Notas iniciais
Sim! Eu reescrevi o cap! Queria fazer de um jeito mais profiscional, ele estava me incomodando muito. Se quiserem ler de novo...

Eu me chamo Marinette, uma menina como as outras...

Mas tem uma coisa que ninguém sabe. Porque eu tenho um segredo: sou a super-heroína Ladybug. E hoje, está sendo um daqueles dias...

Tudo começou com uma garota nova na escola, Laila. Ela é uma mentirosa compulsiva! Começou dizendo que conhecia o príncipe Alý, depois que já foi para Hollywood, dai que fizeram uma música pra ela e por ai a fora. Mas a gota da água foi quando ela decidiu mentir pro Adiren. Ok, admito que eu fui um pouco grossa com ela. – Foi o calor do momento. – Ela foi akumatizada e parece que ainda está com raiva.

Ela também roubou um livro muito esquisito de super-heróis. A Tikki ficou muito agitada por causa disso e me levou para ver um tal guardião... E era o mesmo curandeiro que cuidou dela já faz alguns meses... Será que tem como esse dia ficar mais estranho?

— Olá, Ladybug. [OST: https://youtu.be/2VD-09cfiLk?list=PLgM9f9lUw8i7JQnxqOPmb7vE30hwPU2FA] — Ele me cumprimentou. Quase gritei quando ele disse isso.

Entrei na sala calada e muito nervosa, a porta se fechando atrás de mim só ajudou a piorar tudo. Dei um pulo com o barulho que nem foi tão alto assim. Ele riu.

— Tenha calma, minha criança, não lhe farei mal.

Dei um sorriso sem graça e me sentei na frente do senhor. Tikki sentou no meu colo. Eu ia dizer para ela se esconder desde que entramos, mas eu estava tão nervosa que me esqueci completamente.

Engoli seco e gaguejei.

— A-a Tikki di-disse que v-você passou muito tempo procurando isso... – Abaixei a cabeça e entreguei o livro. A senhor o pegou e passou os dedos pela capa.

— Ah, sim... Ele é muito importante. Mas levará um tempo até eu decifra-lo completamente. – Ele deixou o livro de lado. – Por hora, falaremos de outro assunto. – O olhei assustada. – Marinette... – Me assustei de novo. –... Quero dizer que tudo pelo qual você passou até agora, será fichinha comparado ao que vem a seguir. – Ele se levantou com as mãos nas costas e parou na frente de uma vitrola antiga. – Você passará por testes, você fará aliados... E inimigos. Principalmente inimigos. — Ele saiu da frente da vitrola e continuou andando enquanto vinha até mim com um olhar muito sério. — Por sorte, o inimigo de ontem, pode ser o aliado de hoje. Seja corajosa e confie em seus companheiros. E confie ainda mais em si mesma.

— O que vai acontecer dessa vez, Mestre Fu? – Tikki saiu do meu colo como um jato e perguntou agitada.

— Podemos esperar de tudo, pequena. Proteja-a. – Disse ele meio sério.

— Sim, Mestre Fu. – Tikki se curvou.

— Até breve, Tikki. – Acenou um Kwami de tartaruga. Tikki apenas acenou de volta e fomos embora.

Saímos da clínica do tal Mestre Fu. Tikki se escondeu na minha bolsa. E eu tinha mais perguntas do que respostas.

— Tikki, eu não estou entendendo nada. Quem era aquele? Quem era aquele Kwami? Do que ele estava falando?

— Sinto muito, Marinette, mas acho que é melhor não dizer nada por enquanto. Apenas seja paciente e lembre-se das instruções do guardião.

— Ok, eu vou tentar. – Sorri, mas eu estava gritando por dentro.

O dia seguinte foi como se nada tivesse acontecido. A escola estava normal, Alya estava normal, meus pais estavam normais... Alguma coisa sempre me assustou nessa normalidade toda; meu mundo podia estar uma bagunça gigantesca! Mas todos os outros estavam normais e bem. Me dá inveja até hoje.

Meus pensamentos ainda estavam na clínica do Mestre Fu, tentando interpretar o que ele disse, foi quando um barulhão de madeira sendo socada me acordou. Era a Chloe que jogou sua bolsona na minha mesa.

— Ai, meu Deus! Que coisa pesada! – Ela fez o maior teatro. Olhei de leve dentro da bolsa, nem tinha tanta coisa assim e nem devia estar tão pesada. A olhei torto. – Ah, você me desculpa, não é? Foi só um acidente. – Ela me olhou com ironia.

Respirei bem fundo.

— Ok, Chloe, eu te perdoo. Porque é isso que as pessoas boas fazem e...

— Ótimo, até. – Ela não me deixou terminar.

Bufei baixo.

— Por quanto tempo você aturou essa criatura? – Nino perguntou baixinho para o Adrien.

— Por mais tempo do que eu gostaria. – Adrien revirou os olhos. – Mas hoje eu tenho você... E o pessoal. – Adrien virou de lado. Nino se inclinou para ver o outro olho e tinha uma lágrima. Adrien percebeu, a secou e balançou a cabeça. – Ah, é legal não ter que falar sobre lojas e moda.

Eles riram.

Logo depois, a Alya veio falar comigo.

— Então, o que está deixando sua cabeça tão nas nuvens? – Ela falou brincando. Mas percebi que ela tinha um quê de preocupação na voz.

— Hã... Você sabe quem me deixa nas nuvens. – Fingi olhar apaixonadamente para Adrien. O que virou verdade logo depois.

— Não essas nuvens. As suas nuvens parecem mais escuras e pesadas. – Ela se preocupou mais ainda.

É irônico ser um super-herói que luta a favor da justiça... E ter que mergulhar de cabeça em mentiras. Se perguntarem para mim, direi que a pior parte de ser um herói é mentir para todos que você conhece. Quando eu pensava que essas coisas existiam apenas nos filmes e revistinhas, eu costumava dizer que o Batman faria um trabalho melhor se tivesse sua identidade revelada ou que o Homem-Aranha estaria ajudando mais a Tia May patenteando a sua teia artificial... Ainda acho, mas esses são personagens fictícios, alguns até ficam ricos de uma hora para a outra, mas eu, o Chat, nós somos pessoas reais. Eu não tenho uma caverna cheia de armas e armaduras para defender meus pais caso o Hawk Moth venha para tomar meus Miraculous. Tenho que continuar essa farsa, querendo ou não.

Engoli seco com flashbacks de ontem passando na frente dos meus olhos e parei de fingir.

— Eu não posso contar. – Fui meio burra nesse momento, mas não me arrependo de ser sincera em pelo menos uma coisa.

Alya serrou os punhos depois os desfez. Acho que ela está começando a ficar com raiva pelas minas desculpas. – “Ah, vá?”

— Tudo bem, tá legal. – Ela levantou os braços em rendição e sorriu pacientemente. – Mas quando puder ou só quiser dizer alguma coisa, pode me contar.

— Ok. – Nos abraçamos.

“Me desculpa...”— Falei em pensamento.

E nesse exato momento, Laila entrou na sala abrindo a porta com força. Ela chegou batendo o pé e jogou a mochila na mesa. Ela estava com uma cara de poucos amigos que dava medo. – Pelo menos em mim. – E parecia estar mais desarrumada que quando chegou; tipo, tentando manter as aparências só que estava na cara que ela era “obrigada” a fazer isso.

— Senhorita Laila! Nada justifica esse comportamento. Para a sala do diretor! – A professora Mendeleiev bravejou apontando para a porta. Laila bufou e foi andando. Juro que senti o chão tremer. Deu pena...

— O que deu nela? – Alya quis saber.

— A Ladybug estragou as chances dela com um garoto que ela gostava. E ela continua com raiva. – Respondi disfarçando meu pesar e auto raiva.

— A Ladybug?! – Alya ficou surpresa. – A nossaLadybug? Mas ela nunca faria isso, o que aconteceu? – Disse ela com o mesmo tom de uma criança quando falam que Papai Noel não existe.

Sorri de nervoso, mas estava com o coração pesado uma tonelada só de lembrar o quanto fui nojenta com a Laila naquele dia. Tenho que aprender a controlar minhas emoções durante o trabalho.

— É... Eu também queria saber. – Fechei os olhos me senti dividida entre a Ladybug e a Marinette. Uma queria fazer o que é certo e conseguir o perdão da Laila e a outra não engolia o orgulho e nem queria arriscar com o Adrien. E era eu quem iria decidir o desempate.

De repente, ouvi sirenes da polícia. Os carros estavam em alta velocidade, como se fosse uma corrida de algum filme. Levantei a mão e falei:

— Professora, meu estomago doí! Preciso ir à enfermaria. – Fingi esfregando a mão na barriga e uma forçada expressão de dor.

— Ok, Marinette, pode ir. – Como a professora Mendeleiev se acostumou as minhas desculpas, nem se importou. Foi quase como se eu estivesse sendo expulsa de sala. – E você também Adrien.

— Mas eu não disse nada. – Adrien se virou da janela. Estava olhando a movimentação há um tempinho.

— Não precisa. – Ela falou sarcástica e voltou a escrever como tivesse dito algo supernormal.

Saí correndo na frente e nem liguei pro Adrien. – Por incrível que pareça. – Cheguei ao banheiro e chamei a Tikki.

— Tikki, transformar! – Tikki entrou meus brincos. Passei as mãos na frente dos meus olhos e fiz minha máscara. Estiquei a mão e as mangas do uniforme cresceram. Flutuei e girei no ar para fazer o resto do uniforme. Meu ioiô apareceu na minha cintura. Levantei os braços e uma das pernas e fiz minha pose forte e determinada.

Sai correndo até a janela e atirei meu ioiô em um prédio próximo e me lancei. Fiz várias vezes à mesma coisa até chegar ao local do tumulto. Vi os policiais armados e protegidos atrás das portas de frente a um salão de beleza. Não podia ser um akuma ou estaria tudo mais surreal que isso.

— Parece que A Cidade do Amor não tem tanto amor assim. – Chat apareceu do meu lado. Não me assustei, mas fiquei surpresa.

— O que significa... – Brinquei para fazê-lo continuar.

— Significa que um ex-marido inconformado está fazendo a ex-mulher de refém naquele salão. Ela estava se arrumando para seu primeiro encontro desde o divórcio.

— Parece que vamos ter que ser educados... – Comecei a pensar num plano quando...

— Educação é com a nobreza. – Ouvi uma voz bem feminina. Era uma garota de roupa colada amarela e preta, nos braços pareciam luvas longas sem dedos; tinha um “M” preto na parte do busto e um “V” grosso e outros mais finos até o ventre, “V’s” invertidos nas pernas iniciando algo parecido com meias longas, nos dedos dos pés tinha um semicírculo e nos calcanhares algo que parecia um saltinho em amarelo; seu cabelo era longo e estava preso em um rabo de cavalo de ponta enrolada, como um cacho; o elástico era preto e tinhas umas anteninhas também pretas e colocado no lado superior direito de sua cabeça, ao lado do elástico, tinha uma joia em forma de abelha; além de uma bolsa pequena amarela com um alvo preto e franjinhas nas laterais com miçangas de abelhas, e uma mascara amarela e preta. A camada preta bem grossa contornando os olhos e a parte amarela preenchendo o resto. Ela sorria e parecia estar bem animada. Desconfiei na hora.

— Quem é você?! – Quase gritei enquanto a examinava de cima a baixo.

A jovem misteriosa pensou um minuto com os dedos no queixo. Quando achou sua resposta ela deu um sorriso largo e meio bobo.

— Queen B, as suas ordens. – Ela fez uma reverencia bem teatral. Pior que as do Chat. – Acabei de receber o meu Miraculous. E é uma honra te conhecer. – Ela parecia conter uma animação ainda maior. Ignorei e busquei uma desculpa para falar com o meu parceiro.

— Hã-ram... Chat... – Falei nervosa.

— Não precisa falar duas vezes. – Ele se levantou também nervoso e fomos até um canto silencioso e longe da Queen B.

A tal novata ficou com cara de irritada quando nos viu nos afastando de ela. Juro que ouvi zumbidos. E acho que teve um raiozinho.

— Isso não te lembra de alguma coisa? – Perguntei sussurrando o mais discreto que eu podia naquele momento.

— Claro que lembra, por isso eu disse a ela para te esperar. – Ele retrucou meio sem saber o que fazer.

— E se ela for outra akumatizada? – Fiquei um pouco brava.

— Eu sei! – Ele aumentou um pouco seu tom de voz. – Mas pense por este lado: nunca lidamos com uma negociação antes. Sempre lutamos contra akumatizados e quase nunca combatemos crimes normais. Ela pode ser útil. – Chat sorriu por não saber mais o que fazer.

Suspirei pesadamente.

— Você pode ter razão, mas é que... – Bufei e não consegui terminar.

— Eu te protejo, My Lady. – Chat fez uns malabares com o bastão como se estivesse lutando, me fez rir.

— Bom garoto. – Acariciei seu queixo como se ele fosse meu bichinho. Meio sem motivo, olhei na direção que a Queen B estava. Ela tinha sumido. – Ué, cadê?! – Chat caiu no chão quando o soltei por causa do efeito do carinho. Não me importei e fui até mais na beirada, Queen B estava entrando no salão. Grunhi pensando: “Outra, não!” – Vamos! – Chamei o Chat enrolando meu ioiô numa base próxima, Chat se levantou e me seguiu com o bastão.

Pousamos no chão logo atrás da polícia.

— O que está acontecendo? – Perguntei para um oficial.

— Uma amiga sua entrou do nada no salão e disse que podia tomar conta disso. Decidimos não impedir, já que ela é uma super-heroína...

Na próxima vez, impeça!— Gritei, ele me olhou com espanto. – Sinto muito, mas você não se lembra da Volpina de algumas horas atrás? – Falei ainda brava. O oficial ia abrir a boca para falar, mas eu ouvi o barulho de vidro quebrando e não pude ouvir.

Eu e Chat saímos em disparada, arrombamos o salão e nos deparamos com a Queen B desmaiada no chão... E um homem com uma arma.

Era como se fosse um filme policial: a arma soltava fumaça e parecia muito pesada, dava para ver no modo como ele a segurava. O homem parecia perturbado, olhos arregalados, suando, agitado, trêmulo... Abraçava a ex com tanta força que parecia mais um sossega-leão que qualquer outra coisa. Ela chorava cheia de medo, e o modo como ela juntava as pernas indicava que ela estava quase se urinando. O homem também gritava alguma coisa que eu não ouvi porque eu estava preocupada com outra coisa: a Queen B, encolhida como um feto, com uma expressão de dor no rosto, a mão no abdômen fazendo pressão, olhos lacrimejando de tão forte que se fechavam... Então, ela desmaiou. Percebi que eu tinha que ser rápida.

Talismã! — Gritei meu poder especial sem pensar duas vezes. Girei meu ioiô no ar e de lá saiu uma seringa. Perguntei-me o que eu faria com isso e comecei a procurar os sinais. Tudo ficou em preto-e-branco enquanto meu poder era ativado; depois de procurar em tudo uma aura vermelha com bolinhas pretas piscou nos objetos que eu precisaria: o anel do Chat, o esguicho de incêndio, um botão na parede e o homem armado. Não perdi mais tempo. – Chat, fogo! – Apontei para o teto. Ele entendeu e bateu o bastão no botão do alarme, quebrando o vidro e ativando os esguichos. A energia se desligou na hora e a água começou a cair. O homem largou a ex por impulso para se proteger da água que caiu feito catarata. Ela conseguiu fugir. Indiquei com a cabeça um local seguro para onde correr, ela obedeceu. Com muita sorte, o homem também tinha soltado a arma, talvez por estar muito em choque com a situação ou não sei. Ele estava em orbita! Continuei com o plano – Agora a arma!

Cataclismo! — Uma bola negra apareceu na palma de sua mão, Chat fechou o punho e o balançou ativando seu poder. Chat saltou sobre a arma. O homem tentou pega-la de volta sem perceber que o poder do Chat tinha sido ativado. Chat deu um tapa na arma para afasta-la da mão do bandido com cuidado para não toca-lo com a mão do ataque. Ele continuou insistindo. Chat cravou suas garras na pele dele. Ele ficou atordoado com a dor e Chat conseguiu tocar a arma com a mão do Cataclismo. A arma enferrujou e se desfez. Quando acabou, aproveitei que o home ainda estava se lamentando pelos furos de unha fui aplicar o sedativo em sua perna. Ele ainda tentou me agarrar, mas Chat o pegou pelo pescoço com seu bastão e o imobilizou o envolvendo entre as pernas. Segurei onde podia, tirei parte da calça que cobria a pele, esperei o momento certo e o sedei. Sem tempo para ser gentil. Ele apagou na hora. – Podem prender! – Chat se levantou quando viu que ele tinha apagado e gritou para o lado de fora, um policial veio correndo algemar o bandido. Ele me ajudou a levantar também, aceitei para não ser grossa.

— Bom trabalho Lady... – Um policial falou, mas não estávamos mais lá. Levamos a Queen B para onde fosse seguro. Morrendo de medo, sem saber o que deveria ser feito.

Do lado de fora, em cima de outro prédio mais afastado, deixei a Queen B no chão esperando ela acordar. Ela ainda estava encolhida, como se estivesse dura ou algo do tipo. Não sei se foi medo, mas eu juro que ela parecia morta a muito tempo. Eu estava com medo e em choque assim como Chat, nenhum dos dois conseguiu pesar direito, se sim ela já estaria no hospital.

Ouvi os apitares dos meus brincos e do anel do Chat.

— Temos cinco minutos, se ela não acordar até lá... – Falei tentando parecer o mais serena que pude.

— Não podemos deixa-la assim. – Chat me interrompeu, mas eu não queria terminar a frase.

Ficamos um tempo em silêncio. Chat andava para os lados e eu olhava fixamente para a novata procurando sangue ou sinais de melhora. Nenhum de nós teve coragem de verificar os sinais vitais de tão inertes que estávamos.

— S-será que ela é mesmo igual à Volpina? Q-q-quer dizer, e-ela se sacrificou pela nossa confiança! – Chat começou a tagarelar de tão nervoso.

— Se sacrificar não é a mesma coisa que fazer besteira! – Não me controlei também. Me arrependi no mesmo instante.

— M-mas, se fosse um-ma armadilha, e-ela não teria tomado um tiro!

E finalmente o choque passou e nos demos conta da situação. Alguém levou um tiro!

— Ai, é mesmo! Devíamos leva-la para o hospital! – Falei em pânico.

Chat também se perturbou. Começamos a falar um monte de coisas sem sentido. Como se existe um médico para super-heróis, se isso comprometeria nossas identidades, se costurar uma camisa era a mesma coisa que costurar pele... Estávamos de mãos atadas e muito apavorados. Mas antes que alguém dissesse mais alguma coisa...

— Isso não será necessário. [OST: https://www.youtube.com/watch?v=VSv72WXL4k8] — Queen B apareceu de pé na nossa frente cabisbaixa e pensativa. Ela tirou um dardo da barriga, prateado com listras amarelas e penas com desenho de favos de mel amarelo com uma abelha desenhada no cantinho, e jogou no chão. – Não foi um tiro, foi só o meu ataque especial. – Ela dizia meio rouca e pesada. Senti-me aliviada por ela estar bem e quase a abracei, também senti pena dela por estar daquele jeito e quase a abracei de novo. Contive-me para não dar tanta confiança.

Um silêncio constrangedor se instaurou entre nós; Queen B estava tensa, como se milhares de pensamentos a assombrassem no momento. –Talvez a vida passando pelos seus olhos ou arrependimento por aceitar o Miraculous, não sei. – O vento soprava dramaticamente fazendo seu cabelo voar. Nuvens negras se formavam ao longe. Vi que ela iria chorar e não pude mais ficar sem dizer nada.

— E-eu também fiz muita besteira no meu primeiro dia. – Falei tentando anima-la. Ela me olhou como se pedisse desculpas ou algo assim. Sorri sem jeito. – Não tem problema errar se você aprende com os erros. Amanhã será ser melhor, eu juro. – Continuei tentando fazê-la se sentir melhor. Queen B estava andando até o meu lado indo embora, porém parou e tocou meu ombro ainda triste me olhando como se implorasse alguma coisa. Ela me soltou como se não fosse digna de me tocar, ela continuou andando. Parou no parapeito e ficou de punhos serrados e ombros tensos. Relaxou-os logo e falou sem olhar em nossos olhos.

— Obrigada por se preocuparem comigo, e desculpe pela bagunça. – Ela falava de costas e ombros caídos com voz de choro, depois passou as costas da mão com força nos olhos, balançou a cabeça e se virou sorrindo meio forçado. – Melhor irmos, seus Miraculous estão quase sem bateria. nos Vemos amanhã. Fiquem bien! – Asas de abelha se abriram em suas costas e ela saiu voando. Mesmo de longe, deu para ver que ela se abraçava como quem busca conforto.

Eu e Chat nos entreolhamos e cada um foi para um lado.

***

Minha transformação se desfez na hora que achei um lugar pouco movimentado. Passei em uma lojinha qualquer e comprei um cookie para a Tikki. Coloquei-o dentro da minha bolsa e Tikkie foi comendo. Sentei em algum lugar sem ninguém por perto sem nada pra fazer, esquecendo-me da escola.

— Qual o problema, Marinette? – Tikki perguntou preocupada depois de engolir o biscoito.

Mordi o lábio e passei a mão com força na cabeça. Respirei bem fundo e me abri com a minha Kwami.

— Quando a Queen B apareceu hoje eu fiquei muito desconfiada, mas quando ela sofreu por causa do que aconteceu no seu primeiro dia... – Engoli um choro. – Eume vi nela. Foi como um déjà-vu. E agora eu queria poder saber se ela está bem... – Decidi omitir a parte em que fiquei com trauma por não saber o que fazer por motivos óbvios.

Tikki pensou um pouco, examinado as suas lembranças de quando “tomou conta de mim” naquela hora no prédio; ela largou o cookie e veio flutuando para frente do meu rosto.

— O primeiro dia nunca é fácil para ninguém, nem para as Ladybug’ s dos últimos séculos e muito menos para os outros Portadores de Miraculous. É por isso que somos um time. – Ela sorriu pacientemente. – Quando vocês se encontrarem de novo, façam isso.

Sorri ainda sem humor. Depois me lembrei de algo deveras importante.

Ai! A escola! — Corri que nem uma maluca até um ponto de ônibus.

Perdi o primeiro e metade do segundo turno, mas ainda tinha tempo de pegar a matéria que faltava. Contudo, tinha uma coisa que me incomodava muito desde que voltei: a Chloe estava muito estranha. Estava mais tristonha, pensativa, distante... Acho que a vi chorar. Admito, fiquei com peninha. Ela parecia sofrer de verdade com alguma coisa.

— Você, ela e o Adrien brigaram ou coisa assim? – Alya perguntou chegando de fininho. Assustei-me um pouco.

— N-não. Por quê? – Falei confusa depois de me recompor.

— Vocês três saíram quase que ao mesmo tempo e ela voltou assim, então... – Alya fez um gesto para eu confessar como se eu soubesse de alguma coisa.

— E você se importa? – Ergui a sobrancelha.

— Acontece que toda vez que essa princesinha está assim, alguém se dá mal.

Dei de ombros mostrando que não sabia de nada... Mas tinha alguma coisa dentro de mim que gritava algo. Não sei se eu queria ajudar ou só aquele sentimento de cilada. Olhei para a Chloe um minuto sem dizer nada.

Depois de o que me pareceram horas de agonia de preocupação com a Chloe, que tentava nos convencer que estava bem, o dia terminou e o tempo mudou do nada. Começou ficando nublado quando a previsão era de tempo firme e terminou chovendo. Lembrei-me da Queenbee.

Chloe devia ter passado por uma parada pesada, pois ficou tão abalada que nem abriu um guarda-chuva no caminho da limusine dela. Logo ela que fazia chiliques por causa do cabelo.

Chloe!— Eu e Sabrina a chamamos. Chloe se virou, respirou fundo e continuou andando. Entrou no carro e o chofer fechou a porta; ela não disse absolutamente nada.

Isso devia ser só um momento ruim, porque no outro dia...

— Chloe, você tá bem? – Perguntei quando finalmente tomei coragem depois de respirar bem fundo. Ela ainda parecia meio abalada.

— Ótima! – Ela forçou um sorriso tão bem que parecia real. – Agora, sai da minha frente, não quero ser vista com uma fracassada. – Ela fez um gesto me expulsando como se eu fosse um inseto.

— Mas ontem...

— Ora, ora, ora... Depois eu sou a fofoqueira. – Ela riu de maneira nojenta. Depois foi abraçar o Adrien.

Bufei de raiva. Mas lá no fundo, eu sabia que tinha alguma coisa errada.

Primeiro a Queen B, agora ela... Meu mundo virou de ponta-cabeça. Mas como heroína, prometi ajudar as duas.