Mirror Of Paradise
3 Capítulo 03: Lágrimas
Notas iniciais
A garota de longos cabelos negros correra para abrir a porta. Fora a única coisa que visualizei antes de olhar para o vazio, suspirando frustradamente por ter fracassado. Pensei que se forçasse Stephanie, poderia fazê-la entregar-se. Mas acho que isso ia ser um pouco mais complicado do que imaginei durante estes dois dias.
– Por que a porta estava trancada, Fany-sshi? – Voltei meu olhar para SeoHyun, que adentrara o quarto, com a ajuda da cadeira de rodas. Sobre seus olhos, havia uma armação de óculos bem discreta. Tanto seu tom de voz quanto sua expressão mostrava o quão preocupada ela aparentava estar.
– TaeYeon-sshi entrou no meu quarto, baby. Ela estava tentando me pregar uma peça. – Stephanie cruzará os braços, formando um bico para acrescentar em sua expressão amarga.
– Unnie! É por isso que você não consegue levantar cedo? Fica vagando pela casa durante a noite! – SeoHyun fizera uma expressão séria, enquanto levantava-se com um pouco de dificuldade da cadeira de rodas – o que deixara tanto eu quanto Stephanie em pânico — vindo em minha direção. Na hora pensei que ela viria me encher de tapas, mas a única coisa que ela fez, fora pegar em uma de minhas mãos, puxando-me. – Venha comigo! Vou fazer um chá que é ótimo para ajudar a dormir!
– Baby, você não pode sair andando! – Gritei em coro, junto a Stephanie. – Não estou lhe reconhecendo, SeoHyun! – Acrescentei.
– Tudo bem, tudo bem. – SeoHyun soltou minha mão, dirigindo-se até a cadeira de rodas, sentando-se novamente. – Leve-me até a cozinha, unnie! E você, Fany-unnie, volte a dormir! Não quero ninguém se atrasando até que eu compre um cofrinho novo!
SeoHyun é tão teimosa! Não adiantaram em nada meus suplícios para ajudá-la no preparo do chá, e nem ao menos a minha insistência em fazer com que ela permanecesse sentada na cadeira de rodas.
– Aqui está, unnie! Uma grande xícara com muito chá de maçã! – O sorriso de SeoHyun é tão encantador, tanto quanto o de Stephanie. Ambas, ao me ver, têm a brilhante capacidade de acalmar o coração ferido de qualquer pessoa. Voltei meu olhar para a xícara com orelhas de panda, notando que SeoHyun havia colocado até pedaços da fruta dentro do chá.
– Ah, unnie, vejo que notou os pedacinhos de maçã! – Ela riu. – É para não dar mau-hálito! – Ela continuara sorrindo, olhando fixamente para mim, como se ordenasse com seus olhos que eu bebesse logo o chá.
– Quer mais um pouco, unnie? – SeoHyun pegara o bule, preparando-se para despejar um pouco mais de chá no interior da xícara.
– Roro, — Respirei profundamente — eu gostaria de conversar com você... – SeoHyun paralisara, voltando seu olhar para mim, entretanto não saíra da posição anterior. – Eu... – Minha voz saíra rouca, e o frio em minha barriga era intenso. – Eu estou apaixonada pela Stephanie. – As palavras saíram de minha boca trombando uma nas outras, de tão rápido.
Só depois fui notar que SeoHyun havia derrubado o bule sobre o chão, com os olhos arregalados e a boca entreaberta. Uma verdadeira expressão de surpresa.
– Ba... Baby?- Rapidamente, levantei-me da cadeira.
SeoHyun olhara para o chão por alguns segundos, voltando o seu olhar para mim novamente. – Ora... – A expressão de SeoHyun transformou-se, a mesma face havia tornado-se algo impuro, algo que nunca havia a visto expressar. – Viu só o que me fez fazer, TaeYeon-sshi? – O grito que ela dera, fez com que eu pulasse para trás, incrédula. Pude notar uma lágrima escorrendo no canto esquerdo da delicada face rosada. Porém, minha visualização não durara muito, pois SeoHyun correra para seu quarto, deixando-me só com o bule despedaçado e uma cadeira de rodas.
Limpei a cozinha, lavei a louça e tentei entender porque diabos SeoHyun havia agido daquela maneira, mas não obtive sucesso em minhas conclusões. O chá de maçã não havia surtido efeito, pois os sentimentos que se reviravam em meu coração só deixavam o meu nervosismo à flor da pele.
“Vou ou não vou atrás da Roro?” Perguntava-me, enquanto andava de um lado para o outro, apoiando o queixo em uma de minhas mãos.
Deixei a cadeira de rodas em frente à porta do quarto de SeoHyun. Dei um breve suspiro e direcionei-me até a sala, para ver um pouco de TV.
No dia seguinte, fui a primeira a acordar, por causa da claridade. As cortinas da sala haviam sido tiradas para serem levadas a lavanderia, e as venezianas não eram o suficiente para combater a luz do sol.
Aproveitando que todas ainda iriam dormir por mais um tempo, me dirigi até a cozinha e preparei o café da manhã para todas: Paes, torradas, frutas picadas e lavadas, suco, um pouco de café, leite e uma mesa posta e arrumada! Para dar delicadeza, pusera flores em um vazo no centro da mesa.
“Acho que é um bom jeito de me desculpar com todas!” Sorri, enquanto admirava a bela mesa que havia preparado.
Pude ouvir os despertadores começando a tocar, o que me deixou nervosa, não sabia quem seria a primeira a entrar pela porta da cozinha, e nem como reagiria: “Será que as torradas estão tostadas demais? E se o café estiver aguado? Oh, eu me esqueci do chá!” Eram tantos pensamentos invadindo minha mente, que nem havia notado a presença de Sunny, muito menos havia ouvido o “bom dia” da Aegyo Queen.
– Oh, Sunny-ah! Bom dia! – Levantei-me para cumprimentá-la com mais educação.
– Posso degustar algumas coisinhas desta mesa, unnie? – Sunny chegou um pouco mais perto de meu corpo, apertando-me conta o seu próprio corpo, com a ajuda de seus braços que encontravam-se envolvidos em minha cintura. O olhar de Sunny estava fixado em minha face, ela sorria de um jeito meigo, fazendo uma expressão cheia de aegyo e piscadelas.
Eu não resisti a tanta fofura, e entrelacei meus braços na cintura dela também, fazendo-a colar um pouco mais em mim.
– É claro que pode, Bunny. Mas deixe um pouco para as outras! – tombei um pouco a cabeça, para que pudesse ter um pouco mais de facilidade para beijar a bochecha da pequena Sunny.
– Obrigada, Taetae! – As mãos bobas de Sunny, agora encontravam-se em minhas nádegas, que eram cruelmente atacadas.
– Sunny-ah! – Não fiquei surpresa, apenas juntei-me a ela, usufruindo do traseiro de Sunny, que era bem macio e apalpável.
O rosto de Sunny viera um pouco mais perto do meu, fazendo com que a respiração da mesma roçasse em meu rosto. Pude sentir o rubor em minhas bochechas que formigavam, não esperava por aquilo.
Os lábios de Sunny encostaram-se nos meus, meus olhos fecharam-se automaticamente, fazendo com que iniciássemos um leve e puro beijo, que não durara muito, pois nossas línguas começaram a se tocar, invadindo a boca uma da outra. Meu coração batia rapidamente e meu corpo todo tremia. Aquele era o meu primeiro beijo, e estava sendo bom.
Sunny cessou o beijo, ofegante. – Eu te amo tanto, TaeYeon-unnie. – A voz saíra abafada, por causa de minha boca, que não descolara da dela.
Eu encontrava-me hipnotizada por ela, completamente gamada:
– Podíamos fazer isso mais vezes. – Era a única coisa que se passava pela minha cabeça “Bis, bis, bis!” enquanto sentia o suor escorrendo pelo meu corpo, que era invadido pelo calor descomunal. Quanto a Stephanie? Se ela não me quer, tem quem queira. Não vou me privar dos prazeres que a vida pode me proporcionar, por alguém que me rejeita.
– Podemos fazer muito mais do que isso, unnie. – Respondera, enquanto deslizava uma de suas mãos para de baixo da minha camisola, puxando uma parte de minha calcinha para o lado.
– Sunny! – Voltei a mim, empurrando-a. – Estamos na cozinha, logo as outras vem ai, não quero me expor. –Sentei-me novamente na cadeira, pegando uma xícara para despejar um pouco de leite. Sunny também se sentou, bem ao meu lado. Ela não parara com as provocações, a baixotinha ficara acariciando e apertando minhas cochas, discretamente.
– Sunny-ah, assim eu não consigo comer, pare. – dei uma tapa de leve na mão dela, mas o estalo fora forte.
– Eu sei que está gostando, unnie. – Ela se aproximou, dando um leve beijo em meu pescoço, fazendo com que todos os meus pelos se arrepiassem.
– Bom dia. – A voz fria e amargurada, fizera com que eu tombasse da cadeira. Realmente, as coisas entre eu e Sunny haviam ido um pouco longe. Eu realmente sinto que estou um pouco fora de mim.
– Bom dia, Fany-ah! – Sunny levantara-se e correra até Stephanie, como se não houvesse acontecido nada entre nós, ela realmente não tinha o mínimo de vergonha.
Sei que estou envergonhada e sentindo-me culpada agora, pois fiz isso por vingança, por revolta. Agora sinto o quão foi errado e me pergunto desde quando Stephanie estava parada, se deparando com a cena.
– Viu a mesa que TaeTae preparou para todas nós? Linda, não é mesmo? – Sunny puxara uma das cadeiras para que a outra pudesse se sentar. Stephanie apenas a ignorou, sentando-se a procura de uma faca, que logo fora achada.
Tentei achar um meio de tirar meu foco de Stephanie, e acabei lembrando-me de SeoHyun. Ela sempre fora a primeira a levantar da cama.
Decidi que deveria ir até lá e fui. Abri a porta do quarto silenciosamente, deparando-me com uma cena triste:
SeoHyun estava nos braços de HyoYeon, aos prantos, enquanto a Dancing Queen tentava insistentemente acalmá-la.
– JooHyun! – HyoYeon a afastou de perto de si, brutalmente. – Pare de chorar e me diga algo construtivo! Eu não posso te ajudar se continuar com esse drama todo! – HyoYeon secará as bochechas de SeoHyun com a ajuda de seu dedão.
– U...Unnie... – SeoHyun parecera tentar com muito esforço acalmar-se. Ela respirara fundo, continuando — Unnie, eu sempre pensei que... Sempre pensei que... – SeoHyun fora interrompida, com um forte tapa em uma de suas macias bochechas.
– Chorar não vai resolver nada, já disse! – HyoYeon aparentava estar furiosa, mas eu não me surpreendia com a atitude dela, sei que ela queria o melhor para SeoHyun.
– Eu sinto muito, unnie... – SeoHyun se levantara, respirando fundo mais uma vez. – Vou lhe contar tudo. – Expirou todo o ar e voltou inspirar. – Eu sempre pensei que ela sentisse o mesmo que eu, sempre pensei que uma hora poderíamos nos declarar uma à outra, mas... – SeoHyun falara firmemente, mas estava tento uma recaída novamente. – Mas ontem ela disse que ama outra pessoa! – Eu quase não entendi o que ela havia dito, pois havia falado extremamente rápido.
Depois que formulei o que ela havia dito, entrei em choque, meu corpo todo começou a tremer e o medo do que eu pensava ser a verdade. Estava me corroendo por inteira.
– De quem você está falando, Hyun? – Eu estava confusa, não sabia se deveria ouvir ou não.
– TaeYeon-unnie. – Minhas pernas desabaram e meus ouvidos não acreditavam no que eu havia acabado de ouvir.
Não sei de onde havia tirado forças, mas levantei-me e sai correndo, direto para meu quarto. Adentrei rapidamente, fechando a porta enquanto deslizava sobre ela.
Dei um breve suspiro tomando coragem para olhar ao redor, quando me deparo com Sunny nua, deitada em minha cama.
Levantei-me rapidamente, arregalando os olhos enquanto me preparava para sair do local:
– SoonKyu, Você está louca! – Eu tremia tanto, que não conseguia mover a maçaneta, nem ao menos virar-me frente a porta.
– Ah, TaeTae, pare... – Sunny viera para cima de mim, cercando-me com suas mãos, que agora se encontravam segurando a porta. – Estamos no nosso quarto, e nunca tivemos a chance de aproveitarmo-nos uma da outra.
– SoonKyu, é sério! – A empurrei sem medir minha força, fazendo-a cair no chão. – Chega! – Gritei. – Me deixa, Sunny. Não consegue ver o quanto estou mal? – Dei as costas para ela, abrindo a porta. – Você é uma egocêntrica, que fique bem claro! – Corri para fora do quarto, dando de cara com Jessica e SooYoung, que fitavam-me seriamente.
– Você anda agindo cruelmente conosco ultimamente – Jessica partira para cima de mim, dando-me um forte tapa em meu rosto, que fizera minha boca sangrar. – Não agüento mais esta situação, Kim TaeYeon! Aja como uma líder e não como uma louca bipolar!
– Jessica, se acalme! – SooYoung tentava segurá-la. Já eu, tentava insistentemente limpar o sangue em minha boca.
– Ninguém esta mais agüentando suas atitudes, TaeYeon. Ninguém!
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