Minkis Mackenzie

O dia amanheceu nublado, como o anterior. Hoje iria ser o evento beneficente da Cadence. Ir a ele era um de nossos planos, porém, estávamos completamente cansados e cheios de compromissos, afinal, passamos horas decorando a casa.

Greeny estava me chamando para o café da manhã. Levantei-me, coloquei minhas pantufas e fui em direção à cozinha do iglu.

A cozinha tinha alguns móveis azuis claros e outros brancos, alguns até rosa pastel que em minha opinião, eram muito bonitos. Greeny estava no fogão fazendo panquecas com uma receita antiga que transcende gerações dos pinguins da sua família, Thay estava na sala, assistindo ao jornal da manhã da Tia Arctic, acho que se chamava Club Penguin News. Lina estava preparando a mesa e Juan fazendo o café.

Após alguns minutos, sendo mais exata, três e meio, Greeny colocou as panquecas nos cinco pratos presentes na mesa e Juan colocou café para todos em suas respectivas xícaras. Eu, Lina e Thay fomos para a cozinha no mesmo instante em que Juan terminou de colocar o líquido dentro dos objetos, sentando nas cadeiras brancas com detalhes dourados.

Sem dúvidas, as panquecas de Greeny eram as melhores! Principalmente com a calda de chocolate e o leve toque de nozes. Todos estavam apreciando o gosto delas, e Thay foi a primeira a se pronunciar naquela manhã:

— Santo Sensei, Greeny! Essas panquecas estão maravilhosas!

E claro, após o comentário da pinguim mais nova entre nós, não demorou para os outros começarem a elogiar o delicioso prato, e claro, eu elogiei. No final, Greeny sempre respondia um “Obrigado” e levava suas nadadeiras á suas maçãs do rosto, tentando esconder o quanto estava corado, mas claro, eu sabia que ele estava orgulhoso do sabor de suas panquecas.

Após a sessão de elogios, Juan perguntou á nós se havíamos dormido bem, e todos nós respondemos positivamente, e quando iríamos mudar de assunto, Juan fala:

— Ah, que bom! É porque eu tive um sonho tão estranho...

Fiquei completamente curiosa, e imagino que o restante também tenha ficado, pois após Juan terminar de falar, Lina disse:

— Conta como foi! PC Gamer

Juan deu um gole no café e começou a dizer:

— Eu não me lembro de tudo, só lembro-me de algo ocorrer na ilha, mas não lembro os detalhes, como por exemplo, como ocorreu e em qual lugar...

Parece que Juan estava mentindo, como se não quisesse contar o que havia sonhado, porém, apenas deixei esse pensamento de lado. Se fosse algo realmente grave, sem dúvidas eu saberia que ele contaria para nós.

Após terminarmos a refeição, Thay e eu lavamos a louça em silêncio. Por algum motivo, senti que os outros também estavam pensando que Juan mentiu para nós, mas resolvi ignorar meus pensamentos novamente, não é bom desconfiar.

Fomos para a sala do grande iglu e ouvimos a campainha tocar, Lina e Thay se animaram imediatamente, enquanto os outros, ou seja, eu, Greeny e Juan, ficamos confusos. A mais nova foi até a porta e encontrou um pinguim, não consegui classificar muito bem a sua roupa, porém era similar a uma vestimenta de acampamento. Lina foi a porta, ajudando Thay a carregar algo embrulhado.

Quando as duas entraram no iglu, eu fiquei surpresa assim como os outros dois pinguins.

Elas carregam um pinheiro de tamanho médio, aquele que foram procurar no dia anterior, enquanto o nós estávamos decorando o iglu, mas infelizmente não conseguiram achar e provavelmente recorreram á algum outro pinguim mais disposto a enfrentar o frio extremo das montanhas, afinal lá era o lugar com os melhores pinheiros.

O primeiro a se manifestar foi Greeny, que bateu palmas, algo que ele sempre faz quando está animado. O pinheiro era lindo, eu imagino que elas pediram para escolher o mais bonito entre todos os outros.

Juan correu para uma sala, que se não me engano era um armário, e voltou com uma caixa cheia de objetos de decoração que provavelmente sobraram depois de decorarmos tudo ontem. As duas pinguins colocam o pinheiro no canto da sala, ao lado do sofá de coloração vermelha que se localiza perto da televisão e após soltarem a árvore foram "atacadas" por Juan e Greeny, que estavam com enfeites nas nadadeiras.

Eu e as outras duas pinguins pegamos alguns enfeites e corremos em direção a árvore. Passamos alguns minutos indo e voltando com adornos em nossas nadadeiras, até que apenas sobrou a grande estrela. Todos olharam para mim, e eu fiquei confusa. Greeny apontou para a estrela, fazendo um gesto com a cabeça, como se estivesse querendo dizer: “Sua vez.”.

Peguei a estrela, e fui em direção à árvore. Juan pegou um pequeno banquinho de madeira azul pastel e o colocou na frente da planta, fazendo todos rirem. Subo no banco e estico minha nadadeira, colocando-a em cima no topo. Desci do objeto de madeira, e todos vão ao meu lado, olhando a árvore decorada, e agora, com uma estrela brilhante em cima dela.

Após isso, ficamos completamente cansados, menos Greeny que foi em direção à cozinha preparar cinco chocolates quentes para nós. Sentamo-nos no tapete que havia na sala e ligamos a televisão colocando no canal da Tia Arctic.

Greeny vai em nossa direção com uma bandeja com cinco canecas de chocolate quente e marshmallows, todos pegam com luvas de borracha, afinal, ninguém iria querer queimar suas nadadeiras. Eu estava bebendo minha bebida calmamente, algumas vezes queimando meu bico, mas faz parte, é como uma regra das bebidas quentes. De súbito comecei a brincar com a barra do meu suéter, que era vermelho com uma pizza tricotada, eu adoro pizza.

Enquanto escuto Tia Arctic apresentar as reportagens, uma em especial me chama atenção. Ela fala sobre o evento beneficente de Cadence, que até então nós havíamos esquecido.

Já estava tarde, provavelmente o evento já estava no final. E mesmo morando em um iglu perto do Centro, a neve não iria colaborar, e caso fossemos, iríamos chegar tarde demais, e no máximo os únicos pinguins presentes estariam limpando o local.

Todos nós demos um suspiro de desanimo, estava estampado em nossos rostos que queríamos muito ir, mas quem sabe ano que vem nós não vamos em outro evento parecido? Nossos chocolates quentes já haviam acabado, menos de Thay, que havia esfriado; deixamos nossas canecas na bandeja em que Greeny trouxe. Lina pegou o controle remoto que estava no sofá atrás de nós e desligou a televisão. O silêncio tomou conta do iglu, todos estavam pensando em algo, e no meu caso, estava observando os piscas-piscas que eu e Greeny penduramos na noite passada, tão brilhantes e coloridos, assim como nossa relação.

O silêncio então foi quebrado, mas não por nenhum de nós, foi por gritos, gritos estes vindos de fora do iglu. Todos se levantaram imediatamente, indo em direção a grande janela do iglu.

A janela dava visão do Centro, afinal, estávamos em um iglu perto do local citado anteriormente. Não dava para ter uma visão muito boa, por conta do frio, então Juan pegou a manga de seu suéter e passou no vidro, limpando a janela.

Quando Juan tirou sua nadadeira do vidro nos dando visão do que está ocorrendo no Centro de Club Penguin, minha única reação foi colocar minha nadadeira no meu bico, escondendo a minha boca biqueaberta, e aparentemente não fui a única a fazer isso.

Todos nós esperávamos que os dias que passaríamos naquele iglu seriam perfeitos e mágicos, um dia melhor que o outro, mas assim que colocamos os olhos no Centro do Club Penguin naquela noite, eu tive certeza absoluta que nossos dias iriam mudar drasticamente e não era para melhor...