Miranda: Coven
20 The Wicked Witch's Agreement
Minkis Mackenzie
Após receber a ligação de Greeny, me vesti rapidamente, coloquei uma calça e um moletom, mas claro, nunca sem meus tênis e comecei a andar em direção ao iglu do pinguim. Estava com pressa, mas não queria chegar na casa da bruxa com falta de ar igual Thay, afinal, ele morava em uma montanha!
Quando cheguei no iglu, bati na porta e imediatamente Greeny me recebe. Me sento no sofá, ao lado de Marcus, aguardando Thay chegar. Não demorou muito para a pinguim chegar, e fiquei surpresa, pois ela não estava com falta de ar. Já que Thay tem mania de subir a montanha correndo, mas, ela deve ter aprendido a não subir correndo, já que sempre recebe sermões meus e de Greeny, às vezes até de Marc.
Os outros dois pinguins se sentaram no sofá, e o dono do iglu começa a falar:
— Vocês perceberam que o céu está diferente, né?
Sim, estava óbvio! Qualquer um conseguiria perceber.
— Sim!
E então, o pinguim continuou:
— Eu liguei para vocês com o objetivo de discutir sobre isso. E além disso, sobre um feixe de luz que apareceu do nada.
Feixe de luz? Qual? Não me lembro de ter visto nada do gênero, e com esses meus pensamentos, fiz uma expressão confusa.
Discutimos muito e tentamos criar muitas teorias, mas no final, sempre havia um furo nelas, não fazendo sentido com o resto da teoria.
No meio de mais uma de nossas teorias, Thay fez uma pergunta:
— Em que dia estamos?
E essa pergunta travou minha mente. Com tudo isso ocorrendo, nunca parei para pensar nisso.
Todos nós olhamos em direção ao calendário, que ficava ao lado da porta. Ficamos um tempo procurando a data correta, até nossos olhos paralisarem ao ver o número “31”. Era 31 de outubro, Halloween!
Antes de conseguir juntar as peças do quebra cabeça, conseguimos escutar fortes rajadas de vento e risadas. Corremos em direção ao quintal do iglu, e quando pisamos na neve, avistamos seis vassouras voadoras com seis bruxas. Ou seja, o culto da mãe de Greeny.
Parecia cena de filme. As bruxas estavam sob as vassouras e ao fundo, o céu estava totalmente vermelho, a coloração estava tão forte que parecia sangue, e ao invés do sol presente, a lua que estava. Ela estava tão brilhante!
Estava assustada, afinal, até ontem, eu pensava que todas estavam mortas, mas não! Elas estavam ali, na minha frente. E com um destaque especial a Gerda, que estava com tranças e uma maquiagem preta e verde pesada no rosto, na sua cabeça, estava um chapéu pontudo daqueles característicos de bruxas, e o manto que vestia era diferente, era lindo e assustador. Preto de veludo com vários símbolos em um tom de preto mais claro, se eu não tivesse estudado bastante matemática eu não saberia que os símbolos de seu manto se tratavam do número 7. Também havia seda verde no capuz, era brilhante e muito liso, ela usava um broche de uma lua minguante com estrelas, e usava luvas com pelos um cinto dourado com arabescos e joias verdes.
Ela tira um objeto de seu bolso, e o nervosismo toma conta de mim. O que poderia ser? A cena do assassino tirando uma arma do bolso retornou em minha mente, como um flashback. A bruxa tirou a varinha de Greeny do seu bolso, a mesma varinha que me fez acordar quando estava quase morrendo, em dezembro do ano passado. A mesma varinha que me salvou da morte.
A pinguim andou em direção ao filho e entrega a varinha, imediatamente a bruxa mais nova pega. Gerda dá um pequeno sorriso, e ainda na frente de Greeny, pergunta:
— Meu filho... Eu sabia que esse dia chegaria, esse dia 31, o dia das bruxas, mas esse em especifico foi o que eu mais aguardei. Sua mãe precisa de você mais do que nunca, você viu o que o Inquisidor fez, mas graças a mim e a minhas irmãs nós voltamos no momento em que o veneno teve efeito. Oh! Tantas emoções naquele dia... Mas enfim, aquilo é passado e o presente é mais importante. Em nome de minha mãe, aquela que me criou, e o criou também, que criou todos esses idiotas... Eu te pergunto pela última vez: você quer entrar pro SWM?
Se a situação atual não fosse tão tensa, provavelmente iria revirar meus olhos. Ela não se cansa de perguntar isso? Santo Sensei! Tantas palavras sem sentido para chegar naquilo. Mas por algum motivo, meu coração estava batendo rapidamente, e o meu sangue estava correndo pelas minhas veias, nervosa pela resposta do pinguim.
— Sim, mãe.
Eu estava chocada, eu não acreditava. Minha expressão mostrava o quão chocada estava. Eu esperava que ele estivesse brincando, largasse a varinha no chão e começasse a rir de Gerda, mas não, ele não havia feito nada do tipo. Minhas nadadeiras começaram a tremer de nervosismo, lágrimas que queriam sair dos meus olhos estavam ameaçando cair, mas eu as segurava. Estava parada olhando em direção às duas bruxas.
Uma das bruxas do coven entregou uma vassoura para Gerda, e a mesma repassou para o pinguim, que subiu no objeto imediatamente. Todas as bruxas começaram a rir, menos Greeny, que parecia estar sem expressão. Os olhos estavam vidrados em um ponto fixo. O coven voou em direção à montanha mais alta de todas, sumindo da minha visão.
Entramos no iglu, ainda chocados pela cena recente. Sentamos no sofá, ninguém falou com ninguém, todos estavam presos em seus próprios pensamentos. Com motivos, a cena recente claramente deixaria todos abalados.
Estava difícil entender tudo que ocorreu. As bruxas voltaram, Greeny aceitou entrar para o culto e algum feitiço estava sendo lançado, obviamente. Será que o pinguim aceitou porque simplesmente queria? Eram muitas perguntas e questões em minha cabeça, e infelizmente, nenhuma com uma resposta comprovada.
Levantei minha cabeça lentamente, olhando em direção aos dois pinguins e disse:
— Vamos subir a montanha.
Marcus ficou surpreso inicialmente, mas logo concordou. Já Thay, não teve nenhuma expressão, apenas assentiu com a cabeça.
Onde poderíamos encontrar objetos para subir a montanha? Quem sabe no armário?
Andei em direção ao objeto e abri. Tinha algumas coisas, e na quantidade exata, três. Agora, era só pegar algumas roupas, como por exemplo, toucas.
Entrei no quarto de Greeny juntamente a Marcus, o pinguim abriu o guarda-roupa do dono do iglu e pegou três toucas e três cachecóis. Fechando o móvel em seguida.
Quando retornamos à sala, entregamos as peças de roupa a Thay e nos vestimos. Pegamos os objetos para subir a montanha e abrimos a porta do iglu.
Estava com medo do que poderia encontrar no topo da montanha, mas ao mesmo tempo curiosa. Ainda não acreditava que Greeny havia aceito entrar para o culto, espero que tudo isso seja uma brincadeira do pinguim, ou que ele foi forçado a isso, algo relacionado. Thay estava cabisbaixa, não falava nada, o que estava me incomodando, parecia que a pinguim estava escondendo algo de todos nós, o que criava mais uma preocupação dentro de mim.
Respirei fundo, era agora! Mesmo com vários sentimentos dentro de mim, precisava esquecê-los e enfrentar meus medos, enfrentar todos os obstáculos que aparecessem para conseguir salvar meu amigo. Ele não podia sucumbir a escuridão, não agora, nem nunca.
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