Mirrors

1 Capítulo único


Eram como espelhos. Espelhos invertidos, talvez, mas ainda eram espelhos.

Teriam o mesmo final, tinham a mesma dor no passado. A dor da perda. A dor de perder pessoas próximas – sejam amigos ou familiares. Também tinham medos – mas quem não tem? – sejam eles de escuro ou de perder mais alguém. As sensações eram as mesmas. O pânico, o susto. A insegurança.

Inconscientemente – ou não – criavam barreiras para as outras pessoas. Sorrisos falsos, olhares falsos. Personalidades falsas. O medo de perder tudo novamente – ou até mesmo de serem traídos – faziam com que essas barreiras se mantivessem em pé.

Diferiam em suas personalidades – afinal, não poderiam ser iguais em tudo.

Ciel era indiferente, enquanto Alois mudava constantemente de humor. E eram essas mudanças de humor que assustavam os criados. Ao contrário dos criados de Ciel, que – muito provavelmente – fariam qualquer coisa para protegê-lo.

Diferiam na personalidade de seus mordomos – ou seriam demônios pessoais? –; um deles era sarcástico demais, o outro, indiferente demais.

Diferiam até mesmo em seus sentimentos um pelo outro. Alois desejava Ciel – da mesma forma que desejava todos os outros. Ciel era indiferente a Alois – assim como era indiferente a todos.

E, então, quando mostrariam suas verdadeiras faces? Quando deixariam as máscaras caírem?

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