Mirror Nine Worlds
1 Prólogo
Notas iniciais
Através do espelho, me guiará, e um novo mundo, descobrirá.
Kim
O sinal tocou e esperei todos se levantarem e se matarem para fugir da nossa ''querida'' professora, ela não é tão má, só não é amigável, retirei meus fones e meu MP4 prata da mochila e escolhi uma playlist aleatória, começou a tocar uma música até que estranha, eu falo japonês desde meus cinco anos, as palavras eram conhecidas, mas algumas não pareciam ser japonês, ignorei o fato da letra falar algo sobre um portal entre mundos, e de não ter adicionado ela, me levantei e sai andando pelo corredor com os fones alto o suficiente para ninguém me chamar para conversar, não que viessem, sou solitária, não tenho amigos, nem mesmo alguém que possa chamar de colega,
–Eles te odeiam? – Perguntou minha consciência
–Talvez, mas não me importo – Menti para mim mesma
Recebi mal olhares por onde passava, não pedi para ser temida, mas, gostava um pouco dessa fama, desci as escadas sendo evitada esbarrarem em mim, desci dois andares e fui para a porta, estava chovendo e os alunos se amontoaram para tentar sair sem se molhar, outros voltavam correndo da chuva, quanto medo de água, aos poucos foram saindo com guarda chuvas coloridos, um por um, pares e até trio, fiquei sozinha de novo, abri meu guarda-chuva portátil, e sai andando pelo verde jardim, em passos rápidos mas não exagerados, fui em meio de alunos para casa, quanto mais chegava perto de casa, mais sozinha ficava, mesmo que antes já estava, mudei minha rota e fui para o parque, não importava se chegasse tarde em casa, importava?
Já estava parando de chover, sentei em um balanço molhado e deixei meu guarda-chuva e minha mochila num banco, não me importava em ficar molhada, fiquei olhando para o chão, aproveitei a chuva e deixei minhas lágrimas rolarem, sem perceber que havia chegado um garoto e se sentado no balanço ao meu lado, quando trocamos olhares, nós dois levamos um susto e quase caímos para trás na lama que se formava abaixo de nós, sua pele era negra, vestia um uniforme escolar, acho que é da V.C., também tinha olhos vermelhos, talvez fosse somente impressão, porém, ele tinha os mesmos olhos, esses mesmo olhos meus que pediam por ajuda, ficamos nos olhando por longos minutos, nunca o vi na escola, nos festivais, na rua, na praça nem em lugar algum, mas, apareceu aqui e agora.
–Quem é você? – Perguntei curiosa, o porquê dessa curiosade, não sei, talvez esteja cansada de estar sozinha.
–Chris Heil, e você?
–Kim Tomlinsom.
–Ninguém te disse que te desafiaram?
–Desafio? Como assim? – Arqueei uma sobrancelha indagando-o
–Suas costas
Se levantou e foi para trás de mim, botou sua mão em minhas costas e puxou algo que estava colado no meu casaco, passou para a minha frente e me entregou uma folha com grandes letras escritas em vermelho que estavam borradas, mas ainda legíveis e apontadoras.
–Sorte sua de ninguém te chutar – Riu, fechou a cara e continuou – Sabe quem foi, certo?
–Com toda a certeza, Mary.
–Nem venha ter o trabalho de ameaça-la, eu já preparei algo para ela.
Voltou a se sentar no balanço e o sol já se punha, tornando o céu de verão alaranjado, até rosado, nem parecia que tinha chovido se não fosse as gotas na grama e outras deslizando pelo escorregador, as ruas já se tornavam movimentadas, olhei para o lado para perguntar algo para Chris, e não estava mais ali.
–Mas que diabos?
Me levantei e peguei minha bolsa de baixo do guarda-chuva e fui pisando duro indo para casa, como é que aquele idiota pode aparecer do nada, falar comigo como se eu fosse uma pessoa de muitos amigos e sumir do nada sem nem se despedir, cheguei em casa e não havia ninguém, não era estranho, mas só pra confirmar.
–Alguém?
Ouve um silêncio breve e previsto, se não fosse um gato preto de grandes olhos amarelos que já se esfregava em minha perna ronronando, estava até que seca, tirei meu sapato e o coloquei na mão, o gato foi me seguindo até o quarto e pulou na minha cama, que folgado, joguei minha mochila por cima da cama e meus sapatos junto com outros perto do guarda-roupa, me joguei na cama e fiquei ali, até notar que tinha uma pessoa, no espelho, e que aquele gato possuía um reflexo humano, o mesmo garoto do parque, olhei pro gato, depois pro espelho.
–Por que tanta surpresa? – Perguntou a pessoa dentro do espelho
–Nunca vi alguém dentro do espelho.
–Mas esse espelho não é um espelho, por mais que não pareça, um portal. – Deu algumas gargalhadas e voltou a me fitar sério
–Só digo uma coisa, você é a única mortal desse mundo que pode atravessar qualquer um dos portais que existem nos nossos mundos, e no seu – Foi a vez de Chris, ou o gato falar, e continuou – E digo mais, se algum ser dos nossos mundos passar pelo portal, iriam te achar e matá-la, o seu sangue não é humano, acham que você é uma ameaça para nossa existência.
–Como meu sangue não é humano, eu poderia ser um vampiro, elfa, uma fada ou raças assim?
–Não podemos confirmar nada, somente quem poderá dizer é Enel. – o garoto do espelho falou voltando a relaxar
–Enel? – Indaguei curiosa
–Saberá quando ver – O gato parecia não gostar muito da ideia de visitar esse tal Enel
–Você vem?
–Ir para onde? – Estava mais perdida nessa história toda
–Eu estou no portal de Mārniṅg, então vira para cá – Sorriu
–Irei sim – Sorri também, a quanto tempo não estava feliz assim?
O gato andou até o espelho e o atravessou, literalmente, ouve um brilho intenso e tive que fechar meus olhos, fui em seguida e os dois estenderam a mão, segurei e atravessei, ouve mais um brilho e enquanto a luz se desfazia, me vi em um lugar que provavelmente foi esquecido, paredes brancas acinzentadas com musgos, rachaduras, buracos, cipós e afins, me aparentava ser um castelo que estava em ruinas, ninguém vivia ali a séculos, estávamos rodeados por florestas, se não estivéssemos no topo dessas ruinas, possível que não veríamos uma saída.
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