Greeny Wicked

Horas haviam passado depois de conseguirmos provar a inocência de Minkis, menos um problema para a nossa lista. Marcus e Thay haviam ido embora para seus iglus para aguardarmos a chegada do e-mail com o plano do Delegado, teria sido mais fácil ele ter mandado uma mensagem ou ligado.

Quando o sol caiu, na hora mais mágica, o crepúsculo, eu recebi a notificação em meu e-mail, era do Delegado.

Vesti um sobretudo florido, uma blusa preta, uma calça verde-escuro, um chapéu preto com uma faixa verde kelly e um coturno preto de cano médio, depois segue meu caminho para a delegacia. Com medo do assassino me identificar eu coloquei óculos de lente verde pastel e andei de cabeça baixa até chegar ao meu destino que parecia maior a cada passo.

Logo que cheguei ouvi as vozes de Minkis, Thay e Marcus, como eles haviam chegado tão rápido? Pensei.

— Greeny Wickedness! Você está atrasado! — Berrou o Delegado.

— Wicked. Me desculpe, Oficial Bruce, eu vim assim que recebi seu e-mail. — Respondi tirando meus óculos e em seguida dando um sorriso perverso.

— Entrem na cela logo! Daqui a pouco as duas mulheres estranhas devem chegar! — Ele disse.

Minutos depois as duas bruxas chegam, Gerda também estava de óculos escuros, assim como sua única “irmã” viva, Greta.

Nos trancamos nas celas conforme o plano, os policiais deixam o posto que estávamos e vão procurar pelo assassino pela ilha, ele não deveria estar muito longe.

Todos estavam em silêncio, provavelmente nervosos, e se o plano falhasse e o assassino nos matasse ali mesmo? Péssimo! Eu nem deveria pensar nessas coisas.

— Ah! É tão bom estar com meu filho amado e os amigos estranhos dele... — Sussurrou Gerda.

— Não finja ser minha mãe, mulher. Você nunca se importou comigo. — Eu resmunguei revirando os olhos e cruzando as nadadeiras.

— Querido... Você precisa entender, eu estava presa! Não tinha como eu te contatar... Enfim, isso não importa mais. O que importa é esse assassino e esse plano ridículo, vocês realmente acham que isso vai dar certo? — Ela respondeu com escárnio.

— Pelo menos estão tentando fazer algo, diferente de você que só reclama de tudo e fica tentando arrastar o meu Greeny para seus atos nefastos! — Exclamou Marcus com raiva. Ele tinha coragem de confrontá-la dessa forma, mais coragem ainda de dizer que eu pertenço a ele.

— Oh! Você deve ser o namorado do meu filho! Patético. — Ela respondeu debochando de Marc.

— Você não tem o direito de chamar ele de patético, Sra. Wicked! — Gritou Minkis. Eu percebi que ela estava ficando impaciente e parecia que Thay estava no mesmo caminho.

— Porque você se acha tão superior assim? É ridículo, quem é você mesmo? — Disse Thay.

— Vocês são crianças muito corajosas, debochando da líder do coven mais poderoso que já existiu... Mas eu aprecio isso. Coragem! — Ela respondeu rindo. Aquela mulher era insana.

— Podemos só falar do assassino? Isso ainda arrepia minhas penas, ele conseguiu matar três das nossas bruxas mais poderosas... A quarta com certeza é a mais fraca e incrédula! — Riu Greta. Eu tinha acabado de a conhecer, mas eu já detestava sua voz irritante.

— É sério, a gente precisa pensar em algo para acabar com o assassino aqui e agora. — Gerda disse parando de rir.

— Parece que aprendeu a falar sério agora, mamãe! — Debochei.

— Eu sempre falei sério, querido, principalmente quando pedi para entrar pro...

— Chega disso, Gerda, eu já te disse, eu não quero!

Minkis se levantou da cama da cela e gritou para que parássemos. Ela fez o certo, ou se não eu iria ficar louco e insano como aquela que dizia ser minha mãe.

— Nós podemos nos esconder, enquanto um fica aqui para distrair o assassino, quando ele menos esperar, nós o atacamos com tudo. — Gerda disse. Parece que era primeira vez que eu via preocupação em seu tom de voz, mas ao mesmo tempo muita calma e paciência. Isso me assustava, porque eu me via muito nela, nela, aquela que me deixou na neve para a morte.

— O plano é bom, eu fico aqui para distrair o assassino. — Eu respondi.

— De forma alguma você vai ficar aqui para morrer? Você tá brincando, Greeny Wicked? — Indagou Marcus assustado.

— Eu não tenho culpa se chamo mais atenção. — Eu disse, fazendo todos darem uma risada rápida.

Começamos a executar o plano, todos saíram da cela e se espalharam pela delegacia, apenas eu fiquei trancando. Deitei-me na cama fingindo estar dormindo, mas eu ficava com medo de fechar os olhos, imagine se o assassino aparecesse na minha frente me apunhalando com uma adaga?

Quando finalmente tive segurança de fechar os olhos a porta se abriu, eu escutei até um raio cair, pois naquele dia estava chovendo bastante.

Minhas penas se arrepiaram, eu senti um calafrio das nadadeiras a cabeça e um frio na barriga. Eu estava tremendo levemente, com muito medo de dar tudo errado. Comecei a ter vários flashbacks dos meus amigos, Minkis, Thay... Marcus... E Juan. Eu estava com medo de ter perdido aquele idiota para sempre... Pensar nisso me assustava.

Mas de repente, a porta que havia se fechado se abriu de novo, parecia que o assassino havia saído. Aquele barulho serviu para me libertar de meus pensamentos aleatórios. Confuso, me levantei, e os outros também exclamando que o plano havia dado errado, porque o assassino percebeu que haviam pinguins escondidos. Nos reunimos no centro da sala quando de súbito uma poeira negra surge do chão atrás de Greta. Era ele, o assassino, e ele tinha as mesmas capsulas que Dylan tinha há um ano. Ele colocou suas nadadeiras no pescoço de Greta e pegou um canivete ameaçando matar a velha bruxa:

— Passem as varinhas mágicas, ou essa desgraçada morre! — Ele disse com uma voz grossa. Eu estava com as nadadeiras bambas, eu poderia desmaiar a qualquer momento. Olhei para os olhos azulados e semelhantes aos meus de Gerda, ela fez o mesmo.

Nós não tínhamos nossas varinhas ali agora, mas um plano se formou em nossas cabeça. Juntar as forças e atacar.

Juntar.

Eu e ela, juntos pela primeira vez, com um objetivo em comum: fazer o bem.

Nós damos nossas nadadeiras e com um movimento rápido arremessamos uma fenda de energia nele, mas não surtiu efeito. A poção “anti-bruxa” era muito poderosa, talvez só o coven completo poderia rompê-la.

Antes que pudéssemos gritar por misericórdia, ele passou o canivete no pescoço da pinguim que instantaneamente caiu no chão.

Corremos para socorrê-la, tentamos usar nossa magia com um feitiço de cura para poder fechar o corte, mas era profundo demais.

— Junte o coven, traga Mira... — Disse Greta antes de fechar seus olhos e então finalmente cair no sono da morte.

O assassino já havia desaparecido com as mesmas esferas, logo ele teria todas as bruxas mortas, inclusive eu.

Marcus ligou para o Delegado em seu número pessoal, contando os acontecimentos. Logo várias viaturas chegaram, consegui contar sete.

***

— Eu disse para aguardarem na cela enquanto caçávamos esse assassino. Vocês desobedeceram e agora temos mais uma vítima. Isso está longe de acabar! — Gritou o Delegado.

— Na verdade... Só faltam duas vítimas para isso chegar ao fim... — Eu disse bastante temeroso.

— Ah! E quem são? Como você sabe disso, sr. Wickedness? — Zombou.

— É Wicked. Eu e Gerda somos as próximas vítimas, nós somos bruxas, e ele só matou bruxas até agora. Ele é o Inquisidor. — Respondi.

A situação tomou proporções maiores, provavelmente havia outras bruxas na ilha, elas poderiam ser descobertas e caçadas pelo Inquisidor. As coisas estavam começando a ficar sombrias, se bruxas em excesso era ruim, bruxas mortas em excesso é pior ainda. O Delegado pegou o telefone e discou um número rapidamente:

— Diretoria, nós vamos precisar da EPF.