a morena puxa seu braço e torce seu pulso, fazendo ele gemer de dor e arrancando dela, um sorriso vitorioso.
— Opa! Uma bela reviravolta... – Chloe sussurra sem tirar a animação estampada em seus olhos.
— Vai ver Chicago me deixou mais alerta. Estou mais perto do perigo do que qualquer um de vocês. – Sorriu ela e Kieran se levanta. – Acho que é você quem está danificado agora que mora na Austrália.
— Faço exercícios boa parte do tempo... Na cama.
— Idiota! – Murmurou dando uma risada alta.
— E você? Com quem tem praticado? – Perguntou com um sorriso malicioso.
— No teatro? – Emily se fez de desentendida.
— Sabe o que eu quis dizer. Se estiver na seca, meu quarto é em frente ao seu. – Sussurrou andando em voltas nela e quando ele ia lhe dar um chute, ela desvia, mas Kieran acaba aproveitando a situação, para puxar o braço da morena e chocar as costas dela contra seu peito, usando o outro para paralisá-la, apertando seu pescoço.
Emily suspira cansada e ele dá um beijo estalado em sua testa. Seu primo não estava falando sério. Sempre faziam esse tipo de brincadeira então Sophie e Katheryn não se manifestaram, apenas rindo de toda a situação. Os dois notam a presença de Benjamim, que não havia ido até o aeroporto.
— Benjamim Sulkins apenas observando uma luta? Estou chocado! – Ironizou o garoto.
— Para tudo há uma primeira vez. – Emily entrou na brincadeira.
— Estou avaliando.
— A surra que irá levar de mim?
— Desde quanto você venceu alguma luta comigo? – Perguntou Benjamim rindo sarcasticamente.
— Como a minha querida prima Emily ressaltou... Para tudo há uma primeira vez. – Murmurou ele cruzando os braços.
— Vou tomar uma água. – Diz a morena, mas seu primo a para.
— Não quer ver eu ganhar do nosso tio zé mané? – Perguntou e ela encara o tio que sorri abertamente levando tudo na brincadeira. Essa era a parte legal de ter um tio como Ben.
— Na verdade, eu quero. – Ela riu, se afastando dali. Estava completamente encharcada depois de ter sido jogada na piscina.
Uma funcionara já a esperava na parte coberta do quintal, onde sua mãe e suas tias estavam ali. Se enrolou na toalha e se sentou entre elas, pegando a jarra de suco e bebendo em um copo, rapidamente entrando na conversa delas, sem deixar de observar Benjamim e Kieran se matando no gramado.
— Ficamos sabendo sobre a sua expulsão na fraternidade e que agora está morando com Chloe. Já encontrou algum apartamento que gostasse? – Perguntou sua tia, Camille.
— Na verdade tia, eu até pedi o dinheiro para minha mãe, mas tenho adorado morar com Chloe. Quando morávamos em apartamentos diferentes, era difícil de nos encontrarmos, agora não. – Emily pisca para a prima que sorri. – Estou pensando em procurar um apartamento sim, mas para nós duas. Que seja acessível e entre as duas universidades.
— Está falando sério? – Perguntou a prima, que sorriu para ela. – Adorei a ideia!
— Vocês duas sempre estiveram tão unidas. Lembram quando uma das duas quebraram as pratarias de Blair... Não contaram de maneira nenhuma quem o fez. Aliás, quem quebrou? – Perguntou Taylor e Emily ergue o braço arrancando uma risada de todos.
— Culpada. – Emily sussurra. – Mas, mudando de assunto, senhorita Taylor... Quando vai admitir que você e o tio Bem são feitos um para o outro?
— Nem morta! – Diz ela cruzando os braços.
— Vocês são o casal mais lindo do mundo... – Chloe suspirou. Ela e Hannah se juntaram as outras. – Eu e Emily passávamos horas imaginando o casório de vocês. Se lembra?
— Sim! Fizemos tia Hannah desenhar nossos vestidinhos de damas de honra! – A morena riu se lembrando daquele momento.
— Benjamim é um mulherengo! Deveriam desejar algo melhor para a madrinha de vocês.
— Toda menina boa gosta de um garoto mal. – Sussurrou Sophie piscando para a amiga.
— Podemos mudar de assunto? – Pergunta Taylor balançando a cabeça na tentativa de espantar a ideia das garotas. Elas sempre tentaram unir os dois, mas é impossível. Eles realmente se odeiam e vivem brigando por aí. São raros os momentos em que realmente estão de bom humor um com o outro. – E vocês duas, mocinhas... Aposto que não estão somente estudando em Chicago.
As bochechas das duas imediatamente se envermelham. Sophie dá uma risadinha se lembrando da última ligação que deu a filha. Emily e Chloe já iriam dar uma desculpa quando ouvem seus pais chegando. Kieran e Benjamim param na hora de lutar e todos correm para o hall da casa. Cada um mais apreensivo que o outro. Sophie, que já estava distraída, volta a realidade e fica elétrica, torcendo para que sua mãe aparecesse ali a qualquer momento. Mas só estavam eles ali.
— Nada? – Emily questiona cruzando os braços.
— Na verdade, encontramos algo... – Logan se pronunciou enquanto Ethan ia em direção da filha e da esposa. Seu tio mostra então um pedaço de pano, provavelmente de um terno. – Um dos seguranças pode ter rasgado durante o sequestro.
— Esse é o símbolo da Cosa Nostra bordado ali? – Perguntou Chloe ao notar um pequeno detalhe.
— Descobriram nossa existência. – Murmurou Anthony. – Desgraçados!
— Eles vão machucar ela se não fizermos algo. Isso se já não tiverem machucado! – Sussurra Sophie aflita.
— A Cosa Nostra não é nem maluca de encostar um fio de cabelo na minha avó. Pai, você conhece a nossa influência lá dentro. Podemos acabar com eles.
— Não é tão fácil querida! Está pensando como eu pensei anos atrás. – Diz Anthony.
— Agora é diferente! Metade da Cosa Nostra te apoia. Vocês os conhecem. Vão machucar minha avó. Pior, vão matar ela. Não vou deixar isso acontecer por causa dos seus erros. – Grita Emily, e seu avô sente como se tivesse levado um murro no estomago.
— Emily Hamswere Gavin. – Grita Ethan.
— Vai mesmo tentar me impedir de ir atrás da minha avó? Ela está em Chicago. Eu consigo encontrar ela. – Diz. – Confia em mim.
— Não é em você que não confio.
— Eu sei me cuidar! – Afirma.
— Sabe mesmo? – Questiona cruzando os braços.
— Nem que você me coloque em uma camisa de força... Eu vou atrás dela. Nem que eu tenha que fazer isso sozinha. Eu serei a futura chefe da sua máfia. Mas, se não aprender a confiar em mim, se não aprender a me deixar por dentro de algumas coisas, jamais atingirei a expectativas de vocês. Chloe, arrume suas coisas. Vamos voltar.
— Filha... – Sophie a chama, mas é tarde demais, pois a morena já subia as escadas com tanta força que era capaz de rachar um dos degraus.
Irritava o fato de ninguém confiar que ela conseguiria realizar algo com sucesso. Correu para o quarto aos tropeços e tomou um banho antes de arrumar as malas e comprar passagens pela internet. Iria embora de manhã. Começaria as buscas pela avó por conta própria e iria dar um jeito de revidar. O ponto fraco da máfia dela era a família. A falta de um fazia toda a diferença. O chefe da Cosa Nostra deve ter um ponto fraco também. Alguém que ele se importe. Sentia tanto ódio que mataria o próprio se tivesse a chance de vê-lo cara a cara. Ouviu seu celular tocar e pegou sua bolsa, vendo o nome do Ian piscando na tela. Olhou o relógio de seu criado mudo e viu que já era madrugada, então deveria ser algo importante.
— Oi. – Emily atende no terceiro toque.
— Eu te acordei? – A voz dele era reconfortante. Um sorriso escapa do rosto da morena.
— Não, não. Iria dormir agora, na verdade. Voltarei para Chicago amanhã cedo. – Comentou indo em direção da sacada.
— Está tudo bem? – Perguntou notando a voz trêmula dela.
— Sim, está. Só estou cansada de ser subestimada. – Murmurou. — Os negócios da família estão com problemas, mas todos me deixam de escanteio como se não pudesse fazer nada. Meu pai ama me colocar numa bolha. Se duvidar, ainda me vê como a garotinha de seis anos que brincava fazendo castelo de areia na praia.
— Estou na Itália, mas prometo voltar em breve para ficar com você. – Sussurra.
— Itália? Está com sua família?
— Sim.
— E como estão todos? – Foi a vez dela de perguntar.
— Estão bem. A mesma bagunça e conversa alta de sempre nas refeições. – Informou rindo. – Você deve estar cansada.
— Ian, venha já aqui! Prometeu que brincaria comigo. — Emily escuta uma voz doce ao fundo do telefonema.
— Eu preciso ir, tenho uma irmã mais nova que quer que eu dê total atenção a ela. – Diz arrancando uma risada de Emily.
— Não quero deixar ela com raiva de mim então...
— Tem certeza de que está bem?
— Absoluta. – Mentiu voltando para o quarto quando vê seu pai abrindo a porta. – Tenho que desligar também. A gente se vê quando voltar.
— É, a gente se vê.
Emily desliga o telefonema cruzando os braços e fechando a cara ao ver o pai que se aproximou da cama dela, se sentando e a convidando para se sentar ao lado dele. Odiava brigar com o pai, mas seu orgulho era grande o suficiente para não desabar ali mesmo ou ser educada com ele no momento.
— Quando sua mãe estava grávida de você, no início da gestação, ela foi sequestrada pela Cosa Nostra. Não sabia ainda sobre essa notícia, mas me senti sem chão. A amo tanto que não suporto pensar na hipótese de ver ela machucada ou triste. E tive esse mesmo sentimento em relação a você quando te peguei nos braços pela primeira vez. Sei que será uma grande líder um dia e eu terei que trabalhar todo esse jeito protetor que tenho com você, mas não suporto te ter longe de vista ou se quer pensar na ideia de estar em perigo. Você sabe se cuidar, mas eu não sei me controlar.
— Sua declaração não vai me impedir de ir atrás da minha avó. – Emily sussurrou, já não aguentando ficar brava com ele fazendo aquela cara tristonha.
— Pode me deixar terminar? – Perguntou ele rindo. – Por amar você e me importar com seus sentimentos, deixarei você ir atrás da sua avó. Benjamim e seus primos irão com você, acompanhados de alguns guardas de nossa confiança. Não podemos ir todos, ou o atual chefe da Cosa Nostra pode descobrir a nossa presença.
Emily o abraça rapidamente.
— Obrigada por me dar essa chance! – Agradece a morena e Ethan puxa o corpo da filha para mais perto, dando um beijo estalado em sua testa.
— Eu te amo minha filha. Se cuida e tome muito cuidado. Essas pessoas são perigosas...
— Não tenho medo do perigo.
— Sei disso. Você é como eu com dezoito anos. – Sussurrou dando uma risada.
— Eu também te amo pai. – Murmurou e os dois ficaram ali por um bom tempo.
Verdade seja dita, não importa quem sequestrou sua avó...
O que importa é que eles vão pagar bem caro por isso.
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