Miraculous - As Desventuras de Hibrikid e Roycoral
1 Fiapo de Demônio
Uma Segunda-Feira como Qualquer Outra
O despertador toca, um garoto de dezoito anos acorda em uma cama de solteiro, ele desliga o despertador marcando cinco horas da manhã. A luz do celular apaga, deixando o quarto mais uma vez no breu, até que o garoto finalmente decide levantar e ir ao banheiro. Ao sair, ele se depara com a sua mãe tomando café na mesa de jantar.
Garoto: — “Bom dia mãe.”
Rosana: — “Bom dia filho, daqui a pouco estou da saída, pegou a cópia da chave de casa que eu mandei fazer como te falei?”
Filho: — “Ahhh, a chave?”
Rosana: — “Ramonn da Silva dos Santos dos Reis.”
Ramonn: — “Eu vou lá no chaveiro hoje, prometo! Você sabe que eu esqueço das coisas quando não anoto no braço igual uma tatuagem.”
Rosana: — “Engraçadinho, agora vem tomar o seu café antes que eu anote na sua testa o seu próximo compromisso.”
Ramonn se senta à mesa e toma o seu café da manhã, quando termina, volta ao quarto para trocar de roupa. Ele veste o seu uniforme escolar, que consiste basicamente em um par de tênis, uma calça jeans e a inconfundível e cara camiseta da escola... Ah, e uma tiara. Ele estava precisando de um adereço para prender a franja, que insistentemente caí na frente de seus olhos verdes durante os treinos de vôlei. Ramonn encontrou a tiara perdida em seu quarto, ela não era dele e dificilmente seria de sua mãe por ser uma tiara masculina, mas ele não deu tanta atenção para esse fato. Então passou o tempo jogando em seu celular até que sua mãe o interrompeu.
Rosana: — “Ei, cadê meu abraço?”
Ramonn: — “Aé [Levanto e abraço minha mãe] Nem vi a hora passar, já são quase seis da manhã.”
Rosana: — “E daqui a pouco você saí também, não vá se esquecer hein.”
Ramonn: — “De pegar a chave depois da escola? Eu sei.”
Rosana: — “Isso também, e do que é mais importante, seu valor.”
Ramonn: — “[Fico surpreso e meu olhar suaviza] Pode deixar, vou dar o meu melhor.”
Rosana: — “[Beijo meu filho na bochecha] Tchau filho [Saio do quarto].”
Ramonn: — “Tchau mãe.”
Ramonn passa a próxima hora se preparando para as próximas nove horas que vai passar em sua escola de período integral. Quando faltam dez minutos, ele sai de casa e tranca o portão com o cadeado, que tinha sido deixado aberto por sua mãe quando saiu. A escola não ficava muito longe de sua casa, havendo tempo suficiente para chegar no máximo em cima da hora.
Professora: — “[Ramonn pede licença e entra na sala] Ramonn da Silva dos Santos dos Reis.”
Ramonn: — “Bom dia professora Helen! Tudo bem? Posso ajudar em alguma coisa? [Digo enquanto me sento na primeira carteira da segunda fileira em relação a porta].”
Prof. Helen: — “Tudo bem sim, e o senhor está radiante como sempre, posso ver. Pode ir buscar o controle do televisor enquanto eu faço a chamada?”
Ramonn: — “Oh, claro, é o meu dever como líder de sala afinal [me levanto da carteira e saio da sala].”
“Antônio? (Presente),
Adriano? (Presente),
Andressa? (Presente),
Ananda? (Presente),
Anair? (Presente),
Caroline? (Presente),
Carlos? (Faltou),
Danilo? (Presente),
Dante? (Faltou),
Fabiana? (Presente),
Gabriel? (Presente),
Gabrielly? (Presente),
Guilherme? (Faltou),
Heitor? (Presente),
Igor? (Presente),
Jussara? (Presente),
Jaílson? (Presente),
Jair? (Presente),
Ramonn (Presente).”
Um Dia de Cão
Durante o período da manhã, Ramonn se perdia em pensamentos sobre os seus compromissos naquele dia, aulas para as quais havia se preparado, tarefas para entregar e treinos de vôlei aos quais deveria participar. Durante o recesso, após terminar de almoçar, ele estava com os colegas em uma rodinha de vôlei treinando as posições no meio do pátio. Depois que o sinal tocou a maioria dos alunos começou a subir para as salas, quando de repente uma série de tremores percorreram o chão. Momentaneamente uma sombra estranha passou pelo pátio descoberto, atraindo a atenção de todos ali para uma figura em cima do telhado, um cachorro anormalmente grande semelhante a um “fiapo de manga” de pelo preto com as pontas em vermelho vivo. Alguns alunos ficaram paralisados, desacreditando no que estavam vendo, até que o cachorro pulou do telhado para o meio do pátio e começou a latir, tanto alunos quanto professores e funcionários começaram a correr em pânico. Aqueles que estavam no térreo correram em direção à saída pela secretaria, esbarrando uns nos outros, enquanto os demais buscaram se esconder. Ramonn foi um dos primeiros a conseguir sair da instituição, com a adrenalina correndo nas veias, ele corria quase até os pulmões colapsarem. Quando chegou ao portão de sua casa, lembrou que estava trancado e ainda não havia buscado a chave.
Ramonn: — “Merda! O que era aquela coisa? O que tá acontecendo?”
Com medo do cachorro gigante seguir a multidão pelas ruas, Ramonn resolveu se esconder em um beco próximo, já que não podia entrar em casa, e ir até o chaveiro naquele momento nem passou pela sua mente. Depois de se acalmar, ele ouviu uma voz vinda de cima chamar seu nome.
Voz: — “Ramonn, não se assuste.”
Ramonn: — “Ah? [Olho para cima e vejo uma criaturinha estranha flutuante, semelhante a um leão com chifres de carneiro e uma cauda longa em formato de serpente] AAA! [Recuo para trás até o limite do beco] Que porra é essa?!”
Criaturinha: — “Isso foi rude, mas compreensível, eu sou Unovaa, o Kwami da Criatividade.”
Ramonn: — “V-você tá falando comigo... Okay... Eu enlouqueci de vez.”
Unovaa: — “Para de falar besteira e me escuta, eu sou uma criatura mágica que pode te transformar em um herói com poderes mágicos, e agora isso é bastante conveniente.”
Ramonn: — “Por favorzinho, eu não quero ser uma garota mágica.”
Unovaa: — “Já disse pra parar de falar besteira, garoto mágico.”
Ramonn: — “Eu faço piada quando tô falando com um bichinho alienígena depois de fugir de um cachorro gigante, OKAY?”
Unovaa: — “É KWAMI [Suspiro]... Ainda devem ter pessoas presas na sua escola, se não agirmos rápido aquele cão pode causar alguma tragédia.”
Ramonn: — “E-eu não sei o que fazer... Espera, por que EU tenho que fazer alguma coisa?”
Unovaa: — “Eu sei que isso não tem nada a ver com você, mas se pudesse solucionar esse problema, não o faria? Eu sei que sim, te observo faz algum tempo e acredito no seu potencial.”
Ramonn: — “[Respiro fundo] Tá bom, eu vou tentar... Mas se ele me comer eu te como... Pera, a frase certa não é essa, mas cê me entendeu.”
Unovaa: — “Muito engraçado garoto mágico. Agora, tudo o que você precisa fazer é dizer ‘Unovaa, recombinar genoma’ para se transformar. O seu poder é ativado ao dizer ‘Inovação’, caso precise. Só vai lá e quebra a coleira daquele cão, depois eu explico tudo.”
Ramonn: — “Tá, então... Unovaa, recombinar genoma?”
Unovaa é atraído para a tiara no cabelo de Ramonn, sendo absorvido por ela e mudando a cor do metal de preto para verde com listras brancas. Uma luz branca cai do topo da cabeça até os pés do garoto, e em um instante, ele é revestido por um traje temático de leão com dois chifres curvos de carneiro, um cinto que forma uma cauda temática de serpente e um par de botas que lembram cascos de carneiro.
Ramonn: — “WOW, isso é.... [Observo meu traje pela frente e depois por trás] Muita informação. [Balanço a cabeça] Okay, foco.”
Salvando um Leão por Dia
Ao chegar na frente da escola, Ramonn percebe dois carros da polícia civil estacionados, quatro homens estavam na secretaria tentando ajudar as pessoas que ainda estavam na escola a sair enquanto pediam reforços. O cachorro gigante percebia a movimentação das pessoas no caminho para a secretaria, o que o atraía e dificultava o resgate. Quando Ramonn se aproximou com cautela da porta da secretaria, pode-se ouvir uma chamada de reforços relatando que aquilo não era um “mero” ataque de animal ensandecido, e sim algo verdadeiramente demoníaco.
Ramonn: — “Demoníaco? Bem, a aparência combina com a ideia.”
Policial: — “Hm? [Me viro e ando até a porta].”
Ramonn: — “! [Pulo e me agarro na parede acima da porta da secretaria].”
Policial: — “[Olho em volta e não vejo nada] Tsk, cadê a droga dos reforços? Os militares, a porra do zoonoses, precisamos de todo mundo aqui! [Volto para dentro da secretaria].”
Ramonn: — “Ufa... (A ponta do meu cinto quase encostou nele, por que eu tenho que ter um rabo tão grande? Depois eu vejo isso, agora, preciso chegar ao telhado, não quero ter que me explicar para os tiras), [Começo a escalar a parede até o telhado].”
Quando Ramonn chegou ao telhado, ganhou uma visão privilegiada do pátio. O cachorro demônio gigante parecia roer as mesas e os bancos, e até fez as suas necessidades na área arbórea do pátio, mas ao mínimo sinal de movimento começava a rondar o corredor entre o refeitório e a secretaria, talvez houvesse pessoas presas lá, nos banheiros e no andar de cima.
Ramonn: — “Droga, para que os policiais consigam resgatar essas pessoas, eu preciso distrair o cão. Bem, ele é fofo apesar do tamanho, talvez se eu tentar brincar com ele consiga uma brecha.”
Ramonn pula do telhado caindo no pátio, naquele momento, o cachorro parou de rondar o corredor, mas permaneceu parado no mesmo lugar, quase em transe.
Ramonn: — “Errr... Quem é o bom garoto?! [Grito para ele me ouvir].”
O cão se vira para encara-lo com uma lentidão assustadoramente calma, podia-se ver um certo brilho roxo nas pupilas dilatadas e obscuras do animal, algo realmente estranho estava acontecendo com ele. De repente um arrepio passou pela espinha de Ramonn, um sentimento de medo, como se ele soubesse que o próximo movimento do animal fosse ir com tudo na direção dele. No primeiro sinal de movimento da criatura ele se virou, alcançou uma das janelas do segundo andar da escola com sua corda temática de serpente, que estava encaixada em seu cinto. Ramonn escalou com a habilidade de um alpinista e a urgência de uma presa em perseguição, quando chegou ao topo se afastou da borda temendo uma possível mordida do animal.
Ramonn: — “AH... Ah... Mas que porra? Aquilo foi sinistro pra caralho… Bem, acho que consegui atrair a atenção dele, a minha corda deve mantê-lo entretido até eu me recuperar desse susto e-”
De repente o cão aterrissa no telhado, fazendo Ramonn se lembrar de que ele tinha força suficiente para pular a altura do prédio da escola. Seu coração congelou, nunca havia passado por tanto estresse na vida, era quase como um filme de terror envolto em purpurina. Mas ao encarar a criatura, aquele brilho roxo não estava mais presente, ela estava ofegando e babando pelo esforço do pulo e trejeito canino. Então Ramonn reuniu suas forças e ficou de pé, firmando sua posição no chão para não desabar, não fazer movimentos bruscos ou barulhos altos que poderiam atiçar o animal.
Ramonn: — “[Fecho os olhos e respiro fundo] Inovação [Digo em voz baixa].”
Ao proferir a dita palavra mágica para acessar seu poder, Ramonn ouve em sua mente a voz de Unovaa dizer “Manipulação do Clima”. Quando olha para o céu, ele sente como se as nuvens presentes parassem de se mover ao seu olhar, os ventos que passeiam pelo telhado dançam entre seus dedos, vapor começa a sair de sua boca ofegante como se o ar de repente esfriasse.
Ramonn: — “Manipulação do Clima? Legal... Mas como CARALHOS eu uso isso pra lutar contra um cachorro gigante?”
O animal começa a rosnar, suas orelhas se mantém abaixadas e para trás, sua postura enrijece e se curva, aparentemente se preparando para pular na direção de Ramonn. Os pelos arrepiados das costas à nuca atraem a atenção do garoto para a coleira roxa no pescoço da criatura.
Ramonn: — “Ah, a coleira... (Eu não preciso partir para a agressão, só tenho que dar um jeito de chegar até as costas dele).”
Após respirar fundo, Ramonn estende os braços para cima e se concentra, nuvens começam a se formar logo acima do telhado, e então uma breve chuva cai instalando uma atmosfera quente e úmida ao ambiente. O animal impaciente avança na direção do garoto em um pulo, mas o mesmo se esquiva e congela a água presente no chão ao fechar sua mão em um punho, o cão desliza até a beirada e cai do prédio. Ao retornar, uma névoa se faz presente no telhado, dificultando a visão do cachorro gigante e confundindo-o sobre a localização de Ramonn, que havia se pendurado em sua corda na lateral do prédio para observar.
Ramonn: — “[Ofego] Essa foi por pouco... Consegui evitar o ataque dele e sair de vista, agora só preciso de uma distração para surpreende-lo.”
Ramonn se mantem agarrado à corda com uma mão enquanto usa a outra para dissipar a névoa do telhado e moldar nuvens para formarem um gato de nuvem. Ao identificar o gato de nuvem, o cão cautelosamente se aproxima com curiosidade. O gato se mostra arrisco e curva as costas em formato de U invertido, então o cachorro gigante começa a latir para ele, enquanto isso Ramonn se aproxima por trás do cachorro e pula em suas costas. O contato repentino o faz sacudir e se virar, fazendo o garoto cair de cima dele, mas ele lança uma onda de ar em direção ao chão, impulsionando-o para cima do cão novamente. Agora agarrado à coleira do animal, Ramonn se enfia entre a coleira e a nuca dele, tendo que suportar os sacodes e quase mordidas do cachorro.
Ramonn: — “(Merda-merda-merda! O que eu tô fazendo? Eu nem sei como tirar essa droga de coleira, pelo que eu vi nem tem fivela essa desgraça, onde eu tava com a cabeça quando aceitei a morte certa?!).”
Devido ao estresse de Ramonn pela situação, começou a chover, então um raio atingiu o chão ao lado do prédio, fazendo o cão se assustar com o barulho alto e pular de volta para o pátio descoberto, de lá indo para o pátio coberto se esconder tremendo de medo.
Ramonn: — “[Ofegante], (Graças a Deus... Ele se acalmou... Espera, a coleira dele tá encharcada, o couro absorveu a humidade... É isso!).”
Ramonn segurou na coleira com as duas mãos e estendeu as pernas, usando a nuca do cachorro para apoiar as costas, enquanto isso ele se concentrou em aquecer o ar, o que secou a coleira fazendo o couro encolher contra o ponto de pressão de seus pés fazendo-a arrebentar.
Ramonn: — “Ah! Consegui... Deu certo... Eu consegui!”
De repente o cachorro gigante começa a diminuir de tamanho, sua forma se esfarela em pequenas borboletas negras que logo se dispersam e voam para longe. Ramonn caí no chão e quando percebe, o cachorro gigante virou um pequeno e normal “fiapo de manga” com medo dos trovões.
Ramonn: — “Ohw... Você não é tão demoníaco quanto pensávamos, desculpe ter te assustado, caramelo.”
O cachorro corre para o colo de Ramonn, ainda tremendo de medo, ele o acolhe e sente o pouso de uma grande borboleta azul em seu ombro. Ao se virar, tudo ao redor não passa de um vazio escuro e denso, como um limbo sem fim. Apenas o som da chuva abafada podia ser ouvido, até que uma voz ecoasse de todos os lugares e de lugar nenhum, como um sussurro em seu ouvido.
Desconhecido: — “Interessante... Muito interessante.”
A escuridão se dissipa, deixando os sentidos de Ramonn voltarem à realidade. Ele leva alguns segundos para processar o que acabou de acontecer, mas volta a si quando percebe alguns alunos espiando pela porta dos banheiros.
Ramonn: — “H-Hey! Está tudo bem agora, já podem ir embora.”
Os alunos perdem um pouco do medo ao vê-lo sentado no chão com um cachorro no colo e sem sinais do cachorro demoníaco, então aos poucos eles saem em direção à secretaria. Ramonn se levanta com o cachorro nos braços e foge da escola com seus pulos impulsionados pelo vento. Quando ele chega a um beco discretamente, descansa ao lado de uma lixeira com o cachorro ao seu lado.
Mais Perguntas do que Respostas
Ramonn: — “[Suspiro] Carinha, isso foi loucura... [Olho para o cachorro, ele parece mais calmo agora] Eu te perguntaria sobre aquela voz sinistra e tals, só que você não consegue me responder rsrs... Espera, mas o Unovaa pode! [Levanto e começo a andar de um lado para o outro] Okay, como eu reverto essa transformação? Tudo começou com uma frase, tipo uma senha. Então deve ter uma senha para desligar isso, certo? [Olho para o cachorro que começou a lamber o próprio saco] Você não está ajudando! [Respiro fundo massageando as têmporas] Mmm... Unovaa, recombinar genoma. Unovaa... Fragmentar... Amálgama?”
O traje de Ramonn desaparece de seu corpo em um instante luminoso, voltando-o ao seu uniforme escolar, Unovaa é expelido da tiara na cabeça do garoto e ele estende as mãos para segura-lo.
Ramonn: — “ET de Varginha! Cê tá legal?”
Unovaa: — “Ah... É UNOVAA, como você se sentiria se eu te chamasse de ‘gigante sem noção’? [Flutuo mais próximo do seu rosto, mas volto a cair em suas mãos].”
Ramonn: — “D-Desculpa, calma, você parece fraco.”
Unovaa: — “Relaxa, eu só tô cansado, e com fome. Conseguiu terminar o serviço?”
Ramonn: — “[Estendo Unovaa para ver o cachorro ao meu lado, que começa a latir para ele pensando ser um brinquedo] Shhh! Não, garoto mal.”
Unovaa: — “Você trouxe ele com você? Bem, não importa, só vamos sair daqui antes que alguém nos veja.”
Ramonn: — “Wow-wow, calma aí, eu quero respostas.”
Unovaa: — “E eu tô com fome, vamos pra sua casa e então discutimos isso, você não precisa ir buscar aquela chave?”
Ramonn: — “AH! Verdade, minha mãe vai ficar uma fera se eu não ligar pra ela [Deixo Unovaa flutuando e pego o cachorro no colo] Nossa, sinto como se parte do cansaço tivesse sumido.”
Unovaa: — “Cortesia minha, como é a sua primeira vez, resolvi ficar com a maior parte do cansaço, agora corre [Entro na tiara].”
Ramonn dispara em direção ao chaveiro do seu bairro com o “fiapo de manga” nos braços, após pegar a chave ele volta e entra em casa, deixando o cachorro no chão e correndo para o quarto pegar o celular. Quando está prestes a ligar para sua mãe, ele ouve um barulho vindo da cozinha, ao verificar percebe Unovaa se enfiando em um pote de biscoitos. Ramonn fecha o pote e o segura em suas mãos.
Unovaa: — “Ei! Pra que isso?”
Ramonn: — “Quem te deu permissão pra devorar meus biscoitos? Você não vai sair daí até me dizer o que eu quero saber. Até onde eu sei, você pode ser perigoso.”
Unovaa: — “[Saio do pote atravessando-o] Primeiro, eu sou capaz de atravessar objetos. Segundo, eu não sou seu inimigo, nem seu bichinho, me ouviu?”
Ramonn: — “! [Meu olhar suaviza, suspiro enquanto sento na cadeira] Desculpa, eu só... Passei por muita coisa faz só alguns minutos e eu poderia ter me machucado, ou pior.”
Unovaa: — “[Deixo os biscoitos de lado e pouso na mesa ao lado de Ramonn] Eu entendo, você não confia em mim, e isso faz total sentido na verdade. Mas eu sou afetado por isso tanto quanto você, então por que não começamos com o pé direito?”
Ramonn: — “Certo, você tem razão. [Eu pego um biscoito e estendo para Unovaa, como um sinal de companheirismo. Mas de repente o cachorro pula e abocanha o biscoito da minha mão, levando-o para de baixo da mesa] Ai, ei! Cachorro mal.”
Unovaa: — “Heh... Hehehe.”
Respostas e Ainda Mais Perguntas
Ramonn: — “P-Para de rir de mim! [Coro envergonhado] Era pra ser um momento lindo, rsrs.”
Unovaa: — “Sabe, às vezes rir é o melhor remédio, eu te dou isso. [Eu pego um biscoito do pote e como] Meu nome é Unovaa e sou um Kwami, a personificação de um conceito preso ao diadema que você usa camuflado de tiara. Resumidamente, joias mágicas chamadas ‘Miraculous’ foram criadas há muito tempo atrás por um mago louco.”
Ramonn: — “Nossa, e por que ele prendeu conceitos em joias mágicas?”
Unovaa: — “Acho que para ajudar as pessoas, mas para isso ele nos ligou a objetos sem o nosso consentimento e agora tudo o que podemos fazer é viver com isso.”
Ramonn: — “Quando você fala dessa forma... Parece escravidão.”
Unovaa: — “Tsk, alguns Kwamis podem até gostar de serem usados em troca de brincar com humanos, mas eu não. Meu papel é apenas representar e zelar pela Criatividade humana, nada mais. E não é como se meus poderes ajudassem muito mesmo.”
Ramonn: — “Do que você tá falando? Seus poderes de manipular o clima são incríveis! Eu me senti um Deus com tanta ciência do mundo ao meu redor."
Unovaa: — “Manipulação do clima? Nossa, você teve sorte hoje, ganhou um dos bons. O meu poder se chama ‘Inovação’ por um motivo, toda vez que se transformar e ativa-lo, vai ganhar um poder aleatório, é assim que funciona.”
Ramonn: — “[Surpreendo-me] Isso... Ainda é legal.”
Unovaa: — “[Minha cauda serpenteia atrás de mim] Você não pode estar falando sério. Na próxima vez pode vir um ‘Controlar Sabão em Pó’, e aí? Vai me chamar de inútil igual a todos os meus antigos portadores.”
Ramonn: — “Olha, se o vilão for um monstro feito de roupa suja controlado por uma coletividade consciente que vive na sujeira, isso seria bem útil, heh.”
Unovaa: — “[Coro envergonhado] Você... É bem otimista, não? Mas a ideia foi boa.”
Ramonn: — “De primeira eu também não sabia como usar o clima para bater de frente com um cachorro gigante, a resposta nem sempre é a mais óbvia, isso me fez pensar e encontrar uma solução que nem eu mesmo imaginava.”
Unovaa: — “Heh, falando assim parece que até se divertiu. Admito que me fez lembrar do porquê eu sou tão difícil de lidar, meu poder é para mentes que pensam fora da caixa, como você [Pego um biscoito e começo a comer].”
Ramonn: — “Nem brinca, aquilo foi assustador, e quando aquela voz me puxou pro limbo então, eu quase me mijei hehe.”
Unovaa: — “Hehehe...Heh... Espera, QUÊ?”
Ramonn: — “Ah, esqueci de te falar, depois que eu quebrei a coleira, senti como se algo tivesse tocado meu ombro, quando me virei estava tudo com uma névoa escura. Eu não conseguia ouvir nada direito, estava tudo tão calmo, até que uma voz sinistra falou comigo dentro da minha cabeça.”
Unovaa: — “[Cuspo o biscoito] Você falou com ele? O que ele te disse? Você não contou nada sobre sua identidade civil, né?”
Ramonn: — “N-Não, ele só me chamou de interessante, ou chamou a situação de interessante, alguma coisa assim.”
Unovaa: — “Ufa! Não gostaria de trocar de portador agora que encontrei um funcional, NUNCA deixe ninguém descobrir sua identidade secreta, ouviu?”
Ramonn: — “Eu sei, já vi esse filme. Não sei quem era o dono daquela voz, mas com certeza ele tem algo a ver com o que aconteceu hoje.”
Unovaa: — “Pode apostar que tem. [Ouvimos o som da garagem abrindo] Droga, eu te explico depois [Me escondo na tiara derrubando o pote de biscoitos no caminho].”
Ramonn: — “! Putzs...”
Rosana: — “[Entro em casa depois de fechar o portão da garagem] Querido, fui dispensada mais cedo por conta da chuva, de repente uma tempestade acabou com a eletricidade do prédio e... [Vejo meu filho com um cachorro nos braços e um pote de biscoitos esparramado sobre a mesa] Ramonn da Silva dos Santos dos Reis, o que significa isso?!”
Ramonn: — “Mãe! Então, eu peguei a chave... [Digo sorrindo como se fosse amenizar a situação, o ‘fiapo de manga’ começa a lamber meu rosto] (Você ainda não está ajudando!).”
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