O lugar errado

Soluço P.O.V

Estaria com certeza aproveitando mais aquele momento se a vida de milhares de pessoas não estivessem em risco. Nad, ou melhor, Astrid estava abraçando minha cintura enquanto eu descobria meu talento nato para dirigir uma moto. Berk sempre era linda assim, com o sol caindo deixando um tom alaranjado e rosado no ambiente, normalmente em horas assim eu e ela gostávamos de ficar em cima dos prédios patrulhando.

Nem queria pensar em quanto meu pai devia estar preocupado uma hora dessas, eu tive de mentir para faltar aula e ir receber a homenagem como Fúria da Noite e, quando sequestrado, ele chegaria em casa e perceberia que não estou lá, que menti…

Astrid apertou minha cintura mais forte. Queria ter descoberto a identidade dela meses atrás, quero dizer, semana que vem completaria seis meses desde que nos encontramos pela primeira vez naquela noite de verão… Achei que se soubesse a identidade dela me atrapalharia durante as lutas, mas prece que, lá no fundo, eu sabia que a garota que eu acompanhava quase todo dia até em casa, era aquela que me fez sorrir pela primeira vez… Eu não sei bem explicar, mas eu sabia que tinha alguma espécie de conexão.

Heather ficara na escola de lutas com Asgard, os dois deviam estar a caminho da casa dela a pé, eles nos ajudariam a saber para onde Nightmare estava indo com nossos Miraculous, ou seja, finalmente descobriríamos o esconderijo de Drago.

Ela iria telefonar para o aparelho bluetooth na orelha de Astrid, o mesmo que ela usara para ligar para Heather quando estávamos presos.

— Heather disse que o Fúria da Noite está no centro, Sving está conseguindo convencer todo mundo que ela é você. Quando ela acabar com a imprensa nós a seguimos...

— E então descobrimos o esconderijo de Drago e pegamos nossos Miraculous de volta.

Fomos o mais rápido até o centro, e lá estava Sving se passando por mim. Estaciono numa sombra a distância e esperamos até que esta terminasse de fingir que sou eu para ir ao encontro de Drago. Astrid soltou uma risadinha.

— Astrid! Isso é sério, sabia?

— Me desculpa — ela ri — É que ela até mexe os ombros iguais a você!

— O quê? Eu não faço isso! — Cruzo os braços.

— Faz sim — ela abraça meus ombros — É uma de suas manias mais adoráveis, Milady.

Astrid me fez corar, ela me conhecia melhor que ninguém, às vezes eu detestava isso. Era impossível surpreendê-la.

Seguro sua mão e ficamos esperando pelo momento certo.

Sving foi bem rápida, sumiu pelos prédios na primeira oportunidade, a sorte era que eu conhecia tanto o chão quanto o céu, conheço essa cidade com a palma da mão.

Tínhamos de ser cautelosos, pois essa garota era esperta até demais.

— Heather deu um jeito de invadir as câmeras de segurança da polícia, ela vai acompanhá-la pelos helicópteros da polícia e câmeras de vigilância das ruas — Diz Astrid.

— Você pode me explicar como ela conseguiu fazer isso?

— Os pais da Heather são donos da produtora dos equipamentos eletrônicos de toda a Berk, não sabia? Onde mais acha que ela conseguiu todo aquele equipamento da garagem?

— Avise ela que chegamos, então.

Eu não acreditava que depois de todo esse tempo era aqui, no lugar que eu via todo dia. Drago se esconde debaixo do Hotel “Behind Infinity”.

— Ah, doces lembranças desse lugar — Astrid soa irônica — Tem melhor lugar que onde acabamos esqueletos? Ou quando uma boneca fez um corte em mim e eu tentei te matar?

— Era por isso que todos vinham pra cá, estavam nos atraindo para o mais próximo de Drago onde seus poderes ficavam mais fortes.

Astrid e eu entramos pela entrada de serviço, o local era bem protegido então tínhamos de pensar em cada movimento, por sorte, Heather invadiu o sistema de segurança brincando e chegamos às escadas de serviço rapidamente.

Conforme nos aproximávamos, mais nervoso eu ficava. Tinha terríveis sensações a cada passo, os meus sentidos estavam aguçados como nunca, era como ser um dragão.

No último andar do subsolo encontramos Sving entrando por um buraco na parede tão grande que parecia uma caverna. Todo aquele andar tinha fitas da polícia e sinais de “afaste-se”. Me pergunto como o hotel nunca descobrira que a pessoa mais perigosa d mundo vivia bem ali, debaixo deles.

Estávamos ambos determinados a completar nossa missão, mas, antes de entrarmos, seguro a mão de Astrid decidido a não soltá-la por nada neste mundo.

— Fique perto.

Astrid afirma com a cabeça e entramos.

Havia um cheiro podre de carne morta lá dentro, era incrivelmente frio também, parecia que havíamos entrado num frigorífico seguindo as pegadas de Sving marcadas na poeira terra no chão.

A cada passo o som de uma melodia familiar e acolhedora para mim se espalhou no ar, o som de marteladas no metal. Passamos por corredores onde as luzes estavam caindo do teto entre leves apagões, era possível ver até mesmo o próprio hálito no ar, haviam marcas de garras no chão, paredes e no teto. Haviam gaiolas muito bem improvisadas ali, buracos bem feitos com grades e escuridão, mas tudo o que se ouvia eram rosnados. Astrid segurou minha mão mais forte.

— Que espécie de lugar era esse? — Sussurrou preocupada — O que será aconteceu aqui?

— Espero que algo melhor do que nos aguarda mais a frente — Respondo tentando desviar das câmeras de segurança.

Os passos de Sving silenciaram-se quando chegamos num galpão escuro onde um homem a aguardava sentado numa espécie de mesa de escritório e uma grande cadeira como a do meu pai logo atrás bem ali no meio de muitas caixas e várias telas com cenas das câmeras de segurança.

Infelizmente, tivemos de nos separar e nos escondemos atrás das caixas. Cada um foi para um lado, Astrid apontou para o seu lado sinalizando que iria checar mais de perto, mimiquei para que ela tivesse cuidado e ela respondeu com um dedão positivo.

Fiquei ali, no ponto mais próximo que eu tinha para ouvir a conversa, ouvindo o que eu podia no tempo que eu conseguisse arriscar.

— Viggor, senhor, conseguimos! — Sving soava satisfeita — Onde está Nightmare Moon? Ela lhe entregou os Miraculous para o mestre?

O homem sorriu, levantou-se. pegou a maçã carnuda e vermelha sobre a mesa e ofereceu para Sving.

— Belo trabalho, querida — ele a elogia — Aqui, um pequeno agradecimento pelo ótimo trabalho. Sei que maçã é a sua fruta favorita.

Sving aceita curiosa.

— Que diferente — Diz ela mordendo a maçã.

— Ah, mas essas são um tipo especial de maçã, vindas diretamente da minha terra natal, Colúmbia Britânica, no Canadá — Ele a rodeia — São as mais apreciada no mundo, tanto pelo sabor quanto pela bela aparência. E sabe como são chamadas, minha querida?

Sving nega com a cabeça.

Ele pega a maçã de sua mão e apõe sobre a cabeça dela.

— Ambrosias — Ele responde pegando algo de sua mesa.

Viggor sussurra algo parecido com “Miraculous” e em um segundo o arco da Nadder está em suas mãos com a flecha amaldiçoada.

Sving olha para trás e vê o corpo de Nightmare Moon caído no chão e quando virara a cabeça para Viggor novamente já era tare demais.

Tapei minha boca de um grito, estava ofegante. Meus sentidos estavam loucos, eu não podia salvá-la e, se eu morresse tentando, as outras pessoas em Berk morreriam nas mãos de Drago.

Um homem atrás da cena martelava o metal calmamente, com esforço. Parecia que nada estava acontecendo, parecia mais um dia normal de trabalho e me perguntei se Drago não hipnotizara mais pessoas para serviços rápidos para Viggor.

— Eu sinto cheiro de xampoo de limão — Diz Viggor — Será que a jovenzinha veio pegar seu Miraculous de volta? E o outro também? Bom... Vamos, pessoal, apareçam! Não queiram brincar de pique-esconde comigo..

Um silêncio reinou por alguns segundos até ouvir a voz de Astrid.

— Mas, olhe, é apenas uma adolescente comum — Viggor ri. Ele erguia Astrid pelo pescoço a tirando do chão — Deveria ter sido tão fácil, mas você e seu amigo deram trabalho, querida. Agora onde está ele?

— Eu vim sozinha — Astrid tentou dizer.

Não tinha escolha, eu não posso perdê-la e não há como pegar meu Miraculous de volta. Morreria por ela, mas sabia que ela morreria logo depois.

— Ele também? São apenas duas crianças? Admirável! — Viggor estava admirado e tinha de aproveitar como uma vantagem de algum modo.

— Largue ela, já tem nossas pedras! Não precisa de nós!

— Soluço, não é? O filho do presidente! — Viggor parecia triunfante jogando Astrid contra as caixas.

— Astrid! — Antes que eu pudesse correr até ela ele ergue a mão me impedindo. Astrid parecia inconsciente.

Uma lágrima fujona escorreu pelo meu olho.

— Ah, vejo bem — Viggor alisou o queixo observador — Você a ama, não é?

Ergo a cabela ignorando a lágrima. Me posiciono como Fúria da Noite.

— Pode vir! — O provoco — Você não é páreo para mim!

— Esta um belo dia lá fora — ele aponta uma flecha para o meu peito — Os pássaros estão cantando, as flores desabrochando… em dias como este, crianças como você… deveriam estar queimando no inferno!

Ele atira.

Fecho os olhos.

Mas a flecha não me atinge, em vez disso, meu corpo é derrubado no chão. Astrid me salvou, ela me empurrou e a flecha atingira uma das caixas. Ela estava caída sobre mim, sorrindo por eu estar bem.

— Que bom para você, pelo vista ela te ama também — Ele aponta uma nova flecha — Não se preocupem, eu matarei vocês juntinhos, atravessando seus corações.

Viggor atira novamente, mas Astrid aponta o Miraculous para a felcha.

Um fato curioso sobre essas runas mágicas que nos dão poderes: Quando elas estão sendo ameaçadas, criam um escudo para quem o porta. Desta vez não fora diferente.

O arco desapareceu das mãos de Viggor.

Ele correu para a mesa procurando algo talvez o meu Miraculous, porém Astrid o pegara também e o dera para mim.

— Vamos lá! — Ela me ajuda a levantar.

Astrid veste a runa que voltara a ser um simples colar que nunca havia a visto vestir na vida.

Miraculous Deadly Nadder!

Um raio de luz passa por seu corpo e confirmada ali estava a Nadder Mortal, firme e forte. Agora era minha vez.

Plasma ecksplojon!

Agora éramos eu e Nadder contra o que viésse.

Mas quando olhamos, Viggor havia desaparecido. As orelhas de Nadder se mexeram.

— Não estamos sozinhos, é um truque!

As luzes se apagaram.

Astrid soltou um grito abafado.

As luzes ascenderam-se novamente.

Astrid sumira e tudo o que restava era o seu bluetooth sobre o chão.

— Astrid…

Notas finais
AMANHÃ TEM MAIS MEUS LINDÕES LINDONAS! Eu amo vocês, o apoio tem sido incrivel, esperem por um hiccstrid no próximo ;)