Miranda: Starve
13 Ghost, Where'd You Go?
Thay Scott
Bem... Eu sou um fantasma.
É bem estranho ser um fantasma. Eu queria saber como era a “vida após a morte”, e agora estou vivendo ela.
Não vou dizer que é legal, mas não é tão chato. É um tanto quanto... Solitário? Não consigo mais falar com meus amigos, familiares, animais... Se bem que eu nunca consegui falar com eles, mas enfim. Não consigo tocar nas coisas, parece que um simples palito de fósforo é tão pesado quanto uma bigorna. O lado “bom”, é que eu consigo fazer coisas que eu sempre quis! Por exemplo: atravessar paredes! Lembro-me de quando tinha cinco anos e tentei fazer isso, mas acabei com um galo na testa.
Ás vezes quando estou sem nada para fazer, vou entrando nas casas para assistir televisão ou ver os pinguins jogando videogame. Não, isso não é invasão de privacidade, já que eu sou um fantasma!
De vez em quando acabo presenciando cenas um tanto quanto... Inadequadas? Sim, já me deparei com pinguins namorando ou assistindo... Ah, deu para entender!
O pior de tudo é que, os espíritos que eu encontro nas casas, — pois obviamente não sou a única que ronda a vizinhança —, ficam admirando os pinguins tomando banho, ou até mesmo assistindo os “filmes” junto com eles!
Acho que essas foram as piores coisas que eu já vi na vida de morta.
Bom, certo dia eu entrei em uma mansão que aparentava ser abandonada. Eu não sei o porquê, mas sentia alguma coisa quando entrei nela. Será que eu já passei por aqui quando estava viva? Ou agora que estou morta pertenço a ela?
Comecei a passear, sem medo algum, pois se eu encontrasse algum fantasma, saberia que o mesmo não poderia fazer algo de ruim para mim, a não ser que ele fosse algum espírito ruim.
Lá era um lugar bem elegante. Tinham vários quadros bem bonitos. Eles deviam ser dos pinguins que moraram aqui antigamente, certo?
Comecei a andar e parei em frente do quadro de alguém chamado “Jin Scott”. Ele tinha um coque frouxo e alguns fios soltos. Seu cabelo era grisalho. Ele segurava uma espécie de bastão com um tipo de cristal na ponta.
Olhei para a imagem, para o nome, para a imagem, para o nome. Quem será aquele homem? Enquanto tinha essa dúvida, vi que o quadro se mexeu e, sorriu.
Não sei o que foi aquilo, mas saí correndo. Fiquei assustada, afinal, não é todo o dia que um quadro se mexe.
Subi as escadas, encontrei várias portas, que não sei se estavam trancadas, afinal, consigo atravessa-las. Lá havia quartos, escritórios, salas com lareiras e etc. Era algo bem bonito e antigo, não deve ser uma construção desse século.
Desci as escadas e comecei a mexer nas coisas, sem muito sucesso, pois não consigo tocar em nada. No meio da sala, havia um grande espelho no meio da parede. Ele estava empoeirado, algo que afirmava mais ainda minha ideia de que lá era algo antigo e abandonado. Tentei passar minha nadadeira para limpá-lo, mas só consegui o atravessar.
Sentei no chão e comecei a pensar. Era muito solitário. Gostaria de poder me comunicar com meus amigos novamente. Eles eram os únicos que eu tinha. Eles eram minha vida.
Meus pensamentos foram interrompidos assim que ouvi alguém abrindo a imensa porta de madeira que dava entrada à mansão. Aquele barulho me causava arrepios nas penas, era iguais aquelas portas de filmes de terror. Levantei-me e fui verificar se era algum pinguim vivo, pois se fosse fantasma, não conseguiria abrir, certo?
Saí do espelho e não acreditei em quem vi. Greeny? Era ele mesmo? Meu amigo de tanto tempo, eu fiquei muito feliz em vê-lo. Não sei se conseguiria me comunicar com ele, mas comecei a chamá-lo.
— Greeny! Greeny! Sou eu, a Thay! Você consegue me escutar? — comecei a gritar, com esperança de ser ouvida.
— O quê? Quem é? Pare de gracinhas! — ele respondia. Provavelmente não acreditara em minhas palavras.
— Greeny Wicked! Sou eu! Por favor, acredite em mim! — parei em frente dele, que não me via. Eu queria poder abraça-lo, mas eu não conseguia. Ele também não acreditava! E agora, o que eu podia fazer?
Ele me escutava, mas não acreditava que era eu. O pinguim deu meia volta e foi embora.
Meu coração, — se é que eu tinha um —, devia estar batendo muito rápido. Apesar de nos encontrarmos sempre no meu túmulo, nunca tentei falar com ele.
Saí da mansão e fui seguir minha “vida” novamente: Entrei nas casas das pessoas, assisti TV com elas, atravessava paredes... Coisas assim, totalmente tediosas.
Fui para meu iglu de quando estava viva. Tudo continuava em seu devido lugar. Na porta, havia algumas flores. Acho que deixaram lá depois do ocorrido. Deitei em minha cama e dormi. Sim, fantasmas tem sono.
No dia seguinte, acordei e fiz tudo de novo, sem nenhuma mudança. Eu já estava cansada, queria subir ao céu e fazer algo de útil, sem ser invadir as casas dos pinguins. Nem os assustar eu conseguia, afinal, sendo novata no mundo dos mortos, eu não tinha muitas funções.
Chegou à noite. Eu pensei em voltar na mansão, para investigar, ou ficar sozinha mesmo.
Chegando lá, vi que a porta estava entreaberta. Entrei e andei um pouco, percebendo que Greeny estava lá, em frente a um quadro. O nome dela era “Glaucea”. Ele estava colocando uma coroa, mas logo tirou, colocando-a em seu devido lugar. Sem hesitar, eu disse:
— Por que tirou? Ficou legal! — ele ouviu e colocou seu chapéu novamente, logo formando uma bola de fogo com suas nadadeiras.
— Calma! Eu não quis te assustar, Greeny!
— Quem é você? — ele perguntou. Estava muito assustado.
— Bom... Como eu posso explicar... É uma situação meio delicada... — comecei a rir, mas era de nervoso. Finalmente ele me escutou! — Não precisa ter medo de mim, eu sou sua amiga!
— Como eu posso acreditar em você? — perguntou, apagando a bola de fogo.
Pedi para que ele se aproximasse de um crucifixo que estava na parede. Ele parecia assustado e nervoso. Ele se aproximou e viu que, embaixo da cruz havia uma mesa com um pergaminho. Ele tentou tocar, mas acabou levanto um choque. Dói, eu também tentei tocar.
— Eu também tentei tocar aí. O que você acha que é?
— Tem um feitiço de proteção aí, por isso não conseguimos tocar... Mas, quem é você? De verdade.
— Não acredito que você não se lembra mais de mim! Nos encontramos todos os dias no cemitério, xuxu. — disse, soltando um sorriso, e ele finalmente percebeu quem eu era.
— Thay... — ele disse em meio de soluços, por causa do choro.
Fale com o autor