Mirror Of Paradise
1 Capítulo 01: CACOS
Notas iniciais
O amor é algo que você perde, mas guarda para sempre.
Um ruído desconfortante e inquieto me despertara. Estava dormindo tão pesado, que nem os raios de sol em minha face haviam sido capazes de me acordar.
– Meu cofrinho anda aumentando esses dias, unnie. – A voz suave e angelical, fizera com que eu abrisse meus olhos. SeoHyun encontrava-se em pé, frente a mim, balançando seu cofrinho verde em formato de sapo, insistentemente. Com um sorriso fofo, mas ao mesmo tempo sarcástico:
– Hoje não lhe darei um centavo, SeoHyun! – Gritei, levantando-me rapidamente, sem sair da cama, enquanto arremessava meu travesseiro sobre a cabeça de SeoHyun, que acabou derrubando o seu cofrinho pela surpresa.
De imediato, SeoHyun se abaixa, mostrando o seu desespero. Ela fica parada, olhando. Parecia que estava em busca de alguma salvação para o seu cofrinho. Parecia que o reconstruiria com a força de seus pensamentos.
– Hyun, eu... – Saí da cama e fui ajudá-la a recolher os cacos. Estava me sentindo uma pessoa horrível – Eu sinto muito, não era... – Os soluços de SeoHyun fizeram com que eu ficasse sem palavras, estava péssima. – Baby, não chore! – A abracei por trás, entrelaçando meus braços fortemente sobre ela.
– Tudo bem, unnie, eu compro outro. Afinal, tenho muito dinheiro. – A voz dela me tranquilizou, por mais que ela ainda suspirasse e soluçasse, ela parecia estar um pouco melhor.
– O dinheiro que você extorquiu de mim, né? – Baguncei o cabelo dela, enquanto ria.
– Pare, unnie! – SeoHyun se afasta bruscamente, dando um breve gemido segundos depois.
– Ai, Hyun, você não...? – É, ela havia sentando bem em cima de um dos cacos pontudos e perfurantes de seu ex cofrinho.
– Ai, Ai... – A face da angelical SeoHyun, havia se tornado uma face que transmitia dor. Um rosto feio coberto por inúmeras lágrimas que atropelavam umas as outras. O sangue já havia manchado a saia branca de SeoHyun e o carpete do quarto.
– YoonA! YoonA! – Gritei com todo o ar que tinha em meus pulmões, não conseguia me levantar, não conseguia agir. Não queria tirar os olhos de SeoHyun e nem tinha força física o suficiente para levantá-la. Novamente, estava me sentindo mal pelo ocorrido.
– O que houve? – os passos rápidos e pesados de YoonA invadem o quarto.
– Pegue a SeoHyun no colo e a leve ao banheiro. Vou pegar a caixa de primeiros socorros. – Respirei fundo, juntando toda a força que tinha para me levantar. Fui rapidamente em direção a saída do quarto, não olhei mais para trás, pois sabia que se olhasse, correria para perto da inocente SeoHyun.
– Só porque sou forte! – O resmungo de YoonA foi a ultima coisa que ouvi antes de sair.
Esta é minha primeira — feliz e dolorosa — história de amor.
– Pronto! Já estanquei o Sangue, vamos pro carro. – SooYoung limpara o suor de sua testa, enquanto se preparava para ajudar YoonA a carregar SeoHyun até a saída de nosso apartamento. Eu? Eu havia sido uma inútil nesta história toda, uma inútil que ficou apenas observando, enquanto segurava uma caixa cheia de remédios e curativos.
– Ai... Não seria melhor ligarmos para o manager? – Gemia SeoHyun, enquanto era carregada desconfortavelmente.
– Não temos tempo pra isso! Até ele chegar, já deveríamos estar prontas para pegarmos o avião! – É mesmo, SooYoung havia lembrado bem. Hoje partiremos para os Estados unidos, para participar de um programa. SeoHyun não poderia ir deste jeito...
Ultimamente ando muito distraída, e perdendo compromissos. Sempre dormindo demais e atrasando todas do grupo. Não tenho sido uma boa líder, apenas um estorvo.
A causa disso? Stephanie. É ela quem anda atormentando-me em meus sonhos, em meus pensamentos e em meu coração. É um sentimento proibido e imenso. Não consigo mais escondê-lo, lidar com ele e... Ela parece não sentir o mesmo.
– Ei, ajumma, você vem ou não? Não temos todo o tempo do mundo. – Gritou SooYoung, fechando a porta sem ao menos esperar minha resposta.
Dei um longo e profundo suspiro, direcionando-me ao sofá, no qual sentei. O sono ainda estava perturbando-me.
“Devia estar me arrumando, devia estar na cozinha com as outras” Pensei.
– Seororo ficará bem, bobona. – Sunny dava leves e repetitivos socos em meu ombro, enquanto fazia uma voz fina e irritante para os meus ouvidos. – Por que é que não vamos para cozinha preparar algo para comer? A Tiffany fez um bolo de carne horrendo! – Quando ouvi aquele nome, senti meus membros gelarem bruscamente e nem ao menos conseguia piscar meus olhos, que agora encontravam-se arregalados. – Vamos para cozinha logo, unnie! Antes que tenhamos que comer a gororoba da Fany-ah! – Eu não conseguia ouvir, não conseguia responder. Meus ouvidos, sentidos e meus pensamentos estavam presos aquele nome. Meu coração pulava do peito a cada letra pronunciada em minha mente.
– Taetae? Ei! Terra chamando Kim TaeYeon! NHAC! – A mordida em meu braço, fizera com que eu pulasse do sofá:
– Cada brincadeira chata, Soonkyu. – Estava meio bipolar. De triste e culpada, passei para estressada e intolerante.
Andei rapidamente para cozinha, ignorando todos os “Bom dia” e cadeiras arrastando para que eu sentasse em uma delas. Abri o armário, e o observei, estava em busca de alguma bolacha ou cereal para degustar.
– Tudo bem com você, TaeYeon? – Aquela voz... A voz me fizera gelar novamente, me fizera engolir a seco enquanto sentia meu estomago embrulhar e revirar. Fechei as portas do armário com toda a força, fazendo o silencio tomar conta da cozinha.
Olhei para ela, a garota que mexia com os meus sentimentos e com a minha vida. Olhei dentro dos olhos dela e depois olhei para baixo, notando o bolo preto de tão queimado. Logo, voltei a direcionar meu olhar para aquela face que me seduzia e entristecida:
– Por que é que você não vai até o lixo e joga essa porcaria de bolo lá dentro? – O silencio voltou a dominar o cômodo mais cheio do apartamento. Mas foi quebrado rapidamente, por cadeiras sendo arrastadas e passos que vinham em minha direção.
– O que é que deu em você, TaeYeon?! Olhe como fala com a Fany! – Gritou YuRi, segurando meu braço fortemente, enquanto o chacoalhava.
Tiffany correra, deixando o bolo cair no chão. Ela chorava tão alto, que aparentava estar dentro de meus ouvidos.
Jessica e HyoYeon gritavam o nome dela, enquanto corriam até ela. Eu só observara, sentindo raiva e culpa:
– Não me ignore, TaeYeon! – YuRi deu um forte soco em meu braço, fazendo com que eu gemesse inconscientemente.
– Me deixa em paz! – Corri até a geladeira e a abri, fingindo não ter feito nada.
YuRi correrá atrás de mim:
– Você acordou tão tarde, que não dá tempo de comer! Vá tomar um banho! – Ordenou YuRi, aos gritos. Ela fechara a porta com tanta brutalidade e sentimentos negativos, que quase me trancara lá dentro.
O amor é um sentimento aos extremos, cruel: Você é feliz demais e triste demais. Um lado sempre irá sangrar.
Flashes por todos os lados, nem o óculos — escuro foi capaz de amenizar a dor em meus olhos:
“Não vejo à hora de entrar no avião” Pensei. Eu estava cansada, mal-humorada e sem um pingo de vontade de estar onde estava.
Oh, aqueles gritos... Por que é que os fãs não têm o mínimo de respeito? Eu preciso dos meus ouvidos.
A única coisa que me ajudava, era empurrar a cadeira de rodas de SeoHyun, isso me dava a oportunidade de abaixar a cabeça sem ser perseguida por inúmeros comentários.
SeoHyun havia levado sete pontos, não poderia ficar andando por ai, para não se prejudicar. Todos acharam melhor que ela ficasse na coréia repousando, mas ela insistiu em vir, mesmo sabendo quantos comentários isso irá causar.
Poltrona macia, sem ninguém ao meu lado. Deveria aproveitar e dormir, mas a onde foi parar o sono? Esquecer os fones foi um grande feito.
O clima do grupo não era um dos melhores, só SeoHyun não havia notado, pois ninguém contara nada a ela. E nem pretendíamos, ela já estava com problemas o suficiente para um dia.
O pior é saber que todos os problemas foram causados por mim.
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