Miranda: Midwinter
21 Sweaters And Wool
Thay Scott
Quando Greeny abriu a caixa, ele arregalou os olhos, depois olhou para mim e para Minkis:
— O que tem aí? — Perguntei preocupada. A bruxa fechou a caixa ainda com expressão de choque e disse:
— Nada, otárias!
— Vamos fazer outra poção. — continuou. Eu e Minkis reviramos os olhos e rimos.
— Ok... Vamos ver o que fizemos de errado. — disse Minkis.
Minkis começou a analisar os ingredientes e ler algumas coisas num livro de magia.
— Acho que colocamos coisas demais. Aqui no livro diz que essas substâncias em excesso podem causar inconsciência no pinguim, podendo até matar... – disse Minkis apontando para uma frase no livro que segurava que parecia muito pesado.
Colocamos alguns ingredientes e substâncias num frasco e misturamos, depois colocamos dentro da pedra de ônix do colar de Greeny, então depois nós, ou melhor, o pinguim mais velho usou a varinha mágica para compactar tudo. No caso eu só fui dando os ingredientes para eles, pois não sei mexer com essas coisas.
— Está pronto! — disse Greeny. — Agora, vamos testar. Thay! — ele disse apontando para mim.
— Ah, ok. — eu disse indo para frente dele.
— Ok, pense em meu jardim. — Disse a bruxa.
Greeny lançou a esfera em mim. Na hora, estava com os olhos abertos e pude ver a névoa em volta de mim. Mas fiquei com medo de algo entrar em meus olhos, então fechei os mesmos.
Após alguns segundos, senti a terra confortável do jardim de Greeny e abri meus olhos.
— Funcionou, funcionou! – disse Minkis alegre. — Você está bem? – perguntou.
— Estou sim! — respondi.
— Ok, agora que deu tudo certo, vamos fazer mais esferas. Venham. — disse Greeny, voltando para dentro do iglu.
Sentamos em algumas almofadas verdes que estavam no chão, em frente a uma mesa de madeira.
Greeny usou sua magia para multiplicar as pedras de ônix. Minkis enchia as pedras com Cream Soda e eu colocava o pó, depois passava para Greeny fazer o feitiço com sua varinha e assim continuava.
Depois um longo tempo, fizemos muitas esferas e resolvemos parar.
— Eu tive uma ideia... — disse Greeny pensativo.
— Que ideia? —perguntou Minkis.
— Que tal manipularmos o tempo, para dificultar os encapuzados? — Respondeu a bruxa.
— Hm, gostei. — Eu disse.
— Ok, mas antes disso, que tal fazer algo divertido? — Sugeriu Minkis. Faz tempo que não ouço a palavra diversão. — Vamos costurar alguns suéteres?
— É uma boa! — disse Greeny se levantando. — Tenho coisas para costurar aqui, já volto! — continuou, indo em direção a uma porta.
Alguns minutos depois, Greeny voltou com vários novelos de lã e algumas sacolas.
— Meu Deus, quanta coisa! — eu disse, me levantando para ajudá-lo.
— O necessário — ele disse sorrindo.
Nas sacolas, tinham o material de costura. A lã, agulhas, botões e tudo que se via no mundo da costura.
Começamos a costurar. Conversamos, rimos e tomamos chocolate quente que Minkis preparou. Por mais que, estávamos em uma situação difícil, não podíamos desanimar.
Terminamos de tricotar após algum tempo. Minkis tricotou um suéter vermelho com um puffle azul na frente, provavelmente era sua puffle, a Companheira, e um cachecol roxo. Greeny tricotou um suéter verde com várias flores vermelhas bordadas, e um cachecol preto. Eu tricotei um suéter roxo com um coração vermelho na frente, e um cachecol amarelo. Aproveitamos e tricotamos um suéter para Juan, para dar de presente. O suéter era da cor laranja com várias estrelas amarelas na frente. Todos nós já estávamos vestidos e com toucas e luvas.
Depois de nos arrumarmos, saímos para o jardim de Greeny. Minkis levou um livro de bruxaria na meteorologia ou em inglês, como eles disseram, Witchcraft in Weather.
— Ok, vou começar a ler o texto. — disse Minkis, abrindo o livro.
“[...] pegue algo que simbolize a tempestade que deseja formar, em seguida use um feitiço de junção no objeto e depois aponte ao céu em movimentos circulares no sentido horário [...]”
— Ok, só entendi a parte de pegar a neve do chão e toca-la com a varinha. — Eu disse e Greeny e Minkis soltaram uma pequena risada.
— Thay, pegue um pouco de neve e Greeny, você sabe o que fazer. — disse Minkis.
— Ok. — eu e Greeny respondemos
Fizemos o pedido. Peguei um pouco de neve e Greeny apontou a varinha 3 vezes na pequena bola que eu formei sem perceber, logo em seguida, disse algumas palavras estranhas e então apontou pro céu.
A varinha soltou um raio verde, em direção ao céu, que logo foi tomado por diversas nuvens verdes.
Uma nevasca muito forte começou no oeste, e estávamos no norte. Enquanto a nevasca perversa não chegava, Greeny fez um feitiço de proteção para seu jardim não ser destruído pela neve. Quando a nevasca finalmente chegou, corremos para dentro do iglu.
Fomos tomar um banho. Nos arrumamos com nossos suéteres e nossas botas.
Depois, pegamos algumas comidas e enlatados que tinham na dispensa de Greeny. Após arrumarmos tudo isso, fomos em direção da porta e a abrimos lentamente. A nevasca estava muito forte. Fechamos a porta e fomos dormir.
Arrumamos algumas almofadas, juntamos dois sofás que Greeny tinha e dormimos lá. Por mais que Greeny tinha sua cama, resolveu dormir na sala com Minkis e comigo.
Eu estava com um pouco de medo de dormir por conta da nevasca. Mesmo que eu tenha sido uma das causadoras dela.
Fiquei tentando dormir, mas não conseguia, até que comecei a ter lembranças...
***
Há 6 anos.
— Você é tipo... Uma super-heroína! — disse Jully, enquanto mordia seu sanduíche. — Já sei! Super-Thay! Super-Vidente!
— Meu Deus, Jully! Não é para tanto. Eu só... — eu disse rindo, quando fui cortada.
— Você só salvou nossa vida! — completou Jenny.
— Parem de tratá-la como se ela fosse uma deusa. Ela só deve ter visto o carro vindo à frente e avisou para pararem. — disse Ursula, impaciente.
A mesa ficou em silêncio, que foi cortado pelo sinal, indicando o término do recreio.
Já na sala de aula, a professora de história passou um trabalho em dupla. Porém, ela que iria escolher as duplas.
— Thay dupla com... Ursula. — disse a professora, tirando mais um papelzinho de uma caixa.
Olhei para a menina que, imediatamente revirou os olhos. Acho que ela não gostou muito do resultado.
Ursula. Uma menina que era como as outras. Tinha suas amizades, e me odiava. Motivo? Não sei. Mas me odiava.
A professora explicou o tema da tarefa e, pediu para que as duplas se juntassem.
Ursula veio até minha mesa com sua cadeira, e começamos a fazer a tarefa, sem trocarmos nenhuma palavra. Até que ela quebra o silêncio.
— Vou ao banheiro. — ela se levantou, indo em direção à professora, e logo saiu.
Eu confesso que, sempre achei ela estranha. Eu nunca me sentia bem perto dela.
E realmente. Não era para se sentir.
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