Mirai No Kiseki

1 Capítulo Único - Densetsu no Hon


Notas iniciais
Bom, essa história foi baseada em um sonho louco que tive com Tadahiko, mas o sonho em questão foi tão detalhado e real que decidi aproveitá-lo para criar uma oneshot sobre ele... espero que gostem, e boa leitura =D


Era um dia quente de verão, e os Guardiões de Seiyo estavam aproveitando suas merecidas férias em um hotel perto da praia. Enquanto Rima estava deitada em uma cadeira de praia debaixo de um guarda-sol com óculos-escuros grandes demais para seu pequeno rosto, Yaya fazia castelos de areia, e Amu nadava no mar, Nagihiko e Tadase preferiram passear por uma espécie de pequeno museu que havia no hotel onde estavam hospedados. Depois de passar por inúmeras dificuldades, de todos os tipos e tamanhos que se possam imaginar, os dois enfim conseguiram perceber e expor os sentimentos que nutriam um pelo outro há anos, e estavam namorando já havia algum tempo, porém, de vez em quando ainda passavam por algumas dificuldades. Como quando algum desconhecido os flagrava juntos e debochava, ou outras pessoas davam em cima de Nagi, sem saber que ele já era comprometido, por exemplo, mas, ainda assim, eles se esforçavam para não permitir que esses problemas interferissem em seu relacionamento, que era a coisa mais preciosa que os dois tinham. No museu em que estavam agora, eles observavam atrás de uma grossa vidraçaria, um livro extremamente antigo, porém muito bem conservado que, segundo a placa diante dele, se tratava de um livro mágico lendário, capaz de realizar qualquer desejo de quem o possuísse.


– Sugoi... será que esse livro realmente funciona, Fujisaki-kun? — Tadase indagou, com as mãos e o nariz quase colados contra o vidro, observando atentamente o suposto livro lendário
– Não sei... isso é meio estranho, parece até uma lâmpada mágica ou coisa parecida — o maior comentou, olhando meio duvidoso para o livro — Mas, mesmo que funcione, eu não preciso dele — ele acrescentou, e Tadase se virou para ele, surpreso — Mesmo que os supostos poderes desse livro lendário sejam verdadeiros, eu não preciso deles. Porque eu já tenho tudo o que eu quero. Já tenho você ao meu lado, Hotori-kun... isso é mais do que o suficiente para me fazer feliz
– F-Fujisaki-kun... — Tadase o encarou, entre emocionado e surpreso, sentindo seu rosto esquentar, e fez um gesto hesitante com a mão, como se desejasse segurar a mão do maior entre a sua, mas desistisse no meio do caminho. Mesmo que estivesse namorando Nagihiko já há algum tempo, ainda tinha dificuldades em tomar iniciativas, mesmo que fossem tão singelas quanto essa. Bem, pelo menos enquanto o Valete era "Nagihiko". Quando ele se tornava "Nadeshiko", já era outra história.


Felizmente, o Valete percebeu o que o loiro pretendia fazer, e sorriu, esticando o braço para segurar a mão dele. No entanto, antes que a alcançasse, duas garotas, aparentemente surgidas do nada, apareceram por trás dele, uma se pendurando em seu pescoço por trás, e a outra segurando seu braço, que ele estendia para segurar a mão de Tadase. A que estava pendurada no pescoço dele exclamou:


– Waaahhhh~ minha nossa, você é tão bonito! Deve ser o garoto mais bonito que já vi na vida!!
– Verdade, verdade! — a amiga dela concordou — Nossa, você tem um rosto tão delicado e uma pele tão suave... tem certeza de que é um garoto?
– Não seja boba, é claro que ele é! Meus olhos jamais se enganariam com uma coisa dessas! — a garota pendurada no pescoço dele exclamou
– Nee, nee, você não quer sair desse museu chato e vir passear com a gente? Garanto que vai se divertir muito mais conosco do que aqui! — a segunda menina exclamou
– Ahn... d-desculpem, garotas, mas eu estou ocupado agora... — Nagihiko murmurou, tentando pensar em um jeito de se livrar daquelas garotas sem ser rude com elas
– Ah, não importa, pode ser depois! — uma delas exclamou
– Nee, talvez o seu amigo queira vir junto, ele é bonitinho também... — a segunda acrescentou, reparando em Tadase
– Não, eu não quero ir com vocês! E nem o Fujisaki-kun, soltem ele agora! — Tadase exclamou antes que pudesse se controlar, seu sangue fervilhando de raiva e de ciúme
– Nossa, que estressado, não precisa gritar! — uma das meninas exclamou de jeito manhoso — Se não quer vir, não precisa, nós podemos muito bem dividir o seu amigo bonitinho aqui...
– Lamento, mas eu não posso e nem quero ir com vocês. Eu já sou comprometido, então desistam, e por favor me deixem em paz — Nagihiko enfim conseguiu se desvencilhar delas e se afastou, colocando-se ao lado do loiro
– Comprometido? — a primeira garota repetiu — N-Não me diga que vocês dois...?!
– Ahhh droga, por que os garotos mais bonitos são sempre assim?! Não é justo! — a segunda exclamou, e finalmente pareceu desistir de Nagi, indo embora junto com a amiga, ainda reclamando do azar que tinham. Quando desapareceram na curva de um correr, Nagihiko murmurou sem jeito
– Sinto muito, Hotori-kun... por você ter que ver essas coisas...
– Quer dizer que isso também acontece quando eu não estou com você, não é? — o loiro indagou, de cabeça baixa, de modo que a franja lhe cobrisse os olhos — Que diferença faz se eu estou ou não ao seu lado, isso sempre acontece com você, não é?
– — B-Bem, às vezes... mas, vira e mexe, as garotas sempre dão em cima de você também, não é? — Nagi lembrou — Você tem até um monte de fãs...
– Você também tem fãs — o menor interrompeu — Não apenas meninas... quando você era a Fujisaki-san, um monte de garotos também admiravam você e te paqueravam, não era? Mesmo agora... quando você tem alguma apresentação de dança e precisa voltar a ser a Fujisaki-san, isso sempre acontece! Tanto os garotos quanto as garotas... todo mundo vive dando em cima de você, porque você é bonito, refinado, inteligente e atlético... você é praticamente perfeito, não tem nenhum defeito. O que aquelas garotas falaram é verdade... você é o garoto mais bonito que já conheci. E até mesmo como menina... você é uma perfeita dama, delicada e graciosa, não possui uma única má qualidade. Às vezes parece que você é... simplesmente bom demais pra mim
– Hotori-kun, não diga isso! — Nagihiko exasperou-se — Não importa quantas pessoas me admirem, você é a única pessoa com quem eu me importo, porque é você que eu amo, e você sabe disso!!
– Talvez agora, mas será que vai ser sempre assim? Existem várias garotas melhores do que eu por aí à fora... e você tem que admitir que seria muito menos complicado você escolher alguma garota do que ficar com um rapaz medroso e volúvel como eu
– Não diga besteiras, Hotori-kun...
– Ou, quem sabe, algum outro rapaz? — Tadase interrompeu novamente — Existem garotos com qualidades muito superiores às minhas, que não sei fazer nada sozinho, sou pequeno e fraco...
– Isso não importa, Hotori-kun, é você quem eu...
– Ah, já chega! Estou farto de namorar alguém com dupla-identidade tão popular e perfeito como você!! — Tadase gritou, perdendo o controle de vez. Ele deu meia-volta e saiu correndo pelo corredor, desaparecendo de vista.



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Naquela noite, Tadase não havia escapulido para o quarto em que Nagihiko estava hospedado no hotel, como das outras vezes. Os dois não se falaram pelo resto do dia, e o Valete estava se perguntando se deveria ir até o quarto do Rei para ver se ele já estava mais calmo e tentar conversar com ele, porém, antes que o fizesse, ouviu uma batida de leve na porta de seu quarto e em seguida ela se abriu, e Tadase adentrou timidamente o cômodo iluminado apenas pela luz do luar que entrava pela janela.


– Hotori-kun! — Nagi exclamou, surpreso em vê-lo, sentando-se na cama — Eu... pensei que não te veria mais hoje...
– Achei que era melhor... nós conversamos direito — Tadase murmurou, parecendo estar mais calmo, ainda parado timidamente ao lado da porta — Está escuro aqui...
– Ah, sim... eu estava pensando em dormir mais cedo, mas... não consegui dormir. Não com você daquele jeito... — Nagi murmurou sem graça — Você... ainda está zangado comigo?
– Um pouco... quero dizer, eu sei que não é culpa sua essas coisas acontecerem, mas... é que eu não aguento ver isso! Saber que tanta gente está de olho em você... eu fico com medo... de te perder
– Você não vai me perder, Hotori-kun — Nagi levantou-se, caminhando na direção dele — Eu pertenço somente à você. Meus dois lados te pertencem, e você sabe disso. Então, por favor, não me deixe te perder também... — ele ergueu a mão hesitante e acariciou de leve uma das bochechas do menor
– Fujisaki... kun... — o loiro murmurou, deixando-se levar pelo toque e finalmente erguendo os olhos para encarar os orbes dourados dele
– Nee... pra compensar o que aconteceu hoje... que tal eu virar a Nadeshiko pra você essa noite? — o Valete sugeriu, pensando em alguma forma de fazer logo as pazes com ele
– Eh? T-Tem certeza? — o loiro exclamou, surpreso, já que Nagi andava um tanto relutante à isso ultimamente, e só voltava a ser Nadeshiko quando tinha alguma apresentação de dança, o que não estava acontecendo no momento
– É um pouco embaraçoso, mas... se isso for fazer você me perdoar, eu farei isso por você — Nagihiko respondeu, sorrindo sem jeito, e afastando a mão do rosto dele. Caminhou até a cômoda do quarto, abriu uma gaveta, e de lá tirou uma fita vermelha de cetim que usou para prender os cabelos em um rabo-de-cavalo no alto da cabeça. Quando virou-se de volta para Tadase, sua voz saiu incrivelmente mais doce e feminina — Ou será que... você também está zangado comigo, Hotori-kun? — a falsa garota o encarou, sorrindo sem jeito
– Fujisaki... san — Tadase murmurou, ainda um tanto aparvalhado com a mudança repentina de identidade da pessoa diante dele. Não conseguiu deixar de conter um pequeno sorriso, e acrescentou — Não... não estou zangado com você.


Ele caminhou até a Ex-Rainha e pousou a mão no rosto dela, enquanto Nadeshiko torcia um pouco as mãos, parecendo estar entre nervosa e ansiosa. Aproximou lentamente seu rosto do dela, selando seus lábios nos da falsa garota. Nadeshiko ofegou, surpresa por ele tomar uma iniciativa tão rápido, mas não o deteve. Aquilo era embaraçoso, e um tanto frustrante para seu outro lado, mas, desde que servisse para que Tadase perdoasse seus dois lados, ela não se importava. Sentiu o loiro apoiar as mãos em seus ombros e deixou-se guiar por ele, até que, quando percebeu, ambos estavam sentados na cama. Tadase havia descido uma das mãos até a cintura dela, enquanto a abraçava pelas costas com a outra. Ouvia a Ex-Rainha deixar escapar ruídos ocasionais enquanto ele aprofundava o beijo e a tocava, mas uma vozinha incômoda em sua cabeça não o permitia se concentrar totalmente no que estava fazendo agora. Uma voz insistente e desagradável que continuava sussurrando em sua mente a preocupação que ele passara o dia todo tentando esquecer desde que encontraram aquelas garotas no museu. Sabia que, tanto Nagihiko quanto Nadeshiko, tinham vários fãs aonde quer que fosse, e que muitos deles provavelmente eram melhores do que Tadase. O loiro ainda temia que acabasse perdendo sua pessoa mais preciosa para alguma dessas pessoas... e, como tanto Nagihiko quanto Nadeshiko eram populares, tanto com homens quanto com mulheres, isso só fazia os problemas e as preocupações do Rei dobrarem de tamanho. E se Nagihiko acabasse se cansando de ter que cuidar e proteger ele algum dia, e decidisse trocá-lo por alguém mais seguro de si e menos mimado? Tadase não conseguiria aguentar isso... sem falar no fato de que seus problemas só aumentavam por causa da dupla-identidade de Nagihiko. Realmente, por mais que amasse os dois lados daquela pessoa e quisesse ficar ao lado dela, ainda não conseguia fazer isso. Ele encerrou o beijo subitamente e se colocou de pé, soltando a falsa menina, sem conseguir nem mesmo encará-la.


– Eh? Hotori... kun? — Nadeshiko murmurou após alguns segundos que levou para repor o ar em seus pulmões
– Gomen — o loiro murmurou com a franja cobrindo seus olhos — Gomen nee, Fujisaki-san... eu sei que não é culpa sua, nem do Fujisaki-kun, mas... eu ainda não consigo esquecer o que aconteceu essa manhã!! — ele exclamou, saindo correndo do quarto.


Tadase correu sem rumo pelo hotel por vários minutos, apenas com aqueles pensamentos horríveis girando em sua cabeça, sem conseguir esquecê-los, por mais que quisesse. Quando finalmente perdeu o fôlego e parou de correr, percebeu que encontrava-se no museu onde tinha ido com Nagihiko esta manhã. Quando olhou para os lados para se situar melhor, deparou-se com o livro lendário supostamente capaz de realizar qualquer desejo bem diante dele. E se aquilo fosse verdade? E se realmente todos os seus desejos pudessem ser realizados apenas escrevendo-os naquele livro? Talvez isso afastasse todas as suas preocupações e permitisse que ele vivesse em paz com Nagihiko de uma vez por todas... e não havia mais ninguém ali agora, era uma chance perfeita, ele não poderia deixar de tentar.


Sem pensar no que estava fazendo, ele empurrou com as duas mãos a caixa de vidro dentro da qual o livro se encontrava e jogou-a no chão. Ela quebrou mais fácil do que Tadase esperava, espalhando cacos de vidro para todo lado. Pegou o livro com cuidado, tanto por ele ser bem antigo quanto para não se cortar com os cacos de vidro em volta e, com a outra mão, segurou a caneta-pena dourada que estava ao lado dele. Abriu o livro e viu que, nas primeiras páginas haviam vários desejos diferentes de outras muitas pessoas que o usaram antes dele, com várias caligrafias em idiomas diferentes, mas Tadase não parou para lê-los, nem para se perguntar se os desejos daquelas pessoas tinham se tornado realidade. Ao invés disso, folheou o livro, até que encontrou uma página em branco, quase na metade. E com a caneta-pena, escreveu lá seu desejo:


"Quero que o Fujisaki-kun seja somente meu. Quero que ele pare de atrair a atenção de outras pessoas, que ele pare de ter uma dupla-identidade que só causa problemas e sofrimentos. Não quero que mais ninguém olhe pra ele, e que ele pertença somente à mim".


Assim que Tadase parou de escrever e afastou a caneta-pena do livro, foi envolvido por uma fortíssima luz dourada, mais intensa do que qualquer Chara Nari que ele já tenha visto, vinda diretamente do livro. Ele começou a se sentir sonolento de repente e, antes que percebesse, desmaiou ali mesmo, com a cabeça apoiada nas palavras recém-escritas.


Enquanto isso, Nagihiko, que voltara à sua forma masculina assim que se recuperou do choque da fuga repentina do loiro, corria pelos corredores vazios do hotel à procura de Tadase, até que, quando chegou ao museu que visitara com ele esta manhã, deparou-se apenas com o livro aberto, envolto por cacos de vidro e a caneta-pena ao seu lado. Ele se aproximou lentamente, com cuidado para não se cortar, até que reconheceu a caligrafia do Rei e leu o desejo dele escrito no livro. Sem dúvida alguma aquela era a letra de Tadase, mas não havia o menor sinal do loiro por perto.


– Hotori-kun... o que você fez...?!



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Quando Tadase abriu os olhos, não reconheceu o lugar onde se encontrava. Não estava mais no hotel, nem no museu onde desmaiou, e nem mesmo na praia onde tinha ido passar as férias com os amigos e o namorado. Ao invés disso, estava no meio de uma rua desconhecida e deserta. Levantou-se e começou a caminhar lentamente, tentando reconhecer alguma coisa ali, mas nada lhe parecia estar no lugar certo. Pelo contrário, tudo parecia diferente da normalidade. As casas e os prédios haviam mudado drasticamente, e em sua maioria estavam destruídas, parcialmente demolidas, ou com as portas e janelas trancadas com tábuas de madeira. Quando chegou ao que parecia ser uma antiga estação de trem, que, pelo seu estado atual, estava fora de funcionamento há anos, encontrou um banco e sentou para descansar e tentar organizar os pensamentos. Colocou os braços ao redor do corpo, tentando espantar o repentino frio que parecia fazer ali, mesmo sendo verão. Enquanto tentava se aquecer, pensava em tudo o que tinha acontecido. A briga com Nagihiko por causa de duas desconhecidas cujos nomes ele nem sabia, a tentativa de reconciliação com Nadeshiko, e depois uma nova briga. Quando escreveu seu desejo no misterioso livro lendário que realizava desejos, só estava na verdade tentando espantar um pouco de sua frustração e preocupação com aquele ato bobo e desesperado, mas, pelo jeito, havia funcionado. Só que aquilo ainda não explicava como havia ido parar naquele lugar cujo nome ele nem sabia, e aonde tinha ido parar Nagihiko. Ficou tanto tempo perdido nesses pensamentos que demorou para perceber as vozes chamando por ele.


– Garoto!, Ei, você aí, loirinho! Estamos falando com você!
– Hã? O que?


Quando ergueu os olhos vermelhos na direção da voz que o chamava, deparou-se com três garotos maiores, mais velhos, e consideravelmente mais feios que ele. Os três usavam calças surradas e rasgadas em alguns pontos, e blusas com desenhos e símbolos estranhos que Tadase não conhecia, como se fossem de uma nova marca ou algum tipo de moda que ele desconhecia, mas também pareciam ser bem velhas.


– Finalmente resolveu nos dar atenção, baixinho! — um deles exclamou
– Etto... o que vocês querem...? — Tadase indagou, por algum motivo com um mal pressentimento
– Ótimo, direto ao ponto, gostei disso! — o do meio sorriu, só que de um jeito maldoso — Anda, passa toda a grana que você tem, moleque!
– O que?!
– Você é surdo por acaso? — o da ponta da direita indagou irritado, aproximando a cara séria e feia do rosto dele — Estamos te roubando, nanico.


Quando Tadase entendeu a situação em que se encontrava e pensou em tentar fugir, o garoto da ponta esquerda o segurou pelo braço enquanto o rapaz do meio enfiava a mão gorducha nos bolsos da calça dele à procura de alguma coisa para roubar. Tadase desesperou-se ainda mais, e tentou se desvencilhar, mas o garoto do meio segurou seu outro braço com a mão livre, aparentemente muito acostumado a fazer isso. O loiro entrou cada vez mais em pânico, tentando desesperadamente se lembrar de como costumava se livrar de situações como essa. E, quando se lembrou, sentiu uma dor amarga no peito. É mesmo... não era a primeira vez que passava por algo assim e, sempre que acontecia, era Nagihiko quem o salvava. Mas Nagihiko não estava mais com ele. Eles tinham terminado o namoro... e por culpa do próprio Tadase. Ele ficou tão desolado ao se dar conta disso que até desistiu de tentar resistir, quando foi acordado de seus pensamentos pungentes pelo grito do garoto da esquerda:


– O que?! Mas que raio de dinheiro esquisito é esse?!
– Tem certeza de que isso é dinheiro mesmo?? — o da outra ponta indagou, olhando melhor as notas de dinheiro na mão do colega
– Acho que sim, mas é bem antigo — o do meio falou — Acho que esse tipo de grana foi recolhida na época do meu avô... ou será que era na do meu bisavô? Ah, não lembro, mas é bem velho
– Essa porcaria de dinheiro velho não nos serve pra nada, seu pirralho inútil!! — o garoto da esquerda gritou, segurando Tadase pelo colarinho da camisa
– Se o dinheiro que ele tem não serve pra vocês, então deixem o pobre menino em paz — uma voz mais grave e severa falou, e quando os quatro viraram os rostos na direção da voz, viram um homem idoso, com roupas bem mais velhas e surradas do que a dos delinquentes, andando na direção deles
– Tsc... é aquele velhote de novo — o garoto da direita reclamou
– Bem, aqui é a área dos mendigos velhotes afinal — o do meio lembrou — Andem, o garoto não tem nada que preste mesmo, vamos embora de uma vez — ele saiu andando na frente, e o garoto da esquerda finalmente soltou Tadase e jogou o dinheiro que ele considerava antigo na cara do menor com violência. Os dois garotos seguiram o do meio alguns segundos depois, ainda reclamando sobre o fato de sua vítima não ter nada de útil para roubarem
– Etto... o-obrigado, senhor — Tadase murmurou ainda meio atordoado depois que os garotos foram embora, voltando a guardar seu dinheiro no bolso da calça
– Aqui é uma área bem perigosa para um menino novo como você andar sozinho. Precisa tomar mais cuidado, ou vir acompanhado da próxima vez que vier aqui — o homem aconselhou, sentando-se no banco ao lado de Tadase
– Eu percebi, mas... parece que tudo por aqui se tornou perigoso de repente — Tadase comentou, ainda nervoso e atordoado
– Bem, isso é verdade... não há um lugar aonde se vá que não seja perigoso nos dias de hoje — o idoso concordou — Mas não foi "de repente". O mundo em si se tornou muito mais perigoso e violento depois da Quarta Guerra Mundial há alguns séculos atrás
– Quarta Guerra? — Tadase repetiu, se perguntando se tinha ouvido direito. Como assim Quarta Guerra Mundial?! Ele não se lembrava de ter estudado nem a Terceira! — Etto... q-quando foi que isso aconteceu mesmo?
– Ah, eu não sei dizer exatamente, é difícil gente pobre e sem dinheiro ter algum estudo nos dias de hoje... mas já tem bastante tempo — o homem respondeu, e quando notou os olhos arregalados de Tadase ainda encarando-o com incredulidade, acrescentou — Você parece meio desatualizado, menino. Andou usando alguma Máquina do Tempo por acidente, por acaso?
– Err... talvez... — Tadase murmurou, pensando agora que aquele tal livro não realizava desejos coisa nenhuma, mas transportava pessoas para lugares estranhos ao invés disso — Em que ano estamos mesmo?
– 3013.


A boca do garoto se abriu em um perfeito "o", enquanto seus olhos se arregalavam ainda mais, tanto que parecia que iam saltar das órbitas. Então ele tinha mesmo viajado no tempo?! Mas isso não tinha nada a ver com o desejo original dele! Percebeu então que o homem dava risada da expressão dele, e parou pra ouvir o que idoso dizia:


– Hahahahaha! Pelo jeito você viajou mesmo no tempo sem perceber, menino! Ah, esses acidentes estão se tornando cada vez mais frequentes, que terrível... como se não bastasse aquela coisa de transformar pessoas em robôs, agora ainda estão usando crianças como experimentos para aperfeiçoar as Máquinas do Tempo, era só o que faltava...
– Err... r-robôs?
– Ah, não se preocupe com isso — o homem falou, levantando-se e arrastando um latão de lixo para perto do banco. Tirou uma caixa de fósforos do bolso, riscou um deles e o jogou aceso dentro da lata, criando uma espécie de fogueira com um cheiro horrível de podridão — Por enquanto, preocupe-se apenas em se aquecer um pouco. Eu geralmente não faria algo como queimar o lixo para criar uma fogueira, mas... tem feito uma temperatura cada vez mais instável desde que destruíram a camada de ozônio, então, acho que um pouco mais de fumaça não vai fazer diferença... — ele comentou, aproximando as mãos enrugadas da lixeira/fogueira, e Tadase fez o mesmo alguns segundos depois, sendo vencido pelo frio.


Todas aquelas informações sem sentido ainda giravam em sua cabeça, e ele tentava absorvê-las e tentar associar alguma delas com seu desejo sobre Nagihiko, mas nada ali parecia fazer sentido. Passou tanto tempo tentando entender tudo aquilo que nem percebeu quando adormeceu.


Quando abriu os olhos de novo, já era quase noite, e o mendigo idoso já havia ido embora. Tadase não estava mais no banco em frente à velha estação de trem, e sim nos braços de uma pessoa. Quando ergueu os olhos, levou um choque ao se deparar com o rosto de Nagihiko.


– Finalmente você abriu os olhos, Hotori-kun... pensei que não iria acordar nunca — ele falou com a mesma voz gentil que Tadase conhecia tão bem, porém parecendo muito mais cansado, como se o garoto não dormisse há dias. Ele colocou Tadase no chão, e o loiro notou então que ainda estavam em frente à estação de trem
– Fujisaki... kun... — o menor chamou, entre incrédulo e aliviado — Não acredito que você está aqui, que bom! Aconteceu tanta coisa, nem sei por onde começar... primeiro apareceram uns garotos estranhos e tentaram me roubar... mas disseram que meu dinheiro era antigo e não servia pra eles... daí, um senhor apareceu e espantou os garotos... e e-ele disse que estamos no ano de 3013... falou em Máquinas do Tempo, e sobre robôs também... eu não estou entendendo nada, o que está acontecendo afinal?! Aonde nós viemos parar??
– Hotori-kun, você se lembra da última coisa que fez antes de vir parar nesse "lugar estranho"? — Nagi perguntou calmamente
– L-Lembro... e-eu... estava no museu do hotel — ele recordou — Nós brigamos... então eu saí correndo e arrombei a caixa onde estava aquele livro lendário, e escrevi nele... e então...
– Exato. Você escreveu seu desejo nele — Nagihiko o interrompeu — E o livro o realizou. Você desejou que eu não tivesse mais uma dupla-identidade, que deixasse de atrair tanto a atenção de outras pessoas e que fosse somente seu. E o seu desejo foi realizado. Nesta época em que estamos agora, eu não preciso mais me disfarçar como uma mulher. E também mais ninguém olha pra mim nem mexe comigo como antes... eu já não recebo atenção alguma há muitos anos, não tenho mais fãs ou admiradores, como você desejou. Depois daquilo, o negócio de dança da minha família foi por água abaixo, e nenhum outro Fujisaki precisou se disfarçar de menina e dançar graciosamente no palco, porque ninguém mais parou para admirar e prestar atenção em nós. Também, é claro... que não restou nenhum outro herdeiro do Clã Fujisaki vivo. Eu sou o último que sobrou. Meus pais se foram há muitos anos, e eu, obviamente, não tive herdeiros... então, sou o último Fujisaki que resta
– F-Fujisaki-kun... e-está dizendo que... o q-que aquele senhor falou era verdade?! Estamos mesmo no ano 3013... e-eu viajei no futuro... e o negócio da sua família acabou... t-tudo por culpa do meu desejo?! — o loiro exclamou, incrédulo, sentindo uma grande onda de culpa. Por causa do desejo egoísta dele, Nagihiko tinha sido ignorado durante todo esse tempo, e ficou sozinho no mundo... sem falar que ele era o responsável pela falência do negócio de dança da família dele. Nagihiko devia estar furioso com ele por causa disso, com toda a certeza! Isso sem falar nos outros desastres naturais causados no resto do mundo por causa daquele desejo idiota dele! — E-Eu sinto muito, Fujisaki-kun, de verdade... j-jamais pensei que o simples fato de eu escrever um desejo em um livro antigo pudesse causar isso tudo... eu realmente lamento muito!
– Não se preocupe, Hotori-kun... já faz muito tempo afinal, eu não estou zangado com você. Sem falar que não lamento o fato de nenhuma outra criança Fujisaki ter precisado carregar o fardo de se vestir como menina e dançar ainda melhor do que a geração anterior, isso é um alívio, na verdade — Nagihiko comentou pensativo, e supreendentemente calmo quanto à isso — E acho que o seu desejo não interfere em nada sobre o aumento da tecnologia, a Terceira e Quarta Guerra Mundial, ou a destruição da camada de ozônio, isso provavelmente teria acabado acontecendo uma hora ou outra mesmo... mas, o fato é que, depois que você escreveu seu desejo naquele livro e desapareceu, eu roubei o livro lendário e escrevi meu desejo nele também — ele contou e, antes que Tadase pudesse perguntar o que ele tinha desejado, as palavras se perderam em meio caminho de sair quando viu o que Nagihiko fez.


O maior arreganhou a boca, muito mais do que qualquer ser humano seria capaz de fazer, e, de dentro dela, tirou o livro lendário, que era tão grande e grosso quanto um livro escolar, sem dificuldade nenhuma, e também a caneta-pena que o acompanhava. Ainda em choque, Tadase tentou balbuciar:


– C-C-Como você...?!
– Depois que você desapareceu, eu desejei poder continuar existindo com a mesma aparência da qual você se lembrava, e conseguir viver o suficiente até o dia em que te encontraria novamente — Nagihiko interrompeu o gaguejar dele — O meu desejo se realizou. Minha aparência continuou exatamente igual a do Fujisaki Nagihiko que você se lembra, mesmo depois dos mil anos que se passaram, e eu não cresci, não criei família, não gerei descendentes, não envelheci e nem morri como os outros. Com o aumento da tecnologia, consegui sobreviver o suficiente durante esses mil anos... substituindo as partes do meu corpo que deixaram de funcionar por causa da passagem do tempo por peças mecânicas artificiais. Eu meio que me tornei um andróide, para simplificar... apenas para manter a minha existência até conseguir te encontrar mais uma vez. Então, eu roubei o livro lendário e o mantive escondido dentro do meu corpo durante todos esses anos. Entretanto... como dizia no seu desejo, ninguém mais prestava atenção, nem olhava pra mim, então foi bem difícil continuar existindo, mesmo nesse meu estado atual. O tipo de andróide que eu me tornei se tornou obsoleto há tempos, e não existem mais novas peças para substituir as que me faltam e me manter atualizado... o que significa que, com a realização do meu desejo, minha existência desaparecerá em breve
– F-Fujisaki-kun... v-você e-está dizendo... q-que vai m-m-morrer?! — Tadase gaguejou num fio de voz, sentindo a dor pungente em seu coração aumentar cada vez mais, enquanto seus olhos se enchiam de água
– Nenhum ser humano vive pra sempre, Hotori-kun... e eu já deveria ter partido há muitos anos. Só continuei vivo até agora por causa do desejo que eu escrevi no livro — Nagihiko explicou, com um sorriso triste — Meu desejo se realizou e eu finalmente reencontrei você... não há mais motivo para minha existência permanecer nesse mundo — ele concluiu e, no momento em que disse isso, a história absurda que ele contou sobre ter se tornado em parte robô se provou verdadeira no momento em que seu corpo começou a de desfazer. Era como se sua pele estivesse descascando aos poucos, revelando uma cor metálica por trás da pele artificial que antes estava em seu lugar
– Não... não, eu não quero isso!! — Tadase gritou, desesperado, sentindo as lágrimas transbordarem de seus olhos — Não quero que o Fujisaki-kun morra... não quero ficar longe de você!!
– Eu também não quero isso, mas... eu desejei viver tempo suficiente apenas para te reencontrar. Jamais imaginei que demoraria tanto para eu conseguir te encontrar de novo... e eu já vivi por tempo demais, te esperando... meu desejo finalmente se realizou, então... eu preciso... descansar agora... — a voz de Nagihiko começou a falhar e, de repente, ele desabou no chão, parecendo incapaz de se manter de pé, e seu corpo permanecendo imóvel
– Fujisaki-kun, não!! Não morra... por favor, não me deixe!! — Tadase gritou, ajoelhando-se ao lado dele e segurando a mão do maior entre as suas. A mão dele estava fria como metal, o que só provava que aquela história era mesmo verdadeira
– Eu não posso... minha existência já chegou ao limite... — Nagi murmurou fracamente, sua voz se tornando cada vez mais distante e menos humana, como se fosse uma voz computadorizada — Eu queria tanto poder sentir o calor da sua mão agora, Hotori-kun... mas... perdi o tato já faz alguns anos...
– Fujisaki-kun, não fale assim... não vá embora, por favor... não me deixe sozinho!! — Tadase implorava, chorando copiosamente, algumas de suas lágrimas caindo no rosto de Nagi, embora ele também já não pudesse senti-las por causa de seu corpo metálico
– Não chore... não quero que a última imagem que esses olhos verão seja a do seu rosto chorando — Nagihiko pediu, sem mais conseguir mover a mão para enxugar as lágrimas do menor, como costumava fazer
– C-Como não vou chorar... se você está dizendo que v-vai e-embora?! — Tadase soluçou com a voz embargada
– Sinto muito... eu bem que gostaria de ficar com você, mas não posso... já não sou nem mais humano — ele lembrou, sua pele ainda descascando vagarosamente — Eu sinto muito, Hotori-kun... parece que, não importa em que época estejamos, eu... sempre terei uma dupla-identidade afinal. Não sou mais uma falsa garota, mas... sou meio humano e meio máquina agora... eu realmente lamento. Sinto muito também... pela briga de antes...
– Não... não se preocupe com isso, não foi culpa sua... — Tadase soluçava, tentando inutilmente conter o choro — Por favor, não me deixe... tem que ter um jeito de evitar isso, de voltar para a nossa época de antes...
– Meu "eu" atual realmente pertence à essa Era, mas você não... então, talvez você possa voltar. É só escrever... no livro dos desejos — Nagihiko lembrou, virando os olhos para o livro caído ao lado deles — É só você escrever, que seu desejo se realizará. Eu mesmo escreveria se pudesse, mas... não consigo mais... me mexer...
– S-Se eu escrever que quero voltar... e-então você não vai mais precisar virar um andróide, e nem vai... m-morrer...?
– Eu não sei... só tem um jeito de saber — Nagi concluiu, num murmúrio de voz — Mas, escreva com cuidado, Hotori-kun... o livro... só pode realizar mais um único desejo. Se você errar, acabou...
– Tá... t-tá bem, eu vou escrever então! Mas, por favor, não morra! — Tadase pediu, finalmente soltando a mão dele e abrindo o livro, e começando a escrever freneticamente nele assim que encontrou um espaço em branco para escrever, na última página
– Se o seu desejo for viver ao meu lado, então seja rápido... se eu morrer antes, já era... — Nagihiko sussurrou, fechando lentamente os olhos — Eu te amo, Hotori-kun... sempre te amei todos esses anos, e sempre vou te amar...
– E-Eu também... também amo você, Fujisaki-kun! Mais do que qualquer coisa, você é a pessoa mais importante pra mim!, E-Então, por favor... aguente só mais um pouco — Tadase implorou, enquanto rabiscava rapidamente seu desejo no livro com a letra tremida:


"Desejo voltar ao mundo e ao tempo ao qual realmente pertenço e viver feliz ao lado do Fujisaki-kun por toda a vida".




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Quando Nagihiko abriu os olhos, piscou várias vezes, atordoado, até perceber que estava se deparando com o teto de seu quarto do hotel. Sentou-se vagarosamente e olhou ao redor, confirmando que estava de volta ao quarto escuro do hotel onde estava hospedado, iluminado apenas pela luz do luar que entrava pela janela. Mas a pergunta era: Ele estava "de volta" ou simplesmente "nunca saiu dali"? As memórias permaneciam muito claras em sua mente, mas... pensando bem, aquela história toda era tão absurda que era difícil acreditar que fosse verdade. Será que aquilo não tinha sido apenas um sonho maluco de sua cabeça?


Enquanto tentava decidir se concluía que toda aquela história surreal era sonho ou realidade, Tadase entrou de repente em seu quarto, parecendo nervoso, fechando a porta atrás de si e o encarando nos olhos.


– Hotori-kun... — ele murmurou, meio perdido — Eu acabei de ter um sonho muito estranho, você não vai acreditar...
– Você não teve um sonho estranho — Tadase o interrompeu — Foi um pesadelo. Um pesadelo terrível com um final muito triste, mas já acabou... você está aqui, vivo e comigo, então... não importa o quão horrível tenha sido o pesadelo, ele já terminou
– Um... pesadelo...? — Nagihiko repetiu — Mas, espere... eu não te contei nada ainda. Mas, mesmo assim, você sabe... sobre a história do livro dos desejos, a viagem no tempo... e eu ter virado um robô... você sabe de tudo?! — Nagi indagou, e o loiro balançou a cabeça, confirmando — Mas então... se você sabe sem eu nem ter te contado, então tudo aquilo foi verdade?! Aconteceu mesmo??
– Eu já disse, não importa. O pesadelo ruim já acabou, não se preocupe com isso — Tadase repetiu, se aproximando dele, sem tirar os orbes escarlates dos seus olhos
– Ah, sim... sonho, ou realidade, não importa, foi tudo uma loucura. Não tem porque você se preocupar com isso, afinal... você ainda deve estar zangado comigo... — Nagihiko murmurou, deixando aquela história absurda de lado e lembrando-se repentinamente da briga deles — Eu sinto muito pelo que aconteceu, Hotori-kun, de verdade... mas você não precisa se preocupar tanto com isso, não importa o que aconteça, eu pertenço somente à você. Meus dois lados te pertencem, e você sabe disso. Não importa se eu for um garoto, ou uma garota... ou uma máquina... — ele acrescentou, incerto, e confuso com a história que ele não sabia se concluía como sonho ou realidade — Eu sempre pertencerei somente à você, e prometo que você nunca vai me perder pra outra pessoa. Então, por favor, não me deixe te perder também... — ele ergueu a mão hesitante e acariciou de leve uma das bochechas do menor — Nee... pra compensar o que aconteceu hoje... que tal eu virar a Nadeshiko pra você essa noite? — o Valete sugeriu, pensando em alguma forma de fazer logo as pazes com ele
– Não... não precisa fazer isso. Não é necessário virar outra pessoa só pra me agradar, porque eu te amo, e sempre vou te amar, não importa o que você seja ou o que se torne, Fujisaki-kun — Tadase respondeu, atirando seus braços ao redor do pescoço do mais alto e o abraçando com força — Que bom... que você está comigo de novo... que bom que você está vivo ao meu lado... eu te amo tanto, Fujisaki-kun, tanto que não sei o que faria se te perdesse...! — ele murmurou com a voz embargada, deixando uma lágrima escapar de seus olhos e escorrer por sua bochecha, até cair no canto do rosto do maior
– Hotori-kun, não precisa chorar... eu sempre estarei ao seu lado. Sempre estarei com você, e pertencerei somente à você enquanto eu viver — ele falou gentilmente, limpando as lágrimas dele com a mão e acariciando os cabelos loiros do Rei em seguida. O abraçou pela cintura com a mão livre e afrouxou um pouco o abraço, apenas para poder encará-lo — Eu também te amo muito, Hotori-kun, muito mesmo... então, por favor, não deixe que brigas bobas por causa de pessoas que nem conhecemos te separem de mim — ele pediu, e depois que Tadase balançou a cabeça, confirmando, ele sorriu, selando seus lábios com o do menor em seguida, e o abraçando com mais força, e carinhosamente ao mesmo tempo.


Então, era simples assim. Eles não precisavam de livros mágicos, nem viagens no tempo, e nem recorrer à máquinas de alta tecnologia para continuarem juntos. Simplesmente porque o amor deles era puro e sincero. E eles não cometeriam o erro de deixar que pequenas coisas os afastasse um do outro nunca mais. Porque, no fim das contas, o desejo dos dois era o mesmo, e um só: O desejo de viver feliz para sempre ao lado da pessoa que amavam.



~*~THE END ~*~

Notas finais
Yoo~ minna-san!
Primeiramente, parabéns pra quem chegou até aqui, essa oneshot acabou ficando bem maior do que eu planejava '-' Então, como eu disse lá em cima, essa história toda surgiu de um sonho maluco meu... ela está exatamente igual ao meu sonho, exceto que o velhinho que o Tadase encontrou no futuro era a cara do treinador de natação do anime "Free!", e que no sonho, era tipo uma reencarnação do treinador de basquete do Nagihiko, mas eu achei isso meio irrelevante, então não citei na história... e eu preciso dizer que chorei cachoeiras enquanto relembrava aquela parte do "Nagihiko-robô" morrendo, e mais ainda enquanto escrevia, mas... pelo menos a história teve um final feliz, isso que importa! Porque, se não tivesse, eu nem teria escrito tudo isso aqui -.-"
Bem, é isso...espero que tenham gostado dessa história louca fruto de um dos meus muitos sonhos absurdos! Deixem reviews onegai e deixem uma autora sonhadora feliz!! /o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!