Miraculous: Secret Wars III
12 We Are All Predestined
Notas iniciais
— Isso é uma decisão e tanto! – Alya exclamou assim que Marinette terminou de contar sobre o possível plano de “retirar os Miraculous da equação”, como a sua versão da Terra-65 tinha sugerido. – E como vamos derrotar Hawk Moth sem os Miraculous? Não poderíamos fazer isso depois de derrotá-la? – Marinette encarou a amiga.
— “Derrotá-la”? É ela... Então...
— Era sobre isso que eu queria conversar com você. – Alya sentou ao lado dela, sua expressão agora era de compaixão. – Kim nos confirmou que a única coisa que sabemos sobre Hawk Moth, ou o que deveríamos saber pelo menos, é que é uma mulher. – Marinette assentiu. Praticamente confirmava o que eles já imaginavam. – Tem que ser a mãe de Adrien. Não existe outra possibilidade.
— E quem sabe a Nathalie, talvez? – se bem que tudo o que a assistente fazia, era por Gabriel. Na linha do tempo anterior ela servia fielmente à família Agreste, mas será que nessa ela serviria fielmente à família Graham de Vanily? Se o motivo fosse trazer Gabriel de volta, quem sabe... De qualquer maneira, parecia improvável. Nathalie trabalhava o dia todo e se fosse Hawk Moth, a mãe de Adrien ao menos desconfiaria e se não falava nada, provavelmente estava envolvida de qualquer forma. Então só restava uma possibilidade. Uma dolorosa possibilidade.
— Eu sei que você não quer encarar isso tanto quanto eu, mas só pode ser a Emilie. Gabriel Agreste era controlador, mas nunca imaginamos que ele pudesse ser de fato um vilão, só que ele era. – Marinette assentiu, enquanto sentia algumas lágrimas escorrerem dos seus olhos. Sentia seu peito doer por Adrien. – E ao que parece, Emilie não é tão diferente. O Adrien não pode nem ir à escola! – Alya segurou as mãos da melhor amiga – Então, talvez ela também seja a vilã.
— Como que o Adrien lembra dela como uma pessoa boa?
— Talvez a memória afetiva dele estivesse falando mais alto, ou talvez ela fosse boa naquela linha do tempo. Mas nessa ela pode não ser. – Marinette lembrou do que ouviu na casa do namorado, de como Emilie fazia o clima automaticamente ficar tenso. A garota odiava essas mudanças temporais e estava cada vez mais certa de que seria uma boa decisão não usar mais os Miraculous, ou qualquer poder que possa mexer com o tempo, novamente. – As coisas mudaram, Marinette. Precisamos acompanhar essas mudanças. – a heroína assentiu.
— Eu sei, Alya. Mas isso tudo da família do Adrien, ele não merece. – Marinette desabou de vez e Alya a abraçou apertado – Do que adianta sermos super-heróis e salvar o dia o tempo todo, mas nunca ter tempo para salvar nós mesmos?
— Ninguém disse que seria fácil. Ninguém disse que isso nos garantiria um lugar no céu. – Alya segurou os ombros da melhor amiga e a afastou um pouco, fazendo com que Marinette olhasse para ela – Mas também ninguém nos obrigou a fazer isso. Só que a gente faz, todos os dias, sempre que alguém grita por socorro. E toda vez que nós caímos, nos levantamos novamente. Vai ser assim sempre. Essa é só mais uma queda. – Marinette deu um sorriso fraco e entrelaçou suas mãos nas de Alya.
— Então vamos nos levantar mais uma vez.
***
— Quer dizer que você está gostando dela novamente? – Marinette da Terra-17 colocou as mãos nos bolsos do casaco. Ela e Luka caminhavam pelas ruas da Terra-17, discretamente. Luka usava um boné para encobrir seu cabelo característico e Marinette colocou o capuz do casaco por cima da cabeça. Seria muito suspeito Luka ser visto por algum conhecido ali com ela, principalmente agora que ela tinha fortes suspeitas que a partida e a perda de contato com seu ex-namorado da Terra-17, tinha sido obra de Adrien, ou melhor, Chat Blanc.
— Sim... Quer dizer, não. Sim, mas não. – ela riu. – As coisas estão se ajustando como deveriam ser, basicamente. Nessa nova linha do tempo, eu estava namorando a Marinette. Então, é como se houvesse um ímã que me deixa mais inclinado a gostar dela de novo.
— E o que o seu coração diz? – Luka parou de andar e Marinette fez o mesmo, ficando de frente para ele.
— Sempre que eu penso nesse meu sentimento pela Marinette da minha Terra, eu... Eu fico pensando em você, porque na verdade é você que eu gosto. Ela só parece você, mas não é. – era muito confuso, para ambos. No entanto, de alguma maneira eles pareciam se entender.
Marinette da Terra-17 e Luka da Terra-616 eram duas pessoas que de certa forma não tiveram sorte com os seus primeiros amores, todavia, pareciam ter se encontrado como se fosse predestinado. E eles não nutriam sentimentos um pelo outro, por se parecerem suas paixões frustradas, talvez no começo, mas agora era diferente, eles realmente se importavam um com outro. Realmente se amavam.
— Eu também gosto de você, Luka. – ela sorriu, um sorriso adorável, o que deixou Luka ainda mais apaixonado. Logo depois o sorriso de Marinette se desfez e ela encarou os tênis surrados – Mas eu tenho medo.
— Eu não vou embora como ele. – Luka ergueu o queixo dela com delicadeza, fazendo com que Marinette olhasse para ele – Ao menos se eu for, com certeza vou voltar.
— Você vive em outra Terra. E se o seu aparelho quebrar? E se não for mais possível viajar entre dimensões? E se... – ele colocou os dedos sobre os lábios dela, a impedindo de continuar.
— Se o meu aparelho quebrar, eu dou um jeito de consertar. Se não for mais possível viajar entre dimensões, eu dou um jeito de descobrir ser. A questão é que eu sempre, sempre vou voltar pra você. – segurou o rosto dela entre as mãos. Marinette deixou algumas lágrimas escaparem, mas com certeza não se tratavam de lágrimas de tristeza.
Marinette se inclinou e Luka fez o mesmo, em seguida seus lábios se tocaram. Ambos sentiam que aquilo parecia certo e que se estavam predestinados para algo, com certeza seria para aquele momento.
***
Emilie passou os braços sobre a mesa, jogando tudo que tinha nela para o chão. Ela sabia que Nathalie provavelmente tinha escutado, porém já tinha dado a ordem para que a secretária não entrasse.
De certo modo tinha sorte de poder contar com a discrição da mulher, embora ainda não entendesse o porquê de Nathalia a ajudar tanto.
— Está tudo bem, senhora Emilie? – Nooroo surgiu, atraindo a atenção da mulher.
— Não, não está. Eu estou tentando elaborar um plano para ter de vez os Miraculous, mas não consigo me concentrar. – esfregou as têmporas, estava completamente estressada naquele dia.
— Quem sabe a senhora não tira um tempo para descansar?
— Eu não preciso de descanso, eu preciso de um plano! – andou até o imenso quadro do marido e abriu o cofre, retirando lá de dentro uma joia em formato de cauda de pavão. – Você disse que é possível combinar mais de um Miraculous, certo?
— Sim, senhora. – o kwami respondeu com pesar – Mas o Miraculous do pavão está danificado. Seria muito perigoso usá-lo.
— Talvez realmente seja. – Emilie desviou o olhar para a foto de família que tinha na parede. – Mas que outra escolha eu tenho?
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