Mirror

2 Mirror´s Magic


Notas iniciais
Música: Mirror´r Magic (Kagami no Mahou)

Mirror's Magic

— Olá. Eu sou um mágico e sou conhecido como Natsuyoshi ou Natsu.

Essas foram as primeiras palavras que eu falei para você. Utilizando a magia do espelho, eu apareci diante de você e foi naquele dia que tivemos nosso primeiro encontro, nossa primeira conversa, primeira troca de risos... Mas, Tsuna, aquela não foi a primeira vez que eu te vi.

Lembro-me da primeira vez que vi seus cabelos castanhos arrepiados e bem cuidados; seus olhos achocolatados cheios de felicidade e inocência; sua pele clara, sem nenhuma cicatriz. Naquele dia tempestuoso em que um estranho apareceu na torre em que eu era aprisionado, eu não pensei e deixei que minhas emoções contra o mundo me controlassem.

— Quem é o culpado da sua miséria? — o estranho de cabelos brancos perguntou, um sorriso malicioso em seus lábios. — Tente perguntar para o espelho.

Desesperado e cansado, não questionei sua presença, nem como ele fez um espelho velho aparecer em minha frente. Foi nesse dia que eu te vi, cercado de amigos, familiares; sendo amado, adorado e cuidado pelas pessoas em sua volta.

Eu te odiei.

Sim, a primeira vez que te vi o ódio consumiu meu coração. Você tinha tudo que eu não tinha e desejava ter. Desde o início da minha vida fui odiado, temido; e você foi amado, querido. Vendo sua felicidade, eu me deixei cair em um abismo de inveja, ódio e dúvida — Toda minha felicidade tinha sido roubada por aquele garoto?

Tantos sentimentos explodiam em meu peito que nem notei o brilho nos olhos violetas do estranho, muito menos como ele deixou uma risas distorcida escapar de seus lábios.

Eu me arrependo do que fiz — inverter nossos destinos.

Nossa existência é como uma balança: quando um está no alto, o outro está em baixo. E eu, egoísta como sou, inverti essa balança; mudei-a para eu ficar no topo.

Passei a morar em uma torre de um castelo; meu quarto era bem iluminado e confortável. Eu não era mais odiado e vivia cercado de pessoas, sorrindo e me divertindo. Era como se o mundo me amasse.

Nunca parei para pensar no espelho; na sua vida.

Mas em um dia ensolarado, aquele estranho veio ao castelo novamente a meu encontro. Eu tinha acabado de voltar para meu quarto e encontrei ele, sentando na minha cama com o mesmo sorriso malicioso que tinha na primeira vez que eu o vi.

— Quem é o responsável pela sua alegria? — perguntou antes que eu pudesse indagar sobre sua presença. — Tente perguntar para o espelho.

Novamente o espelho apareceu repentinamente em minha frente, mas a imagem refletida não era a mesma de antes. Em vez de ver você sorrindo e se divertindo, você estava sozinho, movimentando-se com dificuldade e com um pequeno sorriso. Lembro-me de ficar surpreso quando vi seu olhos — o castanho quente de suas orbes não brilhavam alegremente, eles estavam opacos e o único brilho presente era o das lágrimas que ameaçavam cair.

— Do outro lado do espelho tudo é o contrário... — murmurei para mim mesmo.

Tentei esquecer o que vi, mas as imagens que eu havia visto no espelho repetiam-se em minha mente; arrependimento começou a me consumir do mesmo modo que a raiva tinha tido um dia.

Eu queria quebrar o objeto. Evitar a verdade e meus pecados passados.

Mas...

Lembrando de seu sorriso e vendo seu choro, eu exitei; meu coração doía.

— Toda vez que você chorou, eu ri?

Se minha felicidade era sua miséria...

— O que eu devo fazer para salvá-lo...? — perguntei para mim mesmo, mas eu já sabia.

O estranho tinha sumido do meu quarto, assim como o espelho. Não liguei, pois sabia que ele voltaria e se não voltasse, caçaria-o.

Como esperado, no dia seguinte, ele estava em meu quarto e o espelho ao seu lado. Seu sorriso, o mesmo de todas as vezes, alargava-se em seu lábios. Ele jogou sua cabeça para o lado, na direção do objeto, e sumiu.

Ignorei-o e sentei em frente ao espelho; você, Tsuna, chegava perto de mim e, com dificuldades, sentou-se. Foi assim que nos conhecemos.

"Garantirei todos seus desejos", pensei quando começamos a conversar.

Devo dizer, Tsuna, aquela semana que passei com você foi a melhor que tive. Mesmo que eu estivesse querendo me redimir e devolver sua felicidade, foi você que me garantiu a maior alegria que já havia sentido. Irônico, não?

Sabia que você foi o primeiro a elogiar meus olhos? Minhas chamas?

Muitos diziam que eu era amaldiçoado; filho do diabo. Mesmo que eu fosse o príncipe, fui trancado em uma torre — era para o bem de todos, meus pais diziam. Nunca tive uma boa infância, quero dizer, antes de roubar tudo que era seu por direito.

Penso: será que você me odiaria se soubesse que fui a causa de sua solidão? ... Acho que não. Você perdoa facilmente e aceita a todos. Seu coração é muito puro, gentil.

Concedi todos os seus desejos?

Agora a magia do espelho acaba e eu tenho que ir. Foi difícil me despedir, mas se eu não fosse estaria roubando novamente sua felicidade e você, mais que todo mundo, merece ser feliz.

... Espero que você possa realizar meu pedido egoísta e não se esquecer de mim.

— Será que você está chorando do outro lado? — perguntei para o espelho a minha frente.

Pequenas lágrimas começaram a se acumular no canto de meus olhos. Manteria o espelho comigo, pois assim teria algo para me lembrar de ti, Tsuna.

Mesmo que eu não possa mais ser feliz em meu mundo, não ligo; lembrar de seus sorrisos é o suficiente para um egoíta como eu.

Mas... Como sou ganâncioso...

"Como seria bom encontrar com você de novo, Tsuna."

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