Miraculous: Secret Wars TERRA-65
10 Let It Heal
Notas iniciais

Jade Turtle usava seu escudo para proteger Mister Dragon, Lady Vipere e a si mesmo do mau tempo, enquanto corriam pelas ruas agora inóspitas da populosa Paris. Todos os três estavam com os nervos à flor da pele: Fu, por colocar tantos Miraculous em circulação de uma vez; Marinette, por estar machucada e preocupada com as chances que seu plano teria contra um akuma tão poderoso; e Adrien, por carregar a responsabilidade de salvar as pessoas, pelo Mestre ter confiado os Miraculous a ele e sua parceira e por último, mas não menos importante, por sua amada estar machucada e se recusar a ficar fora da batalha.
Adrien tinha fé que daria tudo certo no final e ele conseguiria curar todos os ferimentos de Marinette, mas mesmo assim desejava que ela repousasse, não suportaria caso algo mais sério acontecesse a ela.
— My lady, quem sabe você…
— Sei o que vai dizer e a resposta é não. – disse ela séria – Nós dois somos um time e estamos juntos nisso até o final.
— Mas e se…
— Bugaboy, por favor, tenha um pouco de fé em mim. – ela brincou, mas Adrien permaneceu sério. Os três pararam de correr, pois tinham chegado ao seu destino. Lady Vipere então se aproximou de Mister Dragon – Você sabe que precisa de mim aqui, assim como eu preciso de você agora. – eles se abraçaram.
— Eu te amo, Marinette.
— Eu também te amo, Adrien. Vai dar tudo certo. – eles se separaram com um sorriso leve e olharam para o Mestre, que pensava o quanto tinha acertado na escolha dos portadores. Mas não era hora para momentos nostálgicos.
— É aqui que me separo de vocês. Preciso voltar e proteger os Miraculous que ainda restam na caixa. – a dupla assentiu e abraçou o Mestre rapidamente – Boa sorte, meus protegidos. Paris conta com vocês. E eu também.
— Obrigado, Mestre. – Adrien segurou a mão da namorada – Não vamos decepcioná-lo.
***
O encontro de Alya e Nino não estava indo nada bem. Mas a culpa não era de nenhum dos dois e sim da akumatizada da vez, que fez com que os dois ficassem presos no restaurante. Sem luz, sem comunicação com o mundo exterior e sem saber como agir.
A parte mais louca de tudo isso, foi quando Mister Bug e Lady Noire – ou melhor, Mister Dragon e Lady Vipere –, chegaram, literalmente, quebrando o gelo que os prendia ali e disseram que precisavam da ajuda dos dois.
Agora, Alya e Nino se esgueiravam com dificuldade pelas ruas, seguindo os heróis e utilizando seus próprios Miraculous temporários.
— Ali! – Mister Dragon parou e apontou para a Climatika, que destruía tudo que via pela frente. – Precisamos nos aproximar sem ser vistos, caso contrário seremos atingidos.
— Vão precisar de uma ilusão, então? – Nino, ou melhor, Kitsune questionou.
— Sim, mas não agora. Precisamos encontrar o akuma primeiro. – Lady Vipere mostrou sua pulseira, a joia que concedia os poderes do Miraculous da cobra – O plano é encontrar o akuma, voltar para cá com a Segunda Chance e aí usamos a ilusão como distração.
— Kitsune e Lady Vipere vão cuidar disso, enquanto eu e Wasp vamos nos aproximar da akumatizada. Entenderam? – Alya e Nino assentiram em concordância. Adrien deu uma rápida olhada para a parceira, que fez o mesmo com uma expressão determinada. Por mais que só de pensar em Marinette machucada e na linha de fogo, fizesse o peito do herói doer, ela tinha razão mais cedo. Eles precisavam um do outro e ele tinha que confiar nela. Afinal, a parceria dos dois era perfeita até mesmo quando sequer sabiam a identidade um do outro. – Feito, então. Lady Vipere, faça as honras.
— Second Chance!
Os heróis correram na direção de Climatika, chamando a atenção da akumatizada, que atacou com tudo.
Nathalie mal podia acreditar na cena que via pelos olhos de Aurora. Mister Bug e Lady Noire estavam usando dois Miraculous a mais, combinados com o seu, ao passo que mais dois heróis tinham sido convocados para a luta.
A vilã encarou o Miraculous do pavão, que ficava sempre em seu esconderijo, onde Gabriel podia utilizá-lo, para ajudar ela e deu um sorriso.
— Então é possível combiná-los… Agora está ficando interessante.
***
Gabriel estava preso na nevasca, assim como todos os habitantes de Paris e não conseguia ir a lugar nenhum. No entanto, de longe ele conseguia avistar uma briga entre os heróis – que agora eram quatro – e a akumatizada.
O que parecia ser um sentimonstro, surgiu logo depois, fazendo com que ele se perguntasse o que sua chefe teria feito. E por mais que ele tivesse a ajudado esse tempo todo a alcançar o seu objetivo, Gabriel desejou pela primeira vez que tudo terminasse esta noite. Que os heróis vencessem e que Nathalie ficasse em paz.
Ela precisava disso.
***
Marinette tinha razão ao afirmar que essa era como uma última tentativa de Moth para pegar os Miraculous da joaninha e do gato. Um akuma, um amok e para completar a cereja do bolo, a própria Moth em pessoa, utilizando o Miraculous da borboleta e do pavão combinados.
— Isso muda um pouco os planos. – Lady Vipere se comunicava com os outros pelos comunicadores, enquanto eles desviavam das investidas dos ataques. A heroína corria com dificuldade, mas tentando sempre se manter em movimento para não ser atingida. – Um amok era previsto. Mas a Moth pessoa? Ainda mais com dois Miraculous?
— Na verdade isso é bom. – disse Mister Bug – Significa que ela está desesperada e por causa disso, pode ser imprudente e cometer um deslize.
— Então o que fazemos até lá? Não podemos ficar correndo para sempre! – Wasp ainda não tinha se acostumado com tamanha agilidade que seus novos poderes a concederam, porém estava se dando bem na medida do possível. Sem contar que ver Nino em um traje de herói lhe tirava o fôlego. E é claro, o mesmo podia ser dito dele.
— Temos uma Segunda Chance, precisamos testar movimentos de ataque. Se não der certo, Lady Vipere sabe o que fazer.
— Uma palavra sua e eu volto, Bugaboy. Você é quem manda. – Adrien sentiu suas bochechas esquentarem, mas não era hora para isso.
— Kitsune, preciso que faça uma ilusão de todos nós assim que estivermos todos escondidos e eu der o sinal. Depois disso, nós quatro iremos direto para Moth. Como ela é a chave do problema, não adianta gastarmos energia com o akuma e o amok. Todos de acordo? – os três concordaram com o plano e o herói sorriu – Então vamos lá!
***
Depois de quatro tentativas fracassadas, Lady Vipere usou seu poder especial mais uma vez e explicou tudo o que tinha acontecido até agora, da maneira mais rápida possível.
— Quer dizer que o plano quase deu certo. – Mister Bug concluiu, pensativo.
— É, mas tem algo faltando.
— Vamos ver o que é então. Lucky Charm! – um porta-retratos com uma foto dele, seu pai e Nathalie caiu na mão do herói. – Mas o que... – perguntou, mostrando rapidamente para a parceira. Alya e Nino o fitaram com expressões confusas sobre a maneira desconcertada do herói, mas não falaram nada.
— Como a foto dessas pessoas completamente aleatórias pode ajudar a deter a Climatika? – disse, tentando contornar a situação, ao menos um pouco.
Tudo bem que Aurora já foi modelo de Nathalie, assim como Marinette, mas isso tinha sido há muito tempo.
Foi então que Adrien se deu conta que seu plano era, antes de qualquer coisa, parar Moth, já que ela era a origem de todo o caos. Ele olhou para a foto novamente, lembrando do que tinha vivenciado com as suas versões da Terra-616, sentindo que as peças estavam finalmente começando a se encaixar.
— Talvez isso não seja para ela.
***
Essa era a última tentativa de Nathalie, ela tinha apostado tudo. Moth atacou com todo o seu poder e não poderia ser parada agora, pois ela iria conseguir os Miraculous nem que tivesse que batalhar com o dobro ou o triplo de heróis.
Ela só não contava que um deles não estava pretendendo batalhar.
Enquanto a luta e o caos reinavam nas ruas, entre os heróis e Climatika, a vilã percebeu que havia uma pessoa faltando.
— Mister Bug...
— É Mister Dragon agora. – ela se virou, dando de cara com o garoto loiro. E antes que Moth pudesse reagir, ele apenas ergueu a mão, com uma expressão séria – Eu vim aqui conversar. – Moth riu.
— Se você acha que pode me convencer a parar com uma conversa boba, você está... – Mister Dragon virou o porta-retratos com a foto deles na direção da vilã, o que fez com que ela parasse de falar abruptamente. — O que é isso? V-Você... Que tipo de jogo é esse?
— Você machucaria essas pessoas, Nathalie? Para conseguir o que quer, você os machucaria? – o choque por ele ter descoberto a sua identidade não foi tão grande quanto o choque pelas palavras dele.
— É claro que não! Jamais! Se você fez alguma coisa a eles, eu... – Moth avançou, segurando o herói pelo pescoço e o jogando contra parede. O ódio, a raiva e medo eram visíveis em sua expressão. Mister Dragon não reagiu, apenas a fitava – Onde eles estão? Diga!
— O que houve, Nathalie? O que você quer com os Miraculous?
— Não interessa! Agora diga aonde eles estão? – lágrimas desceram pelo rosto dela – Aonde está a minha família? – questionou ela, apertando mais forte.
— Você disse que jamais os machucaria. Então porque faz isso comigo? – e foi na expressão devastada do herói que Nathalie percebeu o terrível erro que estava cometendo. — Tikki, Long, desfazer a transformação.
— Não! Adrien, eu... Não... – Nathalie caiu de joelhos – Me desculpe! Eu jamais...
— Eu estou aqui. – Adrien a abraçou e fez sinal para Lady Vipere que estava tudo bem. Kitsune tinha feito uma ilusão dela que estava lutando com Climatika, enquanto isso, a verdadeira estava escondida e de prontidão caso Adrien não conseguisse fazer Nathalie escutá-lo.
— Meu filho... Neville... – ela choramingava, fazendo com que o herói confirmasse a sua teoria.
— Infelizmente, não se pode trazer ninguém de volta. O custo seria terrivelmente alto para qualquer um.
— Eu só queria a minha família de volta.
— Oh, Nathalie! Você mesma disse, eu e meu pai somos a sua família. – a mulher o abraçou apertado e um sorriso triste escapou do seu rosto. Depois de tantas brigas, tantas lutas e tantas batalhas, o que Nathalie buscava estava bem na sua frente.
Não, ela não esqueceria Neville, nem a dor de perdê-lo. Tudo isso ainda será difícil de suportar. Em algumas noites ela vai chorar em silêncio, pensando no filho. Haverá dias que sentirá o quanto é cansativo continuar a viver sem ele. Mas, ao menos, ela poderia passar por tudo isso com a família que tinha ao seu lado.
***
Marinette deu um ultimato nos pais. Tudo que aconteceu depois da última batalha com Moth, fez com que ela refletisse e tivesse coragem de dizer tudo o que sentia para Tom e Sabine. E depois de longas conversas e algumas discussões, as coisas estavam se ajeitando entre eles.
E Adrien não podia estar mais feliz por isso, já que as coisas na família dele também estavam se ajeitando aos poucos. Nathalie e Gabriel estavam juntos agora, e ambos estavam fazendo terapia.
Os heróis decidiram não divulgar a identidade Moth e Peacock, embora Adrien e Marinette tivessem insistido que Nathalie e Gabriel devessem fazer algo de bom para reparar o mal que tinham causado. Então, a Sancouer Agency criou um programa de estudos para ajudar jovens órfãos a ingressarem nas escolas mais requisitadas de Paris, e Nathalie os visitava pessoalmente, fornecendo materiais, ajuda e companhia. As crianças agradeciam e sua alma também.
Todos os Miraculous, exceto o da joaninha e o do gato, foram devolvidos a caixa e Mestre Fu pode finalmente se aposentar da vida como Guardião. E ao fazer isso, confiou a caixa a Mister Bug e Lady Noire, que eram uma “excelente combinação para proteger os maiores poderes do universo”, nas palavras do Mestre.
Agora, a dupla estava sentada no telhado da mansão Sancouer, olhando o pôr-do-sol juntos e pensando sobre o que o futuro os reservava.
— Alya e Nino estão tão apaixonados que chega a ser um pouco enjoativo. – Adrien quebrou o silêncio, fazendo uma careta – Será que é assim que eles nos veem?
— Possivelmente. – Marinette se aconchegou nos braços do namorado – Mas eu não ligo. Não sou capaz de deixar de demonstrar o meu amor por você, sempre que estamos juntos. – ele beijou o topo da cabeça dela, sorrindo com o pensamento de tê-la a seu lado falando coisas do tipo, para sempre.
— My lady?
— Sim?
— Eu te amo.
— Também amo você, Bugaboy.
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