Minkis Mackenzie

Estávamos no terceiro dia de investigação, e eu estava totalmente nervosa. Eu queria achar o suspeito e tentar acabar com a fome o mais rápido possível, mas não sabia se seria tão fácil como pensava.

Nós, os investigadores, resolvemos ver onde os pinguins suspeitos estavam no horário do roubo, pois se nós interrogássemos todos apenas para saber receber uma resposta e conferir, demoraria muito, então resolvemos fazer tudo de uma vez.

Demorou um pouco, mas conseguimos encontrar todos os pinguins em algum local, e isso foi preocupante. Todos estavam em um local que não era o cofre, e então, o que poderíamos fazer? Naquele momento, parecia que a nossa única opção era rever as filmagens de todos os locais da ilha e procurar mais pinguins agindo de forma estranha, para tentarmos encontrar o culpado. E ainda por cima, ter a gravação do cofre, se ela não tivesse sido cortada, facilitaria a investigação.

Estávamos sentados, olhando para um ponto fixo em busca de concentração, para tentarmos encontrar alguma maneira de encontrar novos suspeitos, já que olhar as gravações demoraria muito e tomaria muito tempo da nossa investigação.

Vai, Minkinha! Você precisa ter uma ideia, você foi a única que ainda não teve uma ideia importante para o rumo da investigação, você precisa ter importância! Comecei a bater minha nadadeira contra o chão, fazendo um barulho ecoar pela sala inteira. Eu estava nervosa, minha nadadeira batia rapidamente contra o carpete, era preciso ter uma ideia!

E parecia que meu pedido foi atendido! Enquanto olhava para o carpete, consegui ter uma ideia, por conta disso, bati com força contra o chão, chamando a atenção dos outros três investigadores, que me olharam assustados.

— Já sei! E se na verdade, foi outro pinguim que entrou no cofre?

Eles me olharam confusos, porém, o único a me questionar foi Marcus:

— Como? O resultado do exame deu positivo para o fio de cabelo de Yury.

— Sim, eu sei. Mas e se algum pinguim próximo dele, sendo amigo ou apenas um conhecido tenha levado o fio de cabelo dele para tentar incriminá-lo?

Os investigadores levantaram as sobrancelhas, em sinal de espanto. Tinha certeza que eles não haviam pensado nessa possibilidade. Bella deu um sorriso, dizendo:

— Boa, Minkis!

Dessa vez, eu que sorri. Estava orgulhosa de mim mesma, havia tido uma ideia importante para a investigação! Me sentia muito bem comigo, não estava me sentindo inútil para aquilo, meu coração deu uma acalmada, mas o pensamento de tentar salvar a ilha o mais rápido não saia de mim, ele continuava na minha mente, grifado com marca-texto florescente e com algumas setas em vermelho, como se estivesse dizendo “ei, não se esqueça!”.

Nos levantamos do carpete para iniciar a busca de pinguins próximos a Yury. Não foi difícil, pois pelo jeito, o pinguim tinha poucos amigos. Com a nossa lista feita, era apenas encontrar os novos suspeitos nas filmagens, e o que não fosse encontrado, provavelmente seria o culpado.

O único pinguim não encontrado em nenhuma filmagem, em nenhum lugar da ilha, era uma pinguim de cabelos cor-de-rosa. Seu nome era Athena, Athena Spenson.

Estava focada em tentar rastrear a suspeita, encontrar o seu iglu. Juan estava ao meu lado, me auxiliando, e Marcus estava em uma outra tela, porém, menor, o que facilitava um pouco.

Sinto uma nadadeira no meu ombro, era Bella. Ela me dá um sorriso, me entregando um copo de café, que gentil! Sorrio, agradecendo.

Bebi um pouco do café, e ofereci um pouco da bebida para o pinguim ao meu lado, que negou. Dei de ombros, continuando a beber o líquido. Escutei um grito de Marcus, e virei minha cabeça em sua direção, percebendo que todos presentes na sala estavam olhando para ele.

— Achei! Ela está na Praia!

Coloquei meu copo de café em cima de uma mesa que estava próxima de mim e ajeitei meu casaco. Saí correndo da sala, juntamente com os outros investigadores. No meio do caminho, avisamos agentes, que começaram a nos acompanhar. Era possível escutar os mesmos avisando outros agentes por meio de walkie talkies. Quando estávamos na Estação de Esqui, corremos até a Praia por meio de um dos caminhos, e encontramos a pinguim de costas, olhando para a barreira de gelo que cercava a ilha.

Pela quantidade de pinguins correndo, a suspeita conseguiu ouvir o barulho dos passos, e quando virou em nossa direção, um dos agentes gritou:

— Parada! Nos acompanhe, agora!

A pinguim arregalou, correndo em direção a Montanha, pelo outro caminho. Não paramos de correr por um segundo, era a nossa chance! Era necessário prender aquela pinguim.

Quando chegamos no topo da Montanha, encontramos a suspeita pronta para pular. Um dos agentes correu até ela e a segurou, antes de puder se jogar. Ele a segurava pelas nadadeiras, com o auxilio de outros dois agentes.

— Você é Athena Spenson, certo?

A pinguim respondeu, enquanto tentava balançar suas nadadeiras para frente e para trás. Dava para perceber, ela estava muito ansiosa.

— É... Sim.

Bella deu um passo, ficando na frente da pinguim.

— Athena, você terá que ser apreendida. Você é suspeita no crime do sumiço dos alimentos.

— O-o quê? Quê?

A pinguim estava muito nervosa, e com medo da mesma passar mal, pedi para que se acalmasse.

— Sim, já roubei. Mas faz tempo, e porque estava pobre. Isso foi há dois meses, mas não precisei mais roubar, minha situação financeira melhorou quando conheci um pinguim loiro.

Athena olhou para Juan, arregalando os olhos. Ela se assustou? Não, acho que ela o reconheceu de algum lugar. Dessa vez, foi Juan que fez uma pergunta:

— De que local você roubou?

— Eu roubei vegetais em um jardim na montanha.

Juan me olhou assustado, com os olhos assustados. Estava quase perguntando o motivo dele estar desse jeito, mas arregalei meus olhos quando entendi. Ela era a pinguim que Greeny transformou em pedra!

— Você se lembra de algo que ocorreu naquela manhã?

— Eu lembro de não conseguir me mexer, foi estranho! Mais tudo se resolveu quando uma mulher de cabelos grisalhos me ajudou, acho que ela disse algo relacionado a um feitiço. Ela tocou no meu rosto e então eu voltei a vida... Não sei se essa é a palavra.

Assenti com a cabeça, chamando os outros investigadores com minha nadadeira, formando uma roda.

— Acho melhor irmos no iglu dela, acho difícil encontrarmos algo, porém, é melhor ter certeza.

Os pinguins assentiram, respirei fundo, precisava estar pronta para procurar coisas que sejam estranhas no iglu da suspeita.

Marcus pediu o endereço da pinguim, e a mesma respondeu dizendo que morava no Ancoradouro. Começamos a seguir Athena, que ainda era segurada por agentes.

Não estava com muita esperança, não achava que iria ter algo realmente importante naquela residência. Mas eu precisava acreditar, era a nossa chance de fazer a investigação subir de nível!