Miraculous - Um Novo Início
21 Akai Ito

As primeiras aulas haviam passadas quietas demais para Marco que estava acostumado com a cru... Quer dizer, com a amiga falando sem parar. E não conseguia entender o fato de passar três aulas inteiras sem ouvir uma palavra sobre Boku no Hero, Another ou qualquer outro anime. Mas a gota d’água para ele foi quando se encontraram com Chloé mais cedo e ela nem se quer deu alguma patada ou xingou a loira de algo, como sempre faz. (Narradora: Para não fazer nada com a Chloé deve ter acontecido um exorcismo na menina, né?)
— O que aconteceu com ela? – Perguntou, cutucando as costas de Pâmela.
— Se ela não te contou até agora é porque não quer conversar... Ela te conta tudo... – Respondeu, se virando para trás.
— Mas isso está muito estranho! Algo de errado com certeza aconteceu e eu quero ajudar!
— Eu até quero contar, mas acho que ela não gostaria. Só a deixe em paz, okay?
— Olha, ele até tem razão em dizer que as coisas estão estranhas. Até agora ela não tentou tirar o meu capuz nem uma única vez – Falou Akira, sem tirar os olhos do caderno.
— É verdade, porque você sempre usa ele? – Marco perguntou.
— Opa, opa, opa! Estamos falando da Iasmin, não do meu capuz! – Respondeu, levantando as mãos e se virando para trás.
— Tenho que concordar com vocês... – Nino se intrometeu na conversa – Estou usando um boné diferente faz um tempão e ela nem zoou ainda!
— Deixe que eu faço isso... – Alya limpou a garganta – Não removeu a etiqueta? Faz sentido, eu também iria pedir devolução!
— Nah! Não causou nem queimadura de primeiro grau, a Iasmin teria feito melhor...
— Dá para pararem de falar de mim como se eu nem estivesse aqui? Obrigada! – Murmurou, ainda com a cabeça grudada na mesa.
O sinal soou na escola indicando o intervalo (Autora: Recreio! Narradora: Tanto faz!)
— Incrível! Essa foi a primeira vez que conseguimos uma mesa decente! Geralmente nós lanchamos na escada... – Observou Marinette.
— Mas do mesmo jeito a Iasmin não veio com a gente, continuou na escada... Sozinha. Isso não é nem um pouco normal! Pâmela, você tem que falar com ela!
— Eu já disse, Marco, ela quer ficar sozinha... Se tiver coragem, vá lá você! – Resmungou, entediada.
— Eu nem sei o que está acontecendo! Se pelo menos soubesse... Só você tem conhecimento sobre isso! Por favor... – Implorou, com as mãos juntas.
— Tudo bem – Ela se levantou – Mas você terá que me deixar em paz depois disso, mesmo que eu não consiga convencê-la!
Pâmela caminhou até a garota, que estava de cabeça baixa, sussurrando coisas incompreensíveis.
— Iasmin, eu sei o porquê de você estar assim, não contei para ninguém, okay? – Ouviu um murmúrio dizendo “obrigada” – E sei que você pode não estar em um bom momento para conversas, mas, pelo amor de Deus, vamos para a mesa, sim? Porque, se passar mais uma aula com o Marco me perguntando as coisas, eu juro que ele vira um bloco de gelo e afunda no Sena!
Ela solta um suspiro para se levantar e seguir a amiga até a mesa.
— Licença, Marco... – Pediu para ele, para que pudesse se sentar ao seu lado.
— Agora já deu! – Marco gritou se levantando e batendo as mãos na mesa fazendo os outros na mesa o olharem – A Iasmin que eu conheço não ficaria calada todo esse tempo! A Iasmin que eu conheço não ficaria sem dizer nada para Chloé! A Iasmin que eu conheço ficaria me cutucando no ônibus no caminho para a escola!
— Vocês vêm no mesmo ônibus? – Perguntou Adrien;
— Sim! Posso continuar agora?! – Adrien faz que sim com a cabeça, um pouco amedrontado – Que bom! E, por último, a Iasmin que eu conheço nunca falaria “licença”, chegaria falando: “chega para lá, idiota”!
— Aqui tem coragem! – Nino gritou, erguendo os braços.
Marco percebeu que estava gritando e, rapidamente, se sentou, constrangido.
— Ai meu Deus, me desculpe! – Desesperou-se esperando o pior, mas ela simplesmente ficou de cabeça baixa.
— Escutem, existem coisas que não consigo explicar, mas eu quero! – Ergueu a cabeça, olhando para eles – Acho que preciso é de um psicólogo, ou algo assim...
— Psicólogo? – Marco perguntou, animado – Hoje a tarde eu apareço na sua casa então!
— O... Kay? – Respondeu, confusa, tombando a cabeça.
— E só mais uma coisa, a Iasmin que eu conheço nunca deixaria alguém gritar daquele jeito com ela!
A garota revirou os olhos, dando um soco no braço dele.
— Ai! Garota, você tem superforça! – Reclamou, massageando o braço dolorido.
[...]
Ela abriu a porta, já sabendo que seria.
— Precisa de um psicólogo, não é?
— Você vai me levar ao psicólogo? – Perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.
— Eu sou o psicólogo! – Respondeu, apontando para si mesmo com um sorriso confiante – Pode me chamar de... Doutor Marco Ph.D! – Exclamou.
— E isso é uma desculpa pelas roupas? – Se encostou no umbral da porta, apontando para ele – E para os óculos, né?
— Vamos ter uma longa sessão de psicologia pelo que posso ver... – Falou, batendo a mão na testa – Será que eu posso entrar?
— Claro! – Se desencostou de lá, dando passagem para ele – O que você vai perguntar primeiro? Como foi o meu dia?
— Nah! Isso é para armadores! Primeiro eu quero que imite alguém próximo a você...
— Hey, hey! Eu sou Marco Diaz! Uso um moletom vermelho e minha calça skinny é demais! Vou impressionar a todos com o meu karatê! Eu tenho uma pintinha fofa! – Apontou para o próprio rosto.
— Aff... – Revirou os olhos – Agora eu quero que desenhe algo que você sente – Falou entregando para ela um papel e um lápis.
Depois de algum tempo observava o desenho tentando decifrar o que estava ali.
— Tantas figuras! Tantos símbolos! O que podem significar? – Colocou as mãos sobre a cabeça, desesperado.
— O que? Ah, eu só estava desenhando monstros porque são legais! – Respondeu ela, mais uma vez fazendo com que Marco batesse a mão na testa.
— Vemos para me último teste! – Tirou de dentro da mochila alguns papéis com borrões – Me diga, o que vê nessa imagem? – Mostrou o primeiro para ela.
— Dois elefantes dançando tango! (Narradora: Menina, você tem demência?)
— Tudo bem... – Estranhou, tombando a cabeça – E nessa? – Mostrou outra.
— Três árvores tristes!
— E nessa aqui... – Mostrou outra cujo só existia um ponto – Ah, espera! Essa está errada...
— Eu vejo meu sofrimento desde quando tinha dez anos, nesse mesmo dia, quando aconteceu um acidente e não pude fazer nada, guardando para mim, desde aquele dia, um segredo que quase ninguém sabe, cujo sempre me faz sofrer e sentir uma dor bem no fundo da alma... – Falou, em velocidade quase incompreensível, mas, por sorte, Marco entendeu perfeitamente e arregalou os olhos, derrubando todos os papéis.
— Como você nunca mostrou esse sentimento antes? Isso é muita coisa para uma pessoa só guardar para si sozinha! – Exclamou.
— Depois de um tempo você se acostuma... – Soltou um suspiro e forçou um sorriso.
— Mas porque você sente isso? Deve ter uma explicação! Um porquê! – Levou as mãos a cabeça, desesperado.
— Como eu disse antes, eu quero contar, mas não consigo! Fica entalado na garganta! Muitas vezes eu só queria que isso nunca tivesse acontecido... – Estava impedindo algumas lágrimas de caírem, enterrou a cara nas mãos e sentiu a mão do garoto no seu queixo erguendo seu rosto.
— Não chore, por favor, não quero vê-la triste...
— Deve ser estranho ver alguém como eu assim, não é? – Revirou os olhos, soluçando um pouco.
— Você foi muito forte, como sempre é... É normal em alguns momentos aparecer a fraqueza, no entanto, você continua forte e sorri, mesmo não querendo... e, embora não queira dizer o que aconteceu, sinto muito por isso... Seja o que for... – Coçou a nuca.
— Marco, às vezes, nós pensamos que queremos ficar sozinhos numa deprê básica, sabe... Porém, precisamos mesmo é de alguém para conversar. E... Obrigada por me ouvir! – Gritou, pulando sobre o garoto e o abraçando.
— Eu sempre irei te ouvir... Você é minha melhor amiga! – Sorriu correspondendo o abraço – Mas agora eu quero ver um sorriso, verdadeiro, por favor!
— Isso é um bom momento para sorriso, Diaz? Estou tentando ser dramática aqui! – Respondeu, se separando do abraço e colocando as mãos na cintura – Estou com cara de quem quer sorrir agora?
— Por isso mesmo irei fazer isso... – Começou a se aproximar dela, com os dedos em formato de garras.
— Você não vai fazer isso... – Falou, dando alguns passos para trás até chegar em uma parede.
— Você está encurralada... – Disse ele, com um sorriso.
— Não, por favor, não!
Marco começou a fazer cócegas na garota, que se contorcia e ria cada vez mais, em alguns momentos ela ria como um porquinho e isso fazia com que ele risse junto.
— P-pare! Eu imploro! – Dizia, entre risos, com os olhos marejados – P-por que, seu idiota?
— Essa sim é a Iasmin que eu conheço!
Quando a sessão de cócegas e risos acabou, os rostos estavam muito próximos, poucos centímetros de distância e ambos coraram bruscamente. No entanto, nenhum dos dois queria quebrar aquela aproximação, mas em compensação nenhum dos dois tinha coragem de se aproximar mais do outro...
Estavam próximos a ponto de sentirem a respiração um do outro, então algo corta o clima entre os dois. Algo vindo da rua, um tipo de grito. Ambos se deslocam para longe, com os rostos corados.
— Acho que isso foi bem anticlímax... – Iasmin saiu na janela para ver o que estava acontecendo, de longe já viu Ladybug nos prédios.
— O que ‘tá rolando na rua? – Perguntou ele, chegando ao lado dela na janela – Eita!
— Vamos lá para cima! – Puxou ele até o topo das escadas – Okay, eu vou te trancar no banheiro...
— O que?!
— Não discuta comigo, menino prodígio! – ordenou, o empurrando para dentro.
— E você vai aonde?
— Eu vou... Vou... Fechar as portas e janelas! Valeu, falou! – Deu uma desculpa rápida, fechando a porta e saindo correndo – Eu devia começar a usar aquela bosta de uniforme por baixo da roupa, tipo o Superman! – Resmungou, abrindo a porta do guarda-roupa.
[...]
— O que eu vou fazer? – Marco exclamou, dentro do banheiro – Ela me trancou aqui, socorro!
— Olha, eu detesto esse akuma de hoje! – O kwami disse, saindo da mochila do garoto – Estragou o clima entre você e sua namorada!
— Ela não é minha namorada! – Falou, frustrado, cruzando os braços.
— Quase namorada! Mas você precisa ter atitude, né? Olha, se vocês continuarem com esse lance de melhores amigos, não vai dar certo nunca!
— Um kwami dando conselhos amorosos é estranho, você principalmente!
— Eu sei, agora você vai ajudar geral com Paris ou vamos ficar falando sobre sua vida amorosa? Eu gosto da segunda opção e...
Ele revirou os olhos e se transformou, não deixando com que o kwami terminasse a frase, saindo pela janela e indo até os outros logo em seguida.
— Por que a demora? – Ladybug indagou, arqueando uma das sobrancelhas.
— Kwamis falam demais... – Respondeu, dando de ombros.
— Tenho que concordar – Chat se lembrou de Plagg, que armou o maior fuzuê por não ter terminado o queijo antes que aparecesse algum akumatizado – Plagg é uma desgraça quando preciso me transformar...
— O Caion só come e dorme o dia inteiro.
— Então acho que kwamis de felinos são os mais preguiçosos, não demos sorte, amigo...
— O papo está ótimo – Os corta Ladybug – Mas temos que saber o que está acontecendo!
— Tem uma louca ali fazendo o MEU trabalho de juntar casais! – Spider gritou, irritada – Quem ela pensa que é? Eu sou a mais top para fazer os shipps se tronarem reais!
— Eu vou até lá ver o que ela quer, vou tentar fazer aquela velha técnica do vilão contar o plano maléfico e depois... PÁ! – Ladybug saiu andando
— Espera! – Wolf segurou a garota, antes que ela possa ir atrás da akumatizada – Acho melhor alguém ir com você!
— Eu vou como reforço, para dar umas na cara daquela aspirante a montadora de casais!
— Toma! Um reforço para o reforço! – Lyon entregou seu bastão para Spider.
— Vocês fiquem aqui observando e qualquer coisa vão lá! – Eles assentiram e Ladybug saiu correndo, sendo seguida por Spider, até uma jovem.
Ela não parecia com uma akumatizada... Era uma garota normal, o cabelo escuro como a noite, olhos cinza, um vestido branco e em seu dedo estava amarado um cordão vermelho.
— Olá! – Ela cumprimentou, ao ver as duas chegando – Sou Akai Ito!
— Eu conheço isso! – A aranha exclamou – É uma lenda chinesa...
— Isso mesmo – Respondeu a garota, sorrindo – “Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se... Independentemente do tempo, lugar ou circunstância... O fio pode esticar-se ou emaranhar-se, mas nunca irá partir”... Eu consigo ver os fios vermelhos, consigo juntar os casais perfeitos. E posso perceber que vocês já conheceram quem está no fim do fio, isso é bom. Ladybug, você está no caminho certo e sei que não saíra dele... Já você... Escute, por favor. Essa pessoa está bem a sua frente a muito tempo, mas não percebe. Seu cordão esta muito enrolado e pode enrolar-se ainda mais, porém já sabe que o fio não se quebra... Mas nunca o chame de “melhor amigo”... Isso causará sérias consequências...
— E-eu... – A boca se abria e fechava, sem emitir algum som que possa ser considerado uma palavra.
— Antes que tentem lutar contra mim, saibam que não fui akumatizada, sou apenas a lenda chinesa agindo – Sorriu e se virou para a frente – Vou embora agora se me permitem... Foi um prazer conhecer duas heroínas de Paris... – Após isso, ela se transformou em borboletas, que saíram voando pelo horizonte...
— Entendeu alguma coisa? – A joaninha perguntou, ainda olhando para o céu, espantada.
— Necas... – Respondeu a outra, com os olhos arregalados.
— O que aconteceu aqui? – Chat Noir chegou perto delas – Vimos tudo de longe...
— Fios vermelhos, destino, chineses e consequências... – Sem tirar os olhos do horizonte, onde as borboletas desapareceram, Spider respondeu.
— Vou fingir que entendi... Mas nós não vamos atrás dela ou algo do tipo?
— Ela não é vítima de akuma... Ela é... Akai Ito! – Ladybug saiu do transe e olhou sorrindo para o parceiro – Estou feliz de você ser o certo...
— Oi? – Arqueou uma das sobrancelhas, confuso.
— Liga não... A menina vê quem é o par perfeito para cada um e você está com sorte... Se não fosse o da Ladybug ela com certeza te despejaria sem dó... Ué, cadê geral? – Perguntou, olhando para os lados, procurando os outros.
— Foram embora...
— Então eu vou vazar também, acabei deixando uma visita presa dentro do banheiro, tchau! – Lançou uma teia e saiu pulando entre os prédios e telhados.
[...]
— Marco, você está bem? – Abriu a porta com desespero – Acho que te esqueci...
— Como assim você me esqueceu, sua maluca? – Se levantou do chão – Acho que já vou indo – Falou, passando pela garota.
— Espera! – Ela segurou sua mão, fazendo-o parar e a olhar por cima do ombro – Escute, você é meu melhor amigo e... Se você prometer não contar, eu posso até dizer porque estou assim...
— Tem certeza? Você não parece muito à vontade para contar...
— Só prometa para mim – Ela o cortou – Que não vai dizer a nenhum deles...
— Eu prometo!
— Ótimo! Então venha comigo! – O puxou até seu quarto e pegou uma caixa na estante – Segura – Falou, entregando uma foto para ele.
— Quem é esse na foto?
— Meu irmão... – Respondeu, se sentando ao seu lado.
— Você tem um irmão?
— É, bem... Tinha... – Mordeu o lábio, olhando para outro canto do quarto.
— Então ele... Ah, sinto muito – Se virou para ela – Por isso você está desse jeito? Me desculpe por vir aqui e ter feito você falar, com certeza não queria um idiota como eu te atrapalhando nesse dia...
— Não fale isso, eu precisava de alguém... Só não sabia disso ainda – Deu de ombros – Você me ajudou bastante hoje, Doutor Marco Ph.D – Disse, rindo.
— Pode contar sempre comigo!
— Já posso me considerar uma paciente?
— Claro, a primeira! – Marco sorriu – Posso te perguntar uma coisa? – Ela fez um aceno positivo – Você é mais nova ou mais velha?
— Mais nova, por dois minutos...
— Espera, vocês são gêmeos? – Indagou, confuso.
— Yep, olha aqui – Mostrou outra foto, onde estavam duas crianças.
— Não se parecem e... Sério que você já fez franjinha? – Deu uma gargalhada.
— Ei, eu tinha nove anos! Me respeita! Na época passava uma novela que a menina usava essa franja, aí geral começou a usar também... E eu muito Maria-vai-com-as-outras... E o pior, quem cortou meu cabelo foi o Mitch! Se arrependimento matasse eu já estaria morta! Só que depois me revoltei e colei chiclete no cabelo dele... A rixa começou aí!
— Já fizeram aquele negócio de trocar de lugar alguma vez?
— Óbvio! E teve a vez que descobri que algumas pessoas zoavam o Mitch na escola... No dia seguinte coloquei as roupas dele e prendi o cabelo colocando o boné por cima, quando chegaram para zoar o coitado era eu, então simplesmente gritei: “Se não quiserem que seus traseiros fiquem doendo até a faculdade é bom pararem de mexer comigo, seus otários!”
— Deve ter deixado um bom trauma nas crianças, hein? Não queria estar no lugar delas...
— Imagina, a propósito teve o dia que eu finalmente descobri a crush do Mitch... Depois disso acho que geral na escola ficou sabendo também, não sei porquê.
— Me lembre de nunca contar um segredo para você, e se eu contar saiba que devo estar louco.
— Nah, eu nem sou tão fofoqueira assim agora... Ei, você soube o que aconteceu com a...
— Iasmin! – Ele a interrompeu.
— Tá... Talvez só um pouco fofoqueira... – Cruzou os braços, enquanto revirava os olhos.
— Qual era a melhor parte se ser gêmeo?
— Com certeza era o Halloween... Meu feriado favorito! – Mais uma vez, tirou algumas fotos da caixa – Nós arrasávamos... Fantasias iguais eram o máximo... Tipo, gatos siameses, zumbis, sal e pimenta, manteiga de amendoim e geleia... Ah, e o meu favorito... Batman e Robin!
— Aja criatividade, viu?
— Quase sempre as ideias eram minhas, óbvio! Sempre fui a mais criativa da parada!
— Posso te fazer só mais uma pergunta? Muito importante...
— Fala logo!
— Posso usar sua consulta quando fizer meu currículo?
— Sério? Essa é sua pergunta mais importante? Faça-me rir!
— Ô, me respeita! Posso usar ou não? – Perguntou, com a cara emburrada.
— Pode! – Riu – Depois eu que tenho problemas!
— Mas você tem problemas! O primeiro é quando você começa a rir, de vez em quando faz uns barulhos de porco... Tipo quando eu faço cócegas assim...
Novamente, Marco se aproximou para começar uma nova sessão de cócegas, mas é impedido por um travesseiro na sua frente.
— Agora não, Diaz! Sabe o que você merece? Vingança! – Exclamou ela, pulando sobre o garoto.
— Ei! Não vale! – Dizia entre risos – Pare com isso, desgraça!
— Sinta na pele o que eu senti! Peça água, menino prodígio!
— Tá, tá! P-peço água, pelo a-amor de Deus! – Implorou, ainda se contorcendo pelas cócegas – Doutor Marco Ph.D não aprova isso!
[...]
— Mais uma vez, Marco, obrigada por ter vindo aqui e por ter me ouvido...
— Sem problemas, quando precisar é só ligar e... – Ele é cortado pela garota, que o abraça.
— Será que eu poderia ligar na madrugada... Tecnicamente quase todos os dias? – Perguntou, ainda o abraçando.
— Claro, sempre que quiser!
— L.J! – Butch a alcançou, tocando em seu ombro – O que aconteceu?
— An? – Ela se virou, encarando o irmão – Nada aconteceu, mano. Por que a pergunta? – Ela indagou, estranhando.
— Eu sei quando você não está bem... – Ele suspirou, levando a mão ao rosto, suspirando – Sou seu irmão mais velho, te conheço muito mais do que pensa!
— É só que... – Novamente, se virou para a frente, dando as costas para Butch – Quando tudo vai ser resolvido? – Murmurou, desejando mentalmente que ele houvesse escutado.
— Em breve, tudo irá se consertar... Eu prometo! – Ele exclamou, enquanto abraçava L.J por trás, fazendo o boné voar de sua cabeça – Nem que eu precise dar a minha vida por isso!
— Nunca mais ouse dizer isso! – Ela gritou, soltando-se dos braços do mais velho e lhe dando um murro no ombro – EU PREFIRO CONTINUAR NESSE MUNDO DE MERDA DO QUE PERDER VOCÊ, SEU MONGOL! – Algumas lágrimas escaparam pelos seus olhos, L.J as secou o mais rápido possível.
— L.J...
— Escuta aqui, Butch Diaz Parker! – Ela pegou o boné do chão e colocou novamente em sua cabeça – Eu sei que você vai voltar para quando tudo era normal! Eu sei que você vai se arriscar! Eu sei que você vai conseguir ajeitar tudo! – Enquanto berrava, L.J batia o dedo indicador no peitoral do moreno, com uma certa força anormal – Mas não ouse morrer nessa porra de missão! Ou eu juro que vou fazer de minha própria vida um inferno! Entendeu?!
L.J parou de gritar, respirando profundamente e voltou a andar para seu destino. Afinal, Louis a esperava, e ela não deixaria seu amigo plantado na porta de seu chalé somente a esperando.
— Lynn Jackson Parker Diaz... – Butch sussurrou, chamando-a pelo nome completo – Eu juro... Que não irei morrer tão facilmente!
Ela soltou um riso fraco.
— Baka Mitai... – Pronunciou, em japonês, sorrindo.
L.J continuaria andando, mas foi encoberta por uma aura verde-água, levitando do chão e indo até Butch.
— Ei! Não use essa levitação em mim! – Ela se sacudia no ar, tentando se livrar mágica do irmão.
— Venha aqui... – Ele trouxe-a até si e a abraçou.
— NÃO! DESGRUDA! DESGRUDA! – Gritava, tentando soltar-se dos braços de Butch – ME SOLTA!
— Pronto! – Ele deixou-a livre – Pode ir lá ver seu namorado.
— ELE NÃO É MEU NAMORADO! – Berrou, em resposta, enquanto corria.
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