Mirna - Longe da Alcatéia
2 Capítulo 2 Humano Amigo
Pov Mirna
Talvez não tivesse sido a melhor ideia ter ido embora da alcatéia, talvez se eu pedir com cuidado, o Alpha me deixe voltar. Eu estava com frio, tinha chegado ao mundo da luzes, mas já era noite, tentei o possível para que nenhum daqueles bichos que andavam em duas patas me visse, como foi que chamaram-se...? Humanos! É isso, humanos. Eles eram engraçados, não tinham muitos pelos e andavam cobertos com umas coisas coloridas, acho que ouvi um deles chamar aquilo de roupa.
Enfim, depois de matar minha curiosidade, começou a chover, me aproveitei de ser pequena e me escondi em uma caverna colorida que parecia ser feita de algo parecido com roupa. Estava com frio, mas fiquei pensando nas minhas novas descobertas: Os humanos eram esquisitos, eles não caçavam, eles trocavam umas comidas estranhas por umas folhas que eu nunca vi em nenhuma árvore. Vi dois deles comendo uma coisa que parecia um coração de formato estranho, congelado e preso num tronco pequenininho; também vi outros comendo pedaços de nuvens que eles prenderam em tronquinhos parecidos com os dos corações congelados. Qual será o gosto de uma nuvem? Acabei dormindo, perdida em pensamentos.
Pov Daniel
Tinha saído de casa com raiva, minha mãe era muito doida, 'tava' sempre no meu pé. Era incrível o quanto queria controlar minha vida! Eu passei o dia todos fora, apenas andando por aí, só para ficar longe de casa. Mas começou a chover e a chuva só ficava mais forte, decidi pegar o atalho pelo parque. Eu morava em uma cidade pequena, então o nosso parque nunca saiu, ele sempre foi daqui, diferente de vários lugares maiores. 'Tava' meio que correndo, mas começou a trovejar, então decidi, me proteger em uma cabana, onde pareciam guardar alguns instrumentos de jogos. 'Tava' tudo bem, até eu escutar um barulho, procurei pelo causador e encontrei um lobinho negro... Era tão pequenino, deveria ser um filhote! Sei que era um lobo, mas era tão bonito, não parecia que me faria mal, além de estar tremendo de frio no que parecia ser um sono não confortável. Não achei justo, peguei ele com cuidado em meus braços, ele pareceu gostar do colo, porque se aconchegou manhoso. Ele abriu os olhos devagar e se assustou um pouco, saltou do meu colo e se escondeu no cantinho, encolhido.
Tentei tocá-lo, porém ele grunhia para mim, foi quando notei que era uma loba, sorri e levantei as mãos em sinal de redenção, então esperei que ela se acalmasse, para então abaixar as mãos. Ela ainda tremia e me encarava, devagar, tentei aproximar minhas mãos dela, ela parecia receosa, querendo recuar, todavia, me deixou tocá-la, então acariciei seu pelo. Quando estava mais a vontade comigo, que se aproximou, a peguei em meu colo, a mantendo aquecida e a levando para a minha casa, ela não deveria ficar na chuva.
Chegando em casa, corri para o meu quarto, antes que minha mãe a visse, apenas gritei que havia chegado. Tranquei a porta de meu quarto e a deixei em minha cama, peguei uma toalha e tentei secar seu pelo, sorri ao ver que ela ficou com o pelo todo arrepiado...
Daniel:_ É, lobinha, parece que não seca muito assim — Ri quando ela entortou a cabeça para mim, como se confusa com o que falei - Já sei!
Fui até o quarto da minha mãe e peguei seu secador de cabelo. Voltando ao meu quarto a lobinha estava arranhando a janela, como se tentando sair, como que daquele tamanho podia pular tão alto, quanto deve ter feito para alcançar a janela?! Sorri e a peguei
Daniel:_ Ei, calma, amiguinha. Eu não vou te fazer mal, olha só— Liguei o secador no mínimo e ela se assustou, mas a segurei, ainda não colocando o vento quente nela
Coloquei o vento nas patinhas dela devagar e ela se assustou, mas depois deixou. Deixei ela na cama e coloquei o vento devagar nas patinhas e ela parecia querer pegar o secador, ri e coloquei o vento em sua cabeça, ela tentou se proteger com a patinhas. Ela era adorável! Depois de secá—la, acariciei sua cabeça
Daniel:_ Agora é minha vez de me arrumar, lobinha
Tirei a camisa e fui tomar banho, me troquei, porém, decidi ficar sem camisa, quando entrei no quarto vi a lobinha dormindo tranquila e quentinha na minha cama, sorri. Não iria acordá—la, dormi ao seu lado
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