Notas iniciais

Ando produzindo fics de KH demais. Espero que gostem.

Boa leitura.

Se sentia em frente à um espelho. Um espelho que distorcia a imagem de seu reflexo.

Não era tão distorcida assim, a imagem do reflexo, apenas o suficiente para algumas mínimas discrepâncias, como a cor do cabelo... E se eram tão parecidos como diziam, o loiro não acreditava que era tão bonito quanto àquele garoto sentado à sua frente.

O Nobody inclinou suavemente a cabeça para a esquerda, pendendo-a sutilmente paralelamente ao ombro. Outra discrepância no espelho era que o reflexo não fez o mesmo.

-...O jeito que você me olha... – seu reflexo falou –ou será que ele próprio era o reflexo e aquele era o original?- ... Me dá calafrios...

Roxas franziu as sobrancelhas, endireitando a cabeça e se remexendo, cruzando as pernas sobre a cama onde estava sentado de frente para Sora. –Não foi minha intenção. – murmurou, um pouco desconfortável por ter causado o desconforto do moreno.

-Sei que não foi. – sorriu gentil. Sorriso que Roxas reconheceu como sendo o seu próprio quando sorria para Axel. Aquilo era bizarro.

Não mais bizarro do que aquele pensamento latente em sua mente... Ele é tão parecido comigo, mas tem um coração e eu não...

Era quase injusto demais para o Nobody suportar.

Foi a vez de Sora fitá-lo, como um espécime raro prostrado ali, à sua frente. Roxas tinha um olhar triste –outra discrepância. Sora não se lembrava de ter aquele olhar-, um olhar quase carente, um olhar que fazia o Somebody ter vontade de abraçá-lo, afagar-lhe os cabelos claros, dar um beijo em uma de suas bochechas sutilmente rosadas.

Ou em seus lábios entre abertos, que davam a impressão de que Roxas iria falar algo.

-...Quer falar algo, – era estranho dizer seu nome. O nome que era um anagrama de seu próprio, mais um X. Quase podia chamá-lo de Sora também. Afinal, era seu reflexo, sua outra metade. -... Roxas?

-Aa? N-não. Eu só... – o loiro voltou a fitá-lo, mas tão rápido quanto fitou, voltou a desviar o olhar, observando os finos pingos d’água que formavam a chuva se chocar contra o vidro da janela do quarto. –Isso tudo... É surreal.

Roxas queria Axel ali. Queria o ruivo abraçando-o, dizendo que tudo ficaria bem, que poderiam tomar sorvete de sea salt quando quisessem. Axel era o único que lhe passava segurança. Mas agora... Estando tão próximo de Sora... Sentia que o garoto também lhe transmitia algum tipo de segurança.

-Entendo. – o moreno suspirou, abaixando ligeiramente a cabeça. Há algum tempo atrás estaria surtando agoniado se estivesse naquele quarto com o seu... Nobody. Era bizarro, surreal -dê o nome que quiser- demais.

-Quando... Quando exatamente... Você soube de mim? – murmurou, voltando a olhar para Sora, seu ‘eu’ verdadeiro, o original no espelho. Não conseguia pensar em Sora de outra forma.

-Não sei precisar... Mesmo. Desculpe. – respondeu, sentindo o coração – sim, ele tinha um coração, e era doloroso demais saber que o garoto lindo, tão sensível, à sua frente, não tinha um. Era impossível que não tivesse um- pesar ao ouvir a voz tão murcha do reflexo.

-Nah, tudo bem. – balançou os ombros, já esperando aquele tipo de resposta. Nos trezentos e cinqüenta e sete dias que passara na Organização era comum os outros esconderem as coisas dele. Se surpreenderia se Sora não mentisse ou omitisse algo.

-Hey, estou falando sério. – o original franziu as sobrancelhas. Não queria que Roxas o levasse a mal.

-Eu sei.

Voltaram a ficar em silêncio, um olhando para outro, um sem coragem de desviar o olhar dos olhos do outro. Sora mordeu o lábio inferior com um pouco de força, erguendo a mão lentamente –parecia uma eternidade- até apoiá-la no ombro do loiro. Apertou-o um pouco, sorrindo nervoso.

-Roxas?

-...S-sim? – o lado sem-coração do espelho arqueou uma das sobrancelhas, um pouco temeroso.

-Tudo vai ficar bem.

Roxas ergueu ambas as sobrancelhas, abrindo a boca, a fim de dizer algo. Mas nada saiu.

Um calor estranho invadiu seu corpo a medida que o lado com-coração do espelho se aproximava de si, subindo a mão que estava em seu ombro para sua nuca. Sabia que Sora iria beijá-lo. A idéia não parecia ruim de um todo.

Mas o melhor... Fora ouvi-lo dizer que tudo ficaria bem. Melhor que o beijo, que a sensação de torpor à que Roxas se entregara, foi...

Foi saber que estava seguro. Que o espelho não quebraria.

Notas finais

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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!