Miraculous - Amor Revelado
40 Sob o olhar da obsessão
Finalmente estava de volta a Paris! Até que não podia reclamar das suas férias de natal, uma vez que divertira-se bastante em sua viagem para fora do país. No entanto estava ansiosa para retornar ao colégio e finalmente concretizar o que vinha planejando há quase três meses.
Chegou ao Françoise Dupont bem cedo naquela manhã. Já era o segundo dia de aula, porém ela havia retornado de viagem no dia anterior e mesmo não querendo faltar no primeiro dia, não conseguiu chegar a tempo do início das aulas.
Dirigiu-se a lanchonete que naquele horário já deveria estar funcionando, mas não teria tanto movimento de alunos, dando-lhe tranquilidade para repassar em sua mente todo seu plano de ação.
Quando colocara os pés pela primeira vez no Françoise Dupont estava empolgada para conhecer pessoas novas e causar uma boa impressão, porém seu primeiro dia na Instituição havia sido um tanto quanto conturbado, refletiu. Não conquistara muitos amigos, pelo contrário, havia conseguido apenas raiva e humilhação. No entanto, por causa disso, experimentou algo muito forte, revelador e único, uma emoção que ela sempre tentava acessar em sua mente, lembrar-se, mesmo que sutilmente, daquele poder...
Pediu ao atendente da lanchonete o de sempre, capuchino, o seu predileto. Enquanto sorvia a bebida quente sua mente prosseguiu em devaneios, arquitetando como se aproximar, escolhendo bem as palavras que usaria a fim de obter a atenção daquele que a atraíra desde o início. Ele nunca saíra da sua cabeça. Todos os dias pensava em tê-lo para si. Era frustrante manter-se afastada quando tudo que ela queria era se jogar nos braços dele, sentir as mãos dele sobre seu corpo e os lábios colados nos seus. Estava obcecada por ele, arrebatada em uma paixão avassaladora e que ela precisou reprimir por algum tempo.
Durante aqueles meses e depois do fiasco do primeiro encontro, ela apenas o tinha observado na escola. Não podia se aproximar de novo, pelo menos não enquanto sua reputação ainda estava manchada. Precisava esperar que a poeira baixasse, porque ela sabia que cedo ou tarde aquilo iria passar. Logo todos esqueceriam seus feitos ardilosos e ela poderia vestir sua máscara novamente encantando a todos, inclusive ele.
Então ela esperou com a paciência de quem sabe que obterá o quer e que seria apenas uma questão de tempo. Algumas vezes ela tentou se aproximar, mas havia empecilhos que, quando chegasse a hora, ela descartaria sem pestanejar. Por pouco não havia jogado tudo para o alto em sua última tentativa frustrada. Ao lembrar-se daquela noite em que o vira na pista de dança... Acompanhado! A raiva que a atingiu causou-lhe ímpetos de violência e por pouco não colocou tudo a perder, por muito pouco mesmo. Porém agora chegara o momento certo e ninguém conseguiria demovê-la de seu objetivo.
Não teve notícias dele nas férias, pois estava fora de Paris, mas estava de volta e pronta para reencontrá-lo e conquistá-lo. Sorriu largamente ao pensar no leque de possibilidades quando finalmente estivessem juntos...
Ao colocar a xícara que segurava sobre a mesa, seu olhar foi atraído por um objeto que estava em cima do balcão da lanchonete. Algo que até aquele momento ela não havia notado estar ali. Uma revista.
O vento frio matinal levantou por poucos segundos a capa e seus olhos verdes recaíram sobre a foto impressa no exemplar fazendo com que lentamente o sorriso fosse apagado dos seus lábios.
Ela praticamente voou na revista, agarrando-a com as mãos de unhas bem cuidadas. Seus olhos focaram naquela imagem do jovem casal que parecia bastante apaixonado. A felicidade expressa na face do modelo captada pela lente do fotógrafo a abalou. Sentiu o ardor das lágrimas que começavam a se formar em seus olhos, apertando a revista nas mãos com força ao ler o título da matéria. Trincou os dentes e sentiu o rosto esquentar. Raiva, ciúme, rejeição, ódio e um imenso, arrebatador... Desejo de vingança. Todos esses sentimentos inundaram seu coração segundos antes dela grunhir como um animal selvagem, espremendo a revista nas mãos, girando nos calcanhares e pisando duro saindo dali sem um rumo certo.
Naquele momento, em algum lugar de Paris, mais uma vez a janela redonda se abriu revelando as grades em formato de borboleta. O homem vestido com seu traje roxo e máscara prateada sorriu largamente.
Os olhos cinzentos brilhavam de contentamento e maldade. Finalmente a espera havia terminado!
— Ahhhh como eu esperei por esse momento! Posso sentir esse misto de sentimentos negativos intensamente! Me dá tanto prazer, é muito forte... A mais forte que já criei – ele riu diabolicamente enquanto uma das milhares de borboletas brancas pousava em sua mão e logo era transformada em um pequeno demônio que levaria o caos.
— Voe meu pequeno akuma e traga novamente essa jovem para o mal.
A borboleta negra fez a sua viagem de destino certo em pouco tempo. Passou por vários dos alunos do colégio que ali se encontravam distraídos e alcançou a garota de olhos verdes e cabelos castanhos que chorava no vestiário feminino. Lila Rossi levantou o olhar no instante em que o akuma passou pela porta e veio em sua direção. Estranhamente ela não teve medo, parecia estar aguardando aquele momento.
O colar com pingente em forma de calda de raposa permanecia em seu pescoço desde a última vez, nunca o tirara porque sabia que seria ali que um dia a borboleta negra voltaria a repousar, dando-lhe mais do poder que ela tanto almejara sentir novamente. Lila observou o voo daquele akuma fascinada, atraída por aquelas cores fortes e chamativas que envolviam o inseto. Era linda e dela emanava tanto poder! Uma força que ela queria, desejava, ansiava para que finalmente pudesse se vingar.
Sorriu no exato momento em que o akuma chocou-se com seu colar e a nuvem negra a envolveu. Parecia ter perdido parte de sua consciência, mas ouvia nitidamente a voz de comando em sua cabeça e sentiu o conforto como se falasse com um velho amigo.
— Sabia que logo você retornaria minha cara. E dessa vez eu te darei mais poder, muito mais força e novos truques para que você possa ter sua vingança tão desejada. O meu preço você já conhece assim como meu nome. Seja bem vinda de volta minha querida Volpina.
E lá estava ela com o traje da raposa traiçoeira de volta, a mestre das ilusões, do engano.
Respirou fundo como se houvesse renascido naquele momento. Sua voz soou venenosa em meio ao sorriso tão maldoso quanto o de seu mestre.
— Sim Hawk Moth!
***
Adrien e Marinette subiam a escadaria da escola juntos, conversando. Mari estava rindo de alguma piada que o loiro acabara de contar. Ele amava aquela risada e naquela manhã era tudo que ele precisava ouvir para sentir-se melhor. Por isso deixou seu lado Chat Noir dominá-lo apenas para fazer sua princesa dar muitas risadas e esquecer as preocupações da noite anterior.
No topo das escadas Alya e Nino chamaram pelo casal acenando.
— Ei pombinhos, se não perceberam, faltam pouquíssimos minutos para o início da aula, vamos lá!
Eles retribuíram o cumprimento de longe e viram os amigos entrando na escola a passos rápidos.
Adrien mantinha a namorada junto a si enquanto caminhavam, abraçando-a pelos ombros e falando palavras carinhosas em seu ouvido fazendo a mestiça corar e dirigir-lhe um olhar apaixonado.
Estavam totalmente concentrados um no outro naquele momento, mas ao cruzarem os portões para o pátio, Marinette sentiu algo estranho e num impulso abriu sua bolsinha, encontrando Tikki com uma expressão estranha, quase desesperada. Adrien percebeu o olhar ansioso da namorada quase no mesmo instante que Plagg se revirava dentro de seu casaco.
Ambos ouviram a repentina agitação dos demais alunos que ali estavam e foram surpreendidos pela figura que flutuava em frente à grade do corredor no segundo andar do prédio. Os olhos verde oliva fulminando-os, acompanhados pelo sorriso de escárnio da raposa traiçoeira.
Não pode ser! De novo não! Era tudo que Marinette pensava naquele momento.
— Volpina... – ela murmurou ainda sem acreditar no que seus olhos estavam vendo.
Adrien envolveu Marinette em seus braços de maneira protetora. Se Volpina retornara só havia um motivo... Sentimentos negativos contra eles.
— Adrien! Estou tão feliz em vê-lo novamente... – Volpina veio descendo em um voo suave aterrissando bem na frente do loiro que já se posicionava entre a raposa e Marinette.
Vários alunos assistiam a cena assustados, inclusive Nino e Alya que estavam mais próximos do casal, porém impotentes para fazer qualquer coisa para ajudar. Só poderiam contar com a chegada providencial de Lady Bug e Chat Noir.
— O que você quer dessa vez Lila? Achei que tudo já estivesse resolvido entre nós. – Adrien foi duro com a garota dessa vez. Bem diferente do que havia acontecido há poucos meses quando a raposa havia invadido seu quarto. Naquela ocasião ele tentara apenas apaziguar a situação tentando faze-la parar de agir daquela maneira, mas já sabia do que ela era capaz e não titubeou ao enfrentá-la mesmo ele estando em sua forma civil.
— Ah não meu amor... – ela tocou a face do loiro com a mão enluvada, nos lábios um sorriso presunçoso. — Nós ainda não terminamos.
Marinette permanecia um pouco atrás de Adrien, totalmente sem reação, ela só conseguia lembrar-se de seu último sonho... Adrien caindo da torre... O pavor daquela lembrança a paralisou. Aquela velha sensação, já conhecida, começava a querer se esgueirar por suas entranhas e tomar conta de todo seu ser, fazendo as pernas bambearem e as mãos tremerem, era o medo. Novamente ele vinha lhe atormentar, o medo de perder a sua outra metade, o seu amor, a sua vida. No entanto antes que fosse completamente dominada por aquilo, ela viu Volpina estender a mão e tocar o rosto de Adrien.
Aquilo foi o suficiente para tirá-la do seu estado de torpor e acender a chama de coragem que trepidava em seu coração.
— Tire as patas de cima dele Volpina! – Marinette vociferou, saindo de trás das costas protetoras do loiro, fazendo com que o mesmo ficasse apreensivo
O olhar de ódio da raposa encontrou-se com as íris azuis flamejantes de Marinette.
— Ora, ora, ora! Você deve ser a Marinette Dupain-Cheng – As palavras escorriam dos lábios de Volpina com puro desprezo – É um prazer conhecê-la... Princesa! – Ela curvou-se em uma reverência zombeteira.
A revista! Então a notícia do namoro deles havia sido o motivo do akuma ter atingido Lila mais uma vez! Maldita revista de fofocas! Pensou a mestiça.
— Pena eu não poder dizer o mesmo. O que você quer? – Marinette repetiu a pergunta de Adrien, fazendo Volpina levantar-se rapidamente e fuzilar a garota com os olhos
— O que eu quero? É simples princesa... Eu vim atrás do que é meu e é melhor você ficar fora disso se não quiser se machucar.
A ameaça velada fez Adrien engolir seco. Ele sabia que Volpina machucaria Marinette se tivesse oportunidade. Precisava que a namorada saísse dali. Queria que ela se transformasse e ele tinha que distrair a raposa para que isso acontecesse. O problema era que Adrien tinha quase certeza de que Marinette não daria um passo se fosse para deixá-lo a mercê da inimiga. Só havia um jeito e ele esperava que a relação entre eles já fosse madura o suficiente para que Marinette entendesse...
— Lila... – Adrien chamou pelo nome verdadeiro da garota com voz suave, fazendo a raposa encará-lo, a expressão maníaca dela suavizando-se também – Eu gostaria que pudéssemos conversar... A sós. – Ele sentiu Marinette retesar-se a seu lado e pela visão periférica viu o olhar dela espantado em sua direção.
Volpina sorriu largamente, sentindo-se vitoriosa.
— Mas é claro meu amor... Vamos a algum lugar onde possamos ficar a sós, longe desse bando de curiosos – ela olhou ao redor ameaçando apenas com o olhar os alunos que mesmo mantendo distância dos três ainda assistiam toda a cena com certa curiosidade, aguardando o desenrolar daquela situação.
Adrien assentiu devagar e sem olhar para Marinette dirigiu-se a ela com a voz fria, sem nenhuma emoção.
— Saia daqui Mari...nette. – Ela arfou, os olhos dilatados encaravam a face do namorado sem acreditar no que estava ouvindo.
Volpina percebeu a incredulidade no olhar da mestiça e tirando suas próprias conclusões lançou a mesma um olhar altivo, cheio de escárnio.
— O que você esperava queridinha? Achou que realmente era uma princesa e que seu trono estava garantido? Ora por favor! Você foi apenas um passatempo até o meu retorno. Afinal, o Adrien gosta de heroínas, você não sabia? O que ele acharia de interessante em alguém como você? Quem é você se comparada a mim, a grande Volpina!
Marinette sentia aquelas palavras como se fossem bofetadas no rosto, mas pior que isso era olhar para a face petrificada de Adrien. Porque ele não olhava pra ela? O que estava acontecendo com ele?
— Você não é super heroína! Você é só uma...
— Marinette! – Adrien gritou. Ele sentiu-se empalidecer com as palavras que Volpina havia praticamente cuspido na mestiça. Com certeza aquelas mentiras a estavam machucando e sua vontade era de mandar a raposa calar a boca, abraçar sua Mari e dizer que nada daquilo era verdade. Porém estava apavorado demais com a ideia de que Volpina machucasse Marinette. Reuniu toda força que conseguiu para encarar a namorada, esperando que a conexão entre eles fizesse com que ela lesse seu olhar e ignorasse seus lábios – Já chega! Vai embora daqui... Eu preciso da minha heroína agora. – estendeu a mão para Volpina que sorria triunfante e olhava aquela cena sem acreditar que havia sido tão fácil tirar a mestiça da jogada.
Marinette fitou os olhos de esmeralda. Os olhos que ela mais amava no mundo. As palavras dele eram frias e duras, mas os olhos... Eu preciso da minha heroína agora. Ela piscou como se finalmente acordasse de um transe. Claro! Adrien queria que ela saísse dali para voltar como Lady Bug. Ele estava apenas querendo protegê-la!
Apesar de não querer deixá-lo de jeito nenhum, ela percebeu a urgência no olhar do loiro. Ele praticamente suplicava para que ela saísse dali.
Marinette fitou os olhos da raposa com as íris azuis ainda faiscantes e um aviso silencioso: Isso ainda não acabou. Deu as costas e correu o mais rápido que conseguiu, tentando ignorar as lágrimas que já se formavam no canto dos olhos.
***
Adrien conseguiu ver uma sombra de compreensão no olhar de Marinette por alguns segundos durante aquela rápida troca de olhares, fazendo com que ele relaxasse um pouco os músculos e suspirasse internamente aliviado. Logo teria sua joaninha de volta, só que em sua forma de heroína, o que a deixaria mais segura, porém ele ainda se lembrava muito bem das palavras de Mestre Fu para que não baixassea guarda. Ouviu a risada de Volpina, que ainda o segurava pela mão enquanto se dirigiam aos fundos da escola, perto da lanchonete, onde havia um pequeno jardim com bancos de alvenaria. Adrien olhou em volta e percebeu que eles ainda eram seguidos por alguns alunos mais corajosos ou curiosos, entre eles, Alya, Nino, Kim e até a Chloé. Com certeza aquela hora os professores e o diretor já estavam cientes do que estava acontecendo. Adrien não queria nem imaginar quando seu pai soubesse que ele praticamente estava encarcerado dentro da própria escola.
Volpina estacou de repente e Adrien ficou olhando as costas da heroína que de súbito tombou a cabeça pra frente e colocou as mãos nos ouvidos, ganindo, como se sentisse dor ou simplesmente quisesse se livrar de algum incômodo. Logo o loiro ouviu a voz da raposa em um berro descontrolado que por pouco não lhe causou um sobressalto.
— Eu sei o que tenho que fazer! Vou resolver o meu problema e depois resolverei o seu – Ela ficou em silêncio por alguns segundos, a respiração descompassada devido a seu estado exaltado. Logo ele ouviu a voz da raposa novamente, agora carregada de ironia e desafio – Se me tirar os poderes, não terá o que tanto almeja.
Ela estava em contato com Hawk Moth com toda certeza. Aquele rato a estava controlando e claro exigindo que ela fosse atrás dos miraculous. Adrien cerrou os punhos, a raiva fazendo seu sangue correr mais rápido pelas veias. Sua intenção era confrontar aquele verme através de Volpina, mas ao dar um passo a frente sentiu Plagg remexer em seu casaco lembrando-o de que não podia fazer aquilo sem estar transformado. Nesse momento Volpina virou-se e sorriu de uma maneira que fez o loiro estremecer.
— Eu esperei muito tempo para isso Adrien. Para finalmente estarmos juntos.
Adrien precisava ganhar tempo até que sua lady chegasse. Com o tom mais tranquilo que conseguiu, ele tentou o diálogo.
— Lila... o que houve para que você ficasse assim de novo? – ele apontou para a raposa se referindo ao porque de ela ter sido akumatizada novamente.
— Você não imagina meu querido? — Ele imaginava, mas precisava ganhar tempo. Meneou a cabeça negativamente e Lila prosseguiu — Eu queria você Adrien! Nosso primeiro encontro foi arruinado por aquela invejosa da Lady Bug. Depois do que ela me fez, todos se afastaram de mim, me chamaram de mentirosa, ninguém acreditava em mais nada do que eu dizia, eu fiquei isolada... Tentei me aproximar de você várias vezes, mas você estava sempre acompanhado por aquele trio irritante de amigos. No dia da exposição do trabalho de história eu estava aqui no colégio. Fiquei observando você de longe... Mas quando não era aquela loira filha do prefeito que pulava em cima de você era a ridícula Marinette que se pendurava no seu braço.
Adrien retesou-se ao ouvir Lila se referir a Marinette daquela forma, mas precisava manter a calma. Ela voltou a falar em um tom ressentido
— Você não desgrudava dela Adrien e quando se apresentaram juntos eu sequer consegui continuar assistindo aquele showzinho. Fui embora pra casa antes que acabasse.
Diante do olhar de ódio e o veneno da mágoa que saía dos lábios da raposa, Adrien decidiu tentar apaziguar a situação
— Nós éramos parceiros naquele trabalho e por isso estávamos sempre juntos.
Ela sorriu, parecendo satisfeita com a explicação
— Eu sei meu amor! — segurou nas mãos do loiro novamente – Eu percebi que não tinha nenhum outro motivo para que você quisesse ficar junto com aquela garota sem graça, principalmente porque logo depois da apresentação do trabalho vocês se afastaram, pareciam até que tinham brigado...
Adrien estava perplexo com todas aquelas informações. Lila vinha observando ele e Marinette todo aquele tempo. Como não notara aquilo? Na verdade havia se esquecido completamente dela, afinal ele nunca teve interesse romântico pela morena, tendo concordado com aquele primeiro encontro apenas por ela ter dito ser amiga da Lady Bug. A garota estudava em outra turma e mal se encontravam pelos corredores! Além disso, ele ficou tão envolvido com seus próprios problemas sentimentais que provavelmente só a teria notado se ela pulasse em cima dele assim como a Chloé havia feito.
— Enfim... — Volpina continuou seu relato. – Minha última tentativa foi o baile no hotel Le Grand. Mas qual não foi minha surpresa quando vi que você também não se desgrudava da Marinette no baile! Eu estava certa que conseguiria chamar sua atenção naquele dia... Tinha me arrumado especialmente para você e eu estava deslumbrante meu querido – Ela insinuou com olhar sedutor e Adrien pensou que naquele dia só tinha olhos para Marinette. Não sabia dizer o traje de mais nenhuma mulher naquele salão, mas lembrava cada detalhe do vestido de sua princesa. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz da raposa que continuava seu relato
— Eu vi vocês na pista de dança. Ela beijou você e eu tive vontade de te arrancar dos braços dela, mas me contive e fui embora. Eu viajei para a Itália naquela noite. E durante essas duas últimas semanas que estive fora eu só pensava em você. Em como iria me aproximar e finalmente te chamar pra sair. Imaginei que você já teria se cansado da pequena idiota de cabelo azulado há muito tempo... Mas hoje quando cheguei aqui e me deparei com aquela revista, confesso que fiquei muito, mais muito irada mesmo – ela apertou um pouco as mãos do loiro – Mas não se preocupe meu amor. Não estou brava com você. Eu sei que ela ficou se atirando pra cima de você, tentando te seduzir e te conquistar enquanto eu estava longe... Porém eu voltei e com meus poderes eu a manterei fora do caminho. Ela e qualquer outra que tentar nos separar – Volpina se aproximou mais de Adrien, passando os braços ao redor do seu pescoço, inclinando-se, as pestanas se abaixando, pronta para beijá-lo. De súbito, o loiro pôs os braços nos ombros de Volpina afastando-a de si de forma não muito delicada, fazendo a mesma encará-lo surpresa.
— Que foi meu amor? Não quer me beijar? Não vai me dizer que ainda pensa naquela idiota sem graça!
Adrien já estava no seu limite com aquela raposa. Com os punhos cerrados e trincando os dentes ele vociferou
— Não fale assim dela!
O olhar de Volpina foi ficando cada vez mais perplexo
— Porque você a defende? Pensei que me amasse Adrien...
O loiro passou as mãos pelo rosto em um claro sinal de frustração
— De onde você tirou essa ideia Lila? Não trocamos uma palavra há tempos, mal nos cumprimentamos pelos corredores. Esse sentimento que você pensa ser amor é totalmente unilateral e está apenas em sua cabeça!
Durante seu desabafo Adrien sentiu Plagg se revirar em seu casaco novamente. Aquilo não era um bom sinal. O olhar que Volpina lhe lançava agora era de puro ódio, os olhos verdes ganharam uma tonalidade flamejante, como se a qualquer momento ela fosse fulminá-lo literalmente. Quando falou, sua voz destilava toda raiva e indignação que sentia
— Você me enganou Adrien. Me iludiu com suas palavras apenas para que aquela idiota fugisse não foi? É ela quem você quer não é? – ela sacou sua arma, o píparo, em uma clara posição de ataque – Pois saiba que a sua tentativa ridícula de salvá-la bancando o herói não vai adiantar de nada! Eu vou atrás da Marinette e vou acabar com ela, vou fazê-la sofrer e você não poderá fazer nada além de implorar a mim para poupar a vida dela.
Ao ouvir aquelas ameaças, em um impulso, Adrien agarrou os braços de Volpina sacudindo-a, os olhos verdes brilhando, seu alter ego assumindo o completo controle de sua personalidade mesmo sem o uniforme.
— Se você tocar um dedo na minha princesa eu acabo com você!
Por um segundo a raposa titubeou, surpresa com a coragem demonstrada pelo loiro. Mas logo sorriu, agarrando Adrien pelo pescoço e o levantando alguns centímetros do chão.
— E como acha que vai conseguir fazer isso queridinho?
Adrien sentiu sua garganta se fechar e o ar começar a lhe faltar. Em sua mente só havia uma pergunta. Onde você está Bugboo?
***
Marinette havia corrido para o interior do colégio e entrado na primeira porta que encontrara. A do banheiro feminino. Abriu a bolsinha liberando Tikki. Tinha pressa em tornar-se Lady Bug. Mas antes que pudesse proferir as palavras de transformação ouviu a kuami lhe chamar
— Marinette! Você precisa ter muito cuidado com a Volpina...
— Tikki, nós já enfrentamos a Volpina e a derrotamos. Não vou permitir que o medo me paralise.
— Eu sei, mas escute Mari. Ela está diferente, eu posso sentir. Ela está sob efeito de um super akuma!
— Droga! — Marinette praguejou diante daquela nova informação. Claro! Eram muitos sentimentos negativos envolvidos. Não pôde deixar de pensar que a culpa era sua.
— Não sabemos do que ela será capaz Marinette, então lembre-se do que mestre Fu disse e não baixe a guarda!
Marinette assentiu já antecipando a batalha difícil que a aguardava
— Então vamos correr Tikki porque o Adrien está sozinho com ela e eu não vou permitir que ela o machuque.
— Mari – a kuami lhe chamou novamente e pela primeira vez a mestiça percebeu algo que nunca tinha sentido na voz e no olhar da joaninha, medo – Por favor, tenha cuidado.
Marinette engoliu seco e anuiu
— Eu terei. Tikki transformar!
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