Mirrors
13 Deal.
O vento gélido bate no rosto de Emily, que acorda. Ela pisca os olhos diversas vezes enquanto estica os braços se espreguiçando, se perguntando em que lugar ela está e porquê. Foi quando uma onda de memórias a atingiu e mais do que involuntariamente, um sorriso enorme se abriu no rosto da morena. A noite que havia tido foi simplesmente perfeita! Não que a virgindade fosse um peso para ela, mas agora se sentia completa. Viva. Livre. Ian a fez sentir coisas que ao seu ver eram impossíveis e imagináveis. Ele foi quem esperava que fosse; o homem certo para aquele momento.
Ela se vira para o outro lado da cama, esperando encontrar aquele corpo que a fez suspirar por diversas vezes, mas é a única deitada ali. Desconfiada, se senta na cama, usando o lençol para cobrir seu corpo nu e passa os olhos pelo local, procurando por Ian. Mas nada. Já começa a sentir um desespero brotar em seu peito pensando que ele havia a deixado para trás, quando o enxerga na varanda do quarto. Ian está debruçado sobre o apoio de vidro e observa neutro a cidade de Nova Iorque ao longe. Veste apenas sua calça jeans preta, deixando a mostra seu peitoral. Emily sorri envergonhada e aproveita para admirar o homem que havia lhe tornado mulher por alguns minutos antes de se levantar e ir até ele. Antes, cobriu-se com a blusa dele, uma social branca, e andou com passos curtos e silenciosos até ele. Ian olhou para trás e admirou a bela morena caminhando até ele, vestindo apenas sua camisa social e não pode deixar de pensar na sorte que tem de tê-la. Mesmo se for apenas como uma amiga colorida, ou um caso, não importa. Ele a tem e é isso que importa. Percebeu as bochechas vermelhas da morena, que deve estar constrangida após a noite anterior, e estica a mão para ela. Emily sorri e a pega, sendo arrastada gentilmente por ele, que a coloca sentada no apoio da varanda de frente para ele. Ian rodeia o quadril dela com os braços, que por sua vez rodeia o peitoral do homem com as suas pernas. Eles se encaram e sorrisos espontâneos escapam dos lábios de ambos.
— Bom dia. – Cumprimentou Ian, colando seus lábios a seguir. Emily afasta sua boca da dele apenas para responder um bom dia rápido, tendo sua boca fisgada logo em seguida. O beijo dos dois dura longos minutos, fazendo com que Ian se segure ao máximo para não pega e levá-la para a cama de novo. Ele se preocupa apenas em deixá-la confortável e tentar ser o mais carinhoso possível. Coloca sua mão sobre o pescoço da morena, aproveitando para aprofundar ainda mais o beijo e depois de um tempo se afasta e acaricia o rosto da jovem.
— Eu pedi o café da manhã. Está com fome?
— Faminta. – Confessa.
Ian sorri e a ajuda a descer. No instante seguinte um empregado do hotel bateu a porta anunciando que o café da manhã havia chegado. Ele foi até a porta e pegou a enorme bandeja de prata com uma mão enquanto com a outra entrega uma bela gorjeta ao moço, que sorri com gratidão.
— Isso parece maravilhoso! – Emily exclamou, se sentando novamente na cama. Remexeu o quadril desconfortada. Ninguém nunca disse o quanto dói quando se perde a virgindade. Ian percebe o desconforto da morena e se senta ao seu lado, colocando a bandeja em frente aos dois.
— Eu te machuquei muito? – Sussurrou com o rosto colado ao dela. Emily balançou a cabeça.
— Ian, você foi perfeito. – Declarou.
Ele sorriu torto e a beijou. Apenas parou quando ouviu sua barriga roncar de fome e lhe serviu o café da manhã. Emily também está faminta e come tudo em um piscar de olhos. A noite de ontem foi exaustiva e Ian sabia que ela precisava reabastecer a energia. E sim, sexo dá fome. Muita fome.
— O que foi? – Perguntou Emily de boca cheia a Ian, que a encarava sem pudor.
— Estou admirando você. – Respondeu com naturalidade. Ela deu um sorriso de lado e termina de engolir o pedaço de bolo que mastigava.
— Até parece Ian, você já deve ter saído com mulheres bem mais experientes do que eu. Eu sou apenas uma novata, se lembra? – Brincou.
Emily não é de rebaixar tanto, tem sempre uma resposta na ponta da língua. Mas agora é diferente, está entrando em um território que não conhece. Sexo para ela é novidade. Porém para Ian é algo normal, conhecido e bem executado. Estar com ele ali lhe traz uma sensação maravilhosa. Ao mesmo tempo em que se sente animada quando pensa que dormiu com o Ian, galanteador e cobiçado da cidade, se sente constrangida por ser tão inocente em uma coisa tão simples.
— Para mim você não tem nada de novata, Emily. – Falou sério, sem deixar aquele bendito sorriso de lado sair do canto dos seus lábios, levando a sanidade mental dela por água abaixo. – Você tem certeza que era virgem até ontem à noite? – Brincou.
Emily riu, passando a ficar cada vez mais confortável na presença de Ian.
— Tenho certeza. – Respondeu.
Os dois riram e assim que Emily terminou de comer, Ian retirou a bandeja da cama e a colocou sobre o criado mudo ao lado da cama.
— Emily, eu quero conversar com você. Algo sério. – Começou Ian. – Eu levei a sério o nosso acordo e pretendo levar ele adiante.
Ela o olhou confusa.
— Se refere à amizade colorida? – Perguntou.
— Sim, me refiro. Emily você estava certa quando disse que eu já sai com mulheres mais experientes do que você. Isso é fato. Mas nenhuma delas fez o que você faz comigo.
— E o que eu te fiz?
— Você me prendeu a você. – Foi direto. – Eu não sei o que é. Talvez seja os seus olhos, o seu olhar, ou esse sorriso. Tem algo em você que me faz querê-la. Tê-la. Mas Emily, você me conhece, eu não sou um cara romântico, odeio essas coisas. Eu não pertenço a nenhuma mulher, mas elas são o que eu quero. Eu não vou gostar de você, ou me apaixonar
por você. Não te darei nada além do meu respeito e do prazer que irei te proporcionar.
Ian fala com postura, seu tom de voz é sério e persuasivo ao mesmo tempo. Emily se sente atraída por esse homem. Se sente frágil e fraca em sua frente. Ian está parado a sua frente, em pé, e não desvia o olhar dela nem por um só segundo e ela tenta segurar seu olhar com tudo que pode. Sente arrepios só de imaginar.
— Você quer manter o sexo casual comigo? – Perguntou perplexa.
— Quero. E quero que você queira também. Muito. — Emily mordeu os lábios nervosas. Sabia no que estava se envolvendo quando fez a promessa de “sem sentimentos” na noite passada, mas algo grita no fundo de sua mente que ela não deveria aceitar essa nova proposta. Um sinal vermelho pisca constantemente enquanto ela pensa sobre. Tenta de todas as maneiras não encarar Ian, pois seus olhos fixos nela, lhe faz tremer as pernas, mesmo que esteja sentada. Ela está vendo um lado de Ian que não conhecia, mas sabia da existência. O lado homem. E infelizmente gostou disso.
— Eu aceito. – Disse por fim.
Ian não fez nada. Apenas esboçou um sorriso de lado, quase imperceptível. E só com isso ela já sentiu sua intimidade arder. Ele está a levando a loucura, e o jogo só está começando.
— É um jogo de gente grande Emily, tem certeza do que quer? – Perguntou Ian, indo até ela, que sorriu com ironia.
— Eu não entro em um jogo para perder, senhor Ian. – Sussurrou, já com Ian se deitando sobre si. – Vai me explicar as regras do jogo? – Provocou ela.
Ian não diz absolutamente nada, apenas sustenta o olhar malicioso e brincalhão da morena, que fecha os olhos assim que sente os lábios quentes dele na extensão de seu pescoço e colo. Era incrível a maneira dela de se entregar aos toques inusitados e ousados dele, o que o deixava ainda mais encantado por ela. Suas costas estavam arqueadas, enquanto as mãos agarravam os fios de cabelo do homem que não parava de lhe proporcionar tamanho prazer. Emily sente sua intimidade se contrair, ficando úmida imediatamente ao sentir as loucuras que os dedos dele faziam lá embaixo.
— A melhor parte do jogo é que não há regras. – Fala antes de beijá-la. A beijou sem escrúpulos, arrancando a sua camiseta que ela vestia, e que ficava bem melhor nela, com uma rapidez impressionante e apalpando com desejo cada parte do corpo de Emily desnudo. A morena fica estática, recebendo aquela onda de sensações novas e simplesmente se entrega aquelas sensações.
— Então acho que vou gostar desse jogo – Sussurrou entre gemidos ao sentir os lábios de Ian logo abaixo de seu ventre.
A amizade colorida era de fato um jogo perigoso, que não havia regras, mas poderia haver consequências, que talvez os jogadores não conheçam. Se apaixonar é o preço que se paga quando deseja apenas algo carnal. E eles eram as raras pessoas que sabiam disso. Mas se sentem diferentes pelo simples fato de não acreditar tanto nessas “baboseiras”. Mal sabiam que esse jogo costuma atingir pessoas exatamente com esse tipo de pensamento. Depois de algumas horas naquela troca de carícias, Ian estava sentado, com Emily em seu colo entre os lençóis. Ela rebolava com maestria sobre seu membro, desejando ainda mais contato enquanto ele se deliciava em seu pescoço, ouvindo aqueles gemidos maravilhosos que só o faziam chegar cada vez mais perto do prazer. Ele também não ficava atrás, gemendo como louco diante daquela morena. Os dois chegam ao ápice juntos e caem cansados sobre a cama com um sorriso iluminado no rosto.
— Ainda sente algum incomodo? – Pergunta Ian preocupado.
— Longe disso. – Sussurra encarando o teto, quando se dá conta de algo. Levanta da cama quase que imediatamente. – Droga!
— O que aconteceu? – Ele se assusta com a morena que já estava de pé, pegando suas peças de roupa espalhadas pelo quarto.
— Hoje é sexta, Ian. – Berra em desespero. – Estou atrasada para a aula.
— Não pode faltar um dia e passar a tarde comigo hoje? Cancelei todos os meus compromissos na... Empresa. – Diz ele a seguindo de um lado para o outro.
— Isso é muito gentil, mas eu tenho uma peça enorme para estudar e amanhã cedo começa as audições. – Comenta colocando os sapatos.
— Ei, se é amanhã, então por que ir hoje? – Ele se aproxima dela, a acalmando automaticamente. – O que acha de um passeio por Nova Iorque?
— Está me levando para o mal caminho ou é impressão? – Questiona brincalhona e ele dá de ombros.
— Entenda como desejar. Me dê cinco minutos para me trocar e então saímos.
— Mas está tão lindo sem roupa. – Ironiza mordendo o lábio inferior.
— Acha que eu gostei de ter você vestida nesse quarto? – Diz entrando na brincadeira arrancando uma longa risada da morena.
Emily aproveita a deixa e vai até o banheiro, fazendo sua higiene matinal e prendendo o cabelo em um rabo de cavalo. Molha o rosto por alguns segundos e se observa no espelho, quando seu celular toca e ela vê o nome de sua mãe brilhando na tela. Quando Chloe liga para sua tia Hannah, Sophie sempre está perto e é mais do que óbvio que ela deve ter comentado que a morena não havia dormido em casa essa noite. Respirou fundo, trancou a porta do banheiro e depois de alguns segundos, optou por atender a ligação.
— Oi mãe! – Cumprimenta sorrindo nervoso.
— Posso saber o que está fazendo agora? Chloe me disse que estava com um garoto... Eu preciso ser chata e falar sobre proteções? – Pergunta ela fingindo estar nervosa, mas não resistiu a animação. Tudo bem que para Sophie, Emily sempre seria sua garotinha que corria animada em volta de sua casa e voltava cheia de machucados. Mas precisava entender que a filha estava crescendo e era dona de seu próprio nariz agora.
— Por Deus, não mãe. Não me faça ouvir essa conversa de novo. – Murmura Emily se lembrando de quando ela tentou explicar o que era sexo quando tinha quinze anos de idade.
— Mas vocês se cuidaram? – Questiona.
— Mãe! – Grita ela temendo que Ian escutasse aquela conversa humilhante. – Podemos por favor falar sobre isso depois? Sei lá, talvez quando eu chegar em casa e cortar a língua da minha prima?
— Só me responda!
— Vou comprar um anticoncepcional. Agora podemos mudar de assunto, por favor?
— Quando chegar, quero todos os detalhes. Minha menina agora é uma mulher! Deus, por quanto tempo dormi? – Sophie diz animada.
— O que eu fiz para merecer isso? – Ironiza Emily espantada com a animação da mãe.
— Ele te pediu em namoro? Sabe sobre nossa máfia? Não se esqueça de tomar cuidado, se a Cosa Nostra souber de sua existência, eu...
— Mas é claro que não contei da máfia para ele. Por que diabos eu contaria? Isso é um assunto meu e por favor, nem comece com a discussão de ter um marido porque já decidi que cuidarei dos negócios da família sozinha!
— E eu te apoio nisso, só quero que tome cuidado com nosso segredo.
— Relaxa, ele nem desconfia. – Emily fala aquilo tão baixo que Sophie teve dificuldades de ouvir. – Agora eu preciso ir, te ligo mais tarde, está bem?
— Tudo bem, tudo bem. Seu pai acaba de chegar mesmo... Se ele descobre uma coisa dessas. Céus! Seu namorado é um homem morto.
— Ele... Ele não é... Meu namorado. – Ela gagueja arrancando uma risada da mãe.
— Oh sim! Vocês estão só ficando? Época mais boa não há para...
— Por favor, me poupe de detalhes sobre a sua relação com meu pai. É nojento imaginar vocês dois fazendo isso!
— E como acha que tivemos você? – Gargalhou. – É melhor eu ir... Até mais.
— Tchau mãe. – Diz desligando não só a ligação, como também o celular. Sentiu vontade de matar a Chloe. Torturar ela até a mesma morrer sangrando.
Depois do acordar no meio da noite, Emily ligara para ela dizendo para não se preocupar e que estaria bem. Aproveitou que Ian adormecia para contar absolutamente tudo o que havia ocorrido, sem muitos detalhes, porque se sentia envergonhada só de contar esse tipo de coisa. Após se recuperar da conversa mais constrangedora do mundo, ela sai do banheiro dando de cara com Ian a esperando sentado no sofá conversando com alguém. Supôs imediatamente que fosse Lorenzo.
— Podemos falar sobre isso depois? Voltaremos mais tarde. – Avisa de maneira rígida desligando o celular e Emily não pode deixar de notar o quanto ele fica lindo bravo.
— Vamos? – Sussurra ela e ele assentiu com um sorriso no rosto.
***
Nova Iorque é uma das cidades favoritas da morena e aquilo era notável em seu rosto que se iluminava a cada passo que dava naquela cidade. Ian nem prestava muita atenção no lugar, afinal, já tinha ido ali milhares de vezes e o sorriso no rosto de Emily parecia ser mais agradável. Depois de passarem em uma farmácia para comprar um anticoncepcional, foram para uma sorveteria e ficaram a tarde toda no Central Park. Agora, ambos estavam sentados na grama, tendo uma vista privilegiada da cidade.
— Cor favorita? – Pergunta Emily. Fazia horas que os dois estavam fazendo perguntas um para o outro. Eram desde perguntas sérias a algumas idiotas.
— Vermelho. – Ian responde. Aquela era a cor que representava sua máfia. Isso fazia ele se lembrar que talvez devesse contar isso para ela agora. Mas a mesma parecia ser o tipo de pessoa que repugnaria a ideia de estar com um mafioso. Principalmente com os perigos que isso tem. Decidiu então continuar com a mentira, que em parte era verdade, de ser um empresário.
— Preto. – Murmura ela com um sorriso no rosto também se referindo a cor que representava a sua máfia. Que mundo mais irônico, não? Seu sorvete ia aos poucos diminuindo no pote até não restar absolutamente nenhum.
— Pretende assumir o cargo dos seus pais na empresa que eles têm? – Foi a vez dele perguntar.
— Sim, mas vou aproveitar que eles estão no comando ainda e fazer aquilo que eu mais amo que é artes cênicas. – Comenta. – E você? Assumiu a empresa dos seus pais há muito tempo?
— Treino desde os dezesseis para assumir o lugar deles. – Sussurra. – Assumi já faz um tempo.
— E como eles são?
— Eles quem?
— Seus pais. – Diz o observando com cuidado e ele dá uma risada.
— Minha mãe parece uma adolescente e me trata como um bebê. Sabe como é, fui bem mimado em casa. – Sussurrou. – Meu pai é mais sério e me trata como adulto, dono do meu próprio nariz. Eles são pessoas legais.
— Então sua mãe é literalmente igual a minha. Entendo você.
— Me admira que ao contrário de mim, você não seja tão convencida. – Ian vocifera e ela dá uma risada.
— Não preciso me achar, eu simplesmente sou. – Ela pisca para ele.
— Tudo bem, retiro o que eu disse. – Os dois acabam dando uma gargalhada alta. – Primeiro namorado.
— Bryan. – Murmura e um silêncio constrangedor reina. – O resto não passou de ficada. Minha vez de perguntar... Hm... Quando perdeu a virgindade?
Ele a encara debochado.
— Sério que quer saber disso? – Perguntou e ela assentiu.
— Quero saber quando foi a sua primeira experiência.
— Bom, eu já era experiente. Sabe como são os meninos adolescentes, não é? Acredite, eles têm a sua dose de experiência.
Os dois dão uma longa risada mais uma vez.
— É sério, me conta. – Insiste ela.
— Foi com dezessete anos. – Revelou. — Satisfeita?
Emily sorriu.
— Quase lá. – Brincou.
Ambos riram e continuaram jogando papo fora até o fim da tarde. Voltaram para o hotel e de lá, para Chicago. Emily se despede de Ian com um beijo demorado no rosto e enquanto as portas do elevador se fechavam, procurou as chaves do apartamento na bolsa. Demorou horas e quando finalmente achou, a porta é rapidamente aberta e ela dá de cara com Lorenzo dando um selinho na prima, dizendo que precisava ir e saindo do apartamento.
— Boa tarde pombinhos! – Sussurrou ela dando uma risada ao ver Chloe vermelha de tamanha vergonha.
—Boa tarde Emily... Nos vemos amanhã? – Pergunta ele para a ruiva que assentiu mordendo o lábio inferior ainda constrangida. Os dois se despedem uma última vez e ele vai até o outro elevador que já estava aberto. A morena nota de longe o sorriso iluminado da prima.
— Vocês por acaso...? – Emily questiona antes das portas do elevador se fecharem e Chloe a puxa para dentro do apartamento, trancando as portas logo em seguida.
— Não! Não! Ele só passou a noite aqui porque eu não queria ficar sozinha. Você me deixou! – Diz e Emily ri.
— Você morava sozinha antes de mim. Céus! E eu achava que você era inocente priminha. – Comenta e ao ver a ruiva constrangida, sua risada se torna uma verdadeira gargalhada.
— Cala a boca! Agora me conte os detalhes. Como foi? – Questiona Chloe já puxando ela para se sentar no sofá.
— Eu até te contaria detalhes, mas você me dedurou para minha mãe!
— Como se a tia Sophie ficasse chateada em saber que está transando com um cara. Ela sabe que você é adulta.. Dã! – Murmurou revirando os olhos.
— Mas é uma conversa meio constrangedora, não acha? E eu aposto que não contou para a tia Hannah do deus grego que estava dormindo com você essa noite. – Diz e Chloe sentiu suas bochechas arderem pela milésima vez essa manhã.
— É, realmente parece ser um tipo de conversa que eu não queria ter com ela.
— Fala sério... Vocês não trocaram nem uma carícia?
— Só nos beijamos. Sabe muito bem que eu já tentei na época em que namorava o Stan, mas paralisei. Fiquei assustada, sei lá. Pensa na vergonha que eu iria passar se isso acontecesse comigo enquanto estou com ele. Então, para falar a verdade, nem pensei nas possibilidades.
— Não sabe o que está perdendo. – Emily riu maliciosamente e se levantou do sofá.
— Qual é... Eu quero detalhes. Não me castigue dessa maneira senhorita Hamswere.
— Não conto. – Sussurrou já entrando no quarto.
— Por favor. – Pede Chloe e Emily ri mais uma vez.
— Não. – Diz antes de fechar a porta do quarto e ir tomar um banho demorado se lembrando de absolutamente tudo o que lhe aconteceu. Do lado de fora do cômodo, a ruiva cruza os braços com um sorriso no rosto. Nem precisava ouvir os detalhes para saber que sua prima estava
feliz.
***
— Encontro você no local.
Ian avisou Lorenzo pelo telefone e desligou, dirigindo rapidamente até sua empresa onde o primo o esperava. Após chegar de Nova Iorque, passou em sua casa e tomou um banho demorado. Chegando na empresa, desceu direto para o andar subterrâneo e andou pelos corredores mal iluminados até encontrar Lorenzo parado em frente a uma porta de metal já gasta com uma cara de poucos amigos.
— Você está atrasado. – Rosnou Lorenzo ao avistar o primo.
Dessa vez Ian nem retrucou, pois sabia que ele estava certo. Assim que recebeu a ligação de Lorenzo em Nova Iorque, sabia que precisava voltar imediatamente, mas ao ver Emily sair tão animada para conhecer a cidade, não resistiu e foi se divertir com ela. Ele não devia
ter feito isso, tem consciência e com certeza seu avô e pai irão querer saber o motivo do atraso. Se souberem que foi por causa de uma garota...
— O importante é que eu cheguei. – Murmurou ele abrindo a porta e adentrando a sala.
A sala é ampla, mas não é tão grande quanto poderia ser. Durante todos esses anos a única coisa que não mudou dentro do universo mafioso são os lugares onde eles se encontram para fazer os acordos e tratados mais sujos. A sala mal iluminada faz um contraste perfeito com o resto da sala precária. As paredes sujas com sangue; capsulas de balas usadas; bolor e tudo de pior cria um cenário de medo. Medo esse que é constante, mas os mafiosos já estão acostumados a lugares assim os fazem lembrar-se de suas origens, de que nem sempre é preto no preto e branco no branco.
— Perdoem-me o atraso. Tive um problema sério para resolver. – Exclamou Ian ao adentrar com o primo na sala. Os representantes russos já estavam quase indo embora quando foram avisados que o herdeiro da Cosa Nostra já estava a caminho. Os russos nunca foram amigos da Cosa Nostra. Eles o odeiam, pois não admitem não terem o poder. Sempre estiveram à frente de movimentos para tirar os italianos do poder. Mas Cosa Nostra sem italianos, não é a Cosa Nostra.
— Entendemos a demora. Afinal, você ainda é uma criança, às vezes é difícil administrar tudo isso aqui e dar conta do recado. – Implicou Alik, filho mais novo do chefe da Máfia russa.
O sangue de Ian ferveu nesse momento, mas ele se controlou e riu nervoso, se sentando a frente deles e se lembrando o quanto sua mãe os odeia. E agora ele sabe o porquê.
— Como se sente ao saber que uma criança pode acabar com a sua raça em menos de um minuto? – Retrucou Ian o encarando com um sorriso nos lábios.
Alik se remexeu na cadeira com a cara feia e Ian sorriu ainda mais, respirando fundo e pegando a pasta que um dos seus seguranças havia entregado a ele.
— Vou ser direto. – Começou Ian, abrindo a pasta e tirando de lá os papéis necessários. – Precisamos de armamentos de pequeno porte e munições. Nada de extravagante. O básico. Essa é a nossa oferta. Ian empurrou o papel para ele e a mulher ao lado de Alik foi quem analisou a proposta e sussurrou algo no ouvido do mesmo. Ele a ouviu por alguns segundos e depois fez um sinal para que ela se calasse.
— É uma proposta justa. Não somos de trabalhar com armas de pequeno porte, não é a nossa praia. Mas se é isso que quer, é o que terá. – Alik informou. – Sabe, Baldocchi, eu tenho as minhas dúvidas em relação a você no comando da Cosa Nostra. Um novo herdeiro colocado no trono tão novo e tão inexperiente pode causar uma crise no sistema. Já pensou se você sofre um golpe? Se a Cosa Nostra cai por terra por sua causa?
Alik fala com tanta convicção que fez Lorenzo e Ian semicerrarem os olhos para o homem. Foram treinados para isso, essas provocações pessoais, em meio a um negócio sempre ocorre. Valentina sempre deixou bem claro isso. O importante é você saber capita o ponto fraco do seu inimigo o mais rápido possível e contra-atacar. E eles foram bem treinados.
— Minha mãe recebeu uma ameaça quase igual a essa do seu pai quando tinha a minha idade, então irei responder a mesma coisa a você, seu merda. A Cosa Nostra é a maior organização mafiosa do mundo, Alik, temida por todos que pronunciam o seu nome. Até mesmo os governos nos temem. Ninguém em absoluta consciência ousaria pensar em nos trair, ou tentar acabar com isso. Na verdade, isso chega a ser hilário para falar a verdade. E da próxima vez que você falar dessa maneira comigo, eu mando te matar.
Dito isso, Ian se levantou confiante encarando o mafioso com sangue nos olhos.
— Nunca mais me subestime, Alik, — avisou Ian em tom de ameaça antes de sair da sala ao lado de Lorenzo.
— Ele sabe de alguma coisa que não sabemos. – Murmurou Lorenzo irritado.
— Eu sei, eu percebi.
— Precisamos tomar cuidado, Ian, de verdade. O modo que ele falou não me pareceu nada bom.
— Ligarei para o meu avô amanhã e o avisarei sobre isso. Tomaremos as devidas providências.
Lorenzo concordou. Os dois subiram para o escritório de Ian calados, cada um formulando da sua maneira as palavras misteriosas de Alik. Seus funcionários desviavam-se do trajeto feito pelos dois, pois viam em suas caras fechadas que nada estava bem. Entraram na sala e se sentaram observando a paisagem da cidade de Chicago pela enorme vidraçaria do escritório.
Ficaram em silêncio, ainda descontentes com a reunião de Alik. Lorenzo pensa no que aquilo significava. Se eles tinham mesmo algum motivo para se preocuparem ou não. Pensa em Chloe e como esses dias com ela tem sido maravilhosos e que ela não merece um homem como ele. Mentiroso, assassino e mafioso.
Ian tem o mesmo olhar sério e encara a vista com a mente em outro lugar. Pensa no modo esperançoso em que Alik falou, relembrando cada linha de expressão daquele homem e ligando aos ensinamentos do avô, deduzindo tudo e chegando à conclusão que ele esconde de fato algo importante e precisa saber o que é. O maior medo de Ian é perder o controle da Cosa Nostra. Falhar. Isso o atormenta desde que tinha quatorze anos. Porém ele foi bem treinado, sabe que isso não irá acontecer, mas mesmo assim...
Ian também pensa em Emily.
Em seus meios e inteiros sorrisos. No seu jeito tímida e confiante. Em seus beijos e toques. Em seu sabor... Eles têm um trato agora. Ela será dele e ele a terá. Não exclusivamente, isso cabe a ela, mas ele gosta de pensar que sim. Porém agora Ian terá que ser cuidadoso em relação a Emily. Não poderá deixar que sejam vistos juntos diversas vezes, isso chamará a atenção de gente mal intencionada e não é isso que ele quer. Ela não pode nem imaginar o que a é a Máfia.
Se Lorenzo e Ian soubesse que já estão amarrados pelos pescoços a essa altura, eles não se importariam em pular pelas garotas que os prenderam sem eles ao menos notar. A guerra que Alik comentou está longe de começar, mas ela chegará e quando chegar... É melhor ninguém ousar em se meter no meio.
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