Mireille Lambert
1 Paris vermelha
Bom, é melhor eu escrever a minha história enquanto eu consigo colocar oxigênio nos meus pulmões ou até eu conseguir me lembrar.
Nasci numa cidade não muito grande na França, mas especificamente em Rouen. Contudo, nasci sem pai, não sei se ele tá vivo ou se morreu, e também pouco me importa saber sobre o mesmo. E eu sou a causa da morte da minha mãe, pelo que me parece, ela já estava com problemas durante a gestação.
Fui morar num orfanato depois disso, e até que estava tranqüila e calma... mas isso não dura para sempre, né?
Certo dia uma das irmãs do orfanato me pediu para fazer as compras para o café, eu já tinha 10 anos. Eu, gentil como sempre, aceitei ir sozinha até o mercado, que ficava a 4 quadras de lá.
Mas quando estava voltando senti que tinha pessoas me seguindo e acelerei o passo, mas nada me ajudou. Dois homens conseguiram me alcançar e me puxaram para um beco, não tive tempo nem de pensar, quem diria de fazer alguma coisa contra eles, mas quando eu percebi já haviam tirado minha roupa e eu estava chorando de dor. Um dos homens ficava olhando atentamente pro meu rosto, não sei o porque, mas ele deu um sinal negativo para o amigo dele. Quando o sofrimento estava acabando o meu cérebro voltou ao lugar, eu consegui pegar a faca que estava no cinto do homem que acabara de me estuprar. Não pensei, somente o perfurei com a lâmina fria da faca, o outro começou a correr, mas por sorte de iniciante consegui acertar a faca na sua nuca quando a joguei.
O que faria? Matei dois homens! Não poderia ir para o orfanato novamente. Coloquei a roupa que tinham tirado de mim e comecei a andar pela cidade não sabendo onde eu poderia ir. Por sorte, ou nem tanto, tinha ido ao mercado e tinha um pouco de comida para me sustentar.
Depois de 1 mês, acabara minha comida e estava sem um lar. Uma noite chuvosa, eu sentada toda encharcada numa loja que estava fechada e ninguém olhava pra minha cara. Até que chegou uma mulher, bonita, com aparência de mais ou menos 20 anos.
“O que faz na chuva, minha jovem?” foi o que ela me perguntou quando me viu, mas nada respondi. Ela ficou me olhando durante um tempo, viu que eu tinha manchas de sangue, mas não mencionou nada. “Se quiser eu tenho um abrigo que você pode ficar. Não precisa ter medo de mim.” Ela esticou o braço, mas não me mexi. “Você quem sabe.” Foi o que disse antes de sair andando com o guarda-chuva aberto erguido sobre sua cabeça. Saí correndo e segurei a sua blusa, ela sorriu e me conduziu até seu carro.
A mulher que aparentava ter 20 anos tinha na verdade 42 anos e treinava uma escola de garotas que aprendiam a lutar, em Paris. Eu era a novata no grupo, e fiquei morando na escola daquela mulher, que se apresentou como Rennee. Morei lá durante 2 anos, mas minha felicidade poderia ser melhor? Sim. Quando comecei a amar a minha colega, Clarissa.
Era bem comum nesse grupo da Rennee ter homosexuais, afinal, era uma escola somente para garotas, não? Eu e Clarissa ficávamos namorando quando não estavam olhando. Ela sempre ficava me dizendo na cama “Você é única Eille. Eu te amo” e me beijava com tamanha intensidade que me deixava pensando que seria assim durante tempo, mas errei.
Um dia, eu e Clarissa estávamos bebendo e eu saí do assento, mas não demorei muito para voltar. Nem percebi que caí no sono quando bebi o que estava tomando anteriormente. Mas quando acordei ouvi barulhos e saí correndo para saber o que estava acontecendo. Para minha surpresa toda a escola estava ensangüentada, havia corpos ou que restavam deles para todos os lados. Mas o que me chocou mais foi ver minha querida professora, Rennee, gritar de agonia enquanto o meu amor terminava de colocar a faca no pescoço da Rennee.
“O que está fazendo?!” consegui gritar isso. “Ora... a organização em que trabalho acha que vocês são uma ameaça... tive que acabar com tudo” seu sorriso no rosto não saia, e o sangue em seu rosto escorria. “M... mas achava que você nos amava! Que amava essa escola e essa professora!” as lágrimas já estavam escorrendo sobre o meu rosto. Ela chegou perto e sussurrou no meu ouvido: “Só por te amar vou te deixar viva.”
Clarissa deu um sorriso, virou de costas e saiu correndo. Comecei a chorar de joelhos. Não acreditava que tinha matado todas essas pessoas que a acolheu. Fui até a Rennee e sentei do lado dela. “Eu te juro, vou matar aquela que tirou sua vida”. Desde então estou procurando a vadia da Clarissa.
E tenho a vida inteira para achá-la. Mesmo porque... já passei 6 anos prucurando-na...
Mireille Lambert
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