Miraculous: Secret Wars III
20 Eternity
Notas iniciais
Depois que Bunnix entrou na toca, levando Alix consigo, um silêncio ensurdecedor se instaurou no local. Mas logo o silêncio foi quebrado por inúmeros portais se abrindo ao redor deles. Marinette sabia do eles que se tratavam.
Como previsto, várias versões da vilã com o Miraculous da borboleta deveriam surgir pelos portais, aproveitando o momento de fragilidade da equipe da Terra-616 para travar mais uma batalha – principalmente – pelos Miraculous da criação e da destruição. No entanto, mais cedo naquele dia, Marinette sabia que era burrice não pedir ajuda.
Talvez mudar a linha do tempo para evitar a sua morte, não fosse uma boa ideia. Mas para evitar uma catástrofe que alterasse o curso do tempo ainda mais, Marinette precisava fazer alguma coisa.
Ao invés das versões de Hawk Moth, de dentro dos portais, saíram seus amigos portadores dos Miraculous de outras Terras. Lady Noire, Mister Bug, Multimouse... Todos estavam lá para dar apoio.
— A ameaça foi neutralizada com sucesso. – disse Lady Noire, se aproximando deles.
— É, nós nos dividimos e cuidamos desses vilões enxeridos e os mandamos de volta para suas Terras, antes mesmo que chegassem à sua. – Mister Bug complementou. – Até que não foi tão difícil.
— Muito obrigada. – Marinette agradeceu, os abraçando apertado – Não sei o que teria feito sem vocês.
— Imagina, amigos são pra isso. – Multimouse respondeu – Tivemos ajuda, é claro. – Foxy, Red Bug, Tortue, Bee Girl, Aspik... Todos estavam lá.
— Marinette ajuda Marinette. – Lady Noire trocou um sorriso com a sua versão da Terra-616. – E cadê a mãe do Adrien? – Kim apontou para Emilie, que chorava nos braços de Nathalie ainda no chão. As duas não estavam mais transformadas e sequer se importavam com a comoção de heróis ao redor delas.
— Vamos entregar as duas para a polícia. – disse Mister Bug e em seguida desviou o olhar para Adrien da Terra-616 – Tudo bem por você?
— Sim. Elas precisam pagar pelos seus crimes. – respondeu, passando o braço ao redor da namorada. Estava complemente exausto, porém precisava ficar do lado de Marinette nesse momento difícil. Ambos precisavam se apoiar um no outro antes que acabassem desabando – Obrigado pela ajuda.
— Não há de quê. – enquanto Lady Noire e Mister Bug se afastavam para levar Emilie e Nathalie até a polícia, Multimouse se aproximou de Luka.
— Está tudo bem com você?
— Sim. E com você?
— Chat Blanc ainda é um problema dos grandes, se quer saber. Mas não pude deixar de vir aqui ajudar. – os dois sorriram de leve, estavam cansados, assim como os demais. O garoto fez um sinal para os amigos e se afastou, conversando com a versão de Marinette da Terra-17.
— As coisas estão complicadas por aqui. Vai demorar um pouco até que a gente resolva tudo e... – ao sentir a tristeza dele, Multimouse segurou a mão de Luka entre as suas e depositou um beijo. Luka estava arrasado pelo que tinha acontecido com Alix, a ficha ainda não tinha caído.
— Não se preocupe. Vou ficar aqui com você até tudo se resolver, isto é, se você permitir.
— Eu quero, mas... E a sua Terra?
— Posso ir pra lá em alguns segundos, se precisar. – mostrou para ele uma das pulseiras de Lady Noire – Sua amiga me deu uma dessas.
— Ótimo! Depois de tudo isso, podemos começar a fazer planos. – Luka segurou as mãos dela também, ao notar sua apreensão com a fala dele. Ele sabia que o que tinha acontecido entre Marinette e Luka da Terra-17, tinha sido um pouco traumatizante para ela. – Eu não sou como o Luka da sua Terra. Jamais deixaria uma garota como você. – segurou o rosto dela com delicadeza e se aproximou.
— Eu sei. Acredito em você. – Multimouse acabou com a distância entre eles, encostando seus lábios nos de Luka. Assim que se separaram, ela olhou profundamente em seus olhos – Eu amo você.
— Também amo você.
Sabrina veio correndo na direção de Chloé, assim que a loira se aproximou do perímetro feito pelos policiais. Por mais que Roger tivesse negado várias vezes, Sabrina insistiu em vir com ele ao tomar conhecimento no que sua melhor amiga estava envolvida.
Assim que se encontraram, as duas se abraçaram apertado.
— Fiquei tão preocupada com você! – Chloé sorriu, mesmo que tomada pela exaustão. Por mais que Paris não tivesse presenciado nada demais, a batalha trouxe muitas perdas aos envolvidos nelas. Uma batalha silenciosa e secreta, mas que poderia facilmente ser considerada a pior de todas elas.
— Eu estou bem. Está tudo bem. – ela sabia que Alix não tinha de fato morrido, mas mesmo assim, tudo seria diferente sem ela. A loira pensaria nisso depois, pois agora, apenas aproveitaria o abraço da amiga.
Alya e Nino caminhavam abraçados ao lado de Max e Kim, todos cabisbaixos. Eles sabiam que as coisas poderiam ter sido bem piores, no entanto, não podiam deixar de sentirem mal com os acontecimentos. Ao menos estavam em paz, com as pessoas que mais amavam e confiavam.
Enquanto Marinette agradecia os heróis das outras Terras, que impediram uma catastrófica invasão de versões da Hawk Moth, Adrien caminhou até os carros de polícia e entregou ao policial Roger, o gravador que usou na conversa com sua mãe antes da batalha.
— Aqui está a confissão dela.
— Obrigado, garoto. – Roger pegou o objeto e segurou o ombro do loiro – Sinto muito pela sua mãe.
— Tudo bem. Ela quem escolheu esse caminho. – seu olhar encontrou o de Emilie, enquanto esta última era conduzida a embarcar na viatura. A expressão dela era de pavor, como se a ficha de que tinha ido longe demais, ainda estivesse caindo. Apesar de tudo, Adrien não conseguiu sentir pena dela.
Emilie não cometeu erros, cometeu crimes. E agora, precisava pagar por eles.
Adrien andou até a namorada, que guardou o Miraculous da borboleta e encarou os amigos heróis indo embora pelos portais. Se não fosse por eles, coisas muito piores teriam acontecido.
— Como você está? – o loiro indagou, arrancando uma risada sem humor dela.
— Eu quem deveria estar perguntando isso. – ele se aproximou, abraçando-a de lado. – Mas eu estou bem. Só que... – Marinette deu um longo suspiro, olhando para baixo e deixando a frase morrer no ar. Ela estava ansiosa para chegar em casa e ler a carta de Alix. Tinha certeza que guardaria o pedaço de papel como um dos seus bens mais preciosos, pois de certa forma, era uma parte da amiga que levaria consigo. Apesar de pensar assim, tinha certeza de que veria ela novamente.
— O que aconteceu com a Alix não é culpa sua. – disse, pois sabia que ela estava pensando nisso. Não seria Marinette se não estivesse pensando em todos antes de pensar em si mesma. – Ela escolheu o seu destino. Assim como a minha mãe escolheu o dela.
— Eu sei. – ela passou o braço pela cintura do namorado e escorou a cabeça no peito dele – O que vai fazer quanto ao seu pai?
— A condição dele não tem mais volta. Ao menos nessa linha do tempo, ele terá o descanso merecido.
— E quanto a Nathalie?
— Estava contando que o Mestre pudesse nos ajudar. – Adrien olhou para a namorada – Ela é só mais uma vítima. Como todos os outros que foram manipulados pela minha família.
— Pelo menos agora você está livre. – livre... Aquela palavra fez Adrien refletir. Quando ganhou seu Miraculous, imaginou que aquilo era liberdade, poder sair a hora que quiser e fazer o que quiser. Mas aquilo não passava de um simples desejo. Liberdade é mais do que isso, liberdade é enxergar um horizonte à frente. Um grande aberto, onde ele poderia escolher o seu próprio caminho, fazer suas próprias escolhas, sem medo de errar ou acertar, porque isso faz parte da jornada.
O melhor de tudo, é que Adrien podia fazer todas essas coisas, ao lado da pessoa que ele mais amava no mundo.
Seu olhar encontrou o da namorada e eles sorriram um para o outro. Um sorriso sincero, pois sabiam que apesar de tudo, tinham e sempre teriam um ao outro.
— O que vamos fazer agora? Acha que o mundo ainda precisa de nós?
— Acho. – a garota pegou o Miraculous da borboleta novamente e o encarou – Na verdade, com tudo o que aconteceu, tenho certeza de que precisam de nós. A parte boa é que agora não temos um prazo, não precisamos impedir nenhuma catástrofe predestinada, ou até mesmo consertar algo em uma escala gigantesca. – Marinette deu um longo suspiro – Acho que, de certa forma, estamos livres também.
Adrien estava livre. Marinette estava livre. Todos eles estavam livres. E a sensação era melhor do que eles imaginavam.
“Nas batalhas mais difíceis, que se conquistam os maiores direitos”.
*
*
*
*
*
*
*
*
*
Nove anos depois:
Marinette sabia que a tarde parecia tranquila demais. Um sol brilhante, um clima agradável... Ela e o noivo estavam se divertindo planejando os últimos detalhes do casamento, que aconteceria em breve. Certamente a tarde agradável dos dois, não poderia durar muito tempo.
— Quem assalta um banco de tarde? – questionou Chat Noir, enquanto corria sobre os prédios, ao lado de Ladybug – Não seria mais fácil fazer isso à noite? Sem ninguém na volta? E enquanto a gente já estivesse patrulhando?
— Você parece mais chateado que o normal. Talvez seja porque eles interromperam a nossa prova de bolos. – Adrien fez uma careta. Marinette sabia que estava certa.
— Só fiquei indignado que nenhum dos outros heróis pode ir no nosso lugar. Estávamos cuidando de assuntos muito sérios! – brincou.
— Caso você não lembre, nós meio que demos folga pra eles. – Alya e Nino estavam em uma viagem romântica, Luka estava na Terra-17 com sua namorada, Kim estava acampando com a família, Kagami tinha uma competição importante de esgrima no Japão, Chloé estava estudando para as provas finais da faculdade de moda, assim como Max, só que na faculdade de robótica. Em breve eles se reuniriam, mas não para impedir um assalto, e sim para o casamento de Marinette e Adrien. – Só resta nós dois.
— Como nos velhos tempos, então. – piscou, fazendo ela rir.
— Detesto interromper o momento fofo da dupla, mas sinto informar que hoje trabalharemos em trio. – os dois heróis pararam de repente, se deparando com Bunnix parada no telhado ao lado. Ela tinha saído do portal alguns segundos antes, esperando eles passarem por ali.
— O que traz você aqui? – questionou Marinette com um sorriso. Toda vez que Alix voltava, ela se sentia alegre em ver a amiga novamente – Não que eu esteja reclamando!
— Eu vim passar um tempo na cidade. Meus amigos me convidaram para o casamento deles. Já era hora de eles casarem, inclusive! – o casal trocou um olhar divertido – E eu menti quando disse detestar interromper o momento fofo. A parte divertida de ser a guardiã do tempo, é saber exatamente quando fazer uma entrada triunfal. Ou interromper momentos como esse. – eles riram – Vamos logo! – disse Alix tomando a frente – Assaltantes não se prendem sozinhos!
— Tem razão. – Adrien sorriu divertido e pegou o bastão – O último a chegar fica sem dar a entrevista depois. – dito isso, disparou, com Alix logo atrás.
Marinette balançou a cabeça, achando aquilo divertido. Não se importava em chegar por último, pois sabia o quando seu noivo adorava as câmeras. Não ficaria chateada se perdesse a oportunidade de dar a entrevista e Chat Noir e Bunnix fizessem isso no seu lugar. No entanto, ela ainda era a Ladybug, e simplesmente não podia deixar a afronta do parceiro de lado.
Esperou mais alguns segundos para dar vantagem. E então, com um sorriso travesso, disparou correndo o mais rápido que podia.
Enquanto sentia o vento chocar-se contra seu rosto, Marinette pensava em como sua vida tinha se encaminhando até que ela chegasse exatamente naquele momento. Ela estava prestes a casar com o amor de sua vida, tinha uma família e amigos maravilhosos, era uma heroína e pessoa de quem se orgulhava, a herdeira do legado do grande guardião dos Miraculous e, por mais que Adrien ainda não soubesse, em breve teria um filho lindo.
Ao que parece, após tantas guerras, era possível encontrar a paz.
Fale com o autor