Miraculous! ~ As aventuras de Queen B
5 Selvase - Parte 2
Notas iniciais
Marinette/Ladybug
Não sei exatamente o que aconteceu para eu estar assim. As últimas vezes em que fiquei assustada de verdade ao ver um akumatizado foram em meu primeiro e segundo dia como Ladybug. Agora é como voltar a esses dias. Mas a maneira como a Selvse se apresentou para nós também não foi de grande ajuda: movendo um grande e grosso caule verde enrolado como um trono, sentada como uma rainha e ainda com cara de poucos amigos. Tentei me controlar respirando fundo, assim feito, tomei coragem para confronta-la.
— Para o que, exatamente?
Ela se levantou para ficar em uma posição superior.
— Nada, apenas um pequeno jogo.
— Legal! Adoro um bom jogo. – Chat se animou um pouco ao ver que eu me mostrei normal.
— Não sei se desse jogo você vai gostar. – Queen B interveio dando um passo à frente e protegendo o Chat com um movimento do braço, fazendo ele chegar um pouco para trás. – Ou vamos, Daphné Isley?
Eu e Chat a olhamos um pouco confusos, até que percebemos que esse podia ser o nome humano da vilã. Ao olhar para Selvase e sua cara de surpresa, isso ficou confirmado.
O ícone do Hawk Moth apareceu em volta de seus olhos.
— Não deixe ela te intimidar com isso, concentre-se em pegar os miraculous da Ladybug e do Chat Noir.— A voz do mestre ecoou na mente da marionete. – Não sei de onde essa nova heroína veio, mas vai ser um prazer dar a ela um primeiro dia inesquecível. – Disse ele assim que a telepatia foi desligada.
Selvase pareceu se acalmar.
— Ah, sim. Você deve ser a nova heroína que tanto ouvi falar. Eu devia ter trazido uma arma. – Risada.
Queen B mudou sua expressão fria, ainda que debochada, para uma de pura raiva.
— Você mal soube lidar com um crime um pouquinho mais comum e já no segundo dia terá que enfrentar a Mãe Natureza. Assim fica sem graça, vou até diminuir um pouco a dificuldade do jogo para poder aproveitar um pouco mais. – Selvase continuou o deboche.
— Legal, fera, vamos partir logo para a ação? – Queen B rebateu fazendo Selvase murchar um pouco o sorriso. Chat prendeu a risada.
A vilã refez sua antiga pose.
— Tem razão. – Selvase apontou as palmas da mão para cima, fazendo as plantas ao redor obedecerem ao comando. Nos aprontamos com nossas armas em punho, mais uma vez uns de costas coladas nos outros. – O jogo se chama... Vamos matar os heróis!
Com mais um movimento, as flores coladas nas paredes de antes, soltaram seus espinhos. Queen B agiu rápido, foi para o meio de nós, criou do nada uma fita amarela, a esticou e girou fazendo voltas e voltas ao nosso redor nos protegendo. Os espinhos ricochetearam. Alguns atingiram as paredes, o chão e o teto, já outros atingiram outras plantas e estas murcharam e morreram. Selvase também foi atingida, porém sem danos. Ela deve ser imune ao seu próprio veneno.
Ao ver que suas plantas foram atingidas e mortas, Selvase agiu como se sentisse a dor delas ou coisa do tipo, dando um pequeno grito, se contorcendo, esfregando o rosto até cobrir a boca e fazendo uma cara de choro. Em seguida, ela nos olhou com tanto ódio que, mais uma vez, fiquei morrendo de medo.
— O que você fez com os meus bebês?! – A vilã voou para cima de nós em direção a novata. Engoli todo o meu medo, a tirei do caminho e usei o ioiô para amarrar suas mãos e fazê-la cair a girando por cima do meu eixo, mas a vilã desfez suas mãos em ramos, se libertando, deu uma cambalhota e voltou a ficar de pé. Quando ela ia atacar de novo, transformando seus braços novamente em ramos que vinham para cima de mim e da novata. Vendo isso, Chat interveio pulando na frente do ataque e girando deu bastão como hélices, fazendo com que se quebrassem em vários pedacinhos que foram se espalhando pelo chão. Selvase ia se afastando até ficar perto da parede e Chat ia se aproximando até eles ficarem, até que perto demais, um do outro. Isso só parou quando a vilã cessou o ataque.
— Desiste? – Chat perguntou debochado, entretanto, percebi um tom de medo discreto.
Selvase apenas riu. Olhei para baixo quando ouvi um barulho de algo rachando ou se abrindo. Os pedaços que foram desfeitos entraram em flor, flores rosadas e de aspecto estranho, como se fossem alienígenas, elas soltaram uma fumaça roxa, densa que mesmo de onde eu estava, pude sentir que o cheiro era forte. Cobri o nariz rapidamente, assim como Queen B, usando um tipo de mascara de gás feita com luz, aparentemente. Mas Chat foi envolvido pela fumaça. Saiu de lá cambaleando, tossindo e caiu desmaiado; só para acordar pouquíssimo tempo depois com cara de zumbi e olhos de cor violeta. Hipnotizado.
— Chat! Deixe-o, sua louca!— Queen B saiu de sua posição e tentou ir até Chat para tentar ajudar. A segurei. Queem B me olhou confusa e raivosa.
“Você pode ser a próxima!”— A lembrei via telepatia. Isso pareceu acalmar um pouco as coisas pra ela.
Selvase riu e caminhou lentamente até chat até chegar perto o suficiente para fazer carinho em sua cabeça.
— Quando eu era pequena, eu sempre quis um gatinho só pra mim. – Ela olhou para nós. – Sonhos se realizam, certo? – Risada.
A risada da vilã foi interrompida por um dardo que passou raspando pela sua bochecha e cravou na parede. Sua expressão congelou, misturando o riso interrompido dom o olhar assustado. Logo, uma enxurrada de dardos começou a passar, obrigando a vilã a se encolher e se proteger. Olhei para o lado e Queen B, obviamente, jogava os dardos com um olhar louco em uma velocidade que nunca imaginei que fosse possível, nem para aqueles que possuem um miraculous; tive a impressão de ver umas linhas douradas e luminosas, como se fossem rastros com raios também dourados.
— Não fique ai, parado! Me defenda! – Chamou Selvase, encolhida no canto e protegendo os pontos vitais, cabeça e peito.
Chat atendeu as ordens, atacando Queen B. Ela se defendeu, do que poderia ter sido um belo golpe na cabeça, colocando os braços na frente em forma de “X”.
— Por favor... – Queen B implorou e parecia estar perdendo as forças.
Percebendo a ameaça, fui correndo tentar ajudar. Mas com um simples movimento de mãos, a novata conseguiu agarrar o bastão, gira-lo e dar um golpe na cabeça do Chat. Apenas para afasta-lo, ela não parecia querer feri-lo.
“Eu cuido dele, vai atrás da Selvase!”— Obedeci, sem muita alternativa.
Rezando internamente para que o Chat não se machucasse muito, parti para confrontar o akuma. Selvase transformou novamente suas mãos em vinhas e as esticou até mim, como se quisesse me empalar. Dei um salto, ficando deitada em pleno ar, girei e consegui passar por entre ele. Pousei no chão e olhei para trás; as vinhas estavam voltando em um tipo de abraço que me mandariam direto para a vilã. Me joguei no chão, os braços perderam o controle e deram um belo golpe no rosto da Selvase e ela caiu no chão, sentada e desorientada.
Era a minha chance!
— Talismã!— Girei o ioiô, as joaninhas saíram e formaram um isqueiro que caiu diretamente na minha mão. – O que vou fazer com isso?
Infelizmente, não tive muito tempo para pensar. Como se fosse um mecanismo de defesa, assim que Selvase caiu no chão, as flores nas paredes de abriram de novo, mas dessa vez, soltaram uma fumaça verde e densa. Se Queen B não tivesse vindo com tudo para cima de mim e feito um tipo de barreira em forma de cúpula – De novo, feita de luz. – eu não sei o que teria acontecido.
— Mas e o Chat?!
— Ele está aqui. – Queen B indicou com os olhos um Chat Noir inconsciente e enrolado em um emaranhado de fitas amarelo douradas, como se fosse um casulo. Queen B se surpreendeu com alguma coisa. – Ladybug, a Selvase!
Me virei e vi a vilã sendo engolida por uma flor rosa gigante que se enterrou no chão. Ao nosso redor, todas as plantas morrerem, muito provavelmente por causa da fumaça, mas a mesma continuou no ar.
— Ok, o que a gente vai fazer? – Queen B parecia estar se concentrando muito para manter a barreira, então eu sabia que tinha que ser rápida mais uma vez.
— O seu teleporte!
— Não dá! Preciso saber pra onde eu vou. Depois eu explico.
Droga! Botei meus neurônios para funcionar. Me lembrei que a novata era bem rápida, a ponto de soltar raios – Ao que tudo indica. – e que seus dardos eram bem fortes. Somando as informações, procurei a janela mais próxima. Quando achei, comecei e executar o plano.
— Ok, então, quando eu chegar ao três, você atira um dardo bem forte naquela janela, segura nós dois e corre o mais rápido que você puder. Entendeu?
Queen B olhou para a cúpula e respondeu com um tom sarcástico:
— Tá. Vai ser legal. – Nós compartilhávamos o nervosismo, mas também não podíamos ficar paradas lá esperando a cúpula ceder, né?
— Lá vamos, nós. – Engoli seco. – Um. Dois. E três!
Eu nem tive tempo de piscar e já estávamos do lado de fora do prédio. Estávamos nós duas ofegantes agarradas na parede a alguns palmos de altura e com a fumaça se acumulando no chão. Eu estava nas costas da Queen B e quando reparei segurei mais firme. Chat Noir estava debaixo do braço dela ainda dormindo.
— O que... O que você fez com ele...?
— Foi só um tranquilizante... Ele vai ficar bem... No máximo... Uma dor de cabeça bem chata quando acordar... – Eu entendo do porque ela estar sem folego, mas eu? Sem tempo para esclarecer dúvidas comecei a pensar em como achar a Selvase.
— Você... Consegue voar ou usar aqueles seus óculos...?
— Óculos sim, voar não. – Queen B parecia melhor de folego.
— Tudo bem, então... – Procurei e mirei em um prédio alto próximo. – Segura o chat! – Agarrei a novata, lancei meu ioiô e nos joguei no telhado.
Quando aterrissamos, Queen B pôs Chat gentilmente no chão e verificou se ele não estava machucado. Gastando um bom tempo, inclusive.
— Queen B! – Chamei.
Na verdade, eu não tenho nada contra essa proximidade que ela demostra ter. Por mais que eu me sinta lisonjeada e tal pelo Chat gostar de mim, eu só tenho olhos para o Adrien, então, se ela se mostrar confiável, eu até posso apoiar se ela quiser alguma coisa. Mas, ela ainda não conquistou a minha confiança e estamos em maus lençóis aqui.
Ela deu uma última olhada rápida e caminhou até mim.
— Desculpa.
— Não, tudo bem, só vamos resolver esse problema primeiro, depois você volta para o seu Sapo Encantado.
Queen B toda ficou vermelha de boca aberta.
— N-não! Er... É só que... O Chat...! – Ela começou a se enrolar e tropeçar nas palavras. Se rosto estava mais vermelho que meu uniforme, gesticulando e tudo mais. Parecia até eu quando falo com o Adrien ou sobre o Adrien.
Não segurei a risada. Queen B fechou a cara e cruzou os braços olhando para o lado.
Foi um bom alívio. Graças a isso, eu voltei ao normal. E esse dia está sendo bem educativo. Aprendi que a novata é bem séria e imponente quando quer, realmente é bem instável, ainda mais se tratando do Chat, mas, admito, até que pode ser uma boa segunda em comando pelo jeito que consegue lidar com situações difíceis e pensar rápido. Porém, ainda conserva uma lado... “Fofo”.
— Relaxa, tá? Eu sei que muita gente pensa que eu e o Chat estamos namorando, mas na verdade não tá rolando nada. – Queen B se virou com cara de quem não consegue acreditar. – O Chat é legal e tudo, mas a verdade é que meu coração pertence a outro, então, se você quiser ficar com ele e ele concordar, não vou brigar, mas primeiro temos uma crise pra resolver.
Queen B me olhou por alguns segundos, depois, tentou, mas não segurou a risada. Ela riu alto e chegou até a se contorcer. Não entendi nada, mas logo ela se recuperou.
— Tudo bem...! – Ela tentou recuperar o fôlego. – Vamos pegar esse akuma. – Ela riu um pouco baixo. E ativou seus óculos. – Último andar. O refém também está lá, junto com o que pode ser um obstáculo. E o seu isqueiro?
— Bem aqui. – Mostrei. – E que tipo de obstáculo?
— Ah, o de sempre... Zumbis.
Voltei a ficar nervosa.
— Ótimo...!
Ela riu.
— Pelo menos, não estamos sozinhas.
Dei de ombros.
— Tudo bem, então, vamos?
— Você primeiro. – Ela me deixou passagem.
Decolei com meu ioiô e a novata veio logo atrás com a fita.
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