Mirror of the soul

2 2. Uma chance do destino


Era aula de História da Magia e Meredith observava com atenção cada palavra que o professor Bins dizia. Se considerava fanática por essa matéria, o que a fazia lutar contra o sono em todas as vezes que o fantasma lecionava. Afinal o que importava era a matéria e não o professor.
O segundo dia havia começado normalmente como sempre acontecia. Havia acordado, se arrumado com as vestes azuis, trocado algumas palavras com as colegas de dormitório e se dirigido até o salão principal para se encontrar com sua amiga nascida trouxa: Lúcia Ashford, uma lufa lufa engraçada.
Dado o horário da primeira aula, seguiu com a mesma até a sala que graças a Merlin, assistiria junto com os lufanos.

— Já pensou em uma revolução dos elfos domésticos?

Meredith piscou para sair do transe em que havia entrado. Sua cabeça continuou levantada de frente ao fantasma, mas lançava alguns olhares de canto de olho para a amiga tentando entender como amba chegara a tal pensamento.

— Por que eu pensaria em algo assim? — sua voz era baixa, voltando a atenção para a tosse de motor roncando do professor — Não que eu não me importe, mas isso não tem muito haver com a matéria.

— É mesmo, sim? — Lúcia deduziu pousando a pena que segurava em mão — Então qual a matéria?

Meredith quis explodir em risadas que faria ser expulsa da classe, mas se segurou. Lúcia as vezes tinha o pequeno problema em se desligar das coisas, muitas vezes causando confusão.

— As dos duendes.

Outra vez o professor voltou com o tom monótono, causando o silêncio das duas garotas. Mas agora era tarde!
Lúcia havia conseguido distrair Meredith da sua concentração e bem, agora a menina tinha a mente livre para pensar sobre as descobertas da noite anterior. E o que fazer com tal informação.
Talvez devesse mandar uma carta aos pais trouxas contando que sua doença poderia piorar? Onde estava com a cabeça quando foi esconder o que realmente tinha deles?

— Quero dois rolos de pergaminhos sobre as doenças dos duendes e como transmitida para semana que vem.

Como uma salvação para os alunos entediados, a aula havia acabado.
Mais rápido do que necessário Meredith saltou do assento e empurrou as penas e pergaminhos para sua bolsa. Era hora de ver Minerva.
Contente a menina se pôs para fora da sala não querendo perder tempo em esperar pela aglomeração de alunos que toda vez barravam a saída. Lúcia estava logo atrás atrapalhada com a mochila.

— Meri a aula de adivinhação é para o outro lado — puxou a varinha quando percebeu que a mochila não se fecharia.

— Sinto muito Lucy, preciso ver a direita McGonagall. Mas pode ir indo e diga a professora Sibila que logo lhe entregarei meu diário dos sonhos.

Lúcia assentiu parecendo animada ao ouvir as últimas palavras. Com um aceno da varinha, a mesma murmurou Diffindo.
Meredith quase gemeu ao ver as coisas da amiga atingirem o chão.
A lufana suspirou em aborrecimento se preparando para executar outro feitiço quando parou por um minuto e olhou para a outra menina com as bochechas rosadas.
Meredith sorriu carinhosamente para ela quando apoiou sua mão em seu ombro.

— Acho que o feitiço seria Reparo.

Lúcia assentiu e logo depois de murmurar a palavra, tudo estava dentro da bolsa que poucos segundos antes estava rasgada.
Sorridente a menina olhou para amiga.

— Até lá Meredith.

♦

Chegara a gárgula que guardava o escritório de Minerva a poucos segundos. Parada ali hesitou, pensando se aquilo de fato seria uma boa ideia.
Quando entrou para a escola, nada dissera. Naquela época não sabia quem era ou o que tinha, apenas que era adotada e que era uma bruxa.
Minerva foi gentil o suficiente para ajuda-la a procurar sua verdadeira identidade quando pedira em seu terceiro ano.
Meses depois a diretora lhe dissera sobre sua descoberta, e do perigo que a menina estaria se revelasse a verdade para alguém.
A partir dali a jovem foi guiada pela mais velha, tendo ajuda para tentar encontrar uma solução para parar a maldição. Infelizmente nada fora descoberto.
Valia a pena, cheguei tão longe.

— Pomo de ouro.

A gárgula se mexeu e escadas foram reveladas. Começou a subir tentando formar as palavras que diria para a diretora.
Já se encontrava fora do escritório quando bateu na porta e escutou a mesma a mandando entrar.
Minerva levantou a cabeça para fitar a jovem com seus olhos sérios. Um leve sorriso apareceu em sua face enquanto indicava o assento em sua frente.

— Devo dizer que não estou surpresa senhorita Helinor. —deixando o tinteiro de lado, cruzou as mãos — Como é estar de volta a Hogwarts?

— Excelente diretora, — sorriu apertando a barra da saia em nervosismo — mas acho que a palavra certa seria alívio.

Minerva assentiu solenemente enquanto seus olhos procuravam algo por cima do ombro da jovem.
Meredith respirou fundo quando a boca da diretora se abriu para falar.

— Creio que sua visita tenha haver com a sua doença, que espero eu ainda seja desconhecida pelo ministério.

— Achei que o ministério estivesse melhor diretora. Quero dizer, a senhora Hermione Granger...

— Granger é sem dúvida ótima no que faz, mas nem todos pensam e agem como ela. — interrompeu a bruxa com um olhar reprovador — Então espero que não tenha contado a ninguém.

Meredith assentiu minimamente.

— Ninguém senhora.

McGonagall suspirou se encostando mais em sua cadeira assumindo um ar triste.

— Não irei enrola-la mais senhorita Helinor. Lhe chamei aqui para dizer que é possivelmente correto dizer que eu tenha a solução para seu problema.

Sua respiração ficou presa na garganta enquanto sentia o coração disparar. Por um segundo sua visão oscilou e ficou se perguntando se havia escutado direito.
Quando a visão voltou a se focar, viu o rosto de Minerva a encarando com paciência.
Quase não encontrou voz para expressar seus sentimentos e pensamentos.

— Certeza? O que é? — queria soltar todas as perguntas que tinha em mente mas tendo uma ligeira consciência que arruinaria o momento, optou por organizar os pensamentos — Por favor diretora McGonagall, por favor.

Os olhos da mais velha se fecharam por alguns segundos e um suspiro cansado foi observado pela menina. Naquele momento tudo na mais velha irradiava seriedade e incerteza. Teria ela medo de lhe dizer o que sabia?

— Parei para refletir sobre sua condição senhorita Helinor. Muito bem, com todas as pesquisas feitas e fontes seguras que procurei — mesmo não surtido resultado — percebi que talvez tenhamos cometido um erro — Meredith assentiu com os olhos grudados em Minerva — Buscamos tanto uma maneira de quebrar a maldição que não paramos para pensar em um fato muito importante. Talvez a maldição não possa ser quebrada, claro que já tinha pensado nisso antes mas só confirmei minhas suspeitas devido uma fonte muito segura.

A maldição não poderia ser quebrada. Meredith frisou essas palavras em sua cabeça enquanto sentia os olhos umedecidos. Tanto trabalho por nada, tinha tanta esperança. Agora seria sentar e esperar que o destino se encarregaria? Deveria recorrer ao ministério da magia e lhe avisar do que estaria por vir? Do que se tornaria em alguns meses?

— Não acho que essa fonte esteja certa. — reclamou enquanto ouvia um severo " senhorita Helinor" da própria Minerva — Talvez a senhora tenha sido enganada, tenho certeza que algum bruxo petulante a passou para trás.

— O maior perdedor é aquele que não aceita sua derrota — Uma voz calma e profunda chegou aos ouvidos de Meredith logo em seguida.

Sua cabeça se virou e foi abismada que a menina contemplou o quadro de Alvo Dumbledore pendurado na parede. O próprio Dumbledore sorria para ela com as mãos cruzadas calmamente em seu colo.
Suas bochechas queimaram ao perceber que a tal fonte deveria ser ele, e mais do que isso. Havia chamado o antigo diretor de Hogwarts de petulante.

— Senhor...

— Estava mais do que na hora de aparecer Alvo — opinou Minerva dando um pequeno sorriso — A senhorita Helinor estava certa de que eu a decepcionaria. Agora você pode lhe explicar tudo. — e se levantou ajeitando o chapéu pontudo.

Meredith ficou paralisada enquanto observava a mulher caminhar até a saída. Mas então ela parou e Meredith soube que precisava perguntar.

— E agora senhora?

Minerva virou para encara-la e surpreendente sorriu.

— Agora deixo você nas mãos do maior bruxo que já existiu. Faça tudo o que ele lhe disser sem exitar, boa sorte.

E assim ela partiu com os saltos batendo contra o chão.
A morena encarou o retrato do mais velho em silêncio. Era incômodo pensar que desde os primeiros anos na escola sempre esteve naquele escritório e nunca havia trocado palavra alguma com o bruxo de cabelos longos.

— Creio que tenha muitas perguntas.

— O senhor vai me ajudar? — soltou rapidamente — A diretora McGonagall disse que minha maldição não pode ser quebrada.

Dumbledore assentiu ainda mantendo o sorriso no rosto. Os outros quadros envolta pareciam curiosos.

— Não pode ser quebrada mas talvez possa ser impedida muito antes de ser criada.

O coração de Meredith acelerou enquanto ela lutava para entender as palavras. Sempre ouvira que o antigo professor gostava de algumas charadas mas esta era ridícula.
Impedida antes de ser criada — pensou amargamente com os olhos vidrados no rosto do velho homem — isso seria impossível. A maldição fora criada à muito tempo atrás. Ela não teria como impedir algo se não existisse no tempo em que esse algo fora criado. Mas e se...
A mente da menina pareceu clicar e sentiu os olhos se arregalarem.
O sorriso de Alvo cresceu um pouco mais enquanto ela tinha certeza que este havia descoberto sua suspeita.

— Não pode ser. Eu não seria capaz disso, ninguém deveria ser capaz disso. — murmurava incapaz de conter as palavras — Seria contra as regras do Ministério. Eu poderia ser morta.

— Tenho certeza que valeria o risco — cantarolou de forma animada.

Meredith não sabia se confiava naquela ideia maluca.

— O senhor quer que eu volte no tempo? Como farei isso?

Dumbledore abaixou os óculos de meia lua um pouco, olhando para a corvinal um pouco seriamente.

— Meu desejo nada vale se não for do seu interesse Meredith. Estou lhe dizendo uma maneira para realizar seu objetivo, agora para chegar até ele é outra história. — seus olhos voltaram ao ar de bondade — Sou apenas um retrato, não consigo me lembrar de alguns fatos. Mas meu eu do passado com certeza a ajudaria. — Explicou vendo a menina assentir.

Para desespero de Meredith, ela não sabia o que fazer. Se fosse ignorar a ideia maluca estaria colocando sua vida e o mundo mágico em perigo. Se caso contrário aceitasse, precisaria arrumar um vira tempo e formar um plano.

— Acha que eu consigo?

Dumbledore a encarou gentilmente e Meredith sustentou seu olhar.

— Há muito tempo um jovem me fez a mesma pergunta e eu fui sincero. Agora você está fazendo e preciso responder. — Dumbledore sorriu enquanto apontava um dedo para a menina de cabelos escuros — Você Meredith Helinor, é sua própria salvação e será a salvação do mundo bruxo contra a ira de Morgana.

Ela sorriu. Dentro da sua mente repetia diversas vezes que fora comparada ao jovem que Dumbledore mencionara, jovem este que sabia ser Harry Potter. E se sentia feliz por alguém acreditar nela tanto assim.
Meredith respirou fundo tentando controlar as emoções e encarou o professor.

— Preciso pensar, mas obrigada por tudo.

Dumbledore assentiu enquanto vigiava os passos da mais jovem. Ela se levantara e estava a caminho para sair dali, até que a voz profunda do bruxo a fez parar.

— O ano é 1943. — ela assentiu confusa vendo divertimento dançar nos olhos do grande bruxo.

Meredith levou isso como uma chance para sair e pensar no que fazer. Quando passou pela gárgula o primeiro pensamento que a atravessou foi que Dumbledore era excentricamente único.

•••

Na noite daquele mesmo dia, Meredith se encontrava perdida em turbilhões de pensamentos. Estes giravam em torno de dúvidas e planos mirabolantes que com bastante pessimismo falhariam.
A verdade era que a pobre menina não conseguia pensar rodeada de alunos no salão comunal da corvinal. Não quando a maioria tagarelava, enquanto a outra parte terminava alguma lição.
Lúcia estava fora de vista quando havia saído da sala de McGonagall, e pela suposição que havia feito, as chances da amiga estar dialogando com alguns alunos de outra casa eram altas.
Não se importando com alguns olhares em sua direção a menina seguiu caminho para fora da sala. Já sabia onde iria.
Quando enfim conseguiu achar o corredor certo e a localização exata, fechou os olhos e passou em frente a uma parede três vezes pensando no que queria arduamente.
Quando os abriu pôde visualizar a porta que surgira em sua frente. Sentindo o sorriso crescer em sua face, entrou na sala.
Se deparou com um ambiente lotado de objetos esquisitos. Havia prateleiras com livros antigos, outras com objetos que se mexiam. No ar algumas coisas voavam, e inacreditavelmente jurou perceber que aquela sala parecia não ter fim. Assim como a poeira que ali continha.
Uma sala para se ocultar.
Uma sala para pessoas perdidas.
Querendo explorar tudo quanto podia, Meredith começou a andar pelo espaço com os olhos atentos. Sua varinha estava presa em sua meia para qualquer sinal de perigo.
Depois de vasculhar o que achou interessante, a menina voltou a se lembrar do motivo que a trouxera ali. Precisava de uma solução.
Foi distraidamente andando que quase se chocou com um armário de aparência antiga.
De algum modo havia um mistério naquele armário e sem hesitar ela ergueu as mãos e o abriu.
Esperava encontrar algum animal pulando em si, mas o que conseguiu foi uma enxurrada de poeira.
Tossindo várias vezes, Meredith esfregou os olhos para sua visão voltar a se focar.
Algo dourado chamou dua atenção no final do armário e lutando para recuperar a boa vista, vasculhou o final do armário com cautela. Tocou em duas coisas. A primeira era pequena e a outra tinha um formato de um livro, deduziu.
Contando até três, puxou ambas as coisas para fora do grande armário.
Meredith não acreditou no que seus olhos estavam vendo.
Seu coração não queria acreditar.
Em sua mão um caderno de couro — parecia ser de dragão — repousava com um aspecto antigo. Mas foi o outro objeto que a chocara mais, muito mais. Em sua mão um perfeito vira tempo descansava sobre a palma suada.
Oh Merlin — pensou — só pode ser o Destino.